Notas iniciais
* HOT* HOT* HOT* Hoje tem safadeza meu povo, do jeitinho que vocês gostam e uma capa LINDAAAAAAAAAAA que a Rosenrot fez pra esses dois viados lindos da porra *-*

Hospital de Atenas, Ala 5, 10:15am

— Muito bem, Afrodite! Sua recuperação foi fantástica como eu havia previsto. — disse doutor Hector ao analisar os exames mais recentes do pisciano enquanto este, deitado em uma maca em seu consultório sem camisa para deixar exposto o abdome, o ouvia atentamente — A cicatrização também está perfeita!... Infelizmente a cicatriz é bem extensa, mesmo o nosso cirurgião plástico tendo feito uso dos procedimentos estéticos mais modernos para não deixa-la tão aparente. — lamentou Hector pousando suavemente o dedo sobre a marca em alto relevo pouco acima do umbigo do cavaleiro.

— Ah, tudo bem, doutor. Para um cavaleiro cicatrizes são sinais de honra e bravura, ainda que esta tenha sido causada por um golpe covarde. — disse Afrodite sorrindo meio sem graça enquanto pensava que se tivesse ganhado uma cicatriz daquele tamanho anos atrás provavelmente estaria tendo um chilique, mas agora não. Muito de sua vaidade fora perdida quando entendeu que há coisas mais importantes a se importar na vida.

Hector sorriu de volta lhe estendendo a mão para ajudá-lo a se levantar da maca.

— Já tem conseguido controlar seu Cosmo totalmente? — perguntou.

— Sim. Totalmente.

— Que ótima notícia! Confesso que fiquei apreensivo, pois mesmo Mu apurando as últimas filtragens percebemos que foi impossível remover 100% do aço lemuriano em seu corpo. Algumas partículas ficaram impregnadas demais em seus tecidos, e ainda que em quantidade irrisória não sabíamos qual seria a resposta de seu Cosmo a elas.

— O meu corpo é todo esquisito, né doutor. Sou metade homem, metade planta e toda sereia! Alôca! — riu enquanto vestia a camisa — Nem eu sei o que ele pode me aprontar e até onde ele é capaz de me surpreender... Mas, de uma coisa a respeito do meu corpo eu tenho certeza. Ele precisa urgentemente de sexo!

O médico riu meio tímido.

— Bom, acho que já pode atender às vontades dele.

— Já estou liberado para dar umazinha?

— Quantas quiser! — riu o médico — Já pode comer alimentos sólidos também, apenas pegue leve em exercícios muito puxados, evite abdominais por mais uns quinze dias e álcool, de resto, seja feliz!

— Eu vou ser sim! — Peixes respondeu puxando o médico para um forte abraço, além de agradece-lo também lhe presenteando com um vaso grego com rosas cultivadas em seu jardim.

***

De volta ao Santuário, antes de subir até o Décimo Segundo Templo Afrodite passou em Virgem para visitar Geisty, e como quase sempre acontecia quando estava na companhia da amazona, que agora era sua melhor amiga de infância, perdeu a noção das horas e acabou ficando para o almoço.

No final da tarde, já em sua casa Peixes agora se preparava para receber Camus e Hyoga que chegariam de Moscou em poucas horas. O aquariano e o filho tinham regressado à Rússia há cinco dias, já que agora como Vor máximo os dias que Camus podia se ausentar dos negócios da máfia se reduziram ainda mais, e mal podia esperar para matar as saudades deles.

Por isso, quando o francês anunciou-se na entrada de sua casa, já adentrando as dependências internas, Peixes rapidamente os foi receber com um sorriso exultante no rosto levemente maquiado.

Os três jantaram juntos, conversaram e riram muito, trocaram carinhos, afagos, beijos e abraços, e quase perto da meia noite assistiam a uma das animações que Hyoga tanto gostava estirados no tapete felpudo da sala acomodados em várias almofadas brancas.

Hyoga já dormia profundamente, exausto de alegria, enquanto Afrodite e Camus, deitados lado a lado, mas de frente um para o outro, conversavam entre sussurros para não acordar o pequenino.

— Por enquanto está dando para deixar Andreas no comando na minha ausência, mas non posso extrapolar e ficar muitos dias fora ou aquilo vira um caos. — disse Camus enquanto acariciava o rosto de Afrodite.

— E Andreas é confiável mesmo? — Peixes perguntou.

— Sim. Ele passou em todos os meus testes mais rigorosos. Ele mataria e morreria por mim, como o cão fiel que precisa ser. Tenho plena confiança nele. É meu braço direito.

— Hum... Andreas é bem bonito, não acha? — Peixes perguntou sussurrando ao mesmo tempo em que acariciava o peito de Aquário por cima da camisa social que ele usava.

Camus sorriu discretamente com os olhos cravados nos de Afrodite.

Non sei. Você acha?

— Acho! Tem uma mão grande, e uma bunda espetacular. — Peixes sussurrou — E é dotado! Já reparei também. — mordeu o lábio inferior.

— Olha as coisas que você repara. Você non vale nada. — Camus sussurrou rouco.

— Você vale menos ainda. Por que não colocou o careca como seu braço direito? Ou aquele outro que parece um cabo de guarda-chuva? Foi escolher logo o suíno tesudo.

— Porque, mon amour, ser um tesão, segundo está dizendo, non é apenas uma das qualidades do Andreas. Ele é o mais competente dos cinco que juraram lealdade incondicional a mim. Ele poderia ser um deus da beleza ou uma aberração que eu non me importaria. Eu preciso de alguém confiável, e se você está com ciúme non tenho culpa. — esticou-se todo para dar um selinho nos lábios do sueco — Mudando de assunto, porém nem tanto... Como foi no médico hoje? Já está liberado? — perguntou com os olhos brilhando de ansiedade.

Afrodite virou o rosto para o lado confirmando que Hyoga dormia pesadamente, então voltou a olhar para Camus e pegando sua mão a colocou sobre seu pênis, por cima do tecido de seda inglesa e rendas bordadas da saia do vestido rosa antigo que estava usando.

— Isso responde sua pergunta? — sussurrou ainda mais baixo sufocando um gemido ao sentir o aquariano apertar seu sexo.

Non sei. Você sempre está duro, ma belle. — o francês respondeu estreitando os olhos com um sorriso safado no rosto.

— É porque estou sempre pensando em você, meu mafioso malvado. — Peixes arrastou-se para mais perto do outro e esfregou seu rosto no pescoço quente exposto pela gola aberta da camisa — Não aguento mais esse jejum, Camus.

— Eu também non. Se ficar mais um dia sem transar com você eu acho que vou enlouquecer. — sussurrou excitado — Por isso eu já tenho tudo planejado.

— Tudo o quê?

