Technocracy

2 Kapitel 1 - Fragen


Helene foi novamente à Glanz. Jürgem provavelmente saberia como encontrar a pessoa que enviou aquele e-mail. Se ele não conseguisse encontrar o remetente seria difícil achar alguém que fosse capaz disso. Além disso, ele devia algumas explicações sobre o fato de Jörn estar usando aquele algoritmo de criptografia.

Era pouco mais de 9 horas, e a loja só abriria às 10 da manhã. Jürgem estava terminando de arrumar a loja quando viu, pelo vidro da porta, Helene se aproximando.

— Helene! — o jovem de cabelo colorido veio correndo abrir a porta. — Você chegou bem na hora, tem umas peças que eu sei que você vai A-DO-RAR! — ele fez questão de enfatizar a última palavra.

— Na verdade... eu vim te pedir outro favor.

— Hmm... — Jürgem caminhou com Helene até sua sala, no segundo andar. Kirstin seguia os dois de perto. — Problemas com o conselho de novo? — ele disse logo após se sentarem.

— Não. Eu recebi um e-mail ontem...

— E...?

— Parece que ele foi enviado por Jörn Anhert... depois que ele morreu.

— Tem certeza?

— A Kirstin disse que ele veio do Auto-bot de Jörn, mas isso é impossível. Kirstin disse que ele estava desligado na hora em que o e-mail foi enviado — ela parou por um instante. — Além disso, a mensagem foi criptografada com o nosso algoritmo.

— Entendo. Isso reduz as chances de ser uma piada do conselho — ele olhou para Helene por um instante, então suspirou. — Você quer que eu descubra de onde veio o e-mail, não é?

— Isso... por favor.

— Ok, eu verei o que posso fazer. A propósito, você se encontrou com a Biene?

— Não.

— Eu consegui o endereço dela — ele mostrou um dos registros no computador de mão — Acho que você pode conseguir mais informações sobre o algoritmo com ela. Jörn e ela eram grandes amigos... ou deveria dizer, mais do que amigos? — ele deu um sorriso travesso.

— Obrigada. Você é um amor Jürgem — ela disse enquanto se levantava.

— Ah, não vai ainda. Fique mais um pouco para tomar alguma coisa e conversarmos um pouco.

— Quem sabe um outro dia. Eu quero resolver isso logo.

— Bem, você é quem sabe. Eu tenho aquele refrigerante que você adora — ele disse como um menino mimado. Helene riu.

— Infelizmente eu vou recusar desta vez.

— Que Deus esteja contigo — ele disse naquele inglês antigo que poucas pessoas entendiam. Helene era uma das que não entendia, então olhou para ele esperando uma explicação. — Hmm... atualmente isso seria um “Tchau”.

— Ah! Até logo — Helene desceu as escadas e saiu da Glanz. Kirstin logo atrás dela, como sempre.

As duas foram até o endereço do registro que Jürgem fornecera. A casa de Sabine ficava no lado oeste da cidade, era um pouco longe da Glanz, que ficava na parte sul de Licht. Helene e Kirstin levaram quase uma hora para chegar ao local.

A fachada do prédio em que Sabine morava era bem parecida com a dos outros ao redor, mas era mais simples do que a fachada dos prédios perto do conselho central. Helene e Kirstin subiram até o 35º andar do prédio e tocaram a campainha do apartamento de Sabine. A jovem não demorou muito para atender a porta.

Sabine era uma jovem de quase 20 anos, com olhos azuis e longos cabelos loiros levemente cacheados. Ela vestia um robe azul-escuro semitransparente e ficou encarando Helene por algum tempo.

— Ah, é você?

— Estava esperando alguém?

— Não.

— E o que foi esse “Ah, é você?”.

— Veio aqui a trabalho?

— Talvez. Só quero fazer umas perguntas.

— Tudo bem, entre — ela abriu a porta para que Helene e Kirstin entrassem. Ficou encarando o Auto-bot por algum tempo antes de ir se sentar na poltrona à frente do sofá em que Helene e Kirstin se sentaram. — Então, sobre o que queria falar?

— Jörn. Você o conhecia, não é?

— Não sei, Jörn é um nome tão comum, não é?

— Jörn Anhert, acusado de invadir os computadores do conselho central e roubar informações confidenciais.

— Desculpe, nunca ouvi falar.

— O Jürgem disse que vocês eram amigos.

— Jürgem...? — ela disse com desdém. — Não sabia que ele tinha mudado de lado.

— Sabine, eu só quero algumas informações sobre Jörn Anhert.

— Ele está morto! — Sabine gritou, visivelmente irritada. — Você o matou!

— Quando eu cheguei Jörn já estava morto.

— Mentira! — Sabine se levantou e agarrou o pescoço de Helene. A jovem alemã estava chorando. — Acha que eu vou acreditar em um maldito cachorrinho do conselho!?

— Se você continuar exaltada eu vou ter que atirar — A voz veio do lado direito de Sabine, fazendo-a olhar naquela direção; Kirstin estava segurando uma arma contra sua cabeça.

— Está tudo bem Kirstin. Pode abaixar essa arma.

— Não! Não está nada bem, sua...!

— Eu não estou aqui pelo conselho Sabine.

— O que importa!? Essa coisa está gravando tudo mesmo!

— O Jürgem retirou a ligação da Kirstin com o conselho — a jovem alemã se acalmou um pouco. — Não fui eu quem matou Jörn Anhert, Sabine.

— Ele era inocente — ela sentou-se novamente na poltrona. Apesar de calma as lágrimas continuavam descendo pelo seu rosto. — Nós estávamos namorando. Eles... eles não tinham o direito de fazer uma coisa dessas.

— Tem certeza que não foi ele quem roubou aquelas informações?

— Ele não tinha nada contra o conselho. Diferente do seu queridinho — Helene olhou para Sabine com uma cara de quem não tinha entendido nada. — Jürgem.

— Você está insinuando que...

— Acho que ele é uma das poucas pessoas que conseguiria fazer isso, não é?

— Mas ele não...

— Parece que você não o conhece direito — Sabine deu um sorriso irônico.

— Jürgem é um hacker, não um criminoso idiota! — Sabine riu novamente.

— Eu sei. Mas ele faria qualquer coisa para acabar com essa maldita tecnocracia. Qualquer coisa.

— Hmpf! — Helene se levantou. — Você não...

— Você recebeu um novo e-mail. — Kirstin disse e Helene se virou para o Auto-bot.

— De quem?

— Jörn Anhert — Sabine parecia não acreditar no que ouvira. Ela fitava o Auto-bot com a expressão mais surpresa que Helene já vira.

— Poderia verificar de qual computador ela foi enviada?

— O e-mail foi enviado pelo Auto-bot de Jörn Anhert, utilizando o algoritmo de criptografia Durcheinander.

— Impossível! — Sabine gritou. — Eu mesma desmontei a Lara ontem à noite — a jovem estava visivelmente alterada. Foi a vez de Helene ficar surpresa.

Céus! O que raios está acontecendo aqui?!

Notas finais
—10.09.2009—


——oOo——
Na idade média as pessoas falavam “May God be with you” (Que Deus esteja com você) quando se despediam de alguém. Com o passar dos anos essa frase foi encurtando e virou o bye/goodbye que se ouve hoje.