Teddy Bear

5 Promessa


Notas iniciais
→ Estou aproveitando a inspiração pra atualizar aqui, porque tô empolgada pra chegar cenas mais de ação na fic, que irão aparecer com o tempo. → GENTE EU NÃO SEI SE ESSE CAPÍTULO FICOU LÁ ESSAS MARAVILHAS PORQUE FIZ NA PRESSA, MAS SEI QUE ADORO CRIAR SITUAÇÕES ASSIM COM O KANATO, E ESPERO QUE VOCÊS GOSTEM TAMBÉM, CONTINUEM ME DIZENDO O QUE ESTÃO ACHANDO. → Pra ter um contato mais próximo com vocês, vou deixar duas redes sociais em que me encontrarão sempre online (ou na maioria das vezes): Twitter e Curious Cat (pra quem não sabe, é tipo um ask fm, uma rede social para perguntas, mas com gatinhos :') Se quiserem perguntar sobre a fic, dar sugestões pra fics novas, ou apenas conversar comigo, fiquem à vontade pra puxar assunto por lá, ok? Mesmo que me mandem algo em anônimo lá no Curious Cat, estarei satisfeita em tirar qualquer dúvida que vocês tenham ♥ Links: Twitter: https://twitter.com/zortral Curious Cat: https://curiouscat.me/zortral → Espero que gostem.

Capítulo V: Promessa

"— Eu não quero morrer... — a pequena repetia, virando de um lado para o outro inquietamente em sua cama. Aoi olhava com um misto de curiosidade e preocupação, olhando a irmã enquanto segurava sua mão, tentando acalmá-la. Esses pesadelos eram tão constantes, mas Mei nunca a falava com o que tanto sonhava, todos os detalhes que tinha eram os que ouvia quando a mais nova falava durante o sono. — Não quero me entregar à morte! Não quero morrer mesmo que eu fique louca por isso... Mesmo que eu fique insana. Por favor, papai, me ajude...

Aoi estreitou o olhar. Sua irmã era tão nova para pensar coisas assim, sempre tentou descobrir sobre os pesadelos dela, mas nunca deu em nada pelo visto...

— Mei — chamou, sacudindo-a pelos ombros. Mesmo que não gostasse de acordá-la, ela parecia sofrer tanto quando tinha pesadelos tão pesados... — Vamos, acorde — falou, continuando a balançá-la até que ela voltasse a consciência com uma expressão assustada.

— Onee-chan... — Mei falou em um soluço, abraçando Aoi pela cintura e abafando o choro em sua blusa.

— Está tudo bem... — sussurrou enquanto passava as mãos pelo cabelo da mesma. — Mei... Não posso ajudá-la se não me contar o que está te incomodando. Por favor, confie em mim. Sou sua irmã, não é? Prometi te proteger sempre, lembra?

— Não precisa me proteger.

— Do que está falando?

Mei ergueu o olhar, com os olhos azulados brilhantes.

— Aoi... Você é a filha mais velha, mas eu vi mais coisas do que você.

— Coisas?

A pequena assentiu em confirmação.

— Eu não quero sua proteção, eu irei morrer de qualquer jeito...

— Mei, não diga uma coisa dessas! — protestou a mais velha.

— Me prometa só uma coisa... Que eu irei pro céu em paz.

Aoi suspirou. Detestava ouvi-la dizer aquelas coisas, mas concordaria para que aquele assunto morresse.

— O que quer que eu prometa?

— Prometa que não se tornará malvada... Mesmo se as coisas ficarem ruins. Prometa... Não seja alguém ruim. Existem tantas pessoas assim... — sua voz pausou, controlando o choro.

— Eu prometo, Mei."

Mais uma semana começara, e tudo o que Aoi conseguia ter era preocupação. Sobreviveu até ali por algum milagre, e na sexta-feira que havia passado acabou no hospital tendo que repor seu sangue. E o causador de sua aparência acabada e desanimada, era um garotinho que carregava um urso e pensamentos psicóticos.

Apesar de tudo, Kanato não ficou tão colado nela nos últimos dias — isso obviamente levantava suspeitas, é claro —, na verdade, ele surgia em uma ocasião simplesmente querendo seu sangue ou sua companhia, e em outras, reclamava que ela estava invadindo seu espaço ou tentando tirar Teddy dele. Nada disso fazia sentido. O Kanato não fazia sentido.

