Teddy Bear

9 Desentendimento


Notas iniciais
→ Que delícia quando atualizo a fic rapidinho desse jeito; → O capítulo pode conter erros porque não tenho muito tempo pra entrar no pc hoje e não posso revisar o capítulo direitinho, então se tiver qualquer erro, ignorem pois irei corrigi-lo depois. → Capítulo grandinho pra compensar que só vai sair o próximo lá pro sábado/domingo que vem ): → Vão se preparando que é muita ação/história pela frente então os capítulos podem acabar maiores como esse, espero que isso não seja um problema pra vocês q. → Ainda estou em duvida de qual personagem irei escrever uma nova fanfic (também de Diabolik Lovers), pedi votação pra vocês, mas ficou muito empatado, então vou deixar a votação aberta para que vocês leitores, me ajudem a escolher q; → Gif do shuu lindão; → Espero que gostem.

♦ Capítulo IX: Desentendimento

Shuu voltava para seu quarto, disposto a assim que entrar, se jogar na cama ou no sofá perto da janela e ouvir sua música sem ser incomodado por mais ninguém. Detestava ser acordado para fazer algum serviço para Reiji, principalmente porque Reiji sempre cobrava coisas chatas dele porque não o suportava, era uma rixa que havia sido plantada desde sua infância. De todos os irmãos, o que mais o detestava era coincidentemente o que dividia a mesma mãe com ele.

Chegando à porta de seu quarto, ouviu um barulho vindo de dentro, bufando entediadamente por mais um Sakamaki cruzar seu caminho e tirar sua paz. E ainda por cima, invadir sua privacidade entrando em seu quarto sem permissão.

Girando a maçaneta, não esperou nem a porta ser completamente aberta para tirar satisfações:

— Quantas vezes terei que pedir para ficarem longe do meu quarto? Mas que droga. — esbravejou irritado. — Quem é dessa vez... — não conseguiu terminar a frase assim que percebeu que boa parte de seu quarto, incluindo seus bens mais preciosos como aparelhos, fones e até mesmo seu violino, estavam completamente em pedaços. As únicas coisas que, aparentemente, ainda não haviam sido danificadas, eram uma mesinha e o que continha em cima dela; um toca discos que emitia uma música que parecia estar ao contrário e falhava diversas vezes, com uma letra que Shuu não entendia e nem se dava ao trabalho de entender, mas que soaria bizarra a qualquer humano que encontrasse seu quarto naquelas condições. Até mesmo o lustre foi quebrado, e a iluminação insuficiente que tinha, eram de várias velas que foram perfeitamente colocadas no chão, algumas delas (que ficavam à esquerda de seu quarto, perto da porta do banheiro), pareciam formar um pentagrama pelo modo que foram organizadas. — Maldito... — rosnou pegando um retrato de sua mãe do chão. A foto estava completamente rasgada, e pelas marcas, parecia ter sido arranhava ao ponto de sair sangue por baixo das unhas do invasor. — Kanato! Seu desgraçado! Apareça. — jogou os primeiros objetos já detonados que encontrou pela frente na parede à direita. Poucas coisas conseguiriam tirar Shuu do sério, mas aquilo realmente chegou em má hora.

— Nossa você descobriu que fui eu, impressionante — Kanato falou com um sorriso amigável, assim que apareceu de seu teletransporte; encostado na janela agora aberta. — Como adivinhou, Shuu?

— Não seja insolente. — andava de um lado para o outro, como se um buraco fosse abrir no chão de tão forte que firmava seus pés sobre ele. Kanato mais pareceu se divertir, colocando a mão na boca e segurando o riso. — Sei que é óbvio, mas você esqueceu seu amiguinho — apontou para Teddy que estava jogado em cima ao guarda-roupas destruído.

— Ah, é verdade. Eu pedi para Teddy ficar de olho e me chamar quando você chegasse.

