Taste of danger - Percabeth

4 Londres - O desembarque


Notas iniciais
Oi amoores, como estão? Eu gostaria de fazer um pedido antes de deixar vocês lerem. Gostaria a pedir a você fantasminha que lê e não comenta para comentar. É sério, isso ajuda muito na hora de escrever. Nós autores podemos ter uma boa ideia se estamos acertando ou não no rumo da história e muitas coisas são mudadas no decorrer por conta dos comentários. Aos que puderem mesmo comentar e dar a sua opinião de forma sincera eu agradeço. E aos poucos que já estão comentando, meu muito obrigada. Vou parar de tagarelar agora. haha' Boa leitura!

No meu sonho eu era uma fada. Voando por cima das nuvens em direção do arco-íris, o que era realmente ridículo. Fadas não iam atrás de arco-íris e muito menos voavam sobre as nuvens, e menos ainda existiam, mas ninguém nunca disse que sonhos precisavam ser coerentes.

O sol brilhava alto no céu, e a brisa – fraca e gostosa de sentir nas minhas asas. Havia um grande campo verdejante com um riacho de águas calmas e cristalinas. Ao longe era possível ver uma colina com pedras que se estendia no horizonte. Uma cachoeira cascateava respingando água para os lados e quando o sol se projetava na água, formava pequenos arco-íris. Era algo bonito de ver. O lugar transmitia um sentimento de paz. Sentimento esse que talvez eu já não estivesse mais acostumada.

E então o sonho mudou. O vento rodopiou fazendo meu cabelo voar em todas as direções, o céu escureceu tornando-se tão negro como um abismo. Eu já não era mais uma fada. Estava de joelhos agarrada na grama olhando de forma frenética para o horizonte. Acima da cachoeira dois pontos ao longe – indistintos num primeiro momento e inegavelmente familiares em outro – me analisavam. Os olhos verdes estavam furiosos, embevecidos com um misto de loucura que fez o meu corpo inteiro reagir. Mesmo sabendo que era um sonho senti meu coração gelar para logo em seguida começar a bater tão rápido como se as sensações fossem demais para ele.

– O que você quer?

Mas não teve uma resposta. Levantei e segui a passos lentos em direção da cachoeira. Eu senti como se todos os meus extintos tivessem ficado alerta de repente. Sabia que não devia seguir por aquele caminho, mas simplesmente não conseguia deixar de seguir. Havia algo extremamente excitante na sensação de estar correndo perigo.

Era um tipo de sensação desconhecida que me embriagava. Eu já não conseguia mais pensar com clareza. Não havia antes e não parecia haver depois, apenas os olhos verdes e inebriantes como se tentassem me envolver em alguma espécie de magia. Todos os meus instintos gritavam que aquela era à hora de correr, mas não o fiz. Continuei encarando aqueles olhos que agora irradiavam maldade e fiz a ultima coisa que podia se esperar: Sorri.

Sem esperar por nenhuma permissão o sonho mudou. Agora eu me via no topo da colina encarando uma pessoa. Meu corpo reagiu quando reconheceu o rosto familiar. Ele me fitava de um jeito meio alucinado. Na mão carregava uma espécie de arma. Todo meu corpo gritava que eu devia sentir medo, mas não senti. De algum modo lembrei da parte do sonho que eu era uma fada. Lembrei da paz que eu senti e aspirei fundo. Ele me olhava com curiosidade.

De uma forma totalmente contraditória, senti meus músculos relaxarem. Meu coração ainda martelava de expectativa. Eu sabia o que viria a seguir. Ele estava momentaneamente parado, pois havia sido pego de surpresa, mas a partir do momento que se recuperasse ele iria atirar. Se aquilo me deixou preocupada? Gostaria de dizer que sim. Gostaria de correr e gritar por ajuda. Gostaria que aquilo, aquela sensação doentia que ele havia me apresentado não me excitasse. Gostaria de não querer rolar no chão com ele e acabar entregue nos seus braços. Eu simplesmente vi como as coisas seriam antes de acontecerem. Na minha cabeça agora tudo estava muito claro.

Ele ergueu o braço, pronto para atirar.

Como se isso fosse possível o céu conseguiu ficar ainda mais negro.
Ergui meus olhos encarando o céu de forma pensativa.

Eu só ouvi um único disparo.

E então com um último suspiro eu fechei os olhos enquanto a morte me abraçava.

Percy POV

– A-COR-DA! – eu gritava pela milionésima vez.

Mas ela simplesmente não acordava. Parecia totalmente entregue a sonhos enquanto balbuciava alguma coisa sobre morte. Garota estranha.

A aeromoça estava preocupada. No começo da viagem observei enquanto ela pedia um comprimido para dormir. A aeromoça não parecia ter gostado muito da ideia, mas não tentou impedir também. Eu fazia uma boa ideia do por que. Ter ela dormindo era melhor do que ter ela fazendo escândalos no meio do avião.

– É melhor o senhor descer. – ela tentava me jogar para fora do avião de novo.

– Assim que ela acordar.

– O senhor precisa...

– Fazer com que ela acorde? Concordo! – ela me olhou com ar de poucos amigos. Eu podia ver que ela estava preocupada. Ela havia autorizado o remédio para a garota histérica e agora a dita garota não acordava. Eu também estaria em pânico no lugar dela.

O segurança que havia sido enviado junto no avião esperava algumas poltronas à frente e nada fez para ajudar. Não ligou para o pai da garota, não ligou para uma ambulância. Não fez simplesmente nada. Apenas esperou com ar entediado. Não pude evitar olhar rancoroso pra ele algumas vezes.