Claro que Kanato não foi o único a tentar tirar seu sangue, mas apenas Shuu conseguiu (o que rendeu uma discussão alta e em bom som na mansão). Kanato era muito obsessivo quanto a isso, jogava o primeiro objeto que tinha em mãos para afastar qualquer um que chegasse até Aoi, isso se não fizesse algo extremamente pior que com certeza ele era capaz de fazer. As coisas por lá eram realmente intensas, nem mesmo Aoi que procurava viver algo diferente todos os dias, estava se adequando ao inesperado, mas não havia outras opções, por final. Tinha que aceitar que todos os irmãos eram completamente diferentes uns dos outros, embora o problema fosse que nenhum deles era fácil de lidar, e detestava abaixar a cabeça e ouvir todos os insultos desnecessários que eles faziam questão de lançar.

Mas apesar de todas as dificuldades, dores e angustias das quais estava passando, Aoi não queria morrer. E isso a lembrava como sua irmã falava. Mei não queria morrer. Ela não merecia morrer. Por que tiraram a vida de uma garotinha tão doce? Se fizeram isso com Mei, imagina o que fariam com ela, que não passava de uma bêbada inútil como dizia seus tios.

Só que não estava sendo fácil... Não podia dizer que era a pessoa que mais sofreu nesse mundo, independente do que passou ali até agora, essa não era a verdade. Mas o pior nem era o que Kanato fazia, mas o que ele dava a entender que poderia fazer; a ansiedade de esperar algo terrível acontecer a qualquer momento, dificultando seu sono a noite ou qualquer contato visual com ele durante a luz do dia.

Mas naquela madrugada, Aoi só queria fechar os olhos e chorar silenciosamente enquanto a tempestade lá fora abafava o barulho de seu choro. Detestava chorar, não se mostrar forte, mas era melhor assim. Aqueles dias difíceis a deram um objetivo: se tornar uma mulher forte. Não se tornaria forte da noite para o dia, isso é claro, então estava se permitindo chorar por aquela noite. Mas teria um momento, que não permitiria tal abuso do mundo... Iria se defender. Não iria deixar as coisas acabarem daquele jeito.

— Eu odeio tempestades — resmungou em seu canto, emburrada enquanto as lágrimas quentes deslizavam seguidamente, chegando até seu queixo.

Ouviu um barulho forte vindo de fora, encolhendo-se por medo de ser atacada. Alguém parecia correr de um lado para o outro, a chuva não parecia afetá-lo em nada, pelo jeito que cantava, estava irradiante...

Kanato.

Ele gostava de cantar, apesar de nem sempre fazer isso. Já deixou escapar que cantava para sua mãe. A música parecia ter um valor para ele. Ao menos nisso ele era igual as demais pessoas.

Limpou as lágrimas e foi até a janela avistá-lo.

Por que estava fazendo isso? Por que ficava curiosa a respeito dele? Ele sempre a tratou mal, mesmo quando diz gostar dela, não há nada que confirme isso. Então...

Por que ele era tão interessante para ela?

Mesmo com toda aquela aura maligna que ele passava, conseguia sentir algo bom nele... Mas isso parecia tão improvável e perigoso. Detestava ser atraída pelo perigo, sempre repetia isso a si mesma. Naquele dia, repetiu até cinco vezes para ter certeza. Nenhuma delas a impediu de nada.

Kanato virou seu rosto, avistando-a na janela. Ela levou um susto ao sentir o olhar dele tão conecto ao seu, mas não foi capaz de parar de encará-lo; completamente ensopado pela chuva, com os lábios tão arroxeados quanto suas olheiras.

Ele passou um tempo a olhando com uma feição séria e insatisfeita, mas depois abriu um sorriso quase imperceptível naquela distância, fazendo um sinal com a mão para que ela descesse até lá.

Recusar ir vê-lo era tão ruim quanto aceitar.

Parece que não tinha escolhas, afinal. Mas tentaria ser mais firme com Kanato, enfrentar seus medos e dizer a ele o quanto odiava todas as suas atitudes autoritárias. Não que isso fosse fácil, ele tinha uma natureza violenta demais, mudava de humor com a mesma velocidade em que piscava. E seu ritmo não era fácil de acompanhar exatamente por isso.

