Notas iniciais
Olá pequenos gafanhotos. Sentiram saudades? O capítulo demorou, mas finalmente saiu e eu espero mesmo que ele tenha ficado bom. Gostaria de dedicar esse capítulo a duas pessoas que me tocaram com suas palavras. A primeira é a Annabeth Chase que fez a segunda recomendação da fic! *-* Eu amei cada palavra sua! E a segunda é a Evelin Valdez. Ela deixou um comentário no capítulo anterior que me emocionou de verdade. Vocês são um estimulo para que eu continue escrevendo e eu agradeço as palavras sinceras das duas. Me tocaram, de verdade. Eu prometi para as duas que iria fazer um capítulo a altura de todo o reconhecimento que recebi e admito que agora eu estou um pouco nervosa pensando se realmente cheguei perto. A única coisa que posso dizer é que não foi nada fácil escrever esse capítulo e que eu fiz realmente o que acredito ser o meu melhor para colocar em palavras tudo o que eu pensava para o bom andamento da fic. Enfim, esse capítulo é todo de vocês. ♥ Aos demais, apreciem a leitura, e nos vemos nas notas finais! ;)

O dia havia começado negro.

Eu encarava o relógio de mesa na minha cômoda com raiva. Os ponteiros do relógio pareciam zombar dos meus sentimentos.

Para começo de conversa ninguém parecia saber o que havia acontecido com Percy, e a única pessoa que parecia saber de alguma coisa, havia sido bem evasiva. Quando uma das empregadas disse que havia visto Nico conversando com Percy na madrugada antes do seu sumiço todos olharam pra ele de forma interrogativa, como se quisessem saber o mesmo que eu.

Nico desconversou dizendo que falaram amenidades e que Percy havia pedido o carro dele emprestado para ir a algum lugar sem dizer onde.

Ele não esboçou nenhuma reação quando disse isso, o que podia ser considerado muito suspeito. Até onde eu sabia Nico tinha um porche prata do último modelo e a preocupação que ele estava despendendo para com o carro era mínima. Dava para ver como era mentira, mas não consegui ficar sozinha com ele por tempo suficiente para arrancar a verdade. Ele parecia saber o que eu queria e se esforçava para fugir.

Então como se as coisas não pudessem ficar ainda piores, o carteiro chegou com uma carta. A conexão viria buscar Luke naquele mesmo dia ao meio dia e ele deveria estar pronto. Perguntei para a senhora Chevalier sobre o porquê daquela saída repentina, mas ela não sabia me dizer, ou pior, não queria me dizer.

– Você não pode ir!

– Annie... — ele me olhava triste enquanto secava as lágrimas do meu rosto. — Eu preciso.

– Por quê? — minhas palavras não passaram de um sussurro.

– Eu não sei. Só que... — hesitou. — Deve ser importante. Eles não me mandariam uma carta assim se não fosse.

Deixei que ele me envolvesse em um abraço apertado enquanto colocava seu rosto na base do meu pescoço aspirando meu perfume.

– Vou sentir saudades. – minha voz soou magoada como uma criança que não consegue o que quer.

– Eu também vou.

Ninguém fez nenhum comentário sobre a saída de Luke ou sobre o sumiço de Percy e eu comecei a acreditar, que as duas pessoas, as “ancoras” da minha vida, haviam sido arrancadas de mim por alguma piada maldosa do destino.

Agora eu encarava o céu nublado, sentada na cadeira de balanço na varanda do meu quarto, enquanto eu tentava afastar da minha mente os pensamentos tumultuados que estava tendo. Não pude evitar que a minha mente vagasse para o passado e foi entre lágrimas que eu me deixei cair na inconsciência.

No meu sonho eu estava novamente na baia de San Francisco. Eu estava deitada com meu pai na areia da praia e nos observávamos os desenhos que as nuvens formavam no céu. Meu pai sorria para mim o tempo todo, feliz por estar comigo enquanto brincava com o meu cabelo e dizia as suas teorias sobre qual era o desenho formado na nuvem. O sol brilhava lá no alto, mas não estava quente. A brisa era calma como um sussurro e os pássaros cantavam ao longe.

Eu estava na mesma poltrona de quando tive o sonho com Miranda, e mesmo sabendo que eu estava entregue a inconsciência o meu corpo se arrepiou. Eu podia pressentir que algo ruim estava para acontecer, mas observando a cena na minha frente eu não pude ver o que era até que aconteceu.

O céu ficou negro, e as nuvens adquiriram um tom vermelho sangue. Meu pai não sorria mais para mim, ele me olhava com ódio, raiva e repulsa. Meu coração se acelerou e eu quis sair da poltrona para proteger o meu “eu” criança.

Eu não sabia do que eu precisava me proteger, apenas tinha essa certeza cega de que precisava sair correndo dali. O meu “eu” criança se assustou com o olhar do meu pai sem entender o que estava acontecendo e então ele começou a mudar.

Seu semblante se tornou maligno, seus cabelos cresceram e o seu corpo se tornou menor. Os olhos adquiriram um brilho vermelho e os lábios se repuxaram em um sorriso cruel. O rosto do meu pai podia ser apenas um borrão indefinido até se solidificar no rosto de Miranda.

