Templo das Bacantes Vol. 2

30 Foi o cão que butô pra nois bebê! - Parte 2


Notas iniciais
Olá pessoal. Era para ter postado sexta, mas ai juju quis fazer uma capa e nooossa valeu a pena o atraso, ficou linda e eu ri demais dela hahahaha Sem mais delongas, vamos a fic.

Cumprindo a ameaça, a testa do lemuriano franziu por alguns instantes, quase deixando as pintinhas unidas, e no instante seguinte, no tempo de um piscar de olhos, ambos tinham sido teleportados na mesma posição em que estavam no sofá para o telhado da Segunda Casa Zodiacal, a de Touro.

O lemuriano tinha plena consciência de que aquilo era uma loucura sem tamanho, porém, a se considerar o porre que Aldebaran tinha tomado no casamento de Geisty e Saga, a essa hora ele já deveria estar desmaiado na cama. O mesmo deveria se dar aos outros vizinhos, especialmente os da casa seguinte mais ao alto, que estavam muito ocupados um com o outro para notar qualquer coisa ao seu redor.

— Eu te avisei para não me provocar, praga loira. — disse afundando o rosto na curva do pescoço do outro.

Ao que notou a atmosfera mudar bruscamente, já que antes estavam em um ambiente fechado e agora sua pele era tocada pela fria brisa da madrugada, Shaka inclinou-se ligeiramente para trás tombando a cabeça num gesto meio descoordenado, então se surpreendeu ao ver o majestoso manto de estrelas a reluzir saltitantes no firmamento.

Era quase cinco da madrugada, o dia ainda não tinha raiado.

Virgem deu uma risada alta e gostosa, o que fez Mu logo puxá-lo de volta para a posição anterior e rapidamente tapar sua boca com a mão.

— Shiiii, não faça barulho! — alertou o ariano olhando nos olhos azuis arregalados do marido — A essa altura o Deba já deve estar dormindo pesado depois de ter tomado todas na festa, mas ele não é surdo!

Shaka balançou a cabeça ao modo indiano indicando que havia entendido o recado, e quando Mu liberou sua boca retirando a mão atacou-lhe os lábios com fervor desmedido, buscando a língua do ariano com a sua quase em desespero.

Mu não esperava aquela reação tão intempestiva, mas instigado como estava só conseguiu responder com igual ímpeto tomando a boca do indiano ardorosamente, enquanto com uma das mãos já baixava a calça junto com a cueca até os joelhos sentindo o pênis dolorido a pedir por alívio. Em vista disso, mais que depressa abraçou a cintura de Shaka com um dos braços e o ergueu ligeiramente para poder posicionar seu pênis na intimidade dele e iniciar a penetração.

Porém, quando sentiu o falo duro do amado tocar em seu corpo o indiano interrompeu o beijo.

— Azzim não! — disse arfante.

— N-não? — Mu questionou quase em agonia, interrompendo bruscamente o movimento que fazia.

— Eu quero ficar de quatro. — proferiu Virgem já tombando o corpo para o lado, descendo do colo de Mu às pressas — Shaka gosta azzim.

— Por todo o Panteão Olímpico! Mu também adora assim! — disse um afoito ariano que já mordia os lábios em desespero.

Ouvir o marido confessar aquilo só ateou mais fogo ao desejo por toma-lo.

— Vem Mu! — disse o indiano sem titubear ao se colocar de quatro puxando as longas mexas do cabelo loiro para o lado para deixar as costas livres, então afastou as pernas e empinou o quadril abrindo-se todo para ele — Me pega azzim... vem. — o olhou por cima dos ombros, seus olhos escuros de desejo.

Aquele foi o golpe de misericórdia para Áries.

Mu não estava acostumado a toda aquela desinibição do marido. Shaka poucas vezes lhe confessava seus desejos mais secretos, e quando o fazia era sempre de forma tímida e contida. Olhar para o virginiano tão entregue e exposto daquela forma foi como apagar um incêndio com querosene.

— Exibido... Safado... — Áries murmurou rouco enquanto arrancava às pressas a calça e a cueca as jogando longe, desesperado por tomar o esposo.

Afoito Mu se posicionou ajoelhado atrás de Shaka e olhou com cobiça para sua intimidade. Ansiosas suas mãos apertaram com força as nádegas macias do loiro uma vez mais, depois correu uma delas para a cintura enquanto com a outra segurou na base do próprio falo rijo e úmido o posicionando. Quando sentiu vencer a primeira resistência que o corpo do outro lhe impunha, soltou seu pênis, o agarrou pela cintura com ambas as mãos e o puxou com força para trás, de encontro a seu quadril, e num golpe bruto e seco entrou todo nele de uma só vez até o fundo.

— Aaaaaahh... — Mu gemeu alto, delirando com a sensação de aperto e estrangulamento.

Ainda que ele mesmo houvesse pedido por aquilo, e sabendo o que viria, Shaka não conseguiu conter um gemido alto de dor por ter o corpo invadido daquela forma violenta.

Como ainda tinha os movimentos lentos e a coordenação motora um tanto comprometida pelo álcool em excesso, com aquela investida forte e abrupta dobrou os cotovelos os apoiando na laje de pedra em busca de maior sustentação, então baixou a cabeça e cerrou fortemente os olhos e os dentes tentando suportar a dor.