— Amanhã passaremos o dia no Vênus.

Afrodite arregalou os olhos e seu rosto iluminou-se de imediato. Abriu a boca e deu um “grito” mudo chacoalhando pernas e braços, eufórico.

— Arrasou bicha! — sussurrou segurando o rosto de Camus e lhe dando um beijo estalado nos lábios — Mal posso esperar para ver meu iate!... Mas... e Hyoguinha? Podemos leva-lo? Ele vai amar aquilo lá!

— Acho melhor ainda non. Eu... tenho uns planos para nossa noite de estreia no Vênus e Hyoga lá tiraria meu foco.

— Sua suja, safada! Quer trepar até morrer, né? Igual daquela vez no puteiro que você morreu e eu tive que te carregar morro acima até seu Templo. — falou baixinho e deu um beliscão no mamilo do aquariano por cima da camisa — Ah, por isso que eu te amo, Camy!

— Ai, para com isso. — o francês reclamou protegendo os mamilos com as mãos — Sim, quero! E sei que você também quer, e quando vir o que preparei para nós, mon amour, um dia e uma noite serão poucos!... Tirarei um final de semana para levarmos Hyoga para lá e lhe dar toda a atenção que merece, mas amanhã, seremos só você e eu. — beijou rapidamente os lábios do pisciano e logo se afastou. Hyoga estava ali perto e não iria desrespeitar o filho agarrando-se com o namorado na presença dele — Já falei com o Shaka e ele vai ficar com Hyoga, que adorou a ideia. Por incrível que pareça ele adora aquele entojado do Virgem, e passar um dia com outra criança também fará bem para ele.

— E que horas vamos?

— Nas primeiras horas da manhã. Deixarei Hyoga às 08:00h em Virgem... Espere. — disse o francês enquanto enfiava a mão no bolso da calça e tirava de lá um pedaço de papel, o qual entregou ao sueco — Pegue. Esteja nesse endereço às 09:00h. Aí fica um hangar particular que serve ao porto de Rafina. Eu aluguei um helicóptero para nos levar até o Vênus. Ele está ancorado há alguns quilômetros das ilhas de Evia e Andros. Vênus está no seu nome, Afrodite Wernbloom, e para todos os efeitos, caso a marinha apareça por lá, você é apenas um milionário sueco passando férias na Grécia, por isso non esqueça de levar seus documentos e non se atrase. O piloto que eu comprei só fica no hangar até as 10:00h. Ah! E non precisa levar nada. Tudo que precisamos tem lá, eu providenciei, desde roupas de banho à... bem, o resto você vai ver.

— Desse truque eu gostei! — Peixes sorriu guardando o papel com o endereço entre os enchimentos da blusa do vestido — Humm... que eu fiz para merecer um namorado tão incrível como você?

Riram-se um para o outro e ansiosos beijaram-se rapidamente, então logo depois Camus desceu com Hyoga para Aquário onde passaram a noite.

***

No dia seguinte ocorreu tudo como o francês havia planejado, até Afrodite, contrariando as estatísticas e lógicas universais, conseguira não apenas chegar no horário marcado, mas com três minutos de antecedência. Logo estavam no helicóptero sobrevoando o incrível e azul mar grego em direção ao iate ancorado tão distante da orla que a olhos nus sua incrível magnitude e opulência era perdida e ele se passava por uma embarcação bem mais modesta, portanto, não despertava curiosidade.

Conforme se aproximavam do Vênus Afrodite sentia sua ansiedade aumentar, até que finalmente, quando o helicóptero já estava quase emparelhado com a embarcação, o sueco enfim pôde ter noção de seu gigantismo, e nem em seus sonhos mais megalômanos foi capaz de imaginar o que seus olhos deslumbrados viam.

Vênus era muito maior e mais luxuoso que sua imaginação fora capaz criar. Logo na frente e também nas laterais do iate o nome Vênus estava escrito dentro de um circulo que se assemelhava a um aquário de vidro.

— Pelas sete anáguas engomadas das sete sacerdotisas de Dadá e as sete torres de madrepérola de seu castelo no meio do mar! — virou o rosto e encarou a face alegre de Camus a lhe observar.

— E então? Gostou?

— É Odara! Eu... eu nem sei o que dizer, eu... ainda tô meio abilolado. Olha o tamanho disso!... Esse iate consegue ir até Bora Bora? — perguntou com genuíno interesse.

— Esse iate pode dar a volta ao mundo, várias vezes, mon amour.

Assim que o helicóptero pousou no iate Afrodite desceu apressado puxando Camus pela mão, mas de repente viu ao longe um homem trajando o que parecia um uniforme de garçom e soltou a mão do aquariano rapidamente. Quando o helicóptero levantou voo e tomou certa distância então Camus esclareceu:

Non se preocupe. — disse voltando a pegar na mão do pisciano — Precisei contratar alguns funcionários para fazer tudo funcionar como se deve, já que esta embarcação é muito grande, mas são todos de confiança absoluta. Estamos seguros aqui.

— Quer dizer então que eu posso... fazer isso?

Sem que o aquariano esperasse Peixes lhe abraçou pela cintura e o levantando do chão girou com ele no ar aos risos até desce-lo e tomar sua boca com um beijo apaixonado e eufórico.

— Hummmm... aqui... você pode fazer... comigo... tudo que quiser, mon amour. E eu estou louco para que faça! — dizia Aquário entre os beijos efusivos que o pisciano lhe exigia.

— Pode ter certeza que eu vou fazer sim!... Agora vem, vamos ver meu iate! — pegou na mão do namorado o puxando apressado nem sabia bem para onde, já que eram muitas coisas ali para serem vistas e ele não sabia por onde começar — Camy ele é maravilhoso! Não tenho nem palavras! Na verdade nem acredito ainda! Será que é meu coágulo me pregando uma peça? Será que tudo isso é real?... Olha esse cais! Os coqueiros! Dadá misericordioso quantos coqueiros!

Levaram quase uma hora e meia para ver todas as fabulosas atrações que aquele mini transatlântico oferecia, mas não perderam nenhum detalhe. Conheceram desde o campo de mini golfe até a casa das máquinas, passando pelas saunas, salão de jogos, de festas e um pequeno cinema. Os famigerados coqueiros ficavam em volta de uma enorme piscina na superfície onde haviam dezenas de espreguiçadeiras. Vênus era uma sonho erguido em puro luxo e sofisticação, fruto do bom gosto do cavaleiro de Aquário, que desembolsou alguns milhões de sua conta pessoal e também dos cofres da Vory v Zakone para torna-lo real.

Camus só não deixou que Afrodite visse antes da hora a suíte master, pois lhe tinha preparado uma surpresa.

