Tears Rose- Hiatus
8 O jogo começou
Notas iniciais

A grande mansão encontrava-se submersa no silencio, este era tão profundo que chegava a ser cortante. O vento passando pela antiga construção de madeira produzia ruídos abafados, os pássaros no jardim estavam silenciosos como sombras.
A casa estava solitária, apenas Doroteia residia por lá, calada, andando de um lado para o outro na grande sala, os passos eram leves, mal produziam som algum.
Sempre que se encontrava solitária, sem nenhuma alma vivente por perto, sua mente vagava para longe, levando-a para o passado.
A dor de perder um ente querido sempre fora insuportável, torturante e destruidora. Ela se aloja tão fundo em seu coração que você tem certeza de que ela nunca mais sumira.
Para Doroteia conviver com essa dor se tornara normal, perdeu muitas pessoas que amava, e isso a deixou fraca, pois em seu coração o espaço para a dor da perda estava começando a se esgotar, era quase impossível de acreditar que apenas uma pessoa pudesse ter tanta dor em seu coração como ela tinha.
Às vezes a imortalidade tem preços incrivelmente caros.
Não adianta viver séculos e séculos se você não o fizer ao lado daqueles que ama. Qual era a razão de viver se aqueles que importavam já haviam ido há muito?
Doroteia tinha Theodora e Dorothy, e lutava com unhas e dentes para que as duas ficassem ao seu lado, daria de tudo para mantê-las vivas, mas escolhas tinham que serem feitas, e as consequências aceitas.
Consequências...
Raramente as consequências de suas escolhas remetem em algo bom. Geralmente elas vêm carregadas de arrependimentos e angustias, acabam se tornando más lembranças. Doroteia acumulava arrependimentos em sua alma.
Ela invejava a capacidade de algumas pessoas de esquecer lembranças ruins, invejava o fato de essas pessoas poderem conviver com suas consequências, pois as dela a perturbavam. Como se fossem facas em brasa entalhando letras de sofrimento em seu coração.
Sentou-se em uma das poltronas de estofado aveludado tingido de um vermelho escuro que se encontravam na sala, tinha o olhar vago, as lembranças rondando sua mente, como leões rondam sua presa antes de ataca-la e por fim mata-la.
Sobressaltou-se quando sentiu algo passando á sua frente, agora atenta ela levantou-se rapidamente, seus olhos analisaram toda a grande sala, a procura do causador do vulto que havia visto passar, respirou fundo, concentrando-se.
— Apareça, posso sentir o cheiro da morte impregnado em sua pele, Niklaus— disse ela, sua voz soando como um sussurro rouco. Então como se surgisse das sombras ela viu a silhueta do original mais novo se materializar á sua frente, o olhar mortífero penetrando fundo em seus olhos, os cabelos loiros brilhado com a pouca luz que entrava pelas grandes janelas, e o sorriso malicioso estampado nos lábios, dos quais a bruxa sabia muito bem que escondiam presas afiadas que já haviam tirado a vida de muitas pessoas.
— Doroteia, parece cansada, diria até mesmo que esta mais... fraca, posso sentir pelo seu cheiro, esta carregado de medo e angústias— com seu sotaque atraente Klaus disse, analisando a mulher a sua frente. Doroteia apesar de sua idade era uma mulher bela, o vestido colado ao corpo deixavam claras suas curvas delicadas, ele sorriu, mas a mulher nada a fez, manteve seu olhar com certo nojo para o vampiro a sua frente e a postura ereta.
— O que faz aqui, veio me lembrar de que não sou bem-vinda em New Orleans novamente?— indagou ela dando alguns passos para trás, com a intenção de voltar a sentar, a presença do vampiro a incomodava claramente, mas havia um ponto positivo, agora não estava mais só, e podia se ocupar com outra coisa sem ser viver suas lembranças e sentir remorso pelo passado.
Klaus encaminhou-se até o balcão onde se encontravam as bebidas, serviu-se de uma porção generosa de uísque e sentou-se no sofá que se encontrava de frente á poltrona de Doroteia.
— A solidão não é uma boa companhia para ninguém, tanto que alguns até consideram a presença de inimigos, pois a solidão os assusta. Creio que este é o seu caso, Doroteia— observou o vampiro depois que provou da refinada bebida— De fato, um ótimo uísque.