Sua respiração de repente acelerou num ritmo alucinante, enquanto surpreso agora tentava lidar com uma sensação nova que simplesmente parecia deixa-lo em êxtase, a dor provocada por Mu que misturada ao prazer de ser tomado por ele fazia cada músculo de seu corpo tremer em arrebatamento.

— Aaargh... Ai... — gemeu alucinado. Sua voz abafada pelas costas da própria mão que mordia levemente.

Aquela reação não passou despercebida pelo ariano, que no mesmo instante ficou imóvel dando-se conta da irresponsabilidade que havia acabado de cometer.

Sabendo que qualquer mínimo movimento causaria ainda mais dor ao esposo, com todo cuidado Mu se inclinou sobre as costas dele beijando com carinho sua nuca.

— Me perdoe, Luz da minha vida. Você me provocou tanto que saí de mim e me empolguei. — sussurrou com voz arfante no ouvido do indiano — Você quer parar? Eu paro.

— N-Não... — sussurrou o indiano ao sentir o corpo todo arrepiar em resposta ao contado dos lábios quentes do lemuriano a beijar-lhe a nuca, entorpecido pelo doloroso prazer que sentia.

— Está doendo muito?

— Não... — o indiano mentiu.

— Tem certeza?

— Por Buda, não pare, Mu!... Por tudo que é mais zagrado... continue... Hummm... Eu quero azzim. — tombou a cabeça para trás e de olhos fechados, em êxtase completo, rebolou o quadril incentivando o amado a continuar — Quero com força!

Mu não respondeu de imediato, estava demasiado surpreso e confuso diante daquela devassidão inédita do virginiano e sem saber ao certo como prosseguir, já que estava dividido entre tesão e carinho. Não queria machucar Shaka, mas ao mesmo tempo a aura dele irradiava tanta lascívia que o punha completamente louco de desejo. E se a aura de Virgem não escondia sua vontade, Áries iria satisfazê-la, pois a vontade dele era também a sua.

Shaka detinha essa incrível capacidade de arrebatar Mu e faze-lo realizar todos os seus desejos. Dessa vez não seria diferente, e vencendo a indecisão o lemuriano acabou por entregar-se à luxúria.

— É assim que você quer? — Mu finalmente respondeu enfiando-se mais fundo dentro dele, o sentindo apertar seu sexo de uma maneira inacreditável enquanto corria as mãos de volta para sua cintura.

— Zim... Aaah... — o loiro respondeu trêmulo.

Mu então voltou a ficar com o tronco ereto e segurando firme o loiro pela cintura arremeteu-se contra seu corpo com força absurda, chocando os corpos, uma, duas, várias vezes.

— Aaaaaaaaah... Muuu... Azzim... Huuung... mais, Mu... Aaaii... mais forte...

Virgem gemia e implorava por mais sem pudor algum, arrebatado pela mescla delirante de prazer e dor.

— Aaah Shaka, vou lembra-lo amanhã que foi você quem pediu por isso.

Dito isso, Mu imprimiu ainda mais vigor às estocadas, os trancos ficando cada vez mais rápidos e violentos a ponto de fazer Shaka gritar e arquear as costas, e mesmo assim o indiano pedia por mais. E quanto mais ele implorava mais forte Áries se movia, ambos enlouquecidos com o sexo selvagem que praticavam.

Aquela era a primeira vez que faziam algo do tipo.

Mu sempre teve uma preocupação extra em dar prazer ao amado sem machuca-lo, mas de repente poder se entregar daquela forma aos instintos mais primitivos do homem lhe estava sendo uma experiência fantástica, e já que era o que Shaka também queria, não iria se preocupar em se conter.

Virgem por sua vez, estava em êxtase.

A união carnal intensa, o falo deliciosamente duro de Mu dentro de si, a entrega plena de corpo e alma, somados à violência do ato que também lhe causava dor extrema conduziam o tão recatado Santo de Virgem a um mundo de sensações delirantes até então desconhecidas, onde a dor e o prazer se tornavam um só, e ambos lhe eram proporcionados pelo homem que amava.

Com a testa apoiada nas costas das mãos que estavam unidas espalmadas na laje de pedra, Shaka queimava de vontade de sentir mais, mais dor, mais prazer.

Naquela altura, devido ao atrito constante de seus joelhos e cotovelos contra aquela superfície áspera e extremamente dura esses já estavam bem machucados e o incomodavam bastante, mas tudo que conseguia sentir era um êxtase indescritível, um arrebatamento absurdo.

O sexo forte que praticavam logo conduziu ambos a terrenos nunca antes explorados, e foi nesse mergulho subconsciente, em meio aos pedidos de “mais” e “mais forte” do Santo de Virgem, que Mu de repente ergueu a mão e lhe deu uma sonora palmada na nádega.

Shaka imediatamente contraiu os músculos pélvicos devido à dor e à surpresa.

Não esperava em definitivo por aquilo. Fora pego de surpresa, e surpreendente também foi sua reação.

Enquanto era chacoalhado fortemente pelas estocadas violentas de Mu, sentindo a pele arder onde agora vergões vermelhos se erguiam, Shaka olhou por cima dos ombros buscando os olhos verdes do lemuriano, e os encontrando pediu em voz baixa e rouca:

— Me bate de novo.