— Kanato! — puxou-o por sua blusa, fazendo com que o garoto chegasse a ficar em sua altura. — É muita cara de pau sua voltar aqui depois do que me fez. Você vai pagar bem caro. — mesmo o ameaçando e sua mão tremendo ao segurá-lo de tanto ódio que sentia, ele não tirava aquele sorriso cafajeste do rosto que estava causando-o cada vez mais revolta. Ele não se importava nem um pouco por ter destruído e até mesmo queimado as roupas do mais velho e experiente dos irmãos, para ele aquilo foi extremamente divertido.

— Eu resolvi arrumar seu quarto pra você. Estava tão bagunçado... E todos aqueles instrumentos estranhos? Você mal sabia tocá-los direito, mesmo. Não faz diferença, eu lhe fiz um favor. Uma cortesia ao Sakamaki mais velho — ele respondeu rindo. Aquele idiota via mesmo aquilo como uma festa, e Shuu estava ao ponto de socar sua cara apenas para tirar aquele sorriso maníaco de seu rosto.

— Você é patético. — segurou firmemente sua veste, empurrando com toda a força o corpo dele contra a parede mais próxima, o que fez com que a mesma parede rachasse com o impacto. Não media de sua força bruta na hora de tentar impor respeito. Com Kanato só assim para poder conversar. — Não estou surpreso... — disse com uma expressão enojada, apertando seu pescoço o que o fez entreabrir a boca, mostrando suas presas. — O que esperar de um dos filhos de Cordelia? São uma praga, todos os três. Tão miseráveis quanto a própria mãe. — Kanato o encarou enraivecido assim que o nome de sua mãe foi tocado, mas Shuu não recuou, continuando: — E você... Com esse cabelo roxo ridículo. Consegue lembrar ainda mais a imagem daquela demônia.

Shuu havia passado longe demais, e até mesmo criticado o cabelo que Kanato tanto se orgulhava justamente por ser um traço seu que lembrava sua mãe.

— Shuu... — bateu contra o braço do mais velho, evitando que ele o tocasse ou ao menos tentasse novamente. — VOCÊ VAI MORRER. — Kanato se atirou contra Shuu derrubando-o no chão. Sua mão estava pressionada no rosto do loiro como se fosse afundar suas unhas em sua pele. Havia acontecido tão rápido, que Shuu repreendeu-se mentalmente por ter baixado a guarda logo com aquele retardado.

Kanato ergueu o que parecia ser uma tesoura que tirou de sua roupa. Por que aquele idiota carregava essas coisas com ele?

Os dedos dele pressionaram ainda mais forte no rosto de Shuu, dessa vez tentando segurar sua face, mirando a tesoura perfeitamente no centro de seu olho esquerdo. Aquele maldito estava com um sorriso no rosto se divertindo como uma criança com seu mais novo brinquedo enquanto tentava enfiar uma droga de uma tesoura em seu olho. Agindo rápido antes que o mesmo objeto perigoso o ferisse, Shuu desviou fazendo com que a tesoura fincasse no tapete, e usando a força bruta empurrou o garoto com um chute forte em seu peito, fazendo com que suas costas se encontrassem com a mesma parede que tinha o jogado anteriormente.

— Você é mesmo maluco. — se levantou ajeitando seu suéter desleixado. — Você escolheu uma péssima pessoa para provocar, Kanato!