— Um Mikaelson bebendo do meu uísque, sentado a minha frente, isso pode ser considerado inédito— observou a mulher cruzando as pernas lentamente, movimento que não passou despercebido pelo vampiro.
— O mais inédito nisso é você não estar tentando me matar— rebateu Klaus tomando mais um gole de sua bebida.
[...]
Davina encontrava-se sentada em sua cama, o olhar vago, a mente não tão vaga assim, pensava em sua vida, como tudo podia ser tão anormal, tão obscuro. Tudo que sempre quis foi ser uma garota normal, estudar e ter amigos, ser ela mesma.
Pode ouvir passos vindos de trás da porta, mas não se importou, pois a única pessoa que sempre a visitava naquele quarto era Marcel. Ela devia muito a ele, mas odiava o fato de ter que se esconder naquele local. A porta foi aberta lentamente e quem passou para ela não foi o vampiro que havia salvado sua vida e sim uma mulher, ela não a conhecia, como poderia, quase não saia daquele sótão.
O olhar da mulher era profundo, ela exibia um sorriso maldoso nos lábios pintados por um batom avermelhado, os cabelos castanhos estavam soltos e caiam sobre seus ombros cobertos por um vestido escuro. A mulher andava em direção á cama da qual Davina acabara de levantar bruscamente.
— Quem é você e como entrou aqui? — indagou a garota pensando em algo que pudesse fazer, não sabia o que a mulher era, e segundo Marcel ela deveria ter medo de qualquer um que entrasse naquele sótão sem a presença dele.
— Ora, uma bruxa deveria reconhecer outra, sou Dorothy Dickens, aposto que Marcel falou de mim, mal eu prevejo— com o doce toque de malicia na voz Dorothy disse assim que ficou frente a frente com a jovem bruxa, medo era visível nos olhos de Davina— Se fizer um pequeno esforço saberá quem sou— informou Dorothy ampliando o sorriso em seus lábios.
—Você é a bruxa da qual senti a magia, como aquilo pode ser possível? — quis saber a garota com certo receio da resposta, Dorothy lhe transmitia varias coisas, mas nenhuma era boa, longe disso, Davina podia sentir que ela era uma bruxa diferente, já estivera com outras bruxas e sentira coisas, mas agora era como se Dorothy liberasse algum tipo de magia possível de ser sentida pela garota.
— A pobre Davina tem duvidas, perguntas das quais saberá logo a resposta, eu lhe prometo isso. Sou uma bruxa mais experiente, venho de uma linhagem muito mais forte do que qualquer uma que possa ter conhecido em sua curta vida, doce Davina— contou a bruxa juntando as mãos em frente ao corpo, a procura da um lugar para poder sentar-se.
— Quantos anos você tem? — agora ainda mais receosa Davina perguntou, a bruxa estava sentada em uma simples cadeira perto de sua cama, ela tinha uma bela pose, ereta, os olhos fixos em Davina, o que a deixava desconfortável, parecia ser uma mulher extremamente seria.
—Depois de um tempo parei de contar, acredito que tenho algo por volta dos 400 anos, querida. Minha mãe é ainda mais antiga que isso, ela viveu muito antes de conhecer o amor de sua vida. Mas sabe, é um pouco cansativo viver tanto tempo assim, as coisas se tornam repetitivas demais, as pessoas já não lhe distraem mais...
— Só um vampiro pode viver tanto assim, é impossível para uma bruxa... — começou Davina, agora realmente com medo, como uma bruxa poderia viver tanto tempo e ainda permanecer daquele jeito, tão jovem e bela.
— Como disse, minha linhagem é forte. Não somos qualquer tipo de bruxa, Davina, somos Dickens— a certeza na voz de Dorothy deixava bem claro que o que falava era verdade, mas o que ela queria com Davina?
— O que quer de mim, meu poder, como todo mundo que sabe do que sou capaz quer? — indagou a garota erguendo uma sobrancelha. Era verdade ninguém a procurava por simples interesse em sua vida, sempre queriam alguma coisa relacionada ao que podia fazer.
— Por que eu poderia querer o seu poder minha criança? Acha que sua magia é forte, acha que é a bruxa mais poderosa da cidade. Isso poderia ser verdade, mas agora o jogo mudou. Dicekns estão aqui por muito mais tempo, e nem você e Marcel, nem mesmo os Mikaelson sabem do que somos capazes.
