Notas iniciais
▲ Olha quem apareceu ▲ GENTE, EU DISSE QUE POSTARIA UM CAPÍTULO MAIOR, MAS EU ME EMPOLGUEI E FICOU TÃO GRANDE QUE TIVE MEDO DE VOCÊS DORMIREM DURANTE A LEITURA DJSKJSKDJSKDSKD. MAS, PELO LADO BOM, ESTOU POSTANDO ANTES DO PRAZO o ▲ Se tiver algum erro me avisem porque postei isso com pressa e não deu pra conferir direito. ▲ Assim que eu chegar em casa respondo os comentários do capítulo anterior o Obrigada pessoal, estão me motivando bastante

Capítulo IV: Escola

Aoi resmungava enquanto andava pelo corredor, carregando os livros de matemática que devolveria a biblioteca. Desde que chegou à escola, parecia que já estava presa ali a anos, mesmo que só tenha passado três aulas. Reiji tinha exigido um comportamento adequado de sua parte, visto que não estudavam na mesma turma, ele provavelmente perguntaria para Ayato ou Kanato — que estavam em sua sala — se ela se comportou como deveria, apesar de que eles estavam mais desinteressados nas aulas do que ela; Kanato conversava com Teddy que estava sentado em sua mesa, rindo e se divertindo com o assunto que ela não fazia questão de saber qual é. Quanto ao Ayato, estava jogado sobre a mesa, como se já estivesse no décimo sono, e dane-se o resto dos meros mortais.

Parece que o trabalho de levar os livros de volta — trabalho que ninguém queria — ficou para ela mesmo. Tinha poucos alunos em sua turma, pelo horário, imaginava que a escola em si não fosse frequentada normalmente. Mas ninguém demonstrava interesse, sequer pareciam estar querendo aprender alguma coisa. Não que ela fosse um exemplo, na verdade, também não gostava de sua escola antiga, mas comparado a essa, era de longe mais confortável. Só não caía no sono de vez porque já tinha se acostumado a ir dormir tarde, então a escola noturna não era a maior surpresa que teria.

Até porque estava morando com vampiros.

Continuou a andar quando esbarrou em alguém, olhando pra cima.

— Uh? — o garoto de cabelos cinza e olhos esverdeados parecia confuso, nem a viu chegando pelo corredor... Muito menos ela viu a ele, na verdade.

— Me desculpa, não te vi passar.

Isso era estranho, mas ela estava esperando uma resposta grosseira, já que os irmãos Sakamaki só a tratavam naquele nível deplorável.

— Não, não. A culpa foi minha, eu que devo desculpas — sorriu de lado, pegando dois dos livros mais pesados que ela carregava. — Isso devia estar pesado. Sempre mandam os novatos fazerem as tarefas chatas mesmo — riu baixo. — Me chamo Hideki, prazer — cumprimentou simpaticamente.

Aoi piscou duas vezes em confusão.

— Sou Aoi... Muito prazer.

Ele sorriu de lado, calmo.

— Vamos levar isso para a biblioteca, Aoi — falou, olhando para os livros.

— Posso fazer isso sozinha. Você tem aula agora, não tem?

— Ah, não me importo tanto em perder uma aula ou outra... Não estou aqui necessariamente por eu gostar. Mas ignore isso. Vou ajudá-la, como o bom cavalheiro que sou — sorriu maliciosamente de lado, fazendo-a rir.

—Tudo bem. Obrigada então, Hideki.

Virou-se ao lado dele pronta para acompanhá-lo, quando ouviu Laito entrar no meio dos dois:

— Ora, vejam só — riu baixo. — Hideki, faz tempo que não o vejo por essas redondezas — sorriu. — Mal voltou e já está socializando com quem não deve, uh? Você não tem jeito.

Hideki fechou o cenho.

— Laito...

— Você sabia que nossa Aoi é a cadelinha particular de Kanato? — puxou-a pelo braço até ele, derrubando os livros que ela tinha entre os braços ao chão. Passou a mão em seu ombro enquanto encarava Hideki, que parecia não gostar nada da atitude dele. — Que eu me lembre, você e meu irmãozinho tiveram muitas desavenças, estou certo? — continuara a provocar. Aoi assistia tudo sem entender muito bem, mas era meio óbvio que se fizesse uma pergunta aos dois sobre isso, eles iriam ignorá-la completamente. — Imagina o que ele faria se visse você tentando se aproveitar da cadelinha...

— Laito, pare de chamá-la assim — Hideki falou firmemente, encarando-o. Sakamaki retribuiu o olhar julgador encarando-lhe calmamente, dando um pequeno sorriso. — Ela tem nome. Chame-a pelo mesmo.

— Como queira, meu velho amigo — olhou para ela, sussurrando contra sua nuca: — Aoi. È assim que devo te chamar? — lambeu de seu pescoço a orelha, arrepiando-a. Laito era uma desgraça mesmo. — Se bem que ainda acho que ela prefira ser chamada de outro jeito — riu baixo.

— O que está acontecendo? — Shuu perguntou, encostando na parede do corredor, bem mais confortável do que devia.