Mu sorriu descarado.

— Safado! — disse, não acreditando no que tinha acabado de ouvir, porém com o tesão atingindo um patamar absurdo.

O ariano também já sentia os joelhos reclamarem, castigados pela pedra, mas nem por um segundo era capaz de conter seu ímpeto, por isso inclinou-se para baixo, passou um dos braços pelo peito do marido e voltou a ficar ereto trazendo ele consigo, o forçando a ficar apoiado apenas pelos joelhos. Com o peito colado às costas do virginiano agora Mu podia atacar seu pescoço suado com beijos e mordidas.

— Hmmm... Shaka... Você tira meu juízo, me faz cometer loucuras... — gemeu sentindo o loiro ainda mais apertado naquela posição, enterrando-se alucinadamente dentro dele — Você gosta assim?

— Gosto. — Virgem respondeu quase num chiado.

— Quer outro tapa, seu sacana? — mordeu a orelha do outro o provocando.

— Quero... — Shaka respondeu erguendo um dos braços e agarrando com força os longos cabelos lavanda — Me bate de novo, Mu... bem forte!

— Então toma!

O segundo tapa veio ainda mais forte que o primeiro. Dessa vez na coxa do indiano que encolheu ligeiramente a perna e gritou em delírio. Na mesma hora Shaka levou a mão que tinha livre até seu pênis se masturbando quase no mesmo ritmo das estocadas frenéticas que Mu lhe infringia.

— Quer mais? — Áries provocou mordendo o ombro de Virgem, tomado por um desejo puro e latente que de tão intenso lhe chegava a fazer experimentar uma leve tontura.

— Sim... eu quero!... Aaaah Mu... eztou quase... — respondeu o virginiano entre gemidos despudorados, e quando sentiu a palma da mão forte de Mu novamente se chocar ardida contra sua coxa seu corpo todo estremeceu de forma tão intensa que parecia convulsionar, então cessou os estímulos em seu sexo e o apertou com força entre os dedos experimentando um orgasmo que de tão forte e arrebatador parecia lhe privar dos sentidos — Aaaaaaaaaaaaaaaaaaah...

Alucinado de tesão ao testemunhar a entrega sublime do amado, e instigado pelo prazer intenso que acabara de lhe proporcionar de uma forma tão cúmplice e ao mesmo tempo tão devassa, quase ao mesmo tempo Mu também sentiu seu baixo ventre se contrair com tanta violência que quase se deixou cair sobre Shaka, porém manteve-se firme, e com uma última estocada forte gozou em abundância entregando-se a um orgasmo sublime que pareceu drenar todas as suas forças quase que de imediato, em delírio por senti-lo agora tão apertado.

Ainda sofrendo os espasmos delirantes do gozo, Mu segurou firme o corpo de Shaka contra o seu e tombou lentamente para o lado o trazendo consigo.

Deitados ainda encaixados um ao outro, ambos agora gemiam baixinho e ofegavam em estado de graça.

— Ah... Luz da minha vida... foi tão bom... — o lemuriano disse arfante e feliz.

— Humm... foi... Foi maravilhoso! — o indiano respondeu com o coração acelerado.

— Mas também foi uma loucura! — murmurou Áries que afundava o rosto nos cabelos loiros suados de Virgem para lhe beijar a nuca — Fazer amor aqui... No telhado da Casa de Touro... E desse jeito tão... doido. — não encontrou outra palavra que pudesse dizer ali, naquela hora.

De olhos fechados, sorriso satisfeito no rosto corado e com o êxtase do orgasmo já bem mais ameno, assim como a embriagues — por conta de toda a adrenalina em seu corpo — Shaka agora começava a sentir na pele as consequências daquele ato desvairado.

Sua intimidade doía muito, e seus joelhos e cotovelos ardiam demasiadamente, em contrapartida sua mente e espírito estavam plenos e leves como nunca.

— Sim, Mu... foi uma loucura, mas foi tão bom quanto da primeira vez que fizemos amor aqui. — disse com a voz mais clara e totalmente distraído, dando um suspiro de satisfação — Não... bom não, foi melhor!... Siiim, muito melhor que da primeira vez.

Súbito Mu franziu a testa, confuso com o que ouviu e até um tanto enciumado. Nunca havia feito amor com o marido ali antes, e a primeira vez deles havia sido na lua de mel, em Jamiel. Será então que ainda meio embriagado o virginiano o estava confundindo com alguém?

Imediatamente Mu afastou-se do esposo, ergueu o tronco se apoiando em um dos braços e segurando no queixo de Shaka o fez olhar para si, lhe lançando um olhar inquisidor.

— Nós nunca fizemos amor aqui, Shaka. — disse com uma pergunta muda nos olhos.

O Santo de Virgem então se deu conta de que tinha falado demais. Aliás, naquele dia tinha extrapolado em praticamente tudo que fizera, mas se já tinha deixado escapar, talvez fosse a hora de revelar a Mu um fato do passado que tinha guardado esse tempo todo consigo apenas porque sentia-se envergonhado em revelar a verdade, tanto por si mesmo quanto por Mu.