Foi com dor que observei enquanto minha versão mais nova olhou para todos os lados procurando uma resposta. Seu corpo se encheu de alivio quando viu que Luke vinha correndo na sua direção. Eu tentei gritar que aquilo estava errado, para ela se afastar, para correr para longe dele, mas não pude. Assisti entre lágrimas meu “eu” criança correr na direção de Luke e constatar que ele não parecia mais ele mesmo. Seu cabelo loiro não estava bagunçado do jeito que eu tanto amava e seus olhos não eram azuis.

Eles estavam do mesmo tom de vermelho que os olhos de Miranda.

– Luke? – meu “eu” criança choramingou quando olhou para seus olhos.

Luke não falou nada. Apenas repuxou seus lábios em um sorriso cruel antes de me atacar.

Acordei gritando com Percy ao meu lado na cama segurando meus braços.

– Annabeth! Sou eu! Annabeth! Pare!

Ele se esforçava para conter meu acesso. Uma parte pequena no meu cérebro processou o fato de que eu não estava mais na cadeira de balanço e sim na minha cama.

Quando me dei conta de onde estava me abracei a ele com força e eu chorei. Eu já não sabia mais pelo que eu chorava ou por quem. Ele apenas fazia carinho nas minhas costas enquanto deixava que eu arruinasse a sua camiseta.

– Shiiii... Ta tudo bem. Eu estou aqui. – ouvir as palavras que Luke havia dito para mim na noite anterior apenas fez minha crise de choro aumentar em uma nova rodada de histeria.

Afastei meu rosto da sua camiseta para encarar seus olhos verdes. Percy tinha cheiro de mar, como se estivesse surfando por todo o seu desaparecimento. Então algo fez um clique na minha cabeça e eu notei que ele estava ali, verdadeiramente ali. Os sentimentos se amontoaram dentro de mim e eu não consegui mais raciocinar.

– Percy...

Sem pensar pressionei meus lábios contra os dele, que pareceu muito surpreso com o meu gesto. A surpresa não o deteve por muito tempo e ele deixou que minha língua invadisse sua boca dando passagem para um beijo. Eu beijava Percy com ferocidade e sofreguidão, depositando naquele beijo toda a minha angustia.

Percy retribuía o meu beijo do mesmo jeito, como se aquela fosse ser a primeira e última vez que ele me beijaria. Era um beijo urgente e faminto. O meu corpo inteiro se aqueceu com aquele gesto. Meu coração palpitava de uma forma dolorosa no meu peito.

O beijo parecia errado, mas não me importei. Minhas mãos continuaram a bagunçar seu cabelo, puxando ele para mais perto de mim como se todo o espaço entre nos dois fosse errado. Eu senti quando Percy se deitou na minha cama sobre mim e deixei apenas que meus extintos me guiassem. Minhas pernas enlaçaram seu corpo e minhas unhas subiam arranhando suas costas puxando junto sua camiseta. Ouvi Percy gemer em satisfação enquanto apertava minha coxa e pressionava mais meu corpo contra o colchão. Então algo começou a dar errado.

Ele pareceu se dar conta do que estava para acontecer e seu corpo se retesou. Ele ficou tenso e esquivo e puxou minhas mãos para o topo da minha cabeça como havia feito na sala de boxe. Então ele partiu o beijo e apoiou a sua testa na minha deixando os olhos fechados.

– Não posso.

As palavras não faziam sentido se comparadas com a forma como o corpo dele parecia responder junto com o meu.

– Não pode? – falei ofegante.

– Não.

Ele continuava de olhos fechados, mas agora apoiava sua cabeça no meu pescoço. Sua respiração fazia cócegas no meu pescoço e a vontade de ter ele começou a crescer no meu peito de novo.

Ele ergueu os olhos para encarar os meus por segundos e não pude me conter. Selei nossos lábios novamente em mais um beijo feroz sendo correspondida por ele. Percy me beijava como nunca ninguém havia me beijado antes. Quando eu quis inverter nossas posições na cama ele pareceu se dar conta novamente e me afastou.

– Eu não entendo.

Ele se levantou de forma abrupta sem olhar nos meus olhos e caminhou em direção a porta.

– Eu mereço uma explicação! – minha voz soou ríspida.

Percy hesitou por segundos antes de me olhar no fundo dos meus olhos. Não sei o que procurava e o que encontrou, mas quando por fim pareceu se decidir seu olhar assumiu um tom frio e triste. Era um contraste e tanto com o que havia quase acontecido naquela cama.

– Eu não sinto o mesmo. – as palavras dele me açoitavam. — Sinto muito.

Não consegui esboçar nenhuma reação antes dele sair do meu quarto. Minha cabeça girava sem conseguir acompanhar os fatos daquela noite. Olhei ao redor do quarto tentando entender se aquilo era um sonho dentro de outro sonho, mas não era. Demorei um pouco para perceber que já era noite e que Luke iria embora ao meio dia.

