Technocracy
1 Vorwort
Era uma manhã cinzenta como todas as outras no Domo de Licht, construído sobre as ruínas da antiga Alemanha. No banco de trás do carro que se dirigia à casa de mais um suspeito de crimes virtuais estava Helene, uma jovem de 19 anos, pele branca pálida e cabelo escuro — com algumas mechas loiras — curto. A jovem trabalhava para o governo como Agente de Segurança Digital, e era responsável por investigar a maioria dos crimes virtuais. Claro, ela sabia que tudo aquilo não passava de fachada, já que mesmo se ela inocentasse algum dos suspeitos ele “desapareceria misteriosamente”.
Dirigindo o carro estava Kristin, a robô que lhe ajudava nas investigações. Sua principal função, no entanto — assim como dos outros autobots — era vigiar sua dona e cuidar para que ela não usasse sua pequena influência para tentar algo contra o governo.
— Mais uma manhã monótona. — ela murmurou enquanto revia alguns dos dados do suspeito.
— Você sempre reclama da mesma coisa.
— Eu me pergunto porque o céu daqui é sempre tão... cinzento. — ela murmurou novamente, mas desta vez a robô à direção ficou calada.
Kirstin virou em uma rua estreita e escura, cercada por prédios altos e iguais. Ainda tinham algum tempo até chegar à casa do suspeito.
— Kristin...
— O que foi?
— Você acha que o Jürgem... — ela parou de repente, no meio da frase. — Não é nada, esquece.
O que eu estou pensando? Ela é só um robô, afinal.
Mais alguns minutos e elas chegaram ao lugar que constava no banco de dados. Um prédio comum. Helene e Kristin subiram até o 25º andar, pelo elevador, e bateram à porta do apartamento 2503.
Nenhuma resposta, nenhum som. Parecia que não havia ninguém ali dentro.
Elas tentaram de novo, mas a mesma coisa aconteceu.
— Você poderia abri-la para mim? — Helene disse, chateada, e Kristin conectou-se ao sistema de segurança do apartamento. A robô demorou apenas alguns segundos para quebrar a senha.
— Pronto.
As duas entraram, parecia não haver realmente ninguém naquele lugar. Helene olhou novamente o endereço no computador de mão, era realmente aquele prédio, não havia dúvidas. Mas o apartamento não tinha móveis ou qualquer outra coisa que indicasse que alguém estivesse morando ali.
— Droga — ela suspirou. — Parece que não tem ninguém aqui também.
Então um som baixo, que só podia ser ouvido naquele silêncio assustador, chamou a atenção da Agente. Ela seguiu aquele som, entrou em um dos quartos do apartamento, em seguida no banheiro. A respiração dela estava alterada, a arma empunhada em suas mãos, apontando para algo que ela nunca imaginaria encontrar ali. Ela ficou por alguns segundos naquele estado até que Kristin chegou.
— Parece que... — ela começou a falar, mas parou assim que viu o que estava dentro do banheiro.
Helene suspirou. Quem será que fez isso?
— Chame alguém para cuidar dessa... — ela se virou para Kristin e saiu andando. — Coisa — murmurou, levando a mão à boca para suprimir o vômito.
— Aonde você vai?
— Verificar os outros apartamentos.
— Tome cuidado — Kirstin disse, antes de começar a investigar o banheiro.
A jovem já havia saído do quarto. Ela queria esquecer o que vira mais cedo, esquecer sobre este caso. Quando estava chegando à porta do apartamento sentiu alguém segurar seu braço e puxá-la.
Ela se virou — Ai! Kristin!? O que você está fa...
— Você vai esquecer sobre o que viu aqui. Isto está fora da sua jurisdição.
— Mas...
— Nada de “mas”, senhorita Helene. Apenas esqueça o que viu aqui, esqueça sobre esta investigação. Volte à sua vida pacata — Helene riu.
— Então eles estão controlando você também, não é?
— E então?
— Tudo bem, tudo bem. Eu não quero nem me lembrar daquela coisa.
— Helene!? — Kristin soltou o braço da jovem e deu um passo para trás. — O que aconteceu?
— Nada. Não tem ninguém aqui, vamos embora.
— Procurar outro suspeito?
— Não — ela disse com um sorriso no rosto. — Vamos fazer compras.