Kanato Sakamaki era a intensidade em pessoa.

Aoi colocou uma blusa larga de frio que havia pegado com Reiji, já que as peças de roupas que ele encomendou para ela não haviam chegado ainda. Reiji só conversava com ela para essas tarefas que mais nenhum outro dos irmãos levava a sério, mas ele não falou em momento algum se descobriu quem havia a “enviado” até a mansão. Toda aquela história era confusa, não passou de um mero acaso, mas eles não acreditavam nela não importava o quanto repetisse. Para eles, alguém fez com que ela fosse parar ali.

Desceu as escadas e passou pelo salão até chegar ao pátio aberto que havia no fundo da mansão luxuosa, perto de um jardim cheio de rosas vermelhas bem cuidadas. Já havia visto Subaru por perto daquele mesmo jardim, mas ele parecia estar bem longe da área àquela noite.

— Kanato? — perguntou procurando-o com o olhar, mas nem sinal dele. — Onde ele foi...? — olhou para cima vendo-o caindo com os braços abertos do segundo andar. O corpo dele rapidamente bateu contra o chão, com os olhos fechados e o Teddy deitado ao lado de seu corpo. Ele era um vampiro... Não iria morrer assim, não é?! — K-Kanato! Fale comigo... Você... Não pode ter... — correu até ele. Tentou ouvir seu batimento cardíaco, mas ele a afastou antes que fosse possível, assustando-a.

— Você é idiota ao ponto de acreditar que eu morreria desse jeito? — ele protestou, apesar de não ter levantado a voz ainda, o que era um bom sinal, ao menos. — Não é tão simples assim me levar a morte — sentou-se sobre o chão, colocando Teddy em seu colo. — Humanos... Sempre se deixando levar com o que parece ser.

— Me desculpa... Eu fiquei preocupada com você, não pude evitar.

— Preocupada? — riu baixo. — Nossa! Você é mais tola do que pensei. Preocupada? Comigo? — voltou a rir, enquanto Aoi olhava para as pontas de seu cabelo que pingavam de tão molhados que estavam. Ele era despreocupado demais. — Você é tão boazinha que chega a me dar ânsia!

— Uma vez eu prometi algo para uma pessoa importante pra mim — disse retirando sua blusa, o que fez Kanato encarar curiosamente. Levantar a curiosidade dele era no mínimo um milagre. Aoi riu baixo.— Eu prometi que, independente do que acontecesse, eu não seria alguém ruim, alguém má — cobriu Kanato com sua blusa, sentindo a chuva a fazer tremer de frio. — Eu levei na brincadeira, mas um dia, quando essa pessoa se foi... Vi que deveria levar a sério. Apesar de tudo, se um dia eu mudar, quero que pelo menos uma parte de mim não seja “malvada”. É uma promessa. E eu não serei má com você, na verdade, quero descobrir mais sobre você. Quero entender porquê você age desse jeito, Kanato. É por isso que ainda não posso deixar de me preocupar, ainda não me tornei alguém má, e estou tentando não tornar.

— Que sem noção, Aoi! O mundo não vai mudar com um ato de bondade. Muito menos pra alguém como eu. Acha que ser legal comigo te fará melhor? Ou por algum momento acreditou que eu iria ser mais gentil com você só porque você foi caridosa? — falou ainda rindo, jogando a blusa dela contra a lama. Mas aos poucos sua risada falhou, tornando-se sério. Kanato piscou duas vezes e encarou o chão, com sua expressão reprimida. — Você acha que eu sou uma pessoa má, Aoi? Você desistiu de mim, né? Acha que não vale a pena me conhecer? Vai me deixar sozinho aqui? — apertou Teddy contra seu corpo.

Aoi, com os olhos arregalados, tranquilizou seu corpo. Não era um momento pra parecer tensa. Qualquer reação negativa iria influenciar nas atitudes de Kanato.

— Não acho nada disso... Só te acho meio perdido. Quero te ajudar, acho que posso fazer isso... — suspirou, tomando coragem para concluir: — Você precisa de ajuda, Kanato. Isso não é normal.