— É mesmo? Pois pra mim você é perfeito pra isso. — ele novamente partiu em sua direção, mas dessa vez não chegou a derrubá-lo, e sim bater seu corpo contra uma das partes quebradas de sua cama, fazendo Shuu trincar os dentes de raiva. Como aquele infeliz havia destruído seu quarto em tão pouco tempo? E ninguém fez nada pra impedir, o que era pior. — Shuu... Você ameaçou tirar ela de mim... Vocês mais velhos sempre tentando me impor regras! — deu um tapa em seu rosto. Isso mesmo. Ele teve a ousadia de dar-lhe um tapa no rosto. — EU ODEIO RECEBER REGRAS, SHUU! ESSE FOI SEU ERRO — fincou a tesoura em seu ombro antes que Shuu pudesse desviar. Shuu tinha mais experiência e obviamente podia desviar mais rápido de seus ataques, mas ele estava com raiva, e essa raiva estava subindo sua cabeça, isso estava tornando sua fraqueza. Nem todos, diferente de Kanato, sabem fazer algo bom com sua falta de controle. Embora algo bom para ele fosse algo ruim para os outros. Com um brilho de tristeza nos olhos por se lembrar de tudo o que havia acontecido, Kanato empurrou Shuu em cima do armário em pedaços, fazendo com o que sangue em seu ombro manchasse também a Teddy, que Kanato calmamente pegou pelo braço enquanto observava a expressão ameaçadora de Shuu. Encarou o rosto de Teddy, por algum motivo que não tinha tempo de descobrir qual seria, Teddy estava triste com a cena, a linha de sua boca estava para baixo mostrando seu desagrado. Mas que seja. Só por que Teddy era seu amigo, não quer dizer que fosse fazer tudo o que ele queria! Teddy tinha que ter consideração com ele também! Ele deveria ter empatia e aceitar que ele sofreu muito e precisava evitar que o sofrimento voltasse, matando Shuu e os outros. Sempre quis ser filho único mesmo. Talvez Ayato pudesse sobreviver... Afinal, eles brincavam de coisas legais às vezes, como irmãos costumam fazer. A menos que Ayato não quisesse estar vivo... Nesse caso, seria um favor né? — Você será o primeiro irmão que mato, Shuu... Sinto-me profundamente triste em fazer isso — abraçou fortemente Teddy, buscando conforto no ursinho.

— Você sabe muito bem que não morro tão fácil, Kanato — se levantou. Não via a hora de pegar aquele garoto distraído e estripá-lo com suas próprias mãos. Isso que acontecia quando deixava de ouvir música pra falar com os outros... Que família mais medíocre ele tinha. Se Kanato não sentiria nada por vê-lo morto, pois ele muito menos se o matasse!

— É mesmo. Mas vai ser divertido ver você sendo queimado vivo — falou enquanto pegava uma de suas velas do chão, encarando a chama acessa que, por controle do Kanato, se tornava em um tom roxo. — Faz tempo que não coloco fogo em alguém... — admitiu em tom triste.

— Você é idiota psicótico.

— VOCÊS É QUE SÃO! — gritou tão esbravecido que derrubou Teddy bem longe, Shuu não chegou a conferir onde ele caiu, mas poderia muito bem ter atravessado a janela aberta e despencado daquele andar. Kanato estava descontrolado ao ponto de machucar até o próprio Teddy, seu melhor e único amigo. — TODOS VOCÊS. VOCÊS TÊM QUE MORRER. Eu não descansarei até ver o último dessa casa queimar no fogo do inferno! — continuava com seu showzinho, rindo histericamente. — Nem que eu morra junto... Eu juro que os levo...

Já chega, irmãozinho — Ayato falou, aparecendo por trás e colocando a mão em seu ombro. Kanato, que não tinha percebido sua aparição, encarou surpreso e incomodado com sua interrupção.

— Ayato, o que faz aqui? Estou conversando com Shuu!

— Ah é? Pois Shuu acabou de sair — disse apontando pra onde Shuu estava, e agora, não estava mais. O teletransporte dele era ótimo. Kanato grunhiu se perguntando se Shuu havia fingido estar ferido para fugir como covarde. Mas não, Kanato realmente o feriu, não gravemente, mas o leve machucado o deixou em uma fúria incontrolável. Os próximos dias serão insuportáveis nessa casa, era o que Ayato pensava. — Acalme-se, Kanato. — Ayato estava sério, mesmo sendo rara uma reação como essa vinda dele ou de Laito, seus irmãos com parentescos mais fortes.

Fechou a cara, se afastando e se sentando no chão com Teddy no colo, de costas ao seu irmão.