Aquilo foi outro soco na boca do meu estomago. Na cabeceira da minha cama havia uma carta. Acho que li ela um milhão de vezes tentando entender o que aquelas palavras significavam.

Annabeth

Você estava dormindo quando fui embora, de modo que não pude (não quis) te acordar. Você dormia tão serenamente na cadeira de balanços que o máximo que eu pude fazer foi te colocar na sua cama. Eu espero que essas duas semanas passem voando.

Não sei se posso ter o direito de te pedir isso, mas peço que me espere. Acho que esse tempo longe vai fazer bem para ambos, e eu poderei pensar e você também. Então quem sabe as coisas sejam diferentes.

Talvez eu esteja sendo covarde te dizendo isso através de uma carta e não olhando nos teus olhos, mas não consegui reunir coragem o suficiente para dizer isso pessoalmente. Eu não sei o que sente pelo Jackson e o que sente por mim, mas precisava ser sincero.

Eu te amo à muito tempo. Não como uma amiga, mas como mulher, como alguém com quem gostaria de ter filhos e uma casa. Talvez um cachorro. Eu não quero te pressionar a me escolher ou a fazer uma escolha, mas essa distancia esta me matando.

Te ter tão perto e não poder te beijar e te tocar. Isso vem me deixando louco. Então a única coisa que eu posso pedir é que pense na possibilidade de nos dar uma chance. Independente de qual for a sua escolha saiba que eu sempre vou te amar.

xx

Seu Luke.

Então como se o destino quisesse dar o golpe de misericórdia meu celular tocou. Atendi sem olhar o nome de quem ligava dizendo o Alô sem prestar realmente atenção a quem falava comigo.

– Annabeth?

A voz grossa de meu pai ecoou através da linha. Fazia tanto tempo que eu não escutava a sua voz que ouvir ela fez o meu coração dar um salto.

– Pai? – minha voz deve ter soado um pouco incrédula.

– Sim Annabeth. – constatou. — Sou eu.

– O que?

– Eu liguei apenas para dizer que não vou poder entrar em contato pelo próximo mês. Não sei por que não me ligou sendo que pedi para que ligasse inúmeras vezes, mas a senhora Chevalier me assegurou que estava bem.

Meu pai continuava a tagarelar coisas sobre a viagem, mas eu havia parado de ouvir após ele dizer que não poderia entrar em contato pelo próximo mês.

– O que?

– Quando eu voltar eu te ligo. – o telefone ficou mudo.

Olhei para o celular, atônita. Então a raiva, o único sentimento que ainda não havia comparecido naquela noite apareceu. Ela chegou esbaforida dizendo “nossa me desculpe, o transito estava de matar, mas agora cheguei!”. Senti meu corpo sendo preenchido com aquele calor que emanava dela e então todos os sentimentos se amontoaram e explodiram.

Sai do quarto marchando descendo as escadas, determinada a fazer algo que nem eu sabia direito ainda o que era. A sala estava cheia de gente e sentado no sofá com uma garota segurando a sua mão estava Percy. Aquela cena foi demais para mim.

Eu enviava um olhar assassino a todos daquela sala e todo mundo me olhava de forma curiosa. Algo havia mudado dentro de mim e eu não me sentia mais normal.

– Annie?

Corri até a porta quando Thalia quis vir na minha direção. Na minha cabeça tudo começou a passar como em um filme. O beijo com Percy seguido de sua rejeição, depois a carta de Luke e por fim a ligação do meu pai. Meu coração não conseguia sentir mais nada. Ele havia se solidificado após ser muito mal tratado.

Ao fechar aquela porta atrás de mim, naquela noite fria de outono, eu estava deixando algo além. Deixava tudo o que fora até aquele momento. A passos largos eu segui, os ponteiros do relógio andavam rapidamente, da mesma forma, que meus passos aceleraram. Sem olhar pra trás, sem questionar ou temer, eu ia. Já havia passado da hora de romper com o que me prendia ao passado.

Nada estava acontecendo como eu gostaria. Eu não queria atos extremos, nem bruscos, mas assim foi. E não fosse assim, jamais aquele ciclo teria se fechado. Não foi o que eu sonhei, não era essa a lembrança que eu queria guardar desse momento. Fechar meu coração para sentimentos e partir por um caminho onde estavam meus ideais e de certo modo minha alegria não foi tarefa fácil.

Para trás ficaram sorrisos e sonhos que jamais seriam realizados e um vazio que pode nunca ser preenchido. Olhei para minhas mãos como se pudesse ver meu rosto refletido nas suas palmas. Depois olhei para o céu nebuloso fazendo uma promessa muda a mim mesma. Meu nome era Annabeth Chase e eu não permitiria que ninguém nunca mais me machucasse.

Lágrimas rolaram por meu rosto, na brisa fria, os passos apressados, depois da porta.

Notas finais
Gostaram? Comente, recomende, favorite e acompanhe. Se você leu o capítulo anterior e ainda não comentou, peço que comente. A opinião de vocês é realmente importante para mim. Beijos, Eu amo vocês ♥