Ainda meio entorpecido pelo álcool, piscou os longos cílios loiros, apoiou uma das mãos na pedra e ergueu ligeiramente o tronco.

— Espera... Me deixa sentar... — disse ao se separar do marido para sentar-se de frente para ele. Não pode evitar uma careta de dor ao fazê-lo — Ai... Shaka tem um segredo para contar para o Mu! Bom... não é beeem um segredo.

— Que segredo?

— Lembra quando você foi para o quarto com a amazona de Águia? No dia da inauguração daquela casa mundana de tolerância?

— Infelizmente lembro. Tive uma ressaca horrível, e ainda quase cometi uma besteira com Marin. Mas, o que isso tem a ver com o que estamos falando? — Mu questionou ainda mais encucado.

— Como vou dizer isso? — suspirou procurando um modo certo de contar que havia invadido a privacidade de Mu, paralisado Marin e feito amor com ele de modo não convencional, e logicamente não encontrado um modo certo falou do errado mesmo — Pois bem, naquela noite Shaka viu tudo, Mu.

— Como é que é? Você me viu? — Mu questionou franzindo a testa.

— Bem... Não só viu como impediu o Mu de se deitar com a Marin, fez amor com ele telepaticamente e ainda se auto acariciou bem aqui, nesse telhado. — não conseguiu evitar o riso que escapou de sua boca.

— O... quê?... Espera... — Mu se sentou também, depois esfregou o rosto com as mãos, chocado e incrédulo com o que acabara de ouvir, então voltou a encarar o loiro enquanto tentava organizar toda aquela informação —... Shaka, naquela noite Marin e eu apenas dormimos um ao lado do outro... e... bem... Pelo menos foi isso que ela me disse.

— Águia mentiu. — disse o Santo de Virgem, que agora engolia o riso para assumir um semblante mais sério — Marin deve ter ficado com medo porque eu a paralisei e entrei na sua mente e na dela... mas, Mu, eu só fiz isso porque você ia se deitar com ela sem ter consciência plena do que estava fazendo...

— Pelo Monte Olimpo! — Mu arregalou os olhos e cobriu a boca aberta em estarrecimento com ambas as mãos.

Na época não havia percebido a mentira na aura da amazona devido à ressaca e a timidez que o tomara ao acordar nu ao lado dela. A vergonha e constrangimento que sentiu na ocasião em relação à amazona de Águia vieram à tona, porém agora em dobro, além de estar chocado por Shaka ter feito tal coisa e lhe omitido, porque acreditava piamente que apenas havia tido um sonho erótico com o indiano naquele dia, o qual, inclusive, lhe fez sujar os lençóis da cama de Marin, fato este que por sinal lhe deixou bem confuso naquela época.

— Eu sinto muito, Mu. — disse Virgem em voz bem baixa.

— Não foi sonho! — concluiu atônito o ariano.

— Não.

— Você... SHAKA! — Mu fez uma pausa e assumiu um semblante irritadiço — Sua... praga! Eu passei semanas me culpando por me sentir atraído por você, meu melhor amigo, um monge, casto, o próximo Buda, e você...

— Eu sei que eu errei, Mu... Errei duas vezes, uma por ter invadido sua privacidade e outra por ter omitido isso de você até hoje. — já mais consciente Virgem tentava explicar, no fundo aliviado por estar revelando aquilo para o companheiro, porém extremamente envergonhado — Mas é que...

— Pela deusa! E Marin sabia de tudo... — o ariano estava completamente atormentado em saber que Marin havia presenciado tamanho constrangimento — Nós fizemos mesmo?

— Foi.

— Para mim a lembrança é... confusa. Só me lembro da sua presença, sua voz, e de sentir meu corpo quente... Acho que estava mais do que bêbado naquela noite, não é possível não ter percebido. — balançou a cabeça injuriado, depois voltou a olhar sério para Shaka — O que ia dizer?

— Ia dizer que eu já sabia que amava você naquela época, e não como amigo... — baixou a cabeça constrangido —... Mas eu não tinha a mínima perspectiva de revelar esse sentimento a você, quanto muito achar que ficaríamos juntos um dia... Eu tinha a minha missão, você a sua... Shaka estava conformado. — suspirou e voltou a encarar os olhos verdes do ariano — Porém, quando o vi beijar Marin senti naquela hora que poderia te perder para sempre, e tive medo... Foi quando entrei na sua mente e... fiz amor com você por telepatia... e Marin viu tudo. — novamente baixou a cabeça embaraçado.

— Viu tudo o quê?

— Ora, tudo!... Eu também estava na mente dela, e você... Você se remexia nos lençóis me instigando, me chamando... tão sexy, tão lindo... — suspirou dando um sorriso, mas depois voltou a baixar o olhar, não conseguia encarar os olhos verdes do lemuriano — Depois me senti tão culpado que fiz dias de jejum em penitência até cair doente, e o resto já sabe.

— Athena! Já pode me levar! — exclamou o lemuriano escondendo o rosto com as mãos. Nunca mais conseguiria olhar para a amazona de Águia da mesma maneira.

— Bom... pelo menos agora não há mais segredos no nosso casamento, Mu... pense por esse lado. Shaka queria ter contado antes, só não sabia como. — olhou para Mu dando de ombros — Perdoa ele.