— Você não tinha nada que ter se intrometido, Ayato. Estou tão bravo com Shuu quanto estou com você. Você e os outros me apunhalaram pelas costas.

— Nenhum de nós é confiável, você sabe disso melhor do que ninguém. — retrucou. — Não entendo o que aquela garota chata tem pra te deixar tão frustrado ficar longe dela. — Kanato o lançou um olhar mortal, que fez com que ele soltasse um riso baixo e erguesse os braços em redenção. — Desculpe — murmurou para não deixá-lo ainda mais alterado do que já estava. — Irmão, há um jeito de resolver as coisas quando algo que queremos dá errado. — sentou-se ao lado dele, que o encarava com um olhar extremamente estreito mostrando estar desconfiado.

— E como faz isso?

— Não faço a menor idéia — falou com a sinceridade e o mau humor que não o faltavam. — Mas não é agredindo as pessoas que você ganhará sempre. Você é inteligente, use seu lado intelectual, e não apenas suas habilidades físicas.

— Ora Ayato, você é a pessoa mais burra e inconseqüente que conheço e está tentando me dizer como devo fazer minhas coisas?

— Essa doeu — brincou, apesar de ter restringido o olhar insatisfeito com o comentário dele. — Você é mesmo insuportável as vezes. Só quero deixar claro que iremos resolver isso depois, não fique invadindo o quarto dos outros e fazendo uma baderna, para depois, criar um conflito bobo como esse. Você é mais esperto que isso, Kanato.

Kanato obviamente não dava bola pro que ele dizia, Ayato tinha consciência disso. Mas Ayato era o irmão mais próximo de Kanato, conforme foram crescendo dividiram muitas brincadeiras, diferentemente de Laito que durante sua formação se afastou dos outros irmãos. Ele era só um safado metido que não gostava da companhia de seus parentes. Muito menos se forem homens.

— Não me encha a paciência, Ayato.

O garoto fez uma careta engraçada, mas quando ia retrucar ouviu Reiji reclamar surgindo da porta:

— Vocês são uma praga. — bateu contra a porta de madeira, mas não chegou a usar sua força para quebrá-la ou algo assim. Ele não gostava de sair de sua postura e suas boas maneiras, mesmo irritado pelo barulho que causaram. Laito vivia fazendo piadas com isso. — Onde está Shuu?

— Não sei, ele saiu há alguns minutos — Ayato respondeu, dando de ombros.

— Ele é um mimado egoísta. Ficará por minha conta dar um jeito em toda essa bagunça, tenho certeza que o preguiçoso não moverá um dedo para arrumar o próprio quarto. — concluiu, olhando para Kanato. — Filhos da Cordelia... Sempre os que mais causam confusão nessa mansão. Você já pode se retirar, Ayato. Quanto a você, Kanato, teremos uma boa conversa depois.

— Será uma honra conversar com você, Reiji — ele respondeu, e Ayato ao seu lado não deixou de rir de seu comentário, fazendo Reiji soltar um murmuro entendiado por sentir escárnio em sua voz, apesar de raramente identificar quando Kanato falava sério ou apenas zombava de sua inteligência.

— Retirem-se logo desse recinto. — ordenou olhando enojado para a bagunça formada. Não era à toa que evitava estar entre aquele bando de arruaceiros sem etiqueta, só de ver aquela bagunça, já se sentia agoniado.

Aoi estava em seu quarto, ouviu gritos e murros nas paredes, e se sentia culpada por ter deixado Kanato sair tão desequilibrado daquele cômodo. Mas ela tentou, tentou tanto que tinha começado a irritá-lo antes dele sair. Não tinha como parar Kanato, se tinha, ela ainda teria que se acostumar. Com quem será que ele tinha brigado? Embora ouvisse as discussões bem pouco no andar debaixo, não conseguia identificar a voz de quem era. O mais provável era que fosse Shuu, Kanato andava reclamando demais dele, o conflito entre eles aconteceria mais cedo, ou mais tarde. Preocupada, abraçou fortemente Bunny, seu fiel amigo de pelúcia.