Kristin não disse nada, apenas seguiu Helene para fora do prédio. As duas entraram no carro. Helene olhava no computador de mão os últimos modelos de roupas da moda, mas tudo o que passava em sua cabeça no momento era o corpo mutilado que ela encontrara no banheiro daquele apartamento.
Ela se perguntava o que acontecera àquele homem. Quem teria feito aquilo com ele? E por que o conselho queria esconder isto dela? Ela não tinha a resposta para nenhuma destas perguntas, mas ela sabia onde conseguir.
— Então... a que loja você quer ir?
— Hmm... — ela fingiu pensar um pouco antes de falar o que tinha em mente: — Vamos para a Glanz.
Kristin mudou o curso para a loja que Helene falara. Não era uma loja muito visitada, mas Helene conhecia o dono dela, e ele era um dos melhores hackers daquela cidade. Era a pessoa perfeita para ajudá-la. Além disso, ela ainda poderia comprar algumas roupas novas para o seu guarda-roupa.
Foram mais alguns minutos para chegar em Glanz. Jürgem estava explicando sobre as tendências da moda para uma mulher. Os olhos azuis dele brilhavam enquanto ele falava. Depois que a mulher saiu da loja Helene foi falar com o rapaz. Ele parecia feliz.
— Er... oi — A jovem disse, um pouco embaraçada.
— Helene! — ele correu para cumprimentar a jovem, com um leve selinho. — Veio renovar o guarda-roupa?
— Não exatamente.
Jürgem respirou fundo. Se bem conhecia Helene ela queria algum favor, e não era consultoria de moda.
— Que carinha triste é essa?
— Hmm, não é nada.
— Nada mesmo?
— Eu estava pensando se... você podia alterar um pouco a personalidade da Kristin.
— Mas você não é pro... — Programadora era o que Jürgem iria dizer, mas Helene pisou no pé do garoto, interrompendo-o e fazendo-o soltar um leve gemido rouco.
— É que eu não sou muito boa com isso.
— As pessoas não devem alterar os dados de sistema dos seus Auto-bots — ele olhou para Helene, que tinha uma expressão séria no rosto. — Mas já que é você quem está me pedindo... — ele ponderou por um segundo, então suspirou. Sabia que não tinha outra coisa a ser feita nesse caso. — Vamos até minha casa, lá você me explica melhor como quer a personalidade do seu Auto-bot.
— Tudo bem.
Os três subiram as escadas no fundo da loja e chegaram à casa do garoto. Ele foi até o quarto e pegou um computador de mão para transferir os arquivos e configurá-los no Auto-bot de Helene. O próximo passo foi desligar Kristin.
— Então, pode me falar agora o que você realmente quer? — O garoto disse, em um tom sério e levemente preocupado.
— Ninguém do conselho está ouvindo?
— Não — sorriu para Helene, ela apenas desviou o olhar, não se sentia tão confortável com aquilo. — Minha casa é um dos poucos lugares seguros e não-vigiados desta cidade — ela sorriu, um pouco nervosa.
Helene explicou o que acontecera mais cedo com ela e Kristin e o rapaz concordou em retirar as ligações entre o Auto-bot e o conselho.
— Por que tem que ser assim? — ela perguntou depois de terminar a história.
— Você sabe porque temos que viver nessa coisa de vidro, não é? — a jovem assentiu com a cabeça. — Acho que isso responde à sua pergunta. A vida é assim, os justos acabam pagando pelos pecadores — ele falava enquanto digitava alguns códigos no computador de mão.
— Você... conhecia aquele homem? Jörn?
— Jörn...? Acho que eu já ouvi esse nome, mas não lembro bem onde — ela mostrou o computador de mão com o registro do homem para Jürgem. — Ah! Jörni! — o garoto disse, sorrindo. — Ele veio aqui algumas vezes me perguntar algumas coisas sobre protocolos de rede.
— E você fala dele assim com tanta intimidade?
Jürgem riu diante da expressão levemente emburrada de Helene.
— Ele era amigo da Biene, mas eu não o conhecia realmente.
— Amigo da Sabine?
— Isso — ele concordou com um sorriso no rosto. — Bem, prontinho. Agora você pode falar qualquer coisa com seu Auto-bot sem ser incomodada pelo conselho — ele ligou Kirstin novamente.
