Notas iniciais
Sem muito o que falar, apenas agradecer os comentários lindos que recebi. Aproveitem a leitura. =*

– Isso é tudo culpa sua. – ele retrucou baixinho.

Aquela noite estava sendo interessante. Para começo de conversa, Percy e eu dávamos um passeio em uma viatura. Mas acho que para explicarmos melhor como paramos dentro dela seria bom reproduzir novamente os fatos.

Flashback on – 30 MINUTOS ANTES

– Saiam do carro e coloquem suas mãos para cima onde eu possa ver.

– Viu só o que você fez Jackson!

– Eu fiz? EU FIZ? Eu não fiz absolutamente nada!

– Com quem aprendeu a ser tão hipócrita?

– Com você.

Dei uma joelhada nos seus países baixos vendo com prazer ele se contorcer de dor, enquanto soltava pequenos gemidos. Sem nenhuma cerimônia o emburrei para fora do carro para poder falar com os policiais e ver como eu poderia me livrar daquela situação toda. Apenas para me deparar com um Grover gargalhando com uma mega fone na mão pelo susto que havia nos dado.

– Seu... – me preparei para pular em cima dele, mas alguém me segurou. Grover saiu correndo com os amigos, rindo.

– Me solta Jackson! Eu vou acabar com aquele idiota!

– Pára Annabeth!

– Eu já mandei me soltar! – joguei minhas pernas para todos os lados tentando me soltar.

– Eu não vou te soltar enquanto tu não se acalmar!

Parei de me contorcer toda para que ele pudesse me soltar. Quando Percy notou que eu me acalmei me soltou e eu corri o mais depressa que minhas pernas em um lindo salto alto permitiram. É claro que não fui muito longe, mas se ele estava pensando que eu ia facilitar um pouco a vida dele ele estava muito enganado.

Percy rolou na grama fofa comigo quando tentou me segurar fazendo com que eu batesse minhas costas e cabeça no processo.

– Annabeth? Você se machucou? – meu coração deu um pulo quando notou a preocupação na voz dele.

– Me solta! – empurrei. — Eu to ótima! – sai caminhando na direção do carro, tirando meus sapatos para caminhar melhor.

– Definição interessante. Você parece mais para perturbada do que para ótima.

– Desde quando virou psicólogo? – minha voz saiu esganiçada.

– Você é sempre educada assim?

– Na maior parte do tempo.

– Coitado dos seus amigos então.

– Não estou escutando eles reclamarem. – eu continuava indo na direção do carro sem olhar para trás.

– Que você saiba. – ele disse enquanto vinha atrás de mim.

– O que você quer? – me virei irritada na direção dele. – Porque simplesmente não pode me deixar em paz? Porque precisa ficar me seguindo? Me da um tempo ta legal?!

– Não estou afim.

– Idiota! – comecei a caminhar novamente contornando o carro para ir para casa a pé. Se ele achava que eu ia entrar naquele carro estúpido com ele depois daquilo tudo ele estava muito enganado.

– Aonde você vai?

– Para casa, SOZINHA!

– O carro ta aqui e eu sou o único motorista.

– Eu já disse que vou sozinha. Pode ir para casa no seu carro que eu me viro. Não preciso da sua ajuda.

– Você é sempre tão teimosa? – ele falou puxando meu braço para que eu ficasse de frente pra ele.

– Eu não sou teimosa! – puxei meu braço das suas mãos.

– Claro. Esse foi um bom exemplo disso.

– Vai à merda!

– Educação, você por aqui. – ele falou irônico. – É sempre tão educada quando alguém tenta te ajudar?

– Desculpe, mas eu não me lembro de ter pedido a sua ajuda... – agora eu havia pegado pesado e eu sabia disso. Eu era mulher, estava com o perdão da palavra muito gostosa na roupa que eu havia escolhido e ir sozinha andando para casa realmente não seria a minha idéia mais genial.

– Ok, boa sorte na sua caminhada então Chase!