Depois de conhecerem tudo tomaram café da manhã em torno da piscina e desceram ao deck onde ficavam os Jet Skis. Passaram praticamente a manhã toda brincando com as motos aquáticas e nadando naquele pedaço de mar que era só deles.

Fizeram uma refeição leve no restaurante ao meio-dia e subiram para a piscina para tomar champanhe.

Agora deitados juntos em uma das espreguiçadeiras conversavam enquanto descansavam da manhã agitada.

— Está feliz? — Camus perguntou enquanto acariciava os cabelos do sueco.

— Muito. — Peixes respondeu com os olhos fixos no céu azul sobre eles — Parece um sonho... Digo, não apenas esse iate Odara, mas o fato de estarmos aqui ao ar livre e não trancados em um quarto com medo de fazer barulho ou sermos descobertos...

Camus suspirou fundo.

— Tudo isso é seu. Pode usar como quiser e quando quiser. E pode trazer quem você quiser aqui também.

— Não quero trazer ninguém aqui! Não sem você estar junto... Podemos, sei lá, um dia fazer uma festa, pedir para o Touro chifrudo fazer um churrasco brasileiro e trazer os cavaleiros para eu exibir o meu presente. — virou-se para Camus e olhou em seus olhos — Mas você tem que estar junto. Isso tudo aqui não tem a menor graça sem você, mon amour. E o Hyoguinha... e o Kiki! Nossa já pensou como eles irão amar isso?... E a Mosca.

— Tá falando da amazona?

— E tem outra Mosca na minha vida? Sim, claro que estou falando dela.

— São amigos agora?

— Eu acho que sempre fomos... a comunicação que era meio... torta. Ah, você sabe melhor que ninguém que o meu começo com todo mundo é sempre meio torto, mas depois endireita... Eu gosto dela, e eu quero... quero tentar ajudá-la a sair do mar de lama que ela está nadando. A minha amiga está tão triste...

— Pudera, né? Ela perdeu tudo.

— Nem tudo. Ela tem a mim, e ao Mu, o Buda loirudo, as putaiada tudo do bordel... Eu acho que vou fazer uma festa aqui, o que acha? Daqui há alguns dias, porque ela ainda precisa ficar mais forte e recuperada. Será que ajudaria ela a se distrair um pouco?

— O Vênus é seu, ma fleur, é um local de fuga para nossa vida de merda, e se acha que uma festa aqui vai ajudar sua amiga amazona a fugir da vida de merda dela, então faça!

***

Quando anoiteceu Camus colocou em prática a surpresa que havia preparado para o sueco. Se dirigiu à suíte master sozinho enquanto pediu a Afrodite que se trocasse na suíte 3 onde havia mandado deixar-lhe algumas peças de roupas que comprou para ele. O combinado era que Afrodite quando estivesse pronto seguisse para a suíte master onde o estaria esperando.

Assim, sozinho agora Peixes percorria o corredor que levava à suíte 3 permitindo-se ter seus chiliques em paz esgueirando-se pelas paredes, deslizando as mãos sobre elas as acariciando e as cheirando.

Quand il me prend dans ses bras, Il me parle tout bas, Je vois la vie en rose... Hummmm... cheirinho de novo! — disse sorridente enquanto cantarolava a canção francesa que dizia que a vida é perfeita somente quando se está nos braços de quem se ama — Agora papá tem um filho, um iate e uma princesa! A vida dele está cor de rosa!

Com um sorrisinho bobo no rosto entrou na suíte 3. Parou na porta e boquiaberto ficou longos minutos apenas olhando o luxo absurdo daquele quarto.

— Pelas escamas das Nereidas do séquito aquático de Dadá! O quê que é isso? — disse deslumbrado, então andou até a enorme cama onde viu caixas e mais caixas de grifes famosas. Abriu todas de uma vez indo à loucura com a variedade e sofisticação das peças — Que homem poderoso é você, Camy, minha deusa! E é todo meu!

Escolheu as peças que iria vestir, colocou sobre a cama e foi até o banheiro todo revestido em mármore e vidro onde tomou um banho caprichado, e depois de pentear os cabelos minuciosamente vestiu-se com uma calça preta de corte de alfaiataria que ficou um pouco larga devido estar mais magro, camisa na mesma cor de mangas longas e um blazer de corte impecável em um tom vermelho queimado bem escuro, quase vinho. Calçou um par sofisticado de sapatos masculinos da famosa e cara grife Amadeo Testoni e usou seu Cosmo para fazer ali mesmo uma rosa vermelha com tons amendoados idênticos à cor das íris dos olhos raros de Camus. Exclusiva no planeta, e com um perfume vibrante digno da personalidade única do francês.

Segurando a rosa entre os lábios Afrodite deixou a suíte 3 e seguiu para a suíte master onde Camus disse que o aguardaria para depois seguirem ao restaurante para jantar. Estava deslumbrante, pois exalava felicidade até pelos poros da pele.

Ao bater na porta o aquariano veio recebe-lo, e este também trazia na mão uma rosa, porém feita de gelo.

Quando seus olhares se cruzaram, apesar de anos de um relacionamento intenso e tumultuado, cheio de altos e baixos e fortes emoções, seus corações bateram forte e acelerados.

— Para você, mon amour! — disse Afrodite pensando em como era possível, a cada vez que olhava para aquele homem, amá-lo e deseja-lo ainda mais. Aproximou-se e fazendo uma reverência entregou a rosa vermelha a Camus, que também lhe estendia a sua rosa gélida, a qual foi apanhada pelo pisciano. Após a troca Peixes correu os olhos pela figura à sua frente a analisando e depois os fixou na rosa de gelo entre seus dedos — Minhas rosas não chegam nem aos pés das suas rosas gélidas. Puxa, que perfeição! Mais perfeito que elas só você. Você está maravilhoso! — disse dando um beijo nos lábios do francês

Camus chegou a sentir um frio na barriga quando seus lábios se tocaram. Afrodite estava belíssimo, se é que era possível ele ficar ainda mais bonito do que sempre era. Ao final do beijo levou a rosa vermelha próximo ao nariz e aspirou o perfume delicioso que ela exalava.

— De que vale a perfeição das minhas rosas se non têm o perfume, a beleza e a vida das suas? — disse num tom sussurrado, depois também correu os olhos pela figura do pisciano — Gosto de vê-lo assim, bem masculino. Viril!

— Gosta, né? Eu sei. — Peixes respondeu encostando seu corpo ao do francês.

— Gosto. Gosto quando exala esse ar viril e másculo... Embora admita que quando está vestido de mulher nenhuma outra é capaz de chegar a seus pés. — disse o ruivo beijando o queixo do amado que sorria envaidecido — Nenhuma mulher nesse mundo fica tão bela como você quando está coberto por diamantes, mon amour.

