Notas iniciais
→ eu não sei se o capítulo ficou grande ou sem graça mas precisava postar ele porque as coisas vão esquentar daqui pra frente rsrs → vai ter a aparição de mais um personagem original A APARÊNCIA DELE, DO SOREN, É INSPIRADA NO DECIM DE DEATH PARADE E NOSSA FICO ATÉ EMOCIONADA AQUI PORQUE AMO ESSE HOMEM me empolguei, perdão. Mas o Soren eu detesto, um fodido. Não chega nem perto do meu mozão Decim q. → tanto o Hideki quanto o Soren falam eslovaco quando estão entre seus "servos" — já que eles são de origem eslováquia (obviamente). Mas só irei explicar esses detalhes mais pra frente —, quando eles falarem na dita língua, eu colocarei a tradução logo em frente dentro dos parênteses. São cenas curtíssimas, mas é bom explicar e descrever cenas do tipo pra facilitar nossa imaginação as lendo q. → Espero que gostem!

♦ Capítulo VIII: Perigo

Hideki abriu as portas do salão, empurrando-as sem avisos. O barulho logo chamou a atenção do homem sentado em frente à farta mesa de jantar, balançando com leveza a taça do vinho que tanto desfrutara; encarando o líquido tão carmesim quanto o real sangue humano. Notando a impaciência do mais jovem, encarou do canto dos olhos Hideki apoiando as mãos em uma das cadeiras e batendo os pés como se a espera estivesse o matando.

— Você chegou cedo — o homem falou com calma, pousando a taça ao lado do seu prato e entrelaçando seus dedos com os cotovelos apoiados à mesa.

— E não deveria? Soube que você odeia esperar. E além do mais, você me chamar até aqui, é quase um milagre, titio.

Esboçou um leve sorriso diante ao sarcasmo do outro.

— Bom que sabe. Você aprendeu algo durante os anos, devo admitir. — confessou sem emoção. — Por que não se senta um momento? — estendeu sua mão para uma das cadeiras, encarando-o com seus olhos verdes azulados, quase tão idênticos quanto os de Hideki.

Inquieto, ele ponderou por alguns segundos, acabando por se sentar à mesa sem nenhum interesse no vinho que seu tio lhe oferecia com deslumbro.

— Soube que tem uma missão para mim.

— Sim, tenho.

— Você bem que poderia ser breve e me dizer de uma vez, não acha? — seu cenho levemente se fechou. Não gostava da presença daquele homem, mesmo sendo da família, a consideração que ambos tinham um pelo outro era do tamanho de uma migalha. E ele não o chamaria se não fosse para fazê-lo atender, sem muitas escolhas, um de seus egoístas pedidos. Soren Simonsen não era um bom homem, mesmo que a maioria da comunidade o visse como um deus, ou coisa do gênero. Hideki conseguia ver além daqueles rótulos, e sinceramente, ele o temia. Ele influenciava muito negativamente as outras pessoas, e ainda era um homem de muitas posses.

— A hora da refeição, não é hora para se preocupar com assuntos pendentes, meu sobrinho. — corrigiu elegantemente. — Mas se me permite, farei uma pergunta...

— Eu sabia que você ia me lotar de perguntas. Não teria me chamado aqui, se não fosse pra isso. — riu forçado. Como odiava aquela casa, cada objeto e pessoa que nela tinha... Só atraiam coisa ruim.

— Silêncio. — suspirou, ajeitando suas costas em boa postura no encosto da cadeira. — E a garota? Aoi... Se não me engano.

— É, esse é o nome dela. — desviou o olhar abruptamente. Sabia exatamente onde aquele homem queria chegar naquela conversa, e o insultava mentalmente por mais uma vez o pressioná-lo a fazer aquilo. Estava se esforçando, não aguentava mais ouvir o que tinha que fazer. — Eu me aproximei dela, exatamente como você me pediu. Mas não posso chegar e contar tudo pra ela agora, preciso de um tempo, e ela também.

— Você abusa do tempo, Hideki. O tempo não parará para você que você possa concluir suas façanhas.

Rangendo os dentes, ele protestou:

— Se me chamou aqui só para me lembrar do que já sei e dizer como devo fazer meu trabalho, perdeu seu tempo!

— Não o chamei aqui apenas para questionar sua competência, meu jovem. Já disse, tenho uma missão para você. Depois da refeição, irei lhe falar sua próxima missão. — ele calmamente cortava o bife em seu prato, como se fosse mais uma refeição tranquila. E realmente, para ele bem era. — Como já deve saber, Ernest continua desaparecido. — falou, fazendo Hideki soltar uma exclamação de surpresa. — Aquele homem tem uma grande dívida com nossa família, e com todo o grupo que chamamos de renesancie, creio que já tenha consciência disso. Não sabemos se ele está vivo ou morto, mas cabe a filha dele assumir sua posição em nossa organização, caso ele não volte mesmo.