— O que veio fazer aqui? — a voz de Davina estava fraca, quase falhando, Dorothy lhe enfraquecia, suas palavras tinham um efeito estranho.
— Vim apenas dar um recado, não queremos mortes desnecessárias. Não tornem isso difícil, Marcel não deve tentar usar você contra nós, ou muitos se machucaram.
[...]
Rose foi acordada pelos primeiros rios de sol que entravam pela janela de seu quarto, remexeu-se em sua cama, ainda sonolenta, sentiu o braço de Elijah em voltada de sua cintura, sorriu fraco, havia se esquecido dos acontecimentos da noite passada. Com toda delicadeza virou seu corpo na cama para que pudesse encara-lo, ele dormia tranquilamente.
Ela o observou por algum tempo, admirando sua beleza, era incrível que até pouco tempo ela estava simplesmente fugindo de Elijah. Sentiu-se tão insolente por tal ato. Mas sabia que o tempo que passaram sem ver um ao outro contribuiu para que tais coisas ocorressem.
Com calma ela retirou o braço do homem, e levantou-se, tomando todos os cuidados necessários para não acorda-lo. Procurou por alguma coisa para vestir, logo estava coberta por uma simples camiseta cinza fraco com as iniciais N.O, estampadas, quando estava a poucos passos da porta lembrou-se de uma peça impossível de ser esquecida, voltou para sua cômoda ao lado da janela e procurou rapidamente pela roupa intima. Quando finalmente estava apresentável para sair do quarto ela assim o fez.
Passou pelo quarto de Alyssa, sem nem ao menos parar, pois, ao certo, a amiga ainda não deveria ter voltado para casa. Adentrou a cozinha cantarolando em um tom baixo, tinha o intuito de beber algo.
— A meu ver, parece que a senhorita Campbell teve uma noite e tanto— Rose assustou-se, Alyssa encontrava-se sentada em uma das cadeiras da pequena mesa da cozinha, tinha um enorme sorriso no rosto, na mesa encontrava-se a regata rasgada de Rose e o blazer do terno de Elijah.
— Mais que droga! Alyssa, esta tentando me matar do coração? — com uma das mãos no peito a morena falou em tom baixo, ainda temendo que Elijah acordasse.
A loira, divertida com a situação em que a amiga se encontrava, nada fez além de tornar a exibir seu belo e radiante sorriso.
— São idiotas, vocês dois. Um joguinho besta em que a garota foge e ele a persegue, por que não se agarraram logo de cara? — questionou Alyssa fingindo estar indignada. Rose sentou-se á mesa, agora também sorrindo. Não conseguia não deixar com que toda a alegria que sentia não fosse evidente, era quase impossível de escondê-la.
— Devo observar que agora, senhorita Thompson, minha autoridade é maior, pelo fato de que eu não sou mais uma simples estudante de medicina, e sim uma enfermeira- por hora-, e pela diferença mínima de ser dois dias mais velha que você. Deveria ter respeito— entrando na brincadeira da amiga Rose falou, comas duas mãos sobre a mesa, de maneira formal.
—Sabe quando uma pessoa diz que precisa de todos os detalhes de algo? — indagou Alyssa, inclinando-se sobre a mesa em direção á amiga— Eu preciso dos detalhes dos detalhes do que aconteceu.
Rose fez uma carreta com a declaração da loira, pensando se ela realmente era capaz de lembrar-se de todos os detalhes daquela noite, o prazer que sentira encobria sua mente como nuvens em um dia chuvoso. Respirou fundo, o sorriso ainda no rosto, achava que ele ficaria lá por um bom tempo se as coisas continuassem andando do jeito que estavam.
— Ele é... Insaciável—informou Rose, seu sorriso agora se transformando em um sorriso malicioso.
— Duvido que você tenha hesitado em algum momento. Quer dizer, quem conseguiria se controlar perto de um homem como aquele—Alyssa disse marota.
— Bom dia, Rose— a voz roucamente sexy de Elijah preencheu o cômodo em que as garotas se encontravam, a morena pode ver a pouca cor que havia na pele de Alyssa sumir por completo, a amiga endireitou-se na cadeira.
Rose virou-se para poder observa-lo, e podia jurar que seu queixo estava caído. Ele estava apenas com a parte de baixo de seu terno, os calçados sociais pretos e a gravata em mãos, ela nem ao menos se lembrava de que ele a estava usando na noite passada.