— Você deveria ter o impedido — ouviu Shuu dizer, em frente a sua cama. O olhar dele era a total repreensão, ele estava a julgando antes mesmo de pronunciar uma única palavra, e entrou em seu quarto de repente sem nenhuma preocupação. Shuu apesar de ser folgado na maioria das vezes, não era disso. Ele estava irritado com ela.

— Shuu...

— Calada! — repreendeu, se aproximando. Com a agressividade de seus passos, ela não pôde evitar recuar um pouco, encostando-se na cabeceira da cama e tentando não encará-lo nos olhos. Aquelas orbes azuis como o céu estavam em uma completa tempestade. — Você é a única que consegue convencer aquele cretino de algo. E não tinha nada que ter se aproximado dele agora, isso só mexeu ainda mais com a mente doentia daquele animal estúpido — segurou firme em seu braço, o que a fez soltar um leve gemido de dor e susto. — Qual é o seu problema, garota? Se Ayato não tivesse interrompido logo no começo da discussão, eu juro que teria o matado! E ele a mim, se tivesse sorte.

— Eu tentei falar com ele! Para de me culpar por tudo... Você é o mais velho dos irmãos, mas às vezes age como uma completa criança!

Shuu soltou o ar pelo nariz. Aquele comentário havia passado dos limites, sua raiva era tanta que nem se deu conta que sua força sobre-humana estava apertando o braço da garota que fazia de tudo pra não gritar de dor quando seu osso era praticamente deslocado. E foram alguns minutos apertando aquele frágil braço até que seu grito de dor o despertasse.

Ele a soltou assim que se deu conta do que fez, recuando para trás completamente perdido. Somente ao vê-la se encolher de dor ele percebeu que, apesar de nunca ser lá muito agradável, havia passado dos limites e descontado toda sua fúria em uma pirralha que nem sabia o que vestir direito. Aoi o encarou cheia de ódio, aqueles olhos tão escuros levemente azulados e inocentes dela transbordavam revolta. Ela se parecia muito com aquela menininha... O olhar de ambas era tão parecido, que o fazia recordar de lembranças não tão agradáveis que já havia ignorado há tempos.

— Eu... — balançou a cabeça, perdido. Estava tentando colocar suas idéias em ordem. Seu problema seria com o ridículo do Kanato, não iria envolvê-la, apesar de tudo que nela o incomodava. — Me desculpe.

— O-O que... Disse? — indagou ainda sentindo a insuportável dor e com os olhos lacrimejando. Sua raiva por Shuu naquela hora queimava em seu peito, mas ouvir ele se desculpar a pegou totalmente de surpresa. Não foi um pedido de desculpas qualquer, sentiu sinceridade nele, pela primeira vez. Foi isso que a chamou atenção de verdade.

— Eu pedi desculpas. Não vou pedir novamente — se virou, escondendo seu rosto. — Fique aqui, irei... Chamar alguém para cuidar de seu braço. Isso não foi por querer, eu perdi o controle, detesto quando isso acontece. Me deixei levar completamente aquela noite... E hoje, o mesmo quase se repetiu.

Ele ainda estava falando sobre o que fez ao seu braço? Parecia entrar em outro assunto por trás daquele pedido inusitado de desculpa... Mas deixaria a curiosidade prevalecer, não tinha intenção de conversar com ele naquela hora, orgulhosa como era, só conseguia se aquietar completamente e colocar a mão em seu braço ferido como se fosse adiantar alguma coisa.

— Tome cuidado. Se Kanato continuar assim... Não será a mim que você deverá temer, e sim ele. — avisou, saindo pela janela. Ele não queria voltar para seu quarto destruído, nem ouvir as reclamações de Reiji. Simplesmente resolveu dar uma volta para esfriar a cabeça e se autocriticar por muitas coisas, depois é claro, de pedir para uma das empregadas ir até o quarto de Aoi socorrê-la.