Kanato ficou quieto por três meros segundos e se levantou deixando Teddy no chão e marchando até ela com um olhar de raiva.

— QUEM VOCÊ PENSA QUE É? E O QUE QUER DIZER COM “ISSO NÃO É NORMAL”? ESTÁ INSINUANDO QUE EU SOU LOUCO?! ACHA QUE PODE ME FALAR ESSE TIPO DE COISA? ESTÁ NA MINHA CASA. SÓ ESTÁ DEBAIXO DESSA CHUVA NESSE EXATO MOMENTO PORQUE EU PERMITI QUE VOCÊ CONTINUASSE VIVA ATÉ AGORA. POR QUE É TÃO DIFÍCIL PRA VOCÊ ME AGRADECER POR ISSO? — continuava a caminhar até ela, a mesma tampava seu rosto para não ver o olhar furioso dele que tanto a intimidava. Mas não. Aoi não se arrependia do que falou. No fundo, sentia que ele precisava ouvir aquilo de alguém... — Por que você é tão ingrata, Aoi? — amansou a voz depois de um tempo em completo silêncio, fazendo-a erguer o olhar e perceber que ele estava com lágrimas se formando em seus olhos, e nem mesmo sua postura estava tão autoritária quanto antes. Ele parecia mais sensível. — Pensei que você me amasse, mas você é como os outros! Em pensar que eu abri um espaço pra você... Mas parece que apenas o Teddy é leal a mim!

— Kanato... Em momento algum eu...

— CALE A BOCA! PARE DE TENTAR ME RESPONDER, EU SOU A AUTORIDADE AQUI — ela ficou quieta, dessa vez nem era tanto por medo, estava esperando o momento em que ele se acalmaria. Mesmo que raro, esse momento chegava para aliviar toda aquela tensão entre eles. Kanato ficou a olhando, abaixando-se e passando a mão por seu rosto. — Você está tão gelada... Deve estar com muito frio — Aoi olhou para ele novamente, em baixo dos olhos onde haviam lágrimas minutos atrás, não havia mais nenhum sinal de choro.

— Você me deixa tão confusa... — tentou dizer, mas ele colocou os dedos em seus lábios, quase como uma ordem para que ela não falasse nada. E então o inesperado aconteceu; ele se aproximou e abraçou-a apertadamente (literalmente mais apertado que o necessário, mas apesar disso ela estava apreciando o gesto raro e carinhoso da parte dele). — Kana...to.

— Você precisa voltar para seu quarto, Aoi — falou com uma expressão meramente preocupada. — Está muito frio aqui fora. Quem seria imprudente o suficiente para vir pra cá? Eu jamais te chamaria pra vir aqui com um tempo como esse. Você pode ficar doente...

— Mas foi você que... — ele se afastou indo pegar Teddy pelo braço, e logo voltou com a mesma pressa até ela.

— Vamos — pegou-a no colo, o que a deixou desconfortável e constrangida ao mesmo tempo. Kanato entrou na mansão, e Aoi facilmente se adequou ao calor dentro da casa. Com a cabeça encostada na curvatura do pescoço dele, ela olhava sua pele pálida bem de perto enquanto ouvia seus passos lentos subirem as escadas e atravessarem o corredor até seu quarto. Kanato olhou de soslaio para Aoi, abrindo um sorriso fraco ao ouvir sua respiração pausada. — Eu amo tanto sua respiração, Aoi — elogiou chegando até o quarto. Colocou-a na cama de forma bruta, e a cobriu de forma atenciosa, sentando-se ao seu lado em seguida. — Eu espero que você não vá embora nunca mais — ele comentou calmamente. — Ainda há muitas coisas que quero te mostrar — começou a balançar seus pés como uma criança empolgada. — Aoi.

— Sim?

— Você me deixaria descamar sua pele? — indagou com um sorriso esperançoso. Mas quando Aoi abriu a boca para protestar, ele se levantou caminhando até a porta. — Outra hora você me responde. Tenho que fazer uma coisa agora.

A garota encarou um ponto fixo no quarto. Não esperava nada bom quando ele falava daquele jeito.

— O que planeja, Kanato?

Ele parou de andar assim que chegou a porta, virando um rosto e sorrindo ainda mais.

— É uma surpresa.