— Bom dia Alyssa, tudo bem com você, faz tempo que não a vejo— começou a loira olhando para os dois a sua frente, mexendo a cabeça de formas estranhas— Ah estou bem obrigada por perguntar!— terminou arregalando os olhos para o homem que abriu um lindo sorriso em resposta.
— Bom dia senhorita! — ele disse andando em direção á Rose que levantou e ficou a sua frente com um sorriso malicioso na face—As duas poderiam fazer o favor de devolver o meu terno?
Alyssa levantou-se e pegou o blazer de cima da mesa, jogou-o para o homem que o apanhou, logo foi em direção à geladeira.
...
Elijah se olhava no espelho do quarto de Rose, agora vestido ele apenas pensava em tudo o que fizera na noite passada, havia assinado uma sentença, não poderia desistir da garota agora, não se perdoaria por magoa-la novamente. Então prometeu a si mesmo, que tentaria ao máximo manter isso por de baixo dos panos, se Niklaus soubesse poderia acabar querendo brincar com Rose, ele se divertia fazendo da vida de humanos uma droga. Ele não deixaria com que o irmão chegasse perto de sua amada e doce Rose.
—Elijah? — chamou Rose baixinho assim que entrou em seu quarto e viu o homem parado em frente ao espelho preso em uma das paredes, ele virou para poder olha-la, logo os dois estavam frente a frente, encarando-se profundamente—Queria pedir desculpas por ter fugido essa semana toda... É que você foi tão idiota— riu-se pelo nariz ao terminar de falar.
— Tudo bem, Rose— disse ele acariciando o rosto delicado da morena que aproveitou todas as sensações do toque.
— Foi tão estanho sabe, não ver você quando as aulas acabavam, não poder te ligar para desabafar alguma droga que aconteceu por lá— ela pousou sua mão sobre um dos antebraços de Elijah— Esta inteiramente dentro da minha vida, senhor Mikaelson, por favor, cuide bem dela, ela nem sempre foi perfeita como esta agora.
Elijah envolveu o pequeno rosto de Rose em suas fortes mãos e a olhou ainda mais profundamente nos olhos, se é que isso era possível, pode ver que aquela garota realmente nutria sentimentos reais por ele, e Elijah não a deixaria triste. Beijo-a apaixonadamente, envolvendo seus corpos, o encaixe perfeito.
[...]
Elijah havia enfim chegado a sua casa, entrou sorrateiramente, com intuito de subir para seu quarto e esquivar-se das perguntas e paranoias de seu irmão, a única pessoa que ele talvez pudesse querer ver era Rebekah. Mas sua tentativa foi falha.
— Deve estar voltando da casa da bela Rose, não é mesmo, Elijah? — a voz de Klaus soou em seus ouvidos com um sussurro cortante, o que era normal para o original mais velho.
— Como sabe dela? — quis saber ele adentrando a grande e luxuosa sala da mansão Mikaelson, seu irmão estava sentado com um livro em uma das mãos e um copo de uísque na outra, o típico Niklaus Mikaelson.
— É desprezível saber de alguma coisa sobre seu irmão pela boca de uma Dickens, Elijah. Parece que Doroteia e suas filhas andam seguindo sua preciosa Rose— informou o loiro erguendo as sobrancelhas— Sabemos que você não resiste a um rostinho bonito e novo na cidade, mas pelo visto a garota tem alguma importância para as Dickens.
—O interesse delas é em mim, Klaus, e você... espero que não chegue perto de Rose, ou esquecerei que é meu irmão como já fiz a séculos atrás— ameaçou Elijah caminhando a passos pesados em direção a seu irmão que se ergueu.
— Não é a primeira vez que se apaixona, irmão, e não será a primeira que sofrera quando ela já não respirar mais. Somos uma família... — com isso Klaus largou seu uísque em uma pequena mesa de centro e sumiu de vista, Elijah suspirou, o irmão não pouparia esforços para tirar Rose do caminho, ele tinha apenas um intuito, reconquistar a cidade, e precisava do irmão focado.
Mas de uma coisa Elijah sabia, se Klaus chegasse perto de Rose às coisas seriam diferentes, pois ele não deixaria que nada acontecesse a ela. Dessa vez ele não se magoaria. Não perderia ela, pois ele sabia a algum tempo o sentimento que nutria por Rose, ele era forte, e já se alojara fundo em seu coração já morto.
>LINK
Fale com o autor