Te Quiero, Mon Amour!
4 Un Sueño
Notas iniciais
Eram mais ou menos cinco da tarde quando cheguei à casa dos Berny naquela quinta-feira nublada. Paramos, antes numa cafeteria onde eu tive o prazer de experimentar macarons direto de Paris pela primeira vez. Era tudo tão magnífico, parecia bom demais para ser verdade! Podia ver como o céu ainda manifestava-se num tom meio morango ao descer do carro após Leroy estacionar o veículo.
A residência Berny destacava-se pelos tons terrosos na parte exterior e por seu piso amadeirado rústico. O jardim da entrada chamou minha atenção assim que parei frente à porta, já podia sentir o quão aconchegante aquele lar seria. Entramos e Jade me proporcionou um tour pelos cômodos do ambiente.
A matriarca direcionou-me para o meu quarto, que era um dos cinco que a casa abrigava. Abri a porta e logo pude notar a bela decoração: paredes em tom off-white e cama de casal com lençóis de mesma cor; ao lado do travesseiro florido, algumas cobertas no canto.
Tinha também, um guarda-roupas de tamanho médio bege e uma escrivaninha ao lado, com um notebook e alguns livros e dicionários em cima, decorada com um mapa-múndi e quadros e pôsteres com alguns versículos bíblicos e dizeres populares em espanhol.
Abri um sorriso e fiz uma breve oração mentalmente em agradecimento a Deus ao ler a famosa citação de Filipenses “Todo lo puedo en Cristo que me fortalece”. Todos os planos dele estavam se concretizando na minha vida, afinal.
Suspirei e andei rumo a sacada com vista para uma rua um tanto movimentada onde havia uma cafeteria e uma lanchonete. Apoiei meus braços no parapeito, permitindo-me admirar a imagem diante de meus olhos.
— E aí, você gostou? — Jade perguntou, esperançosa. Aquiesci, abraçando meu host pai de lado.
— Se eu gostei? É claro que não, né Jade? Eu a-m-e-i! É bem espaçoso, e eu acho que é duas vezes maior do que o meu quarto lá de Buenos Aires! — Soltei uma risadinha e eles me acompanharam. — De verdade, muito obrigada! Serei eternamente grata a todos vocês!
— Sempre foi uma vontade nossa ser uma host family, e estamos honrados de te receber aqui — Leroy informou.
— É uma experiência nova e única para todos nós também — comentou Simon, dando de ombros.
— Inclusive... — pigarreou Jade, parecendo lembrar-se de algo importante ao apontar para os filhos. — Vocês vão levar a Gabi para conhecer a cidade amanhã, não se esqueçam!
— Maman… — Lola murmurou, indignada. — Eu quero sair com as minhas amigas!
— Já estava decidido, nós não já tínhamos conversado sobre isso, Lola? Tenha modos! Já não basta você ter nos atrasado pra irmos buscar a Gabriela, agora vem com isso?
— Eu não vou sair com ela!
Tudo que ouvi depois de piscar meus olhos foi a porta batendo. Jade e Leroy pediram-me licença para para irem atrás da filha e eu assenti, meio envergonhada por ter indiretamente causado a situação devido à minha presença ali, talvez indesejada pela minha host little sister, ou deveria dizer petite sœur?
— É, acho que essa garotinha linda não gosta mesmo de mim — eu lamentei com um suspiro. De alguma forma, ela me lembrava Juan. — Não queria que ela se sentisse desconfortável por minha causa.
— Desculpe-nos pela atitude da minha irmãzinha, Gabi — Simon pediu, revirando os olhos — Ela ainda tem lá os seus... — Pensou por alguns segundos. — nove ou dez aninhos, entende? Ela sente ciúmes, gosta de atenção e essas coisas bobas de garotinhas mimadas, sabe?
— Eu sei bem como é. Tenho um irmãozinho menor também.
Simon esboçou uma careta engraçada.
— Eles acham que sabem tudo sobre a vida, não!? Às vezes dizem absurdos que parece até que sabem mais do que realmente vivenciaram.
Concordei com a cabeça.
— Falando nis…- — Fui interrompida pelo meu celular. Era uma chamada de vídeo da tía Dulce.
— Cariño! Com quem você está aí?! Chegou bem?! Ah meu Deus, eu estava tão preocupada, que alívio! Não tinha pedido pra você me ligar antes?
Ri de suas várias perguntas consecutivas.
— Calma, tía! Estoy bien! Bem, aqui... Quero te apresentar uma pessoa: este é o Simon. — Sinalizei o rapaz, que respondeu com ¡Hola, señora Sanz¡, meio acuado.
— Hola, mocinho, que rapaz bonito que você é, viu? — ela afirmou com seu típico cômico jeito de ser. Simon e eu seguramos a risada, quando tía Dulce continuou falando sem saber que ele era capaz de compreender cada palavra proferida por ela. — Se você não tivesse namorando com o Santiago, ia falar pra você investir nele!
— Tía! — a repreendi, corada. Ouvi a gargalhada descontraída de Simon, que fez sinal notificando-me que iria retirar-se do quarto. Assenti e continuei mostrando o cômodo para tía Dulce. Segui conversando com ela até a noite cair. Despedi-me dela e tomei um banho, troquei minhas roupas, jantei e logo fui dormir com a melhor das sensações. Aquele dia parecia ter sido irreal de tão maravilhoso, e se fosse um sonho, eu não queria nunca mais acordar. E caso acordasse, dormiria somente para poder sonhar novamente.
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