Taste of danger - Percabeth
5 Londres - A mansão
Notas iniciais
Nos dias que se passaram Annabeth não saiu do quarto. A senhora Chevalier mostrou onde cada um ficaria e conhecidentemente eu e ela ficamos com os quartos um de frente para o outro. O que só a fez ficar mais irritada. Ela me lançou um último olhar frio antes de bater a porta com força e desde então não saiu mais.
A mansão era enorme e parecia um parque de diversões. Havia uma piscina enorme bem no meio do jardim. Uma pequena área de recreação com mesas de sinuca, pembolim, TV e vídeo game. O chão era cheio de almofadas e pufes. Era um local bom para se ficar. Um pouco para o lado tinha uma área para boxe, camas elásticas e uma pequena academia. Tudo isso era coberto por uma casa de vidro.
As paredes eram espelhadas. Na frente havia uma área aberta com cadeiras que ficavam ao lado da piscina. Podíamos tomar sol, ou sentar confortavelmente nas mesinhas cobertas com guarda chuvas que imitavam os coqueiros da praia. De frente para a piscina, contornando o jardim, havia outra casa de vidro. Uma hidromassagem enorme se encontrava nela. Nas bordas e em um armário rústico mais recostado havia sais de banho e óleos de massagem.
Mais escondido havia uma espécie de cama para massagem. A casa de vidro tinha um anexo que dava para uma casa de madeira. Uma sauna se estendia por todo o cômodo. Não era realmente o meu lugar preferido. Era muito abafado quase claustrofóbico. E finalmente no último canto que sobrou havia uma quadra de tênis.
Como eu disse era um parque de diversões, mas Annabeth se recusou a fazer quaisquer atividades propostas que fossem conosco. As refeições era outro drama. Annabeth não saia do quarto para fazer elas também. Em todos os horários eu via a senhora Chevalier subir as escadas com bandejas de comida para manter Annabeth alimentada.
Ela batia na porta avisando que tinha chegado com a comida e deixava a bandeja no chão na frente da porta. Apenas quando Annabeth via que ela havia descido as escadas abria a porta e pegava a bandeja. A garota era simplesmente muito mimada.
Quando aceitei o serviço não sabia que iria ser ela. Se eu soubesse, ainda naquele avião, talvez tivesse recusado. Apesar de o dinheiro ser bom, e a mansão ser a casa dos sonhos, as coisas se tornavam complicadas quando a garota era uma mimada arrogante... E extremamente sexy.
Me acomodei melhor na poltrona flutuante da piscina. Eu estava tomando sol e bebendo suco. Puxei o telefone de algumas prostitutas conhecidas de Londres. Se eu precisava ter que passar um mês ali eu não ia ficar na penúria. Guardei o papel no bolso quando vi a aproximação de Grover. Ele se jogou na piscina respingando água para todos os lados.
– Porra meu! Precisava fazer isso?
– Desculpe Jackson. Não sabia que agora você tinha uma vagina.
Revirei os olhos.
– Porque não podíamos ter ido direto ao acampamento?
– Precisamos esperar a conexão. E teremos mais companhia nos próximos dias. Alguns amigos iam para lá também e pediram uma carona.
Assenti com pouca vontade.
– Não tentou convencer ela a sair do quarto? – ouvi Grover perguntar.
– Não.
– Por quê?
– Ela não me suporta. Eu não a suporto. Não nos suportamos. O calculo matemático é bastante simples, ate mesmo para você.
– Annabeth é gostosa. – tirei os óculos escuros e olhei pra ele carrancudo. Ele ergueu os braços em sinal de rendição. — Hey, calma, eu estou do lado amigo. Eu só fiz uma constatação da verdade. Vão chegar mais alguns caras, talvez tenha concorrência.
– Não tem porque ter concorrência. — falei de mal humor. — É apenas um trabalho.
Grover riu alto.
– Cara eu também daria qualquer coisa para ter um trabalho desses.
– Não tem nenhum banheiro para limpar não? — falei irritado.
– Hey! Calma garoto golfinho. — revirei meus olhos para o apelido — Não precisa sentir ciúmes.
– Não estou com ciúmes. – falei exasperado. – É só que...
– Eu sei. Não precisa ficar desse jeito. Gosta da garota. Já percebi.
– Eu não gosto dela! — meu tom subiu varias oitavas e Grover sorriu de lado. — Deixa pra lá. Não adianta explicar para quem não quer entender.
Grover riu de novo com vontade.
– É meu amigo. – ele deu um tapinha no meu braço. – Vamos deixar que o tempo mostre quem se enganou ou quem esta se enganando.
E falando isso ele se afastou.
Bufei. Annabeth era apenas um trabalho. Olhei para a janela do quarto dela. As cortinas estavam fechadas. Um vazio se abateu no meu peito. Liguei pra minha mãe.
– Mãe?
– Percy! – ela falou aliviada. – Porque não me ligou assim que chegou?
– Mãe relaxa. Estou bem. Eu só... – hesitei. – Não tive tempo de ligar antes.
– Aconteceu alguma coisa Percy?
– Não. – menti.
– Tem certeza?