Hideki crispou os lábios, encarando suas próprias mãos enquanto seus pensamentos borbulhavam em sua mente. No começo, aquela organização, cuja a mesma caçava vampiros, tinham boas intenções e protegiam tantos os cidadãos daquela cidade quanto de outras onde muitos membros se infiltravam e faziam seu trabalho as escondidas. Esse tempo todo trabalhando na escuridão e mantendo seus feitos embaixo do tapete... Mas agora o modo de trabalho estava mudando. Inocentes estavam sendo envolvidos, algo que ele nunca aprovou, mas nunca teve o poder de parar. Soren esse tempo todo comandava naquela zona como bem entendia, e seus recursos estavam cada vez maiores. Mesmo assim... Ele era um homem egoísta e frio, o rumo que as coisas estavam tomando, já não o agradava mais.

— Pán (Senhor) — um dos servos bateu contra a porta, chamando a atenção de Soren, que entendeu perfeitamente do que se tratava no momento em que reconheceu a voz de quem o chamara. Pelo visto, mais uma captura bem sucedida.

— Rozumiem. Teraz môžete vstúpit. (Entendo. Você já pode entrar.) — ele respondeu de imediato.

Arrastando o corpo do que, bem provavelmente, era um vampiro, um dos homens por volta dos trinta anos e de cabelos extremamente pretos, puxava-o por uma coleira. O que era arrastado, estava com a boca manchada de sangue, principalmente o centro de sua boca, como se há pouco tempo tivesse se alimentado, mas parecia ferido por diversas partes do corpo, e ao olhar Soran ele foi tomado por uma onda de raiva, se atirando na direção do homem que ainda jantava e parando centímetros de seu rosto sendo impedido de tocá-lo quando o servo o puxou pela coleira fortemente o fazendo engasgar. Do canto dos olhos, as orbes de Soran o encararam com a frieza que não se sentiria nem mesmo fora daquela casa onde o vento estava quase cortante.

— Je nám ľúto povedať, ale nerád prerušiť mojej jedlo. (Lamento dizer, mas eu odeio interromper minha refeição). — falou, tirando o guardanapo de seu colo e levantando-se assim que afastou a cadeira. — Vy ste mali tú smolu, že ma obťažovať... (Você teve a infelicidade de me incomodar...)

— Pockaj! (Espere!) — o mesmo vampiro se debateu assim que Soran segurou seu cabelo, puxando sua cabeça pra trás. — Soran, ste jedným z nás! Si napoly upír, že jo? Prečo to robíte? (Soran, você é um de nós! Um meio-vampiro, certo? Por que está fazendo isso?)

— Neporovnávajte ma s jeho druhu... (Não me compare com o seu tipo...) — murmurou enojado, cuspindo no rosto do rapaz. Ao notar seu olhar assustado, visto que ao se deparar com ele, conhecia sua fama, Soran sorriu de lado, torcendo seu pescoço e, ao puxar a adaga presa em sua veste, fincou no peito do jovem vampiro. Uma das poucas armas capazes de matar vampiros estava em sua mão... Nada poderia satisfazê-lo mais. Jamais se permitiria ser chamado daquele jeito... Sua família foi amaldiçoada com aquele sangue maldito, mas nem por isso aceitaria ou se uniria para os que o vêem como igual. Mais cedo ou mais tarde, o que começou certamente daria frutos, e cada maldito vampiro acabaria como aquele. — Umiestnite oheň v tomto špinavom tele (Coloque fogo neste corpo imundo.) — olhou com certo nojo para o corpo assim que retirou sua cabeça como recompensa. Mais uma para usar como enfeite em sua suíte particular... Enfeite não, estava mais para honrados troféus.

— Áno, pane (Sim, senhor.) — o servo arrastou-o pelos pés, fazendo como especificou.

— Você não precisava fazer isso... Não na minha frente... Eu... — a voz de Hideki tremeu. Quantas vezes, desde que era apenas um menino, já havia presenciado isso calado? Mais uma vida, seja humana ou não, havia sido tirada na sua frente... E ele não fez absolutamente nada.

Após um longo e tedioso suspiro, o homem pousou a mão no ombro de seu sobrinho, tentando passar conforto, mesmo que na verdade, tivesse o deixado ainda mais desconfortável.