— Obrigada — Helene caminhou até a porta, mas antes de descer a escada se virou novamente para Jürgem. — Você não sabe onde eu posso encontrar a Sabine?
Jürgem ficou um tempo calado, pensando no que responder. Então suspirou e disse:
— Tu és uma desalmada — ele falou em um inglês meio antigo, meio emburrado. Depois ele sorriu novamente para Helene — Bem, faz um bom tempo que eu não a vejo. Da última vez que nos encontramos ela disse que ia para Empire.
— Empire...? — Helene tentou imaginar o que Sabine poderia querer nas ruínas do antigo império britânico, mas desistiu depois de algum tempo. — O que ela ia fazer lá?
— Como eu vou saber? — ele deu de ombros.
— Bem, obrigada novamente.
— Não foi nada.
Helene voltou para casa. Kirstin parecia não ter mais nenhuma ligação com o conselho, já que ela falara com o Auto-bot sobre o que acontecera mais cedo e o conselho não se pronunciara.
Mal a jovem chegou em sua casa, Kirstin avisou que ela recebera uma nova mensagem eletrônica.
— Quem enviou?
— Jörn Anhert — Helene ficou surpresa. Mortos não mandam e-mails, deve ser alguém querendo me assustar. Ela pensou.
— Poderia lê-la, por favor?
— Quem é você? — o Auto-bot falou pausadamente.
— É isso que está escrito na mensagem!? “Quem é você”!? Que tipo de brincadeira é essa?
— Não sei.
— Você pode rastrear de onde veio esta mensagem?
— Ela foi enviada por Jörn Anhert.
— Não! Jörn Anhert está morto! Descubra de que computador veio esta mensagem.
— Ela foi enviada do Auto-bot de Jörn Anhert às onze da manhã, ficou retida no servidor do conselho, depois foi enviada à sua caixa de correio eletrônico.
— Onze da manhã? Que horas nós saímos da casa de Jörn?
— Exatamente às onze horas e um minuto desta manhã.
— O Auto-bot de Jörn Anhert estava naquele apartamento?
— Sim. Ele estava em um dos quartos do apartamento.
— Então a mensagem veio daquele Auto-bot. Provavelmente ele programou uma hora para enviar a mensagem. Mas que sentido teria isto?
— Impossível.
— O quê!?
— O Auto-bot de Jörn Anhert estava desligado.
— Então de onde veio esta mensagem!?
— Ela foi enviada do Auto-bot de Jörn Anhert às onze da manhã, ficou retida no servidor do conselho, depois foi enviada à sua caixa de correio eletrônico.
— Você acabou de dizer que ele estava desligado. Ele estava desligado às onze da manhã?
— Eu disse? — Helene empurrou Kirstin contra a parede.
— Você está planejando me deixar louca!?
— Eu estou aqui para auxiliar você. Auto-bots são itens vitais para a sobrevivência dos seres humanos.
Helene foi até o sofá e se jogou ali, pensando um pouco mais sobre o assunto.
— Qual a possibilidade do conselho ter alterado a mensagem?
— Alta. Embora a mensagem tenha sido criptografada com a chave privada de Jörn usando o seu algoritmo de criptografia.
Helene suspirou, fechou os olhos e murmurou:
— Que até onde eu sei, as únicas pessoas que têm são Jürgem, Sabine e eu — Helene abriu os olhos e se virou para Kirstin, que estava parada ao seu lado. — Eu não quero pensar sobre isso agora, me traga um pouco de café, sim?
— Em um instante — e dizendo isso, Kirstin foi até a cozinha.
Notas finais
——oOo——
Hacker (ou White-hat Hacker, no Estados Unidos) é uma pessoa com extremo conhecimento tecnológico e que está sempre procurando aprender coisas novas relacionadas a este assunto. Todo o hacker segue o código de ética hacker. Aqueles que não seguem são chamados de Cracker. (antigamente, hacker designava qualquer pessoa que fosse extremamente bom no que fazia. Então existiam hackers da medicina, da advocacia, etc.)
Cracker (ou Black-hat Hacker, no Estados Unidos) é uma pessoa que utiliza os conhecimentos hacker para cometer crimes.
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