– Sim. – menti de novo.
– Alguma coisa o preocupa? – ela forçou.
– Mãe eu preciso desligar. – tentei. Não gostava de mentir para ela e se ela começasse a fazer muitas perguntas teria que mentir mais. – Só liguei para avisar que estava bem.
– Sabe que pode me contar qualquer coisa não é mesmo?
Senti um nó na garganta.
– Eu sei mãe. De verdade, estou bem. Não há com o que se preocupar.
– Eu te amo.
– Eu também te amo mãe.
Repeti antes de desligar. Falar com ela tinha deixado o vazio no meu peito maior. Reprimi esse sentimento.
Peguei o celular para ligar de novo.
– Alô?
– Vivian! É Percy!
– Percy! – ouvi a voz dela soar mais calorosa que o necessário. – Não me diga que esta em Londres?
– Estou.
– Vai vir me ver?
– Pretendo. Mas não sei o dia certo ainda. Que dia tem disponível?
– O dia que quiser Percy. Sabe que desmarco todos por você.
Sorri de canto.
– Eu te ligo.
E então desliguei o telefone sem esperar uma resposta. Meu corpo reagiu ao lembrar como Vivian era quente.
Ouvi barulhos vindos de dentro da casa. Um alvoroço pela chegada de alguém. As empregadas começaram a correr pegas de surpresa para o andar de cima da casa. Coloquei o celular na mesinha flutuante da piscina, o papel com os telefones das prostitutas e me joguei na água para sair da piscina.
Entrei na casa e vi muitos rostos novos. Havia três garotos e duas garotas. O primeiro tinha olhos azuis e cabelo loiro. Uma cicatriz cobria o seu rosto. O brilho nos olhos era divertido, o sorriso era aberto. Ele devia ter mais ou menos a minha altura, talvez um pouco mais alto. O corpo era musculoso. A garota ao lado dele tinha olhos azuis. Seu olhar era forte e perturbador. O cabelo espigado preto. Estava toda vestida no estilo roqueiro. Baby Look dos Beatles, calça jeans preta com correntes, e apesar do calor que fazia: coturnos. Os olhos estavam pintados de preto o que realçava o azul dos seus olhos. Tinha um sorriso debochado e sarcástico.
O garoto que estava do lado dela tinha um toque familiar ao mesmo tempo em que não tinha nada dela. Ele era loiro, tinha o mesmo tom dos olhos dela, um azul faiscante. Lembrava o céu. Eles poderiam ser irmãos assim como poderiam ser apenas parecidos. O cabelo estava cortado em um estilo militar. Ele era musculoso e usava uma camiseta vermelha com jeans.
Então me surpreendi quando olhei a garota ao lado dele. Minha boca se abriu em um perfeito O. Mesmo sem maquiagem ela era linda. Os cabelos levemente encaracolados caiam com perfeição pelo seu rosto. Os olhos eram azuis e tinha um brilho leve e doce neles. O vestido que ela usava era leve, como a brisa na primavera. Como estava de mãos dadas com o garoto ao lado associei que fossem namorados.
O último garoto era o mais perturbador. Tinha cabelos negros e sebosos. Os olhos eram negros e pareciam ser frios. Ele parecia todo tenso como se estivesse pronto para se defender a qualquer momento de um ataque terrorista. Usava jeans preto e uma blusa igualmente preta com tênis. Ele podia fazer par com a garota e eles seriam um casal de corvos muito sinistros.
– Fizeram boa viagem? – a senhora Chevalier perguntou.
– Muito boa. – uma das garotas falou.
– Eu to morrendo de fome! – um dos garotos loiros falou enquanto dava batidas no estomago.
– Quando que ele não ta com fome? – a garota morena perguntou se virando para a loira.
– Não me lembro de ter te perguntado nada espiguinha!
– Não me chame desse jeito! – ela olhou feroz pra ele.
– Eu gostaria de saber para onde vai toda essa comida. — a namorada dele cutucou a barriga dele.
– Quer mesmo saber? – ele sorriu de canto.
– Argh! Não!
Todos começaram a rir e o som se tornou infernal quando todo mundo começou a querer falar ao mesmo tempo. O único que parecia não esboçar nenhuma reação era o garoto moreno estranho. Ele estava com um ar entediado como se já tivesse visto muito daquilo.
Grover subiu em cima de uma cadeira e deu um assovio medonho, que fez com que a maior parte das conversas parasse.
– Gente! Gente! – outro assovio. – Calem a boca um pouco! Quero apresentar vocês! – e então se virou para mim. – Esse aqui é o Jackson. Percy Jackson. Jackson, esses são Luke Castellan, Thalia Grace, Jason Grace, Piper McLean e Nico Di Ângelo.
Eu estava pronto para dar oi e me apresentar quando Annabeth surgiu correndo pela escada. Fazia tanto tempo que eu não via o seu rosto que ao ver meu coração se apertou.
Controle-se Jackson!
– Não posso acreditar. – ela vinha gritando enquanto corria escada abaixo. – Você ta aqui! Não posso acreditar.
E dizendo isso ela se jogou nos braços do meu mais novo inimigo, cujo nome era Luke.
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