— É... E ai precisou tomar uma garrafa inteira de Cura Viado para criar coragem... O que eu faço com você? — Áries olhou de lado para ele.

— Me beija. — sorriu atrevido e se inclinou para frente dando um beijo no cantinho dos lábios do ariano, que não resistiu e lhe acariciou o rosto corado tomando sua boca para um beijo mais profundo.

— Você é mesmo a minha perdição, Shaka de Virgem. — sussurrou na boca do indiano — A Luz da minha vida, mas também minha praga loira. Olha as coisas que me obrigada a fazer, as situações em que me coloca, seu safado.

— Humm... Shaka não é safado, ele só ama demais o Mu. — disse enquanto beijava o pescoço do ariano.

— Sei... — Áries sorriu ternamente enquanto via as primeiras luzes do alvorecer iluminarem o rosto de Shaka, que mesmo todo suado e com uma mancha vermelha borrada na testa, que antes tinha sido um bind perfeitamente desenhado, não maculava em nada sua beleza única — Vem cá. — disse puxando o indiano para seus braços o apertando contra seu corpo bem forte — Vamos para nossa casa. Depois dessa que me aprontou sentirei vergonha por vinte vidas, não preciso então que alguém nos pegue aqui para aumentar ainda mais essa conta.

Quando deixaram o telhado da Casa de Touro, o sol começava a despontar no horizonte.

***

Cinco horas haviam se passado.

Shaka estava montado em um lindo e majestoso elefante branco que corria festeiro em um campo de lavanda. O robusto animal balançava a tromba enorme batendo as orelhas serelepe, e montado nele Virgem estava nu. Apenas o lenço vermelho inseparável de Mu jogado em seus ombros.

De repente o elefante parou de correr, ficando imóvel. Shaka estranhou a mudança súbita do comportamento do animal e chamou sua atenção lhe dando dois tapinhas na cabeça. Foi então que o elefante virou a cabeça para trás, num giro de cento e oitenta graus, fazendo o indiano notar que ele tinha duas pintinhas lemurianas lilases em sua testa, então o elefante arregalou os olhos escuros, abriu a boca e chorou, alto e estridente, idêntico ao de seu filho Kiki.

O Santo de Virgem abriu os olhos ao mesmo tempo em que inspirou o ar pela boca exasperado. Levou alguns segundos para reconhecer o teto de seu quarto e o ambiente como um todo, então levou a mão ao peito agitado e quando realizou que havia tido um pesadelo suspirou aliviado.

O sonho tinha acabado quando despertou, mas o choro de Kiki não, este ele agora tinha certeza de que ouvia ao longe, alto e potente como sempre.

Preocupado com o filho puxou o lençol para o lado e se surpreendeu ao se ver vestido apenas com uma camiseta branca velha de Mu com os dizeres “I LOVE TIBET” e seus joelhos enfaixados.

Franziu as sobrancelhas loiras desconcertado, os sentindo bem doloridos, mas foi quando se sentou na cama para se levantar que constatou que não eram apenas os joelhos que lhe doía.

— Aaaaaaaaaahhhhuuuu. — gemeu fazendo uma careta de dor ao sentir uma fisgada no traseiro, e imediatamente tombou o corpo para o lado apoiando uma das mãos no colchão para se sentar de lado, extremamente transtornado — Buda!... O que aconteceu comigo? Uma manada de elefantes me passou por cima?

Com muito custo, pois além da dor nos joelhos, traseiro, coxas e cotovelos, sua cabeça latejava e a boca estava tão seca que parecia ter lambido uma tonelada de cal, o indiano se levantou da cama e caminhou trôpego até o closet, onde apressado vestiu uma calça de algodão larguinha, calçou chinelos, prendeu os cabelos num rabo de cavalo e deixou o quarto seguindo o choro do bebê, pronto para acudir o filho.

Quanto mais se aproximava do berreiro mais sentia que sua cabeça fosse explodir a qualquer momento, até que chegou à cozinha, onde encontrou Mu preparando a mamadeira de Kiki enquanto este se esgoelava deitadinho no moises em cima da mesa.

— Oi Luz da minha vida, já levantou! Achei que fosse dormir até mais tarde. — disse o ariano quando o viu ali.

— Oi, Mu... Eu escutei Kiki chorar. — o virginiano respondeu aproximando-se e o cumprimentando com um selinho nos lábios.

— Sim, ele acordou cheio de fome, né filhote? — falou Mu, que agora esfriava o leite para coloca-lo na mamadeira. Enquanto isso foi até o fogão onde apanhou um bule fumegante que exalava um cheiro agradável de ervas variadas e gengibre — Eu fiz um chá para você. Deve estar com uma ressaca terrível. Infelizmente nós cavaleiros não somos imunes a ela. — sorriu divertido.

— Oh, sim! Estou... Nem imagina o quanto! — Shaka suspirou esfregando a testa com os dedos, depois foi até o moises e tentou acalmar Kiki — Shiii, meu anjinho... O papai já vai trazer o seu café da manhã.

— Tome esses dois comprimidos para dor de cabeça. — despejou o chá em uma caneca de porcelana e junto dela deixou os comprimidos — Também ajudarão a aliviar as dores no corpo.