— Não tenha pena deles, eles são nossos inimigos. Inimigos de nós humanos.

— Não somos completamente humanos...

— Não diga isso. — estreitou o olhar. — Nós não somos como eles... Já falamos sobre isso. E agora, se me permite, falaremos sobre o real motivo de você estar aqui. — se afastou dele, voltando ao seu assento na mesa como se nada tivesse acontecido, mesmo que a cabeça do vampiro ainda fosse carregada por ele e agora estivesse ao lado de seu prato na mesa. — Hideki, está na hora de saber qual será sua próxima vítima...

Aoi observava a rara expressão de serenidade em Kanato enquanto ele dormia. Não que tivesse sido tão simples ele adormecer, ele estava mesmo perturbado, falou diversas coisas das quais não entendia e mesmo se tentasse ver algum sentido, não conseguia. Kanato estava motivado a contar a ela mais sobre ele, e sobre sua família. A mãe dele, pelo pouco que ele falou, parecia ter sido péssima e só feito coisas ruins a ele e os outros irmãos. Mas Kanato explicava as coisas em metáforas, era muito difícil entender. Não foi fácil tentar convencê-lo a se deitar um pouco, apenas para desocupar sua mente. Olhando para ele em um sono tão inocente, poderia dizer que ele mais parecia um anjo, e não o demônio que quase a arrastava para o inferno sempre que estava acordado.

Puxou a coberta, ajeitando-a por cima dele. Não que fizesse diferença, sua pele por natural, era extremamente gelada e pálida, mas era o tipo de gesto que ao olhá-lo daquele jeito, agia sem pensar, como se por um momento acreditasse que aquele rosto pertencia a um humano, e não um sádico vampiro que a trouxe tantos problemas.

Que droga. Sentia-se tão tola por ajudá-lo depois de tudo o que fez, ela desde o começo, havia prometido que trataria os outros bem, independente do quanto sofresse. Mas não fazia sentido se permitir estar ao lado de Kanato sabendo como ele era, aquela paz que via em seu rosto, logo desapareceria. Os dias difíceis voltariam, e mais uma vez, ela seria uma mera marionete nas mãos dele. Talvez ele não tivesse total culpa, visto que ele parecia extremamente doente. Mesmo assim, por que estava se permitindo ajudá-lo? Por que se permitia... Estar ali ainda? Não que conseguisse fugir, com certeza já havia tentado várias vezes. Mesmo assim, o sentimento de se sentir fraca, completamente incapaz, havia batido ainda mais forte daquela vez.

Por mais que repudiasse a idéia, estava se permitindo sentir algo por Kanato. Algo nele, uma ponta de esperança, que nem ela sabia onde havia enxergado. Ele não era o mocinho, certamente não faria dela feliz. Era tão errado quanto ela sentia que era, se deixar levar por ele? Obviamente era.

Aqueles pensamentos todos estavam começando a deprimi-la, mesmo odiando, agora estava olhando para o lado e lembrando de seu passado horrível. Uma lágrima silenciosa estava deslizando seu rosto quando sentiu um dedo a interromper antes que chegasse ao seu queixo, limpando-a. Surpresa, se virou para Kanato, que estava sentado na cama com um olhar que não sabia definir como sonolento ou incomodado. E com aquelas olheiras ainda... Parecia um zumbi.

— Por que vocês humanos choram tanto? Você está ridícula assim. — ele falou rudemente, o que a fez fechar os olhos apertando-os. Era isso. Ele voltou a ser o mesmo grosso arrogante de antes! Isso chegaria mais cedo ou mais tarde. E ainda assim, a grande otária como se sentia, permitiu ajudá-lo por uma mera recaída. Não era possível que depois de tudo ela... — O que aconteceu? Você está bem? — ele puxou-a para seus braços, apertando-a em um abraço bem mais forte do que precisava, mas que ainda a surpreendeu vindo dele, interrompendo seu fluxo de pensamentos que estava a torturando tanto.

Não sabia se ele perguntava por se importar por ela, não sabia se era sincero ou não, mas como havia dito a si mesma que naquela noite ignoraria tudo o que havia acontecido e ficado ao lado dele até que melhorasse ao menos um pouco, engoliu seu orgulho pronta para respondê-lo.

— Eu... Só estava pensando em algumas coisas. É bobagem. Humanos são... Bem tolos as vezes — riu baixo tentando evitar a fraqueza de soltar mais lagrimas. Não sabia como ele estava reagindo aquela resposta, já que o rosto dela estava em seu ombro e não conseguia olhar para ele. Mas sentia o olhar penetrante dele ainda em sua direção, sempre observando o mínimo movimento que ela tentasse dar, como se já fosse prever cada um deles.

