Taste of danger - Percabeth
7 Pênis de borracha são tranquilizantes... Ou não!
Notas iniciais
– E então... – Thalia perguntou enquanto olhava desinteressadamente uma vitrine. – Quando pretende dar cabo do Luke?
Corei. Olhei para os lados para ver onde os garotos estavam. Eles estavam a umas três lojas à frente olhando materiais de esporte. Nico estava com eles, mas parecia insistir para voltarem para onde estávamos. Ele queria ir à loja ao lado onde havia objetos e roupas para roqueiros, mas Thalia havia o feito prometer que ia esperar por ela para entrar naquela loja.
– Do que você ta falando?
– Annabeth, você e Luke andam pra cima e para baixo como namorados.
– E o que isso tem demais?
– Bom, não acha que Luke pode estar esperando alguma coisa? – Piper falou enquanto pegava um conjunto de lingerie vermelha. O conjunto era um corpete vermelho com cinta liga. Muito sensual. O vermelho iria realçar a pele clarinha dela.
– Meu irmão vai gostar desse. – Thalia deu um sorriso malicioso com o pensamento.
– Eu gostei desse também? – ela mostrou um conjunto preto. Elas me ignoravam e eu tentei de novo.
– E porque ele esperaria algo?
– Annabeth, pelos deuses, não é óbvio? – elas andavam pela loja sem parar para falar comigo. Aquilo estava me incomodando. Se íamos ter aquela conversa, teríamos ela direito.
– Não para mim!
– Ela ainda não reparou. – Piper falou debochada enquanto olhava alguns objetos de sex shop.
Thalia deu um suspiro.
– Como é possível? Ela tem dois e não reparou? – agora ela havia se virado para Piper e as duas mantinham uma agradável conversa sobre mim.
– Não sei o que se passa na cabeça dela. – Piper assentia negativamente. — Deve ser cega.
– Se eu tivesse os dois se degladiando por mim trataria logo de me decidir. – Thalia faltou enquanto brincava com um pênis de borracha.
– Pois é, quem pensa demais fica sem nenhum. – elas pareciam ter se esquecido completamente da minha existência.
Ambas pegaram um pênis na mão e faziam deles como espadas de esgrima. As clientes da loja nos olharam estranho e eu arranquei aquelas coisas das mãos delas.
– Oi? Eu estou aqui caso ainda não tenham reparado. – falei azeda enquanto recolocava os brinquedos na prateleira.
Piper deu de ombros.
– Não podemos fazer nada se você ta dormindo no ponto Annie.
– Eu não estou dormindo no ponto!
– Você ta cozinhando o Luke isso sim! — Thalia falou apontando outro pênis para mim de forma acusadora.
Olhei ressentida para elas. Qual era o problema delas com aquele negocio.
– Eu não... – hesitei por um segundo antes de arrancar aquele treco da mão de Thalia que agora tentava passar a ponta dele na minha boca.
– Não estou fazendo isso! – falei enquanto recolocava novamente o pênis na prateleira.
– E ela ainda tenta negar. — Piper riu sem vontade pegando o pênis novamente.
Senti meu corpo se encher de uma raiva irracional.
– Vocês duas estão sendo absurdas. – falei agora pegando eu mesmo um pênis da prateleira. — Não tem nada entre Luke e eu e nem temos intenção que tenha. – eu apontava o pênis na direção delas enquanto falava.
– Nós dois nos criamos juntos. Ele é como um irmão. – agora eu falava totalmente exasperada. — Porque vocês precisam sempre aumentar tudo?
– Annie porque pelo menos uma vez nessa vida não escuta o que eu e Thalia estamos falando? – Piper pegava umas bolinhas de gel. – Será que o Jason vai gostar disso?
– Essas são aquelas que explodem dentro? – Thalia pegou a embalagem pra ler. – Mas essa não esquenta. Tem aquelas que esquentam? – ela se virou para a vendedora.
A vendedora assentiu e foi até uma prateleira para pegar. Entregou a Thalia que colocou tudo dentro do cestinho.
Ambas me olharam sérias e eu cruzei os braços na frente do meu corpo com o pênis de borracha ainda nas mãos, enquanto esperava quieta por mais.
Piper veio na minha direção colocando suas mãos sob meus braços enquanto olhava nos meus olhos.
– Annabeth, não queremos que fique chateada. Só que todo mundo já percebeu o modo como Luke te trata e te olha. Você fica feliz perto dele. Se estar com ele é tão bom, porque agir como se fosse tão errado?
– É Annie! Ninguém esta negando que vocês são bons amigos. Estamos apenas falando que ele pode não querer somente isso.
– Não é assim entre a gente. – falei baixinho.
Thalia deu um suspiro. Piper olhou para Thalia como se dissesse: bata com algo pesado na cabeça dela, por favor.
No fim das contas levamos três pênis de borracha (não perguntem), dois tubos de óleos que esquentam cinco pacotes de bolinhas que explodem dentro (duas que esquentam e três de sabor), um par de algemas (não perguntem de novo) e o corpete vermelho que Piper havia gostado.
Piper e Thalia saiam da loja e entravam em outra de roupas. Os meninos agora nos esperavam sentados pacientemente em um banco mais longe. Antes de começarmos a caminhada Piper havia deixado claro que precisávamos de um pouco de espaço.
Nós todos observamos com um sorriso contido enquanto ela falava com o namorado mais cedo, SE VOCÊS VIEREM XERETAR O QUE ESTAMOS FALANDO EU ARRANCO O PÊNIS DE VOCÊS FORA. Assim. De uma forma bem doce e educada.
Eu me sentia tonta com o tiroteio de teorias. O pior de tudo é que elas não pararam por ai.
– E o Jackson?
– O que tem ele? – falei enquanto olhava algumas blusas numa arara próxima tentando parecer desinteressada. Elas perceberam que fiquei nervosa.
– Quando vai abrir os olhos e notar que o Jackson ta lambendo o chão que tu pisa?
E então eu ri. A reação foi tão espontânea que pegou até a mim mesma de surpresa. O pior de tudo é que não foi qualquer risada. Era uma risada histérica, alucinada, como se eu tivesse me drogado.
–Voc... – me segurei com força na arara enquanto continuava rindo. — Vocês ach... – outra crise histérica. — Eu e o Jack... Jack... Jackson... — elas me olhavam como se eu tivesse algum retardo mental e a loja inteira se virou para nos olhar. Mas eu não podia evitar. Não conseguia mais controlar minhas reações. Era como se Piper e Thalia tivessem testado todos os níveis da minha sanidade e agora meu cérebro tivesse pifado