— Nossa você está poético, gostei! E também está... mais alto. — disse acariciando a cintura do francês, mas antes que pudesse escorregar as mãos para mais baixo Camus afastou-se recuando alguns passos.

— São os sapatos. — falou enfiando a mão livre por dentro do blazer do terno preto que usava e retirando de lá uma caixa fina de veludo. Afrodite não viu o movimento, tampouco o objeto em suas mãos, pois agora tinha os olhos surpresos cravados nos pés do namorado que calçavam um par de ankle boots femininos Louboutin que possuíam saltos finos altíssimos.

— Você está de... salto? — abriu um largo sorriso — Aquenda a biloca*! Amei!

— Sim, estou de salto, estou poético e muito generoso. Tome. É pra você. — estendeu a caixa ao pisciano quando este voltou a erguer os olhos para si.

— Mais um presente? — falou enquanto abria a caixa — Não é justo, seus presentes são sempre tão caros e por enquanto as únicas coisas que posso te dar são amor, calcinhas, cu e rola.

A risada que o aquariano deu foi altíssima.

— Para mim já está perfeito! — Camus respondeu ainda rindo.

— Uau! Que coisa linda, Camy. — disse ao ver na caixa uma gargantilha toda de diamantes.

— Quero que o use comigo. — Aquário acariciou o rosto do amado colocando uma mexa de seus cabelos atrás da orelha — Somente ela, mais nada. Seu corpo perfeito deveria desfilar coberto apenas por diamantes, rubis, esmeraldas e tantas outras pedras preciosas, já que somente elas são dignas de você e é apenas com elas que quero te ver mais tarde.

— E por que não ver agora? — Afrodite respondeu instigadíssimo já fazendo menção em tomar o aquariano nos braços, mas este novamente se afastou.

— Porque agora quem tem algo a te mostrar sou eu. Venha. — disse Camus pegando na mão do pisciano para finalmente saírem daquela porta e adentrarem as dependências da suíte master do Vênus, que era a parte mais profunda no navio.

Esta por sua vez, estava imersa numa penumbra sutil e silenciosa, então conforme avançavam, com o som dos saltos de Camus a produzir um estalido cadenciado que instigava os instintos de Afrodite, mais crescia a ansiedade de ambos, até que ao descerem alguns poucos degraus de um amplo espaço no centro daquela câmara Aquário parou e soltou da mão de Peixes virando-se de frente para ele. Tombando o corpo ligeiramente para o lado o ruivo acionou um botão na lateral de um grande balcão atrás de si onde havia um sofá embutido revestido de couro branco, e eis que o chão sob seus pés se iluminou de fora para dentro revelando o fundo do oceano.

Afrodite olhou para aquilo estupefato. Corria os olhos arregalados pelo chão feito de vidro vendo vez ou outra um peixe passar ali por baixo, quase em transe tamanha a surpresa, até que de repente uma música sensual ganhou todo o espaço e junto sua atenção, então ainda embasbacado levantou o olhar para Camus, que o encarando caminhava com surpreendente habilidade sobre os saltos altíssimos até parar diante de si.

Sem dizer nada Aquário envolveu a cintura de Peixes e o beijou de forma apaixonada, lento e sedutoramente, e ao mesmo tempo em que suas bocas se deleitavam do doce néctar da paixão o ruivo caminhava para trás trazendo consigo o pisciano até que chegassem ao sofá. Ali Camus interrompeu o beijo para inverter as posições e empurrar Afrodite, que caiu sentado sobre as almofadas de seda marroquina.

Antes mesmo que o sueco pudesse fazer qualquer objeção o francês recuou alguns passos, e então começou a afrouxar a gravata, lentamente, enquanto ondulava os quadris de forma muito sutil acompanhando a batida sensual da música.

— Hummm... que delícia, um stripptise! — Peixes exclamou mordendo o lábio inferior.

— Quase isso. — Aquário respondeu livrando-se da gravata e depois do paletó para em seguida começar a desabotoar os botões da camisa, e quando também a atirou no chão revelando enfim o torso nu e perfeitamente trabalhado Peixes deixou escapar um gemido e se remexeu todo no sofá. Precisou usar todo o autocontrole que dispunha para não voar para cima daquele ruivo e devorá-lo ali mesmo.

Excitadíssimo Afrodite notou que o aquariano havia adquirido alguns detalhes extras na tatuagem em seu peito, mas isso não prendeu sua atenção por muito tempo, visto que logo o viu Camus desafivelar o cinto e descer o zíper da calça enquanto rebolava sutilmente sem desviar o olhar luxurioso de seus olhos fascinados, e quando achou que não mais se surpreenderia eis que ao baixar a calça de linho o francês revelou estar usando outra por baixo, uma justíssima e sensual peça de couro negro que delineava com erótica perfeição suas coxas avultadas e o pênis já rijo e volumoso.

Hipnotizado o sueco corria os olhos dos pés à cabeça do aquariano se perguntando como ele conseguia ficar ainda mais sexy do que já era. Seu coração batia tão rápido que sentia seu rosto queimar e o peito arder em anelo. A luz que vinha de baixo iluminava Camus que agora abandonava a calça de linho ali e caminhava lentamente sobre os saltos altíssimos em sua direção feito um felino, languido, elegante, sedutor, preciso... até que ao parar bem à sua frente ele ergueu uma das pernas mantendo o tronco ereto e apoiou a sola do sapato em seu peito imprimindo pressão.

— Aaaahhh... — Peixes gemeu ao contato do salto fino contra seu peito, então levou as mãos até o tornozelo de Aquário e as deslizou pela panturrilha forte raspando as unhas no couro — Aperta mais, vai... mais forte... hummm — disse estreitando os olhos e soltando um gemido longo quando Camus o obedeceu forçando mais o contado do sapato contra seu peito — O que quer fazer comigo, seu safado? Me enlouquecer? — murmurou com voz rouca e grave.

Oui! Eu quero te enlouquecer, e quero enlouquecer com você, Afrodite! — respondeu o ruivo recolhendo a perna para num movimento seguinte, ligeiro e decidido, abrir as pernas e se sentar no colo do pisciano já apressando-se em lhe tirar o casaco junto da camisa.

Agora beijavam-se de forma faminta, voraz, inebriante, e enquanto Camus sugava os lábios e a língua de Afrodite este corria as mãos ávidas por todo seu corpo extremamente forte, peito, ombros, costas, até desliza-las às nádegas volumosas indo à loucura com os movimentos que ele fazia de vai e vem que simulavam uma lenta cavalgada, e então, quando meteu uma das mãos por debaixo do couro já correndo os dedos ávidos para a intimidade cobiçada do amado eis que prendeu a respiração e abriu os olhos, surpreendendo-se mais uma vez.

