Teddy Bear

2 Isso faz parte do sonho?


Capítulo II: Isso faz parte do sonho?

Ela é uma convidada? Ninguém me falou nada a respeito — começou uma das vozes masculinas.

Admito que já estava sentindo falta de chegar tão perto de uma garota humana nessa casa — outro deles entrou na conversa, com um tom de voz bem malicioso e descabido.

Esse cheiro está me enlouquecendo... Preciso prová-la.

Ayato, não gostaria que chegasse perto dela — o garoto birrento protestou, mesmo não alterando seu tom de voz, ele parecia incomodado com a situação. — Eu a encontrei, ela me pertence a partir de agora.

Aoi abria as pálpebras lentamente, já perdida em meio aquela discussão. Conseguiu notar, aos poucos nitidamente, um garoto de cabelos marrom-avermelhados até o ombro em cima de seu corpo imóvel, o que foi o suficiente para acordá-la de vez. O sorriso pervertido dele pareceu aumentar um pouco mais ao vê-la retomar a consciência, ajeitando seu chapéu fedora e encarando-a com seus olhos verdes intensos.

— Ora, vejo que nossa cadelinha acordou com a discussão de vocês dois — ele comentou olhando para os rapazes ao lado, parecendo sarcástico. Em seguida, voltou a encará-la, soltando uma risada baixa, presa na garganta. — Você tem muita sorte, sabia? Se levássemos um minuto a mais a chegar, meu irmãozinho estaria se divertindo sozinho com você... — aproximou a boca de sua orelha, lambendo-a. — Não tenho palavras para expressar o quanto ele foi traidor deixando-me fora da diversão...

A garota, já agoniada com aquela aproximação toda, empurrou-o, levantando-se para sair daquele sofá no qual estava deitada. Para sua enorme falta de sorte, um ruivo com olhos parecidos com o do pervertido que acabou de afrontá-la a segurou pelos braços, logo à sua frente, notando um sorriso maldoso em seus lábios.

Com um pouco mais de atenção se assustou com a presença do garoto do ursinho por perto, que parecia encará-la com insatisfação, mas da água para o vinho abriu um sorriso calmo, mudando sua expressão ao vê-la o encarar.

— Você finalmente acordou, não teve tanta graça usar seu corpo enquanto dormia — ele falou, a assustando.

Aoi tentou se soltar e caiu no chão, ouvindo o sujeito que a segurava rir debochadamente.

Não sabia o que aconteceu, mas seu corpo estava bem fraco, e isso estava a desesperando ainda mais, de onde haviam surgido todos aqueles caras? E por quanto tempo dormiu?

Não queria nem pensar no que o garoto se referia com aquele “não teve tanta graça usar seu corpo enquanto dormia”...

— Você — ouviu mais alguém dizer à sua frente. Ao erguer o olhar percebeu um sujeito muito bem vestido ajeitar seus óculos com um olhar de superioridade. — Não fique aí no chão como um ser imundo, levante-se — falou em um tom autoritário. Aoi, tremendo um pouco e tentando recuperar a calma, tentou levantar-se.

— Você está tão frágil cadelinha, deixe-me ajudá-la — o pervertido sussurrou perto de sua nuca, passando a mão direita por suas costas enquanto com a esquerda tocava seu braço frágil, ajudando-a a levantar. Ela o encarava confusa, o que parecia diverti-lo ainda mais.

— O-Onde... Estou? — gaguejou. Podia sentir as energias negativas naquele lugar, e com todos eles presentes, era a vítima perfeita para... Seja lá o que eles pretendiam.

— Quero te ajudar também — o de cabelos roxos falou do seu lado direito. Kanato era seu nome. Decorou-o, pois na última noite cada cena no quarto do garoto ficou presa em sua mente desde que voltou a consciência, mesmo tendo problemas maiores a partir de agora, não estava tão assustada como quando ficou sozinha com ele naquela mansão. Ou pelo menos estava torcendo para que, agora que todos se uniram, houvesse ao menos um capaz de ajudá-la a voltar pra casa e esquecer que já pisou naquela mansão horrível.

A sensação de estar entre o de chapéu e Kanato era desconfortante ao extremo, chegava a causar calafrios.

— O que foi? — novamente, o que a ajudou a se levantar voltou a provocá-la. — Sua pele está arrepiada... Sente frio? Talvez possamos aquecê-la. O que acha, Kanato?

— Seria legal — ele respondeu com um pequeno sorriso.

— Não é hora para esse tipo de coisa — o de óculos, que parecia o mais certinho dali, interrompeu-os abruptamente. — Soltem essa dama — ambos pareceram olhar com tédio para o rapaz, afastando-se da garota. — Como se chama?

— M-Miyamoto. Aoi Miyamoto.

— Vocês fazem muito barulho — ouviu alguém reclamar em um murmuro, deitado no sofá que antes ela estava acomodada.

Caramba! Como ele havia aparecido ali?

— Como sempre interrompendo assuntos importantes, você não passa de um encosto — o certinho do grupo voltou a falar, criticando o de cabelos loiros que parecia não dar a mínima para seu sermão, completamente relaxado no sofá. — Bem, vamos às apresentações: — suspirou. — Esse é o filho mais velho, Shuu — olhou para o loiro deitado. — Eu sou o segundo filho, Reiji. Esse é o terceiro, Ayato — o ruivo abriu um sorriso travesso. — Kanato — o do ursinho virou a cabeça pro lado, sorrindo. — Laito — o de chapéu novamente se referiu a ela como “cadelinha” e lançou-lhe uma piscada nada inocente. — E o último filho, Subaru — esse só tinha chamado a atenção de Aoi naquele momento, até então nem sabia que ele estava presente. Subaru estava no corredor distante dos outros, encostado na parede com uma expressão bem fechada, como se só estivesse ali por não ter nada melhor pra fazer.