– Aonde você vai? – minha voz saiu insegura, mesmo contra a minha vontade, quando o vi se afastando.

– Embora.

– Embora?

– Sim. A não ser que você precise de minha ajuda. — ironizou.

– Eu não preciso da sua ajuda! – falei petulante.

– Como você consegue ser tão irritante?

– Como você consegue ser tão panaca?

– Quer saber de uma coisa, que se foda você sozinha aqui! – ele virou as costas e saiu revoltado, Com desprazer eu percebi quando meu corpo reagiu aquilo e eu quis poder voltar no tempo e não o irritar. Na verdade estava sendo divertido retrucar para ele. No momento que ele se afastou aquela sensação devastadora de solidão e insegurança voltou o que só me fez o odiar mais.

– Percy! – me arrependi das palavras no momento que elas saíram.

Ele parou onde estava sem se virar e hesitou por segundos, antes de voltar a caminhar. Eu quis chamar de novo, mas eu não daria o braço a torcer tão fácil. Se ele queria ir que fosse. Talvez eu roubasse um carro e o atropelasse no caminho.

Eu podia ouvir ao longe os trovões que ameaçavam trazer a nova tempestade, e os relâmpagos que moldavam pequenos clarões no céu negro. As nuvens começaram a se amontoar no céu, o vento soprou mais forte e eu senti um gosto amargo na boca misturado com uma vontade de chorar. Ao invés disso, olhei para o céu revoltado desejando que o dia de amanhã fosse melhor...

Percy POV

Eu odiei a mim mesmo quando me afastei em um súbito momento de raiva. Considerei voltar para junto dela quando ela me chamou, mas abortei missão no momento que me lembrei da petulância dela. Ela era um ser abominável! Como ela ousava falar comigo daquele jeito? Ouvi o céu reclamar de novo. O trovão havia sido tão alto que me assustou. Meu primeiro instinto havia sido olhar para trás. Annabeth parecia estar distraída olhando para o céu sem se importar que a qualquer momento a chuva pudesse começar.

Eu sabia que ia me arrepender pela manhã, mas em um momento puramente instintivo eu dei a volta e corri para onde ela estava. Não tinha mesmo como a noite ficar mais estranha. Ela não pareceu notar quando eu voltei até se assustar quando a peguei pelo braço e sai a rebocando pela rua até o meu carro. Primeiro ela não falou nada, mas o silencio apaziguador não durou tempo suficiente para que eu o pudesse desfrutar.

– O que pensa que está fazendo? Me solta! – ela puxou o braço diversas vezes e lutou para se soltar, mas eu a ignorei. Era mais forte que ela e simplesmente puxei com mais força. Sabia que a estava machucando, mas não me importei. – Ta me machucando!

– Eu não ligo.

– Me solta ou eu vou gritar!

– Grita. – retruquei. — Torne nossa noite mais emocionante. Diga a plenos pulmões que eu sou um seqüestrador, e ai quem sabe a policia de verdade apareça, e poderemos passar umas horas na delegacia.

E foi exatamente o que ela fez.

Annabeth gritou tão alto que eu pulei com o susto. Soltei seu braço segurando seu corpo pedindo para ela fazer silencio. Aquilo a revoltou completamente. Ela começou a chutar e a me empurrar com os braços de forma totalmente descontrolada. Não tinha como a noite ficar mais estranha!

– SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE!

– CALA A BOCA!

– E QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA ME MANDAR CALAR A BOCA? – ela me empurrou para longe.

– VOCÊ SÓ PODE SER BIPOLAR! ONDE EU ESTAVA COM A CABEÇA QUANDO PENSEI EM TE AJUDAR?

– E QUEM DISSE QUE EU PRECISAVA DE AJUDA?! SOCORRO!

– PORQUE TÁ PEDINDO SOCORRO? NÃO SEJA TÃO ESTUPIDA EU NEM ESTOU MAIS TE SEGURANDO!