— Camus! — sussurrou mordiscando o queixo do aquariano enquanto com dois dedos tateava com movimentos circulares a base de um plug anal que o aquariano usava — Mas que puto safado! — sorriu imprimindo força ao plug o empurrando mais para dentro e o movimentando, o que fez o ruivo contrair as nádegas fartas e soltar um gemido longo, alucinado.

Alucinado também estava Afrodite, que era quem normalmente seduzia o francês e não o contrário, e arfante, quente e com palpitações tomou novamente a boca do aquariano num beijo lascivo ao mesmo tempo em que recolhia as mãos para pegá-lo no colo e levantar-se apressado daquele sofá.

Caminhou com ele até o centro daquele piso de vidro iluminado e então se ajoelhou o deitando com cuidado neste.

Amante convicto da beleza em todas suas formas e contextos, o cavaleiro de Peixes ficou um momento ali, parado, de joelhos entre as pernas de Aquário apenas o observando estirado naquele vidro, desenhando aquele momento em sua memória de modo a torna-lo eterno. E ali Camus estava divinamente belo. Excitado como estava tinha o rosto sardento corado e sua fisionomia exibia a doce agonia de quem anseia por prazer. Seus longos cabelos ruivos espalhavam-se pelo vidro e fundiam-se com o oceano abaixo de si.

Os olhos dos dois amantes não se largavam. Era como se exalassem magnetismo.

— Você é incrível, Camus. É único! — Afrodite sussurrou enquanto abria a própria calça e descia o zíper — Eu vou foder você nesse chão de vidro... com o oceano nos servindo de cama!

— Aaah... oui, mon amour... me fode aqui. — gemeu remexendo-se enquanto levava a própria mão ao meio das pernas e se tocava por cima da calça de couro ao mesmo tempo em que erguia o pé para acariciar o rosto do pisciano com o salto do sapato.

Já livre das roupas e completamente nu Peixes botou a língua para fora e lambeu o salto do sapato de Camus, o que provocou um frisson tresloucado no francês que gemeu alto e despudoradamente, sentindo a pele toda arrepiar e seus músculos tremerem de excitação.

Esbanjando o erotismo e sensualidade natas com os quais os deuses o agraciaram Afrodite inclinou-se sobre Camus, e enquanto lhe distribuía beijos e lambidas pelo peito, mamilos e barriga lentamente descia a calça de couro junto da calcinha vermelha de rendas que o ruivo usava, as abandonando quando atingiu a altura de seus joelhos. Agora usava as mãos para apertar, arranhar e acariciar as coxas fortes do aquariano enquanto beijava e sugava de forma faminta as virilhas e toda a região pubiana.

Em êxtase Aquário tombou a cabeça para trás no momento em que Peixes lhe agarrou o pênis já muito duro com uma das mãos, pois que com a outra voltava a mexer no plug o empurrando mais para dentro para depois puxa-lo até a metade para fora. Sentia sua intimidade, já bem sensível por estar previamente estimulada pelo objeto, se contrair involuntariamente o sugando mais e mais ao responder àquele estimulo, e gemia alto; um doce lamento do mais intenso prazer.

E o prazer de Camus exercia um fascínio à parte em Afrodite, que não resistindo em vê-lo delirante daquela forma, e também já alucinado de tesão, envolveu o pênis dele todo com a boca e iniciou uma felação esfaimada, ora com fortes sugadas desde a base, ora circulando com a língua a glande inchada e úmida com movimentos rápidos, sem deixar de estimular o francês também com o plug.

— Aaaaah.... A... Afrodite... — gemia arfante arqueando as costas e mergulhando os dedos nos fartos cabelos do pisciano, que continuou com aquela incansável e ávida felação até que Camus não resistisse mais e atingisse o orgasmo soltando um gemido longo entre espasmos deliciosos.

Afrodite então abandonou o pênis já ligeiramente flácido, e olhando para Camus com os olhos enegrecidos de prazer passou a língua entre os lábios sorvendo o restinho do sêmen dele que tinha escapulido para fora, enquanto erguia suas pernas unidas até coloca-las sobre um dos ombros.

— Hmmm... então você gosta de ter coisas socadas no seu rabo, princesa? — disse o sueco enquanto beijava os joelhos próximos a seu rosto.

Oui... j´adore! — o ruivo respondeu ainda arfante, embora sorrisse malicioso para ele.

— Mas papa não se lembra de ter deixado você substituir o pau dele pelo que quer que seja. — agora com a outra mão Peixes estimulava a si mesmo, sentindo o pênis pulsar, duro como nunca, e o baixo ventre queimar de excitação — Meu pau é bem mais gostoso do que esses brinquedinhos, não acha?

— Oh... bien plus, papa! Aaahh... Je le veux en moi, Aphrodite. (Sim, muito mais, papai. Eu o quero dentro de mim, Afrodite.) — Camus respondeu ofegante.

— É claro que você quer. — deu uma mordida na coxa do ruivo o fazendo retesar os músculos — Eu também quero. Eu não aguento mais de vontade de te foder, princesa.

Dito isso Peixes tombou as pernas de Aquário para o lado e com um movimento único e brusco o virou de bruços. Desceu a calça dele até os tornozelos e segurando em sua cintura o fez ficar de quatro, então deu dois tapinhas fracos em sua lombar para fazê-lo empinar a bunda e lhe dar a visão privilegiada que tanto queria do plug inserido em sua intimidade.

— Abre essas pernas, vamos. Abra bem! — ordenou o pisciano dando agora um sonoro tapa na lateral da coxa do aquariano.

Naquela posição, exposto e subjugado, Camus sentiu-se profundamente humilhado, mas como sempre acontecia esse sentimento só aumentava seu tesão. Logo sentiu Afrodite mexer novamente no plug enquanto passava a língua hábil por seu períneo e testículos, e seu pênis enrijeceu de novo de pronto.

Com muito cuidado e bem devagar Afrodite puxou o plug para fora tendo uma visão delirante, então gemendo baixinho acariciou as nádegas fartas que tanto tesão lhe davam e usando ambas as mãos para afasta-las ainda mais meteu a cara entre elas introduzindo a língua onde antes estava o plug, fazendo movimentos de vai e vem que levavam Camus a gemer alto e contrair os dedos das mãos contra o vidro do solo. E o deleite de Camus era também o seu, por isso Afrodite o degustava sem pressa, saciando a vontade e saudades daquele corpo, inebriando-se de seu gosto, de seu cheiro, de sua entrega.

Quando não suportou mais o desejo por toma-lo, quando seu próprio corpo já clamava dolorido por prazer, o pisciano encaixou-se entra as pernas do ruivo e o penetrou de uma só vez, sem encontrar muita resistência, visto que este já estava relaxado e pronto para recebe-lo.