— Obrigado, Mu. — disse Virgem virando-se para o lemuriano, depois pegou a caneca nas mãos a e ficou segurando por algum tempo com o olhar meio perdido, até que soltou um suspiro — Buda, que sensação ruim!... Lembre-me de jogar fora aquelas garrafas que o Aldebaran nos deu. Aquilo é um veneno!

Mu sorriu para ele.

— Sim, vamos joga-las fora, afinal, além de serem veneno não cumprem o prometido, né Sha?

— Que quer dizer?

— Ora... Você tomou uma garrafa inteira de Cura Viado e, pelo que me parece, não surtiu efeito. — brincou indo até o marido e lhe dando um beijo estalado no rosto.

Shaka olhou sério para ele, mas não conseguiu manter a postura por muito tempo e riu junto.

— Como você é besta. — disse o loiro jogando os comprimidos na língua e os engolindo com o auxilio do chá.

Aos risos Mu terminou a mamadeira, pegou Kiki do moises, puxou uma cadeira e se sentou com o filho no colo para alimentá-lo. Shaka encostou-se na mesa os observando enquanto tomava o chá.

— Agora que está sóbrio, me diga. Por que fez isso, Sha? Por que tomou uma garrafa inteira de cachaça sozinho? Você detesta álcool. Foi por causa da nossa briga lá na praia? — Mu perguntou, agora que Kiki estava ocupado mamando e eles enfim podiam conversar em silêncio.

— Sei lá... Eu acho que surtei. — Virgem respondeu esfregando a têmpora — Eu detesto brigar com você. Estava chateado, triste, achei que não fosse mesmo voltar para cá, que fosse dormir em Áries, então eu resolvi beber para, quem sabe, dormir, desmaiar, e não descer até lá e te trazer de volta para casa arrastado pelos cabelos para que soubesse de uma vez por todas que o seu lugar é aqui. — tomou um gole do chá tranquilamente.

— Nossa... Que romântico! — Mu riu arregalando os olhos, mas depois sua expressão se tornou terna e suave — Bem, ontem quando cheguei eu lhe disse algo que provavelmente não se lembra. Eu disse que Áries é a minha casa, o Templo do qual sou o guardião e por isso devo zelar por ele, mas é aqui em Virgem que encontrei meu lar, com minha família... Depois, já me habituei a dormir com seu corpo junto ao meu, sentindo seu cheiro e sua presença ao meu lado. Eu não iria conseguir dormir lá sem você.

— Sinto muito por ontem, Mu. — disse Shaka, que agora acariciava a bochecha rosada de Kiki no colo do marido — Você é o melhor marido e o melhor pai que existe! — de repente levou a mão até o quadril e esticou-se todo fazendo um meio alongamento — Unnh... mas que dor nas costas... Como ressaca é horrível. Por Buda!... E essas faixas nos meus joelhos? Não me lembro de tê-los ferido, tampouco feito esses curativos.

— Por que fui eu quem os fez... Luz da minha vida, não se lembra da nossa reconciliação? — Mu perguntou provocando.

Shaka ficou um tempo pensativo, tentando se recordar do que havia acontecido na noite passada depois que voltou para o Santuário após a briga na praia com o marido.

— Eu me lembro que bebi aquele veneno brasileiro, depois senti calor, um calor horroroso... — flashes desconexos de memória agora desfilavam em sua mente em câmera lenta —... Lembro-me do céu estrelado... Um tom coral no horizonte, uma brisa fresquinha... Cheiro de mar... — franziu as sobrancelhas e piscou os olhos azuis algumas vezes tentando se recordar, então olhou muito sério para o ariano —... Quando me levantei da cama estava nu da cintura para baixo... minhas pernas estão cheias de marcas... e olha só... — ergueu a mão mostrando a palma toda esfolada para Mu — Até minhas mãos estão marcadas... Mu, você não se aproveitou de mim enquanto eu estava fora do meu estado normal, não foi?

Aos risos Mu terminou de alimentar o filho e o colocou para arrotar o apoiando nos ombros enquanto olhava para Shaka.

— Óbvio que não, muito pelo contrário, senhor Shaka de Virgem. Você que se aproveitou de mim... Me fez fazer tudo que quis... Me provocou tanto que fomos parar no telhado da casa do Aldebaran, fizemos amor de um jeito nada convencional, pelo menos bem diferente do que estamos acostumados, e no fim me contou que você sim abusou de mim telepaticamente enquanto mantinha Marin paralisada me vendo sujar os lençóis dela.

Um silêncio absoluto se fez na cozinha da Sexta Casa Zodiacal, até Kiki quebra-lo com um sonoro e farto arroto.

— POR BUDA! — Shaka arregalou os olhos, chocado com o que ouviu.

— Eu bem que tentei domar o seu... ímpeto. Eu tentei te avisar que se arrependeria no dia seguinte, mas você parecia estar possuído pelo gênio devasso da luxúria, Luz da minha vida. — ajeitou Kiki em seu colo que agora saciado sorria e fazia gracinhas — E você estava tão safado e fogoso que eu também não consegui me conter, afinal eu não sou de ferro, né. Bem que tentei segurar a onda, mas... quando vi que você estava gostando eu gostei também e ai... foi. Depois te trouxe para casa, te dei um banho e fiz os curativos.