— Eu sei o que aconteceu.

— Do que está falando, Kanato?

— Você ainda está brava com o que Shuu e os outros nos fizeram — ele falou seriamente. — Não se preocupe, vai ter volta. Eles certamente se arrependerão... Um por um. — disse mordendo levemente sua própria língua. A raiva que sentiu nos dias passados não havia sentido desde pequeno quando houve certo... Desentendimento, com sua mãe.

— Não é isso, eu...

Ele a interrompeu beijando o canto de seu lábio, o que a pegou um tanto de surpresa, mas o que a fez entreabrir sua boca dando-o passagem para tomar seus lábios em um beijo intenso porém extremamente rápido que morreu bem antes do que ambos desejavam.

— Você se preocupa demais, Aoi. — sussurrou. Sua voz era tão bonita quando ele sussurrava, diferentemente de quando estava gritando, o que a assustava bastante. Em um movimento brusco, ele a empurrou na cama segurando seus pulsos pra cima, o que a deixou bem desconfortável, principalmente porque seu primeiro movimento havia a machucado um pouco e deixado suas mãos levemente dormentes. — Seus dedos ficam tão vermelhos quando aperto sua mão... Assim como toda sua mão fica sem movimento quando aperto forte o seu pulso — olhava atentamente. — É interessante de se olhar. — abriu um pequeno sorriso, bagunçando seu próprio cabelo que caía sobre seus olhos. — Eu acho extremamente bonito quando a circulação do sangue é comprometida e chega a perder os movimentos em algumas partes do corpo... Já vi várias vezes. Mas em você fica ainda mais bonito.

— Pare com isso... — iria dar continuidade a sua fala, mas ela ficou presa em seus pensamentos quando sentiu a boca dele em seu pescoço, deslizando a língua por uma área tão sensível de sua pele. Naquele momento, só conseguiu soltar uma de suas mãos e apertar o ombro dele repuxando sua camisa. Mesmo sem conseguir ter a visão de seu rosto, conseguia jurar que ele havia sorrido enquanto beijava sua pele. Era estranho como pequenos gestos que ele fazia, conseguiam ser previstos por ela como se já o conhecesse em anos. Sendo que estava longe, bem longe, de conhecer o verdadeiro Kanato.

— Você fica bonita assim. Pensei que se contorcia apenas de dor, mas pelo visto, o mesmo acontece quando está excitada, né?

Ela se remexeu, virando seu rosto e tentando não demonstrar a vergonha que havia sentido com aquele comentário. Querendo ou não, ele falava coisas impensáveis que a deixavam muito sem graça as vezes.

— E-Eu... Não estou...

— Não minta! — ele alterou sua voz, mas poucos segundos levaram pra que voltasse a relaxar. — Eu consigo ver isso em você... — colocou a mão em sua cintura, subindo-a em lentidão e erguendo sua blusa, deixando sua barriga amostra, o que conseguiu deixá-la ainda mais tensa, arqueando seu corpo pra trás. — Qualquer toque enfraquece uma humana, é chocante. — abaixou o corpo, beijando sua barriga. A pele dela era tão quente, diferentemente da dele. Parecia uma combinação perfeita misturar ambos, mesmo que não fosse hora pra isso. O cheiro de seu sangue juntamente com a reação de seu corpo tão sensível só o motivava a continuar, poderia fazer loucuras com aquele corpo mortal. — Você parece nervosa, Aoi. Algum problema? — indagou inocentemente, erguendo um pouco sua saia escolar e mordendo a perna interna de sua coxa, o que não a causou tanta dor quanto normalmente causaria, pois era uma área que tinha mais carne do que onde Kanato normalmente fincava os dentes, mas que ainda assim a trouxe uma sensação diferente de dor e prazer.

Era bem peculiar Kanato conseguir ter certa inocência mesmo em cenas como aquela... Nunca havia sentido isso, e muito menos esperava sentir com Kanato... Aquilo era loucura demais pra uma noite só.

— Kanato... Pare... Por favor... — aquela sensação, mesmo que boa, era agonizante ao ponto de não conseguir terminar uma frase sem sentir formigamento em seu corpo. Como algo tão assustador poderia ser bom? Não queria deixar aquilo ocorrer... Não ali, naquelas condições. E talvez nem com aquele Sakamaki, afinal, ele era extremamente problemático, e faria com que aquilo também se tornasse problemático para ela.