— Aaaaaah... Camus... você me deixa louco, princesa. — disse tombando o corpo apenas para enterra-se mais dentro dele e morder suas costas enlouquecido — Hummm... Vou comer essa sua bunda gostosa até você me implorar para parar.... Até você aprender que não permito que coloque nada nesse seu rabo gostoso que não seja o meu pau.

Oui... papa. — o aquariano respondeu mordendo os lábios e gemendo.

— O único que pode foder você sou eu, seu papa. — sussurrou esfregando o rosto nas costas suadas e então se ergueu, e antes que desse início às estocadas deu um forte tapa na bunda do aquariano — Você entendeu, princesa?

— Aaah... J'ai compris... — confirmou ofegante levando a mão até o próprio pênis o apertando entre os dedos.

— Vai me obedecer? — disse o sueco iniciando a penetração com movimentos lentos e cadenciados, e para cada estocada lenta um novo tapa forte nas nádegas do francês o faziam gemer e contrair os músculos em resposta.

Je vais... aaaaaaaaaah obéir... Seulement vous pouvez me baiser, Seulement vous, papa... huummm... baise moi comme tu sais que ta princesse aime! (Vou obedecer. Só você pode me foder, só você, papai. Me fode como você sabe que sua princesa gosta.)

Como sempre as palavras escapavam da boca de Camus sem que ele tivesse controle sobre elas. Por mais humilhante que fosse a situação — e quase sempre era, porque ou estava vestindo calcinhas ou implorando por ser penetrado — sentia-se impelido a dizer obscenidades mesmo que morresse de vergonha depois ao se lembrar das coisas sujas que dissera.

No entanto, se para Aquário lhe excitava ser humilhado, para Peixes aquilo não passava apenas de um delicioso jogo de sedução e sexo, ao qual o ruivo curtia jogar; uma fantasia do amado tão somente que ele partilhava com igual tesão e se dedicava a realizar com esmero.

Aumentando o ritmo das estocadas Afrodite o penetrava com o vigor e a força que sabia que ele gostava, e que também aprazia a si mesmo de uma forma que poucas vezes explorara antes na vida quando tinha outros parceiros. Camus despertava em si seu lado mais intimista, uma faceta que talvez ninguém no mundo jamais veria a não ser o francês.

— Aaaaah... Camus... é disso que você gosta, né... humm... de um cacete grosso e duro comendo esse teu rabo gostoso, seu safado... aaaaah — dizia o sueco entre gemidos enquanto cravava as unhas na cintura do aquariano.

— Hmmm oui... c'est ce que j'aime, papa... J'aime ton bite enfouie dans mon cul. (Sim, é disso que eu gosto, papai. Gosto do seu pau enterrado em mim.) — o ruivo respondia de olhos fechados e delirante enquanto empinava e empurrava os quadris para trás para intensificar o contato, movimentando a pelves alucinadamente e no mesmo ritmo que Afrodite lhe impunha.

— Seu...sujo... hum... gostoso... aaaah... — gemia Peixes em êxtase enquanto seus corpos se chocavam com força desmedida.

Vez ou outra Afrodite saia completamente de dentro de Camus apenas para ter a privilegiada e excitante visão de vê-lo completamente relaxado e então logo arremetia-se de novo dentro dele, enlouquecido de tesão, o estocando com ainda mais vigor, e após longos minutos inebriantes de prazer penetrando aquele corpo que se abria mais e mais para si Peixes sentiu todos os seus músculos tremerem e as contrações em seu baixo ventre explodirem num orgasmo intenso e delicioso. Quase gritou de prazer enquanto suas forças pareciam ser minadas junto do sêmen que era expelido no interior do amado.

Este por sua vez, gemeu junto dele extasiado, febril, mas ainda masturbando-se à espera do clímax, quando de repente sentiu as mãos do pisciano deslizarem pela parte interna de suas coxas, nessa hora olhou para baixo e o viu deitado ali quase entre suas pernas, sobre o vidro.

— Vem cá, Camus... senta na minha cara... goza na minha boca de novo... vem... vem... — disse com voz fatigada, ofegante, e bastou ouvir aquilo para Camus sentir-se em chamas.

Com pressa o francês engatinhou para trás com Afrodite entre suas pernas até quase ficar sentado em seu peito, então enquanto este lhe acariciava as nádegas e o penetrava novamente com os dedos Camus se masturbava em ritmo febril; uma mão em seu pênis, a outra segurando fortemente os cabelos do sueco que tinha a boca aberta num riso safado. Diante daquilo, e do quão depravada, suja, baixa e excitante a cena lhe parecia, Aquário chegou ao orgasmo novamente soltando um grito de prazer e derramando-se na boca do pisciano como ele queria.

— Aaaaaaaaaah.... A... Afro... dite...

***

Passados alguns minutos estavam ali, deitados um ao lado do outro sobre o vidro enquanto abraçados trocavam carícias e divertiam-se com os peixes que apareciam por ali atraídos pelas luzes do Vênus. Seus corpos ainda exaustos experimentavam a doce sensação do relaxamento pleno pós sexo, enquanto suas respirações recuperavam aos poucos o ritmo normal.

— Foi... delicioso. — disse o aquariano, que delineava cada traço perfeito do rosto do pisciano com a ponta do dedo indicador — Você é muito safado, Peixinho.

— Tá brincando?... Foi perfeito! — o sueco respondeu aproximando-se mais dele até seus narizes se tocarem — E olha só quem está me chamando de safado... O homem que rebolou usando uma calça de couro, calcinha vermelha e com um plug socado na bunda.

Camus riu junto dele, mas logo sua fisionomia voltou a ficar séria.

— Eu achei que ia perder você... — sussurrou acariciando os cabelos perfumados do sueco — E tive tanto medo.

Aquilo foi mais uma confissão para si mesmo que para Afrodite.

Desde o atentado ao bordel Camus vinha pensando que poderia ter perdido seu grande amor sem nunca ter feito as coisas que desejava fazer com ele, fosse por vergonha ou ainda por preconceito; não iria cometer esse erro novamente.

— Eu estou aqui... e vou estar sempre aqui, para você, meu mafioso malvado e safado... gostoso... tesudo... — Peixes dizia enquanto trocavam beijos e rolavam sobre vidro, até que sentou-se sobre a barriga do aquariano e acariciando seus mamilos reparou melhor na tatuagem em seu peito — Essa aqui é nova. A coroa. — disse passando a ponta do dedo sobre o desenho de uma coroa em estilo europeu que foi feito sobre a cabeça do crânio no centro do crucifixo em seu peito.