– Como é o nome dela?

– Annabeth Chase. – ouvi o segurança falar com o mesmo ar entediado. Olhei de relance pra ele curioso.

– Será que não devíamos chamar os paramédicos? – ouvi a aeromoça perguntar preocupada.

– Não! – o segurança falou de novo. Olhei ainda mais curioso na direção dele. Um sentimento estranho começou a se criar no meu peito. Raiva? Ele me devolveu o mesmo olhar assumindo uma postura diferente.

– O senhor Chase não quer escândalos.

– E o senhor Chase sabe que a filha dele esta desacordada por uma possível dose excessiva de remédios?

Se ele tinha uma resposta preferiu guardar pra ele. Apenas continuou me encarando com um ar irritado. Bufei. Estava determinado a acordar Annabeth e não iria ser ele que ia me impedir de fazer isso. Se eu precisasse trazer o papa para praticar ressuscitação eu o faria.

Virei para ela novamente.

– ANNABETH! – gritei enquanto a sacudia. Ela finalmente esboçou alguma reação.

Balbuciou um “me deixa” baixinho enquanto se virava. Não sabia se ficava aliviado ou irritado por ouvir a voz dela.

– A–COOR-DAAA! – falei enquanto dava pequenos tapas no rosto dela e a sacudia.

Então algo realmente bizarro aconteceu. Annabeth se abraçou no meu braço quando se virou. A aeromoça nos observava de forma curiosa. Ela começou a falar coisas estranhas de novo.

– Verde... Lindos olhos verdes... – um suspiro. – Olhos verdes e corpo sexy... – outro suspiro e uma risada. – Muito sexy...

E então ela começou a acariciar o meu braço. A aeromoça e o segurança agora nos avaliavam com uma curiosidade intensa. Dei um pigarro tentando me recompor.

Aproximei mais o meu rosto dela e chamei de novo. Dessa vez de uma forma mais calma.

– Annabeth, por favor, abra os olhos. – era a minha última cartada. Eu estava tão próximo dela. Ela ressoava baixinho agora agarrada com força ainda ao meu braço. – Por favor...

E então ela acordou.

Em um primeiro momento ela continuou agarrada no meu braço e fitou meus olhos. Os olhos acinzentados de Annabeth quase fizeram meu coração parar. Havia muita confusão neles. Eu podia sentir a respiração dela contra o meu rosto. Eu senti vontade de juntar nossos rostos e selar nossos lábios.

Então ela olhou para todos os lados como se tivesse notado que algo estava errado. Olhou para o rosto agora aliviado da aeromoça, olhou para o rosto sério do segurança, olhou para meu braço envolto por suas mãos e olhou novamente para meus olhos.

Só então, enquanto me encarava, ela se deu conta do que estava acontecendo. Os olhos cinzentos adquiriram um brilho furioso e ela me deu um tapa.

– O que você pensa que esta fazendo?

Olhei para ela chocado. Eu simplesmente não podia acreditar no que ela havia feito. Ela havia me batido! Depois de todos os meus esforços para acordar ela, era assim que eu era recompensado.

– Uma verdadeira idiotice.

Ela me olhou surpresa. Como se tivesse se dado conta que tinha feito a coisa errada. Eu me virei para a aeromoça.

– Você tinha razão. Eu devia ter descido. – então olhei uma última vez para ela com desgosto e caminhei para a saída do avião.

O salão de desembarque já não estava tão cheio. Não reparei em quanto tempo a gente ficou lá, mas parece que foi muito. Ao longe havia um garoto moreno e barbudo com uma toca do Bob Marley na cabeça. Ele era mais ou menos do meu tamanho e segurava uma placa que dizia “Percy Jackson”. Usava jeans com tênis e uma camiseta que dizia “amante profissional”. Revirei os olhos ao ler a frase. Caminhei para ele com uma expressão emburrada.

Ao lado dele havia uma senhora com cabelos grisalhos e olhar doce. Quando me viu, sorriu mostrando os dentes brancos e bem cuidados. Era um sorriso de vovó, o que me fez sentir saudades de casa, saudades da minha mãe. Tentei não pensar nela, não pensar no porque eu estava ali. Olhei para trás e Annabeth vinha distraída acompanhada do segurança.

– Senhorita Chase. – Ouvi à senhora dizer ao meu lado.

– Senhora Chevalier.

A velha senhora sorriu de forma doce, mas Annabeth continuou olhando com frieza para ela que não pareceu se abalar.

– Nós quatro vamos nos divertir muito até chegar ao acampamento.

Então observei Annabeth olhar confusa pra ela.

– Nós quatro?

– Sim, meu anjo. O senhor Underwood, o senhor Jackson – ela fez um gesto para o lado e eu senti como se me dessem um soco no estomago. – Eu e você.

Eu observei a reação de Annabeth com expectativa. Levou uns cinco segundos pra ela entender o que estava acontecendo. Os olhos dela se depositaram em cima de Grover e então foram até onde eu estava. Depois ela olhou novamente para a bondosa senhora e depois novamente para Grover e por fim seus olhos pararam sobre mim. Ela arregalou os olhos quando finalmente as coisas passaram a fazer sentido na cabeça dela e então seus olhos se viraram novamente para a gentil senhora e ela gritou:

– O QUE?!

Notas finais
E ai gostaram? Não deixem de comentar! =* ♥