— Shuu? — Laito perguntou.

— Se Reiji souber disso, não irá parar de falar em nossas orelhas — disse com a voz sonolenta, com os olhos fechados parecendo viajar na música clássica que escutava pelos fones de ouvido. — A garota mal chegou e já se envolveu com esse aí? — deu uma risada fraca. — Seria interessante ver a reação de Kanato. Acredito que ele logo chegue aqui.

Hideki suspirou, olhando para Aoi.

— Foi um prazer conhecê-la — sorriu. — Espero vê-la novamente, Aoi — olhou nada discretamente para os vampiros. — Cuidado para não andar em má companhia — virou-se, apanhando os livros do chão e passando pelo Shuu.

Aoi se afastou de Laito, tropeçando e caindo sentada ao lado de Shuu que parecia distante daquela conversa. Ele abriu os olhos e encarou de soslaio sem muito interesse. Laito soltou um riso baixo ajeitando seu chapéu e afastando-se também.

A garota aproveitou seu momento de sossego para encher sua mente de perguntas: Aquele Hideki também seria um vampiro? Por que ele foi tão gentil com ela? Ele teve alguma intriga com Kanato? Essa linha de pensamentos não tinha fim.

— O que ainda faz aqui? — Shuu indagou, soando como um “vaza logo daqui, garota”.

— Ah, sim... — ajeitou sua roupa, levantando-se. Mas Shuu, sem mais nem mesmo, segurou sua mão firmemente, fazendo-a o encarar para baixo. — Shuu?

— Deveria tomar mais cuidado — soltou-a, fechando os olhos novamente.

Meio confusa, resolveu voltar as suas atividades para não levar nenhuma bronca de Reiji e nem levantar a desconfiança de Kanato. Mas ainda assim, ainda iria querer explorar mais sobre aquela história toda.

— Teddy, a aula estava ótima, né? — Kanato falava, enquanto entrava na mansão junto com seus irmãos. Ao ouvir aquilo, Aoi fez uma careta confusa, lembrando-se da quantidade de vezes que Kanato reclamou das aulas com Teddy quando estavam na escola. Já tinha desistido de tentar entender ele.

— Até que enfim chegamos em casa — Ayato falou, jogando-se no sofá. A garota o encarou por alguns segundos, e ele que reparou nisso, abriu um sorriso ligeiro, provocando-a: — O que você faz parada aí, hein?

— Nada — olhou para o lado.

A verdadeira resposta que tinha guardada era: “Não é de sua conta!”. Mas qual a necessidade em cutucar a onça com vara curta?

— Vou para meu quarto — Subaru falou, com mau humor, subindo as escadas após lançá-la uma rápida encarada. Não estava nada satisfeito com sua presença mesmo.

Reiji com os braços cruzados a encarou em seguida.

— É melhor você ir comer alguma coisa, não será bom se sua má alimentação comprometer seu sangue. Sangue fraco não resiste muito tempo nessa casa.

— É mesmo, isso seria péssimo — Kanato comentou com um sorriso leve. Ele parecia de bom humor, comparado ao resto do tempo que passou com ele. — Vem comigo, vou levá-la para comer.

— É melhor não, Kanato — Reiji discordou. — Nunca é bom te deixar sozinho com uma possível noiva por muito tempo. Você sempre passa dos limites.

Kanato fez um bico, insatisfeito.

— Que saco.

— Depois faça o que quer, mas agora é melhor ela repor as energias. Não irei repetir.

Por alguma razão, o garoto abriu um sorriso mais largo para Aoi, virando-se e saindo cantarolando baixinho.

Novamente: já tinha desistido de tentar entender ele.

— Vá até a cozinha e coma algo. Não demore, não garanto que nenhum de nós não entrará lá faminto a qualquer momento se você se der ao prazer de demorar — Reiji avisou, ajeitando suas luvas.

Ayato abriu um sorriso ouvindo aquilo, e Aoi nervosa se apressou para fazer sua refeição.

Deitada na banheira, sentia a friagem entrar pela pequena abertura da janela do banheiro. Já tinha feito um tempo desde que se alimentou, e já se sentia mais disposta comparada a antes. Sem contar que teve a enorme sorte de nenhum deles ter sugado seu sangue até agora. Mas não deve ter sido exatamente sorte, eles simplesmente estavam ocupados com algo e mantê-la na cozinha pode ter sido apenas uma desculpa. Tinha tantas questões pendentes naquela mansão, cada cômodo escondia um terrível segredo sobre cada um deles. E Aoi infelizmente era muito atraída pelo mistério. Principalmente quando o mistério envolvia os Sakamaki’s, Hideki, seu pai, e é claro, si mesma.

— Vou começar a ficar paranóica se continuar analisando tudo isso...

Virou-se para pegar sua toalha de banho, mas no lugar dela, estava o Teddy encarando-a sentado em uma cadeira ao lado da banheira. Aoi deu um pulo, levada pelo susto. Aquele urso não era agradável como Bunny, as vezes ele parecia sorrir, ou simplesmente passar algo ruim...

Estou com medo de um ursinho agora? Era só o que me faltava.