Por algum milagre, ele parou mesmo quando ela pediu. Mas encarou-a de um jeito diferente, não sabia se ele se sentia frustrado ou decepcionado. Com o jeito que abaixou as sobrancelhas, provavelmente, ele estava sim um pouco chateado por ela não ter se cedido a ele. Lentamente, ele se ergueu até ela, com seu rosto próximo ao seu fazendo com que seus narizes se tocassem rapidamente e ela suspirasse profundamente ao sentir seu corpo pressionado enquanto as mãos dele voltavam a envolver seus pulsos — no entanto, com menos agressividade que antes.

— Por que você sempre diz “não” pra mim?

— Não é hora pra isso, Kanato.

— E por que não?

Soltou-se novamente, arriscando colocar a mão em seu pescoço, embora temesse uma reação negativa dele.

— Não estou preparada... E você ainda está se recuperando, não deve pensar nisso — falou olhando ele passar o dedo em seu lábio inferior que estava levemente avermelhado pelo sangue que tirou de sua pele. — Kanato, nem deveríamos estar aqui agora. Sou uma humana, você é um imortal. — um imortal bem diferente do que havia imaginado baseada nos livros que li, completou mentalmente. — É improvável uma relação saudável entre a gente, e eu me permitir isso, me assusta ainda mais...

— Relação saudável — sibilou rindo não tão alto. — Acredita mesmo que isso exista no meu mundo?

— Acredito que possa passar a existir.

— Não sonhe tão alto — riu novamente, dessa vez, bem forçado. Afastou-se no mesmo momento, voltando a se sentar na cama com sua roupa extremamente amassada de tanto que apertou seu corpo ao dela. — Mas vamos fazer um acordo, então. — ele fechou os olhos sorrindo.

Detestava vê-lo com aquele sorriso, parecia estar cheio de idéias ruins...

— Que acordo?

— Deixarei que você tente me ensinar o que é um "relacionamento saudável", segundo sua mente perturbada. — saiu da cama, pegando Teddy que estava na poltrona não tão distante da cama. — Em troca, você parará de reclamar e irá me deixar mostrar tudo o que queria ter te mostrado, mas você, teimosa como sempre, foi contra. Quero que me deixe cuidar de você do meu jeito, afinal, você acha que ainda tenho muito o que aprender, então não é obrigatório que eu já comece suas aulas de boas maneiras como um gentleman, certo? — seu sorriso saiu debochado. Aquela pirralha achava mesmo que iria o fazer mudar em algum sentido? Isso seria irritante e insuportavelmente patético de se ver, todavia, poderia fazê-lo rir, então iria passá-la a falsa esperança. — E claro, vai ter que me ajudar a cuidar direitinho do Teddy pra mim... Não é, Teddy?

— São exigências bem estranhas.

Você quer ou não? — ele a encarou um pouco irritado.

Normalmente ele já estaria gritando, mais um sinal de que o afastamento entre eles, de alguma forma, havia de fato o afetado. Kanato só começou a voltar ao normal lentamente quando ela apareceu, depois de ter conversado muito e oferecido seu ombro a ele... Mesmo ele não sabendo agir em nenhum sentido e nem demonstrar bem seus sentimentos, talvez eles existissem. O próprio Kanato estava ciente do que sentia, mas suas emoções quase não existiam, quando aquele sentimento o despertou, não fez a menor idéia de sua existência e agiu como achava que deveria agir sem se importar com a opinião ou o estado mental de Aoi.

E deu no que deu... Um perigo completo.

— Vou pensar. Eu não menti sobre querer te conhecer melhor... Quero que me fale mais sobre sua família, sobre sua infância... Até mesmo sobre Teddy — falou com uma leve ironia, o que o fez encarar o ursinho. — Eu quero entender porque você é assim, Kanato.

— Você irá. Talvez... — caminhou calmamente até a porta, parando em frente a mesma.

— Onde está indo?

— Tenho que conversar... Primeiramente com Shuu. — ele girou a maçaneta, e ela respirou fundo, sem se levantar da cama. Sentia que a perturbação de Kanato ainda traria problemas, e não deveria deixá-lo sair agora, mas ainda se recuperava do que acabara de acontecer.

Estava focada na pequena parte dele que afirmava que um dia ela iria conhecê-lo verdadeiramente.

Só conseguia pensar nas infinitas coisas ruins que o garoto havia vivido até se tornar o que é hoje... Exatamente como ela, que depois de várias desavenças, acabou se tornando a vergonha da família; a bêbada deprimida e sem futuro. Pelo menos, por um sentimento passageiro, podia se ver igual ao Kanato em um sentido.

A mente nada sã dele poderia ser compreendida por alguém um dia? Se pudesse ou não... Ela era quem chegaria mais perto desse feito.