— Sim essa é nova. Foi feita na semana seguinte ao enterro de Dimitri, e só agora você reparou, seu pisciano distraído. — disse Camus apertando as coxas do namorado.

— Só agora estou te vendo totalmente pelado. — o sueco respondeu com um sorriso, depois voltou a ficar sério — Essa significa que agora você é o porco mór daquele chiqueiro?

Oui. O rei! — o ruivo respondeu sem nenhum entusiasmo.

— Não deveria ser uma coroa no estilo que os czares russos usavam? Essa é uma coroa europeia. — observou o pisciano.

— Eu sou europeu. Um francês que lidera a máfia russa. Essa coroa é uma lembrança da peculiaridade da minha origem e um símbolo da minha soberania.

— Afrontosa! — Peixes riu, mas de novo voltou a ficar sério quando Camus deslizou seus dedos sobre a cicatriz em seu abdome.

— Você também ganhou uma marca nova. — disse o aquariano sem disfarçar a tristeza em suas palavras tampouco a que se abateu sobre sua fisionomia.

Percebendo que o clima havia ficado um tanto melancólico Afrodite logo tratou de mudar o foco. Não deixaria que nada estragasse aquele momento.

— Vamos estrear nosso banheiron*? O meu banheiron, né!

— Vamos. — o ruivo respondeu sorrindo voltando a acariciar as coxas roliças do sueco — Tem uma banheira imensa lá, de hidromassagem... Por que non vai lá coloca-la para encher enquanto peço nosso jantar? Non está com fome?

— Estou, muita! — abaixou-se para dar um beijo no namorado e logo em seguida se levantou eufórico — Peça champanhe! Rico adora champanhe... eu prefiro Milk Shake, mas não vamos esculhambar com todo esse glamour, né?

— Nem pensar! — disse Camus também se levantando sentindo-se um pouco dolorido — Aaaah... Dieu!

Tomaram banho juntos na banheira imensa onde mais uma vez Afrodite sucumbiu à saudade que sentia de seu amado francês e o tomou, porém com mais cuidado. Em seguida dois chefs contratados por Camus a preço de ouro prepararam um jantar caprichado à base de frutos do mar e iguarias raras, e depois de comerem dormiram quase que imediatamente a seguir.

Estavam exaustos e satisfeitos.

***

O dia dava seus primeiros sinais de vida quando Afrodite despertou com um beijo molhado em seu pescoço e uma mão macia e forte acariciando suas nádegas. Ainda sonolento sentiu o corpo quente de Camus colado à suas costas, e a ereção firme dele a lhe roçar deliciosamente a intimidade.

— Hummm... que despertador gostoso... — gemeu baixinho sorrindo.

— Aaaah... Afrodite... o cheiro de sua pele me enlouquece, me entorpece. — Aquário sussurrou em seu ouvido lhe mordiscando o lóbulo da orelha, então louco de tesão umedeceu os dedos com a própria saliva e a passou entre as nádegas do pisciano deixando claro que queria penetrá-lo ali mesmo, sem mais delongas, sem preparação ou preliminares.

E assim Camus o fez quando sentiu o sueco empinar a bunda facilitando o contato, o penetrou devagar, de forma lenta e cuidadosa, porém só se dando por satisfeito até seu pênis estar por inteiro dentro dele, só então começou a movimentar-se com mais vigor.

— Aaaaaah Camus... — Peixes gemia sentido o francês beijar suas costas, ombros e pescoço enquanto seus quadris se chocavam deliciosamente e cada vez mais rápido.

— Aaaaah... je t´aime, Aphrodite... hummmm... — dizia em êxtase mordendo o pescoço do pisciano que gemia alto e alucinado de prazer, até que este ansiando por mais tombou o corpo para frente obrigando o francês a solta-lo para logo em seguida subir em cima dele e segurando seu pênis o conduzir até sua intimidade.

Afrodite sentou lentamente, até sentir-se totalmente preenchido pelo sexo duro e quente do seu amado francês.

— Eu também te amo... aaaaaaaaaaah... muito... Camus... hummmm... que pau gostoso. — dizia ofegante iniciando uma cavalgada em ritmo frenético, levando Camus à loucura.

— Aaaaaah Dieu! Aaaaah... isso... senta no meu pau, Afrodite... puto depravado... aaaaah... — o aquariano dizia rouco de tesão. Arranhava, beliscava e dava tapas sonoros nas coxas do sueco marcando sua pele, e ia ao delírio com a expressão de puro prazer estampada em seu rosto perfeito — Isso... rebola essa bunda gostosa no meu pau vai Afrodite... que rabo apertado urrhhh... Te amo... aaaaah Dieu, como eu te amo.

A cada sentada mais forte de Peixes, Aquário erguia os quadris enterrando-se dentro dele, lhe arrancando urros de prazer.

— Aaaaah... mais forte vai... me fode com força, Camus... uuhhmmm...

Afrodite quase gritava, também dando tapas sonoros nas coxas do aquariano e em seus braços, até que inebriado de tesão, sentindo o corpo todo queimar e um arrepio convulso lhe correr pela coluna fez algo inédito: abriu a mão e deu um forte tapa no rosto de Camus fazendo seus dedos marcarem imediatamente a pele pálida e o barulho do estalido ecoar pelo quarto. Seu intuito era provoca-lo e faze-lo intensificar as estocadas ainda mais, mas o efeito não foi bem como esperava.

A fisionomia do Cavaleiro de Aquário mudou na mesma hora.

Com o rosto ainda virado para o lado devido à força da pancada, Camus tinha o olhar congelado, vago, fixo ao nada, mas tão alucinados e faiscantes estavam seus olhos que era como se estivessem vendo diante de si cenas de seu passado, o qual levou anos para enterrar no mais profundo de sua mente. Nelas um homem alto e corpulento lhe dava tapas no rosto enquanto gritava palavras de ofensa e o agarrava pelos cabelos. Reviveu a dor da agressão como se ela fosse real e estivesse acontecendo ali, e esta era tão angustiante e o fazia sofrer de tal forma que seus olhos ficaram marejados e ele chorou sem que pudesse se controlar.

Em cima dele Afrodite percebeu que algo errado havia acontecido, pois de repente sentiu o corpo do amado extremamente frio, languido, e seu pênis aos poucos ficava flácido.

— Camus?... Amor, o que houve? — Peixes chamou parando de se mover, e não havendo resposta segurou no queixo do francês e o fez voltar o rosto para frente e olhar para si — Você... você está chorando?

Com a boca fechada, as mandíbulas travadas e olhos severos semicerrados e faiscantes Aquário esticou a mão e agarrou o punho de Peixes o apertando com extrema força e o resfriando sem nem perceber.