E como se o destino quisesse brincar comigo a noite conseguiu ficar mais estranha. Em um momento de puro ódio Annabeth avançou na minha direção e eu me preparei para me defender. Os braços finos e corpo miudinho enganavam qualquer um, mas ela tinha força o suficiente para que eu a jogasse com força contra a traseira de um carro. Eu a ouvi gemer e praguejar baixinho e eu estava mais do que pronto para soltar ela e me afastar quando senti seus lábios nos meus. Sim, você está lendo certo. Ela me beijou. Ela. Ela simplesmente me beijou. Do nada!

Eu tentei reagir de alguma forma e o choque não me parou por tempo suficiente. Quando voltei à realidade juro que a soltei. Bom. Quer dizer. A intenção foi clara. Eu queria a soltar, mas de alguma forma que não sei explicar o seu corpo havia ficado mais colado junto ao meu. As pernas dela enlaçaram a minha cintura. As suas mãos puxavam o meu cabelo com tanta força que beijei a sua boca com mais ferocidade. Eu estava prestes a fazer uma loucura. Uma loucura muito gostosa. Estava tão perto. Até ouvir aquela voz.

Annabeth POV

Eu estava totalmente fora de mim. Jackson havia testado todos os níveis da minha sanidade. Eu já podia ser mandada em uma camisa de força direto para um manicômio. Eu havia jogado o resto da minha sanidade no lixo e o beijado.

Cai de costas na traseira do carro quando ele me soltou após a voz do guarda da rua perguntar o que significava aquilo. Ele analisou com cuidado o nosso estado pegando o walk talk para falar com outro guarda. Eu respirava fundo para me acalmar abominando à noite. Não tinha como ficar pior.

É claro que alguém lá em cima estava se divertindo as minhas custas. Não demorou muito e o dono do carro chegou. Dá para acreditar que chamaram mesmo a policia? Eu fiquei chocada.

Se eu contar para vocês que amassamos a traseira do carro vocês acreditariam? Pois tratem de acreditar porque foi justamente o que aconteceu! E isso me causou uma dor nas costas que na hora eu não senti e um passeio algemada (um absurdo!) até a delegacia.

As acusações? Atentado ao pudor ao quase transar no meio do estacionamento o que me deixou revoltada, pois era uma puta de uma distorção aos fatos e depredação do patrimônio alheio.

Percy me olhava furioso. Dava para ver no seu olhar que ele me culpava. E isso é claro me deixou furiosa com ele. Como se eu tivesse me jogado contra a traseira do carro sozinha! Quem ele pensava que era para me olhar daquele jeito. Nós fomos juntos na viatura o que eu achei um risco serio e até tentei argumentar com o guarda. Teríamos um homicídio se fossemos juntos, mas o guarda pareceu se divertir com a ideia e nos obrigou a sentar juntos.

O que nos leva novamente a narração inicial dessa estória.

Flashback off – 30 MINUTOS ANTES

– Isso é tudo culpa sua. – ele retrucou baixinho.

– Você aprendeu a ser hipócrita com o tempo ou esse é um tipo de dom que aperfeiçoou com o tempo?

– Que romântico amor. – ironizou. — E você? Aprendeu a ser uma galinha frigida com o tempo ou foi um dom que aperfeiçoou também?

– Estúpido! Como ousa... – ele continuou como se não tivesse me escutado.

– E que eu bem me lembre você começou a gritar como uma doida na rua enquanto eu tentava te ajudar. – ele se virou para mim me olhando de forma furiosa e indignada.

– Oh coitadinho, só que você esqueceu um pequeno detalhe cabeça de alga. Não conferiu na sua pequena listinha se eu queria que você me ajudasse. – eu me virei para ele indignada.

– Você é inacreditável! – ele se aproximou um pouco.

– Você que fica achando que tudo tem que girar em torno de você! – eu me aproximei também.

– Vadia! – ele se aproximou.