Mas espera... Se Teddy estava ali quer dizer que...

Acolheu-se na banheira, abraçando suas pernas e tentando se cobrir ao máximo. Kanato estava a observando há quanto tempo? Só de pensar naquilo, suas bochechas estavam ruborizando.

— Você não terminou o banho ainda, Aoi? — perguntou calmo, tocando seu braço direito e olhando-a de forma inocente. — Está precisando de ajuda?

A garota engoliu seco com aquela pergunta.

— N-Não precisa! Eu estou bem! Mas obrigada...

— Por que não? — ele perguntou, incomodado.

— Eu já terminei, Kanato.

— Então por que ainda está dentro da banheira?

— Por que... Você está aqui, me olhando desse jeito.

— O que há de errado?

— Eu tenho vergonha, Kanato! Você é um garoto... Isso é embaraçoso pra mim. Vire-se! Preciso me vestir...

— Por que precisaria? — se jogou dentro da água, mesmo estando com roupa, ele não parecia dar à mínima.

— Kanato! — berrou, após três tentativas em falar algo. Sua língua, assim com o resto de seu corpo, tinha travado diante daquilo. Ele estava indo longe demais... — Por favor, saia... — segurava em seus ombros, tentando impedir que ele se aproximasse mais.

— Por que está agindo assim, Aoi? — sua voz parecia triste e mansa, passando a mão pelo cabelo dela e segurando sua nuca firmemente. Kanato riu. — Você já deveria estar acostumada — começou a lambê-la.

Aquele idiota.

— Se quer me matar, mate logo! Não fique me torturando!

Ele sorriu de lado.

— Te matar? Oh, sim. Mas ainda não — passou suas presas sobre a pele dela, sem afundá-las ainda. — Você é uma presa interessante, tenho que tirar proveito de tudo — tornou a chupar seu sangue, ouvindo o gemido de dor dela perto de sua orelha. — Me pergunto se quando eu sugar todo seu sangue esvaziando seu corpo por completo, você continuará com essa expressão tão agradável de medo enquanto seu corpo continua largado sobre a banheira. A água quente logo esfriaria assim como sua alma, e sua pele estará pálida e deixará de ser macia. Seus olhos estariam petrificados em medo, e com o frio rude da noite suas pálpebras poderiam congelar também. Você não adormeceria e ficaria preservada por mim...

— Você tem que parar, Kanato... — interrompeu-o, gentilmente. Ele parou de sugar seu sangue e dizer aquelas coisas, colando suas testas e encarando-a com uma expressão perdida. — Você...

— Ah, é. A espécie feminina deve ser tratada com delicadeza... Como... Acariciar uma rosa, correto? — dizia enquanto acariciava a ponta de seus dedos. — Deve ter sido uma dor tão desagradável né? — alisou a marca que deixou no pescoço dela, que continuava acolhida. — Tá tudo bem — sorriu. — Vamos fingir que isso nunca aconteceu, está bem Aoi? — ele sorriu de uma forma ainda mais adorável.

— Kanato... — antes que pudesse falar, sentiu-o morder seu lábio inferior, mas não com tanta força quanto foi em seu pescoço, na verdade apenas ardeu um pouco, seu corpo estava um pouco anestesiado.

— Vou provar que gosto de você, Aoi!

Tinha até medo de saber o que ele planejava...

— Como...?

— Você verá. Mas até lá... — segurou o pescoço da garota com as duas mãos. — Terei que limpar suas feridas. Vê se não morre — sorriu, afundando-a contra a banheira. Aoi sentia-se sufocada, tentava a todo custo ir à superfície, mas ele era bem mais forte. Seus pulmões clamavam por ar, e seu corpo energético tentava a todo custo se soltar. Sem sucesso. Kanato era ambicioso para um garoto tão jovem. Ambicioso e mimado; o que ele queria, era lei. — Aoi, você não pode morrer afogada logo agora. O que foi? Não consegue respirar? — começou a rir, ainda a segurando. Enquanto seu amado Teddy apenas observava a cena, imóvel na cadeira. — Aguente! Você consegue! Se sobreviver terei a prova de que você me ama — seu sorriso aumentava ainda mais. Brincar com a vida das pessoas era como ter em baixo de seus pés um inseto que acabou de esmagar; suas vítimas eram frágeis, não tinham saídas, apenas sofriam em silêncio e mesmo que fossem capazes de falar, pedir socorro não adiantaria em nada. Sempre acabavam esmagadas. Depois de um tempo, quando a garota estava quase desmaiando, ele a puxou. Ela tossia e tremia, abraçada ao corpo dele, com a cabeça em seu ombro. — Conseguimos, Aoi. Você está limpa agora. Está muito melhor assim.

Ela fez força para abrir seus olhos, tentando olhar para o rosto dele, quando o escutou cantar novamente. Sua voz meiga e afinada ressoava tão bem... Mas Aoi estava ali; sobre os braços do homem que havia sugado seu sangue, gritado com ela, torturado e quase matado-a naquela situação. Por que ele fazia isso? É possível que ele goste mesmo dela e... Seja esse seu jeito de demonstrar isso?