Teacher's Pet
1 Prólogo
Notas iniciais
Matthew Burke
Lá estava ela; Meredith, em meio ao som muito perceptível que faz o vento forte quando bate contra nossos ouvidos. Ao vê-la, se eu agarrei a pasta que poderia me identificar como um adulto indo ao trabalho, soltei-a de imediato quando ela livrou-se da fumaça de seu típico trago demorado no cigarro matinal — aquele que lhe contraia as bochechas pálidas e incendiava meus olhos pecadores. O leve tombar de sua cabeça jovem ao perceber o ato finalizado era o que chaveava o corte fascinante de cenas performadas pela sua casualidade irônica.
E, diante disso, quais dos muitos anjos presentes em meu imaginário paraíso desceriam até aquela graça? Para eles, o que eu sentia era somente perversão, decerto. Em utopia, mesmo que algum fosse capaz de ouvir meus clames, viria até mim com o propósito puro de repressão. Um objetivo mais puro do que o encanto que eu sentia pela silhueta bem-posta em minha frente? Eu não sei, como não soube de muitas coisas até o momento. Eu soube, somente, que desci ao Inferno pela incontinência do desejo e, mais tarde, no Purgatório, pagaria pelo excesso — o Paraíso, certamente, permaneceria irreal.
— Bom dia, Sr. Burke — um sorriso festivo agraciou o rosto de Meredith. — Pronto para subir? — enquanto alguns estudantes já adentravam o colégio, ela perguntou.
— Certamente — com convicção, respondi-a.
— Espere por mim lá — seus dentes desapareceram quando os lábios, confrangidos, despertaram-me um riso baixo.
Mesmo com o seu absurdo toque de inocência, Meredith sabia como mudar meus minutos monótonos. Sem notar, eu havia recebido o anjo que solicitara — ele não estava lá para a minha redenção, é verdade, mas me tomara inesperadamente em seu coração. O que é o belo e angelical senão aquilo que ainda é suportado e admirado pela esperança de nos trazer paz? É apenas isso, expectativas afeiçoadas pelo amor veloz. Todos os anjos são terríveis.
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