Te Quiero, Mon Amour!

3 Famille D’Accueil


Notas iniciais
Olá, pessoal! Em algumas cenas tem palavras em espanhol e francês, meio que para reforçar a “troca” de línguas, toda vez que eles estiverem falando, ora em francês ou em espanhol. É isso, uma boa leitura a todos

— Tía, por favor, confere pra mim se no dicionário a definição de perfeição é Paris? — exclamei, com a voz embargada.

Dios mío, cariño! Não poderia estar mais feliz por ti. Então quer dizer que você pegou o voo às 4:00 da madrugada de quarta-feira e chegou só agora? Onde você es... — Ela parou de falar de repente do outro lado da linha e pude ouvir alguns chiados. — Que é, niño?

Dei risada de seu jeito doidinho de ser.

Deixa eu falar com ela, tía! Por favor! — A voz fina de Juan soou propositalmente gritada, certificando-se de que eu o escutaria. Eu já tinha em mente sua pergunta e a minha resposta prontas, aliás. — Gabriela, você vai trazer minha bola autografada, né?!

— Nossa, hermanito! Não vai nem perguntar se eu estou bem? E não é de Gabi que você me chama?

Ele soltou uma risadinha antes de responder depressa.

Você é forte, sabe se cuidar, Gabi. Eu tenho que ir porque os meninos estão me esperando para a partida de fútbol de hoje. Te quiero. E o negócio da minha bola autografada é sério.

Ouvi a gargalhada da tía Dulce, e o estalo de sua língua, pude jurar que estava balançando a cabeça em negação.

Juan é uma figura.

Imitei seu gesto.

— Meio atrevido para um niño de nueve años, mas eu amo ele, né?

E tem como não amá-lo?! Mas me conte: já chegou na casa da sua famille d‘acuil?

Ri alto e recebi alguns olhares negativos de pessoas que passavam por ali. O fluxo era alto e eu mantinha um de meus braços apoiados sobre minha mala de despacho enquanto usava a outra para segurar meu aparelho telefônico.

— Se diz famille d’accueil, tía.

Eu sei lá falar francês, niña! — ela me respondeu de forma óbvia. — Você é quem tá aí, não eu!

Intercalei o olhar algumas vezes entre o relógio na parede e o meu de pulso, e nada me convencia de que eles iriam mesmo aparecer. O medo de ficar perdida no aeroporto me atingiu por um momento.

— Não, eles ainda não chegaram. Só restou eu aqui. Todo mundo já foi pra sua determinada casa, inclusive o Rodrigo já pegou seu rumo de volta pra Argentina... É, tía Dulce… Eu sou realmente a pessoa mais azarada de todas!

É a mais sonhadora, mais inteligente, mais bonita! Pare de se diminuir! Tira isso da cabeça, cariño! Mas, eu hein... por que te largaram aí? Não deveria ser de cunho do governo assegurar a segurança de vocês e que chegassem ao lugar certo? — Suspirei em concordância. — Me ligue quando tiver com eles, porque se você não conseguir encontrar esse povo, eu dou um jeito, nem que tenha que obrigar o prefeito de Buenos Aires a ir atrás de você aí e resolver!

Assenti, achando graça e parei de roer as unhas. Apoiei uma das minhas mãos sob meu queixo e pensei por uns instantes. Talvez eu não devesse sair daqui, do local combinado do aeroporto, mas eu já estava cansada de esperar. Eu iria procurá-los.

— Gracias, te amo, tía Dulce! Mande um beijo ao tio Juarez, ao Juan, à Naty e ao Santiago por mim… Vou desligar agora!

Te amo también! Besos!

Após encerrar a chamada e me levantar decidida à procurá-los pelo aeroporto, meu celular apitou, e a esperança brilhou dentro de mim mais uma vez com a mensagem de Rodrigo.

rodrigomanagement: Tudo OK, aí Gabi? Está com os Berny? Como eu havia dito, tive que vir cumprir ordens de última hora, não queria ter que te deixar sozinha. Peço desculpas mais uma vez. Não hesite em me ligar caso precise de qualquer coisa!

gabisanz: Sem problemas, Rodrigo, eu entendo perfeitamente. Mas eles ainda não chegaram... Devo me preocupar?

Precisei deletar depressa a mensagem no instante em que um grupo de quatro pessoas surgiu na minha frente.

— Gabriela Sanz? — Uma voz feminina com sotaque francês pronunciou meu nome animadamente.

Oui!

Foi então que guardei o celular no bolso e mirei a família Berny de perto pela primeira vez, dando um passo largo na direção deles. Eles eram idênticos as fotos.

A mãe, Jade, liderou a recepção com um abraço caloroso e as melhores congratulações. O cabelo preto azulado no formato de corte chanel combinava com seus olhos verdes iluminados e com o batom vermelho, lhe garantindo um ar bem jovial. Ela e, Leroy, o pai, possuíam um belo contraste. Ele era careca e mantinha uma certa postura de CEO com seu terno bordô e seu jeito formal de falar. Leroy me abraçou e beijou minha testa. Sorri quando ele me chamou de “mi hija” de uma forma muito fofa. Bom saber que eu já estava sendo considerada como uma pelos Berny.

Estava ansiosa para conhecer Simon, meu futuro irmão mais velho — por ter a minha idade e também falar espanhol. “Bienvenida Gabi!”, foi o que ele expressou ao me envolver num abraço rápido e devolver igualmente o sorriso, que logo notei a semelhança com o de sua mãe. Olhei bem para Simon, e céus, ele era a definição do padrão de beleza masculino francês: traços do rosto bem definidos, assim como o corpo alto e magro e o cabelo ondulado e castanho escuro impecáveis; certamente era popular em sua cidade.

Por fim, Lola, minha mais nova irmã postiça, a caçula da família Berny, tirou alguns de seus cachinhos louros do rosto e acenou para mim com certa, timidez, eu diria. Ela não parecia tão animada, também, até Jade sutilmente empurrá-la em minha direção e ela se ver obrigada a me cumprimentar também, bufando. Foi um tanto engraçado, assim eu descreveria. A garotinha abraçou-me pelas pernas e mirou-me no fundo dos em seguida, arriscando uma frase em espanhol:

Bienvenida a nuestra familia, Gabriela!

Notas finais
Link do trailer da fanfic: https://youtu.be/LX1qLRTXwWI?si=55WCHw4kxjHw2p3V Playlist da fanfic (ouçam na ordem, cada capítulo é uma canção): https://open.spotify.com/playlist/3nqnfGHPeW6Z0ismULPlbY?si=CBFteePcSQKt9RlULrSILQ&pi=u-DihW8LqXRDCO https://linktr.ee/dgwoman (elenco da fic)