– Estúpido! – eu me aproximei. Havíamos nos esquecido totalmente dos guardar e eles nada pareciam dizer.

– Você só pode ser recalcada assim por falta de pau! – nossos rostos estavam muito perto.

– Olha quem fala. Eu conheço um monte de lésbicas que merecem ter um pau mais do que você!

– VAGABUNDA!

– VIADO!

E então a gente se agarrou. Eu sei contraditório né?

Os guardas finalmente intervirão parando a viatura e nos separando. Já estávamos chegando à delegacia e parecíamos ser a diversão da noite deles.

– Eu tenho direito a um telefonema. – Percy se adiantou em dizer, quando chegamos na mesa do delegado.

– Irá ligar quando eu decidir que deve ligar senhor Jackson. – o delegado nos analisava com diversão nos seus olhos.

– Desculpe senhor, mas conheço meus direitos e quero utilizar um deles agora. Tenho direito a um telefonema.

O delegado olhou com desgosto para ele e fez sinal para que o guarda o levasse.

– A senhorita também quer fazer valer o seu direito?

– Estou bem. – afinal de contas para quem eu ligaria? Para um pai distante? Para um amigo desaparecido? Não. Eu precisava me acostumar ao fato de que agora eu era sozinha naquela droga de cidade.

Percy POV.

– Grover! Precisa vir à delegacia me tirar daqui.

– Que porra é essa Jackson? Que delegacia? Do que ta falando?

– Grover, não tenho tempo para as suas boiolices agora, venha à delegacia da décima nona, ligeiro e pague a fiança, depois eu explico, apenas faça isso. Eu e Annabeth fomos presos. Pague a fiança e SUMA. Entendeu?

– Não to gostando dessa porra toda Percy.

– Você não tem que gostar ou desgostar de nada. Apenas faça o que mandei. Entendeu?

– To indo. – resmungou.

– Terminou? – o guarda perguntou. Apenas assenti positivamente e deixei que ele me levasse novamente para onde Annabeth estava.

Uma hora.

Esse foi o tempo que Grover levou para nos tirar daquele inferno.

O delegado não havia sido nada gentil com a fiança, mas fiquei feliz de não ter visto Grover em lugar algum como eu havia pedido. Annabeth achou aquilo tudo muito suspeito. Chegamos à mansão em silêncio, e Chase saiu do carro primeiro que eu evitando até olhar na minha direção como se fosse muito melhor e não fosse desperdiça seus olhares comigo.

Sai do carro caminhando rápido na direção dela. Abri a porta do quarto dela no momento que ela fechava a porta do banheiro do quarto dela sem se preocupar em trancar. Entrei banheiro adentro sem nenhuma cerimônia sendo recebido por uma Annabeth assustada e confusa.

– O que pensa que esta fazendo?

– Quer saber o que estou fazendo Chase? Quer mesmo? – Annabeth me olhava como um coelho encurralado pela sua presa.

– Nessa porcaria de noite eu precisei te ver nesse vestido de merda altamente sexy jogando na minha cara o que eu não podia ter. Te agüentar naquela maldita festa se esfregando em outros homens. Tive que lidar com a tua pequena rejeição na frente de todo mundo, depois com o teu chilique no meio da rua. – fui caminhando na direção dela como um felino cercando a sua presa. Ela prensou suas costas na parede apenas me olhando assustada e me ouvindo falar, fechando os olhos quando sentiu que eu grudava nossos corpos.

– Precisei passear contigo até a delegacia algemado e depois tive que aturar a tua petulância ao nem me dar boa noite quando chegamos em casa. Já que agora eu fui preso creio que já posso me considerar um desordeiro e desordeiros pegam o que eles querem. E no momento eu quero você.

Notas finais
Eu sei que vocês devem estar querendo me matar por ter terminado assim, mas no próximo vai ter o capítulo tão esperado, eu prometo. Ta corrido aqui hoje, então não posso falar muito. Comentem, recomendem, indiquem, favoritem. Beijo ♥