— Kanato como sempre cheio de alardes... — Laito comentou, sentado em sua cama. Aquela voz dele era inconfundível, nem precisava encarar para ter certeza de quem se tratava. Ele era extremamente intrometido, se bobiar, ouviu a conversa com Shuu desde o começo. — E parece que Shuu também não foi delicado com nossa pequena Aoi — disse colocando a mão em seu braço, mas ela se afastou, o que não pareceu incomodá-lo. — Você é uma menina muito azarada. Veja tudo o que ocorreu, e que acabou caindo a culpa em você — ergueu os braços, colocando as mãos atrás da nuca e jogando-se de costas na cama despreocupadamente.

— Não quero falar sobre isso. — respondeu fraco. — Preciso ficar sozinha, Laito.

— Está a me expulsar? — ergueu as sobrancelhas. — Como assim...? Tantas mulheres dariam de tudo para me terem em seu quarto em uma noite proveitosa como essa.

— Laito!

Ele se despreguiçou, com aquele sorriso cínico de sempre, passando por ela e parando encostado na porta.

— Poderíamos ser bons amigos, Aoi — enfatizou, deixando claro que estava a chamando por seu nome, e não por aquele apelido que ela tanto detestava. — Pense bem sobre isso... Essa casa é cheia de loucos, se você não aprender a viver entre eles, quem se tornará louca será você.

QUATRO DIAS DEPOIS

As coisas haviam se acalmado, mas não era como se os problemas tivessem sumido em tão pouco tempo. Os irmãos Sakamaki tiveram uma reunião privada, dispensaram até mesmo os empregados no dia em questão, e conversaram a sério. Aoi recebeu a ordem de ficar em seu quarto até que a discussão se encerrasse. Não pareciam ter discutido apenas sobre o ocorrido, e tentado resolver as coisas entre Shuu e Kanato, caso contrário não precisariam esvaziar a mansão daquele jeito. Mas não cabia a Aoi se pronunciar, sabia que se os conflitos tinham acabado pelo menos temporariamente, era melhor não tocar no assunto e atiçá-los ainda mais. Mesmo que Kanato sempre estivesse motivado a criar mais alvoroço naquele lugar. “Que garoto mais complicado”, todos costumavam dizer.

Estavam na mesa de jantar, que estava um tanto vazia sem a presença de Shuu, Subaru e Ayato, que não deram nenhuma explicação sobre o porquê de não comparecerem, apesar que nas noites anteriores o mesmo tivesse ocorrido e a desculpa deles terem sido bem fracas e nada convincentes.

Kanato deixou de lado o prato que continha uma refeição saudável e se focou em um prato cheio de doces que havia pegado na cozinha. Ele colocou um dos doces em um prato vazio colocando para Aoi, que encarou um pouco confusa, mas o doce parecia tão gostoso que logo pegou o garfo para comer. Olhando para seu braço direito enfaixado, Kanato impediu que se movimentasse, pegando o garfo por ela. Apesar de estar enfaixado, não atrapalhava completamente seus movimentos, e havia se recuperado bem do braço quebrado, mas ele parecia fazer questão de cuidar dela algumas horas, mesmo que em alguns casos seus cuidados fossem bem esquisitos. No dia anterior ele falou que quebraria seu nariz dizendo que isso iria aliviar a dor de seu braço fazendo ela se focar em outra parte do corpo, como sempre, ele fazia zero sentido.

Com o garfo fincado no doce, ele aproximou da boca dela, que continuava com a mesma expressão confusa. Já era estranho ele dividir seus doces, ele amava muito açúcar. Mas ajudá-la a comer ainda? Era quase impossível de se ver.

— O que foi? Por que estranha tanto? — ele perguntou confuso. — Não era você que queria que eu me comportasse melhor para uma “relação saudável”? — riu, ajudando-a a comer. — Eu estou de bom humor hoje, Aoi. Não abuse.