— Por isso que me dói tanto o... — calou-se, sentindo o rosto esquentar e queimar de vergonha —... Como posso não me lembrar de nada? Que poder tem essa bebida do Aldebaran de apagar a mente das pessoas?... Pelo jeito foi muito bom!

— Ah, se foi! E você falou em terceira pessoa o tempo todo.

— Eu fiz amor falando em terceira pessoa? Buda, que coisa ridícula!

Mu riu alto, quase uma gargalhada.

— Não fizemos só amor, fizemos um sexo bem doido. Shaka falou muitas coisas safadas pro Mu, e o Mu adorou todas, por isso ele não resistiu e pegou o Shaka de jeito, com força, como ele pediu. — o ariano sussurrou estreitando os olhos verdes.

— Eu pedi? — perguntou chocado, ainda mais corado.

— Pediu. Várias vezes.

— Oh, Buda! Quantos demônios existiam dentro daquela garrafa? Que vergonha!... Decididamente nunca mais vou beber! Nunca! Que meu Kiki nunca saiba de uma indecência como essa! — disse dando o dedo indicador da mão para o ruivinho segurar.

Mu ria divertido das reações e preocupações do marido, e simplesmente não conseguia evitar brincar com ele.

— Kiki, sabia que seu Bába tem um fetiche sexual peculiar? Ele adora fazer saliências no telhado da Casa de Touro! — brincou o ariano.

— MU!

— E sabia que seu Bába se aproveitou do seu papai quando ele estava bêbado e o fez fornicar com um pobre e inocente travesseiro?

Kiki deu um gritinho exaltado chacoalhando as perninhas.

— MU NÃO FALE ESSAS COISAS NA FRENTE DA CRIANÇA! — repreendeu o virginiano enquanto tapava os ouvidos do ruivinho com as palmas das mãos.

— É por isso que as mãos do seu Bába são mágicas! Muita prática em auto carícias obscenas em telhados alheios.

— Kiki, não escute o que seu pai diz. — disse Shaka destapando os ouvidos do bebê — Seu Bába fez essas coisas porque sempre foi loucamente apaixonado por ele, e não porque é um saliente. Mu, não fale essas coisas na frente do menino, não vê que ele já entende tudo? Ele está quase um mocinho já. Tem que ter cuidado com o que diz perto dele.

— Ah, com certeza, Luz da minha vida. Nosso bebê é praticamente adulto já. Já sabe até ler. — ironizou aos risos, depois puxou o indiano, que estava de pé ao seu lado, pela cintura o trazendo para perto de si e lhe beijou a barriga por cima da camiseta — Amor, o coitado não consegue nem ficar sentado sozinho ainda, não tem nem dente, não fala nem um Gugu Dadá... Não se preocupe com o que falamos perto dele. Kiki é um nenêzinho cagão que só sabe fazer sujeira, mamar todo o leite da farmácia e deixar o Bába dele louco, não é, filhotinho?

Kiki deu outro gritinho animado seguido de uma gargalhada.

— Não fale assim dele, Mu. Ele vai se ofender.

— Se ofender? — Mu riu alto — Amor, Kiki é um nenê tão bobo que, olha só... Come até a própria mão! — disse ao ver o menininho todo feliz a mastigar os dedinhos da mão que havia levado à boca.

— Fala para seu pai que bobo é ele, meu anjinho. É tão bobo que nem percebe que eu estou virando um garotão grandão! — disse Shaka sorrindo, indicando a Mu que lhe deixasse pegar o filho no colo.

Quando o lemuriano lhe entregou o bebê, Shaka o aconchegou em seus braços o apertando delicadamente contra o peito, então beijou sua testa entre as pintinhas lemurianas.

Mu se levantou da cadeira e colocou a mamadeira vazia sobre a mesa, depois acercou-se do marido e do filho novamente.

— Você está doido para ver ele se tornar um garotão, né Sha? — o ariano sorriu fazendo uma carícia na franja do indiano.

— Sim! Muito! — Shaka sorriu de volta.

— Vai demorar um pouco, Luz da minha vida. Terá que ter paciência. Quando ele tiver dez anos irá ter a aparência de uma criança de mais ou menos cinco ou seis anos ainda, e irá comportar-se da mesma maneira... Como foi comigo. Nós, muvianos, temos nosso desenvolvimento mais lento na infância, por conta dos nossos poderes raciais que precisam de mais tempo para surgir e amadurecer, depois na fase adulta estacionamos por muitos anos, por isso somos longevos. — agora acariciava os cabelinhos do filho no colo do virginiano — Kiki terá uma longa infância, e sei que no que depender dos pais dele será um período pleno de felicidade e paz.

— Certamente que sim, Mu. — Shaka sorriu para o ariano, depois voltou a contemplar o rostinho do filho — Puxa... Eu sei que sentirei saudades dessa fase de bebê, sentirei saudades de segura-lo em meu colo, mas tenho tanta curiosidade em ver como nosso Kiki vai ficar quando crescer. Como será a voz dele, Mu? Do que será que ele vai gostar? Do que ele vai brincar?... A única certeza que tenho é de que ele será justo e sereno, né filho? Assim como o Bába. Zen como um lago em noite sem vento!