— Nunca... nunca mais encoste suas mãos em meu rosto, Peixes. — rosnou as palavras rangendo os dentes. Os músculos de seu corpo todo tremiam, não mais de prazer, mas de raiva, ódio, ou outro sentimento adverso que nem mesmo ele sabia definir naquele momento qual era, então soltou o pulso de Afrodite e o empurrou o fazendo cair sobre a cama.

Ainda sem entender nada e chocado o pisciano o viu sair do leito e apressado ir até o banheiro.

Escutou quando o ruivo passou a chave na porta ao batê-la.

***

Camus ficou pouco mais de duas horas trancado naquele banheiro, até que saiu vestido com um roupão branco felpudo e ao procurar Afrodite pelo quarto o encontrou sentado sobre o chão de vidro onde haviam se amado na noite anterior a observar os peixes que nadavam por ali. O sueco estava enrolado num edredom branco grande e espesso.

Caminhou até ele e se ajoelhou em suas costas o abraçando por trás.

Ao olhar para as mãos de Afrodite, que seguravam o barrado do edredom, notou que seu pulso estava ferido; a marca de seus dedos havia ficado impressa em sua pele. Era uma leve queimadura causada por gelo.

— Me perdoa. — disse baixinho o aquariano — Non queria ter te machucado.

Peixes suspirou virando o rosto para ele e buscando seus olhos. A primeira coisa que notou foi que fera havia ido embora e ali estava o homem que amava novamente. Seu Camus, porém diferente.

— O que foi aquilo, vai me dizer?

— Eu... non foi nada... Só non gosto que me batam no rosto.

Afrodite arregalou os olhos e abriu a boca, indignado.

— Para de fazer a bilôca*, Camus! Toma vergonha nessa tua cara sardenta e me diz o real motivo do seu ataque de pelanca. Por que não é possível que tenha sido apenas porque não gostou de tomar um tapa na cara. Ah, tá boa?... E faça o favor de regular o termostato, porque está me congelando! — encolheu-se sentindo a pele arrepiar, pois o francês não tinha percebido, mas seu Cosmo descompensado estava tornando o ambiente demasiadamente frio.

Aquário se afastou regressando à cama onde se sentou na beirada, pensativo, e quando sentiu o clima menos frio Afrodite livrou-se do edredom, já que usava apenas cueca, e foi até ele. Parou em sua frente e depois de trocarem um olhar cúmplice sentou-se em seu colo e passou os braços por seu pescoço o abraçando.

— Sei que tem seus segredos, mon amour... mas, às vezes dividi-los com alguém os torna menos pesados. Eu sou seu namorado, mas também sou seu amigo. Me deixa ajuda-lo. — disse beijando o rosto do francês que mantinha a cabeça baixa envergonhado.

Camus não queria parecer frágil. Não podia parecer. Era o líder da poderosa máfia russa, a qual comandava com mãos de ferro, e era um cavaleiro de ouro, frio, cruel, poderoso, macho... Era homem! Homem! Tinha apanhado muito para ser homem, para agir como homem, pensar como homem... e Deus, como odiava ser o que era... mas não sabia ser outra coisa.

— Eu non quero dividir nada, Afrodite... eu só... só quero ir para casa. — disse irritado. Tinha consciência de que todos aqueles sentimentos horríveis que estava sentindo não eram culpa do pisciano, afinal o amava perdidamente, mas não conseguiria mais ficar ali.

Afrodite suspirou chateado.

— Estava demorando para eu estragar tudo!

Non! — Camus reagiu imediatamente segurando o rosto do sueco com ambas as mãos e olhando profundamente em seus olhos — Non estragou nada, ma belle. Non fez nada de errado, ouviu? Sou... sou eu. Você... você foi perfeito, você é perfeito, Afrodite, e eu o amo tanto... eu o quero tanto... — desesperado o abraçou com força beijando seus ombros.

— Então qual é o equê, Camus? Por que ficou ai todo borocochô de repente?

— Eu non... sei... — disse agora se afastando para voltar a olhar para o sueco enquanto lhe acariciava o rosto — Pardon... non era isso que tinha planejado para nós... Non consigo te fazer feliz, non é? Capturei você, um peixinho livre que nadava solto no oceano e podia explorar os sete mares e o prendi no meu aquário... no meu miserável, feio e nojento aquário. Te dei esse iate luxuoso para tornar esse aquário mais agradável a você, mas isso non é vida, Afrodite. Non para alguém como você!... Non preso a alguém como... eu.

— O que você usou dentro daquele banheiro, Camus? — Afrodite disse sério — Ficou duas horas ali só na colocação*? Eu tô sentindo cheiro de padê*, eu tô sentindo cheiro de baygon*...

Camus baixou a cabeça e encostou a testa no peito do pisciano.

— Só diga que me perdoa... s'il vous plait.

Peixes o abraçou e lhe beijou os cabelos ruivos os afagando em seguida.

— Perdoo... Mas eu sei que está me escondendo algo. Não precisa me contar se não achar que é a hora, mas saiba que se esse espinho enfiado em você te incomoda desse jeito uma hora vai querer tirá-lo, e se quiser que eu o arranque de você é só pedir.

Oui. Obrigado, ma belle rose.

— Vem, vamos para casa. — disse Peixes o puxando para se levantarem e arrumarem as coisas para regressar ao Santuário.

Afrodite sabia desde a primeira vez que transaram que Camus escondia algo de muito grave, mas iria respeitar a vontade dele e não tocaria mais no assunto.

Ia dizer a ele que tudo o que mais queria na vida era passar a eternidade preso em seu aquário. Poderia sim ter o oceano inteiro para nadar e explorar as maravilhas e aventuras que este lhe oferecia, mas queria mesmo era passar a vida preso naquele Aquário.

Não havia outro lugar no mundo em que ele pudesse querer estar.

Camus era um quebra cabeças difícil de ser resolvido, decifrado e montado, mas Afrodite jamais desistiria de desvendá-lo.

Dicionário Afroditesco

Banheiron— lugar onde os gays se pegam nas casas noturnas destinadas ao publico LGBT. Fazer um banheiron = transar no banheiro, geralmente de uma casa noturna.

Baygon = qualquer bebida alcoólica de teor forte.

Bilôca— homem homossexual que age de forma inconsequente

Ficar na Colocação— usar drogas; Colocada = drogada.

Padê = cocaína

***

Nosso grupo no face "Fics trio ternura"
https://www.facebook.com/groups/1522231508090735/

Tumblr da Rosenrot com várias fanarts da fic
https://rosenrotstuff.tumblr.com/

L

Notas finais
Éannn mais uma vez o passado obscuro e traumático do Camus veio assombrar a vida dele =/ Mas um passinho de cada vez ele vai lidando com todos esses sentimentos reprimidos. Ps: e sim... Camus ficou na colocação trancado no banheiro.