— Estou vendo — disse após terminar de mastigar. Era uma sobremesa realmente boa, mesmo ela não sendo tão viciada em doces como Kanato, que logo voltou a comer os seus e falar de boca cheia como um garotinho desajeitado, porém fofo.

— Aoi, quero te levar para uma ópera.

— Ópera?

— Sim, vai ter uma no centro da cidade essa noite. Deve ser muito bonito, né? Eu nunca fui a uma ópera, um concerto. Quero muito levar você e Teddy comigo. — ele sorriu levemente, mas não passava nenhuma confiança um convite dele, aquela experiência no circo abandonado que o diga.

— Se me permitem, eu também gostaria de ir — Laito se pronunciou, piscando para ela. Ele estava ciente que a garota se sentia ameaçada com um convite como aquele, mesmo com Kanato estando de bom humor. Mas ela não confiava nem um pouco em Laito também, então se aquilo era para passá-la confiança, ele falhou.

— Eu não me lembro de ter te convidado, Laito — Kanato fechou o cenho, encarando-o.

— Meu irmão, eu não serei um incomodo, tão pouco atrapalharei o casalzinho. — sorriu. — Considerem-me seu guia turístico. Conheço essa cidade e cada beco escuro dela, eu saberei levá-los e trazê-los em segurança sem preocupações. O que teria a perder com minha mera companhia? Ficarei tão quieto quanto uma ave noturna pela manhã.

Reiji que parecia ser o único que levava aqueles jantares a sério, encarou com desaprovação, mas não chegou a reclamar sobre eles estarem conversando durante o jantar. Era de fato um bando de crianças.

— Pensarei a respeito. — Kanato murmurou, mesmo que na verdade não quisesse nem pensar. Ele não iria e pronto.

— Se pretende ir essa noite, acho que não há tanto tempo para pensar quanto você gostarias, irmãozinho. — comentou com divertimento, passando o dedo na taça vazia que tinha a sua frente.

— Cale-se, Laito!

— Vocês dois poderiam calar a boca? — Reiji protestou.

Laito riu baixo.

— Como queira, Reiji.

— Aoi — Kanato, ignorando completamente o protesto de Reiji, se virou para ela um tanto sério. — Você quer que Laito vá com a gente?

Era complicado. Se dissesse que não, ele poderia ficar incomodado, porque queria que ela "respeitasse" Laito como... Seu cunhado. Kanato citou isso uma vez. Mas se dissesse que sim, seria mais complicado ainda. Laito, no entanto, não iria ficar ofendido se ela respondesse que não queria que ele fosse. Ele conhecia o irmão que tinha. Era até irônico Laito ser tão pervertido e ter uma postura adulta sendo que ele era mais novo do que o Kanato que era todo meiguinho, se tratando de aparências.

— Eu realmente não me importo muito, Kanato. O que você decidir... Estará bom pra mim — bebeu imediatamente um pouco de seu suco de laranja, torcendo para que sua resposta não tivesse o irritado.

Será que um dia conseguiria conviver com o Kanato sem temer reações negativas dele? Era o que mais desejava...

— Está bem — ele respondeu com um sorriso amigável e se voltou para Teddy, parecendo sussurrar algo em seu ouvido enquanto oferecia ao pelúcia um doce que mais parecia um beijinho. Aoi detestava olhar pra aquele urso. Ele parecia maligno, ou algo do tipo. Maldito Teddy. — Aoi, venha comigo! Tem uma roupa que eu Teddy queremos que você use para irmos à cidade.

— Não me lembro de ter dado permissão para saírem nesse horário. — disse Reiji. — Irá matar aula novamente, Kanato? O Laito nem me surpreende. É tão descarado e pervertido com as garotas que já levou inúmeras suspensões no colégio. — Laito encarou-o sorrindo como se não desse a mínima. Reiji se incomodava com o fato de que cada dia que passava eles se importavam menos com as regras daquela casa.

— Não lembro quando precisamos de sua permissão para algo, Reiji — Laito respondeu por Kanato, que apenas olhou para Reiji com vontade de rir.

— É verdade.

— Vocês dois são completamente inadequados. — se afastou da mesa, levantando-se. — Façam o que quiser. O jantar, pra mim, já chegou ao fim.

Laito fez um tchauzinho com a mão, mas Reiji era muito comportado para reagir a sua infantilidade toda.

— Querida Aoi — Laito voltou a falar. — Vá se vestir. Kanato vai te dar um vestido de nossa mãe pra você, ele já havia comentado essa idéia comigo.

— O quê? — ela encarou Kanato, sem jeito. — Eu... Não posso. Deve ser importante pra vocês, não quero usar o pertence de sua mãe.

— Está tudo bem, Aoi. — Kanato respondeu seco. — Ficará ótimo em seu corpo.

— Minha preocupação não é do vestido ficar bom... É porque é algo especial pra você.

— Não se preocupe. — Laito a tranquilizou. — Talvez você até lembre um pouco nossa mãe o vestindo. — curvou um sorriso que ela não soube dizer se era pervertido ou não. Será possível aquele cara pensar essas coisas até da própria mãe? Porque deu a entender pelo jeito que ele falou.

— Realmente, vai nos lembrar dela, né? — Kanato concordou. — A gente não vê nossa mãe desde que a matamos. Eu ainda lembro-me dela pegando fogo... Tão bonita. Pobrezinha, estava morrendo de frio aquela noite.

— Mas...

— Só venha comigo, Aoi. — Kanato parecia irritado por ter que explicar tantas coisas, e então resolveu segui-lo, passando pela porta da sala de jantar após encarar Laito que assentiu para ela, e então seguindo ele no corredor.

— Kanato... Vocês mataram mesmo a mãe de vocês?

— Sim.

— Eu... Não entendo. Gostaria de saber mais sobre ela. Pelo o que você fala, não sei se ela é inocente ou não...

Ele parou de andar, fazendo Aoi olhar fixamente para suas costas, como se esperasse ele logo se virar, mas ele permaneceu imóvel por alguns minutos. Era um assunto tão delicado assim?

— Quer mesmo saber?

— Claro, se você se sentir confortável...

É. Talvez seja a hora... Pra contar um pouco mais sobre mamãe.

Do lado de fora, na mesma rua da mansão, Hideki ao lado de Soran encaravam de longe a luxuosa e tão falada mansão Sakamaki. Era tentador atacá-los, mas não seria hoje, nem naquele local. O objetivo ali, era outro.

— Zostaň tu čakal na môj rozkaz (Fiquem aqui esperando minha ordem.) — Soren falou para os dois homens, além de Hideki, que estavam com ele. — Naším cieľom je práve tá dievčina (Nosso objetivo é apenas a garota).

— Ona je naozaj dcérou Ernest? (Ela é realmente a filha de Ernest?) — Grigori perguntou, intrigado.

— Áno. Dosť možná (Sim. Muito possivelmente.) — Soren respondeu calmo. — Nerobia nič bez môjho rozkazu, rozumieš? Nechcem, aby neschopný v mojom tíme (Não faça nada sem minhas ordens, você entendeu? Eu não quero incompetentes na minha equipe.)

— Á-Áno... (S-Sim...).

— Poderia deixar eu resolver isso sozinho! Meus planos vão de vento em popa, não entendo porque essa interrupção... Não confia mais em meu trabalho? — Hideki tentou convencê-lo. Sabia que o trabalho dele só resultava em coisa ruim, e ele ter resolvido agir, o preocupava um pouco.

— Confio cegamente em seu trabalho, synovec (sobrinho). — falou com um sarcasmo encubado, sorrindo de lado sem expressão uma real emoção em sua face. — Mas não posso mais esperar sua boa vontade, você não tem punho firme quando se precisa. Está na hora de um verdadeiro caçador assumir a situação.