Mu suspirou meneando a cabeça negativamente. Realmente Shaka não conseguia enxergar que de lago em noite sem vento Kiki não tinha era nada. Era um mini furacãzinho que agitava até a mais plácida das águas.

— Ai, Mu... pega ele aqui. — disse Virgem entregando o bebê para o marido — Hoje realmente não estou nos meus melhores dias. Minha cabeça voltou a doer.

— Deite-se, Sha. Descanse. Eu fico com nosso pequeno grande homem. Não se preocupe. Você sempre é quem cuida de nós com tanto amor e zelo. Hoje é nosso dia de cuidar do Bába, não é filhote? — disse pegando Kiki no colo — Nós vamos limpar a casa, depois vamos preparar uma bela costela de vaca no bafo com linguiça apimentada e muito bacon para o Babá comer, do jeitinho que ele gosta, e aí nós vamos fazer umas caipirinhas com cachaça brasileira para a hora da novela. — deu uma piscadinha para Shaka fazendo graça.

Virgem sorriu descontraído. Um riso pleno de alegria. Passou um dos braços por cima do pescoço do ariano e encostou sua testa na dele, olhando em seus olhos com o mais terno dos seus olhares.

— Shaka não vive sem o Mu, nem sem o Kiki. Shaka é capaz de viver até sem o Buda, mas definitivamente ele não vive sem o Mu e o Kiki. — sussurrou confesso, depois beijou o rosto do ariano — Eu te amo, Mu.

— Eu também te amo, minha praga loira.

***
Casa de Touro, 12:35pm

Desde o alto do monte, onde se mantinha firme através dos milênios a estatua da deusa Atena, até o primeiro degrau que levava à Casa de Áries, um silêncio respeitoso e necessário se fez durante toda a manhã para que seus moradores pudessem descansar da noite festeira que passaram e que varou a madrugada.

Mas, foi da entrada silenciosa e escura do opulento Templo de Touro que ruídos ritmados puderam ser ouvidos quebrando um pouco daquele silêncio.

Era o guardião da Segunda Casa. Não trajava a sua imponente armadura, mas uma camisa já surrada pelo tempo a se dar pelo slogan eleitoral de terras distantes que a estampava, um short de algodão folgado e havaianas que se arrastavam contra o chão de pedra rústica nos pés.

Ainda com o rosto amarrotado pela bebedeira e noite mal dormida, Aldebaran seguiu para os primeiros dois degraus de sua residência munido de uma generosa caneca esmaltada com café bem forte e um pedaço de pão recheado com mortadela, duas vezes maior que sua mão.

— Cara, que friaca é essa mermão? Ainda nem chegou o frio de verdade e já tá assim?

Reclamou fazendo caras e bocas, enquanto acompanhava o traçado da luz do sol pelos degraus para se sentar e talvez conseguir se aquecer.

Assim que achou um ponto com mais calor se acomodou sentando no degrau e soltou um suspiro.

— “Pô... Patrão botou pra fudê mermo no casamento... Falou que não queria mendigaria e não poupou mermo... Arrebentou a boca do balão! Bebi mais que um opalão, Virgem Santa! Só um preto forte e amargo pra curar essa minha ressaca.” Pensava consigo enquanto dava uma mordida generosa no pão que em poucas mastigadas já era engolido.

Enquanto ensaiava para levar a caneca de café preto até a boca um vento frio passou rápido e forte fazendo o taurino se estremecer todo, atrasando a ação em um milésimo de segundo, porém tempo suficiente para que do alto do telhado do Templo de Touro, faceira e displicente, uma cueca samba canção de seda descesse bailando no ar.

Com os olhos fechados para apreciar aquele sabor único que só um café forte dá logo pela manhã, bocarra escancarada e a caneca esmaltada cheia prestes a lhe tocar os lábios, a samba canção lhe atingiu em cheio.

O taurino foi pego tão de surpresa e com o susto deu um pulo sentado mesmo, fazendo metade do café quente pular da caneca direto para seu rosto e fazendo a cueca, que estava caída em sua cabeça, escorregar direto para a bebida.

— Mas que porra é essa, cara? Que... Que que é ... AHHHH TRUTA, mas que caralho, maluco! Cueca? — primeiro olhou injuriado para a samba canção prateada com estampas de gravatinhas borboleta azuis, e agora toda molhada de café, que agora segurava com a ponta dos dedos no alto — Qual é? Calcinha cheirosa não chove, né? — depois olhou em volta achando ter sido pego em uma travessura — E ainda acerta meu café! Palhaçada isso, viu! — tacou a peça no chão e saiu pisando duro em direção ao interior de seu Templo — Agora vou ter que passar outro café, porque eu não vou tomar essa merda com gosto de rabo de macho de jeito nenhum!

*Fala de bêbado

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Grupo " fics trio ternura"

Grupo Mushakismo

Notas finais
Shaka vai sentar de ladinho uns bons dias hahahaha Bom galera, espero que estejam atentas e pescando todas as pequenas deixas sobre o relacionamento desse casal, pois o futuro aguarda surpresas interessantes sobre eles. No próximo capítulo teremos Camus e Dite daquele jeito que a gente gosta: Dite quase matando Camus do coração hahahahah beijosssssssssssssss