— Hã... Muito prazer, mas... Preciso ir agora — disse se virando, mas sentiu um deles segurar firmemente seu ombro, virando-a contra sua vontade.

— Você não pode ir — Kanato falou amigavelmente, apertando ainda mais o ombro da garota. — Ainda temos muito o que fazer... E estou ficando com fome também. Você não quer brincar comigo, Aoi? — seu olhar, pelo incrível que pareça, estava meio triste. Mas não dava pra saber se ele estava realmente magoado, ou simplesmente manipulando-a. Mas independente do que fosse, não queria saber daquele louco!

Os dedos gélidos de Kanato passaram de raspão em sua bochecha quando ela recuou um passo para trás.

— Não entendo o que tanto teme — Laito falou em meio a um sorriso, afastando o cabelo de sua pele, deixando o pescoço de Aoi exposto e cada vez mais acessível as suas presas. — A gente promete ser gentil.

— PAREM! — gritou, tanto por raiva quanto medo, respirando fundo e mantendo distância daquelas aberrações. — Afinal... O que vocês... São?

Ayato riu baixo, manifestando-se:

— Você sabe ser burra hein garota? Pensei que a essa altura já estivesse óbvio.

— M-Mas... — Ayato continuou rindo, não permitindo que ela tivesse a oportunidade de argumentar. Detestava com todas suas forças quando era interrompida, mas não estava em uma situação boa para ir contra eles.

— Isso é uma perda de tempo — Subaru reclamou, bufando e afastando-se do grupo.

Aoi, já com um aperto do peito, tentava sem muito sucesso se afastar lentamente dos irmãos que a encaravam com diversão (exceto Shuu, que continuava com os olhos fechados no sofá, não sabia se ele estava atento ao diálogo).

— Vocês são... Vampiros!

Laito abaixou o rosto abrindo um sorriso, e Ayato soltou uma exclamação que deixava claro que ela finalmente tinha acertado, enquanto Kanato continuava a encarar sua expressão confusa em meio aquilo tudo. Parecia muito surreal...

— Reiji, temos permissão para matá-la? — Ayato indagou.

— Não há como saber o porquê dela ter parado aqui, duvido muito que tenha passado de uma mera coincidência — respondeu o mais velho. — Vamos considerá-la uma reserva de sangue até resolvermos essa questão. Não dou a mínima para o que façam, mas vamos mantê-la viva até segunda ordem.

— Mas veja que notícia boa — Laito começou. — Isso quer dizer que terei tempo o suficiente para explorar nossa mais bela convidada.

— Mas eu a vi primeiro, quero prová-la novamente — Kanato interrompeu.

— PAREM! POR FAVOR... — Aoi começou a correr pelos corredores da mansão, indo para o lado mais oposto possível daquelas criaturas peculiares. — Isso não pode ser real, com certeza é fruto de minha imaginação... Vampiros não existem. Isso deve ser um sonho... Quando eu acordar vai ficar tudo bem... Quando eu acordar vai ficar tudo bem... Quando eu... — começava a repetir novamente quando tropeçou em uma mesa sem perceber, indo parar no chão. — Mas que droga!

Havia esbarrado em uma das mesas de doces que ficava perto das salas de visitas, se sujando da bandeja que caiu em cima de si e desperdiçando aperitivos que pareciam muito gostosos.

Apoiou a mão sobre o chão, tentando se levantar e reclamando mentalmente pelo barulho que fez.

— Você não tem jeito mesmo! Veja o que fez com meus doces — ouviu Kanato reclamar, encarando-a em pé. Dessa vez não estava com Teddy nos braços, o pelúcia estava na verdade sentado em uma cadeira perto de Kanato, que ela não tinha reparado antes. — Por que tentava fugir de mim? — segurou o pulso dela levantando-a à força, mas logo em seguida a jogou contra o chão novamente, deixando-a sem ar com o choque forte que levou.

— K-Kanato...

— Não me responda! — aproximou-se, colando seus corpos. A expressão dele não era nada amigável, e com o corpo tão próximo ao dele, só temia o pior naquelas circunstâncias... — Você é insensível comigo, Aoi. Terá sua punição quando eu decidir — pegou a mão pequena dela, que estava suja de bolo ou outro doce qualquer. Kanato lambeu entre seus dedos com calma, limpando-os com sua língua áspera, parecendo agoniá-la com os movimentos que fazia. — É tão doce quanto seu sangue — voltou a sorrir, com a voz relaxada; depositando uma mordida entre seu dedo do meio e sugando levemente o sangue. — Fazia tempo que eu não provava um sangue assim, esse sabor torna-te maravilhosa — segurou os braços dela acima da cabeça, começando a lamber em meio aos seus seios chegando até seu pescoço, que cheirou antes de encaixar as presas firmemente, fazendo-a soltar um gemido de dor.

Isso faz parte do sonho, não faz? Mas sinto tanta dor... Parece real.

Por que isso está acontecendo comigo?

Kanato parou por um momento de saborear o delicioso sangue da jovem, passando a língua em volta dos próprios lábios para limpar o sangue no canto de sua boca. Ele ergueu o rosto para olhar dentro dos olhos de Aoi, aqueles olhos cinzentos e escuros lacrimejavam em medo.

— Você acha que está em um sonho, não é? Que bobinha — aproximou de sua orelha, sussurrando: — Não se preocupe, vou cuidar muito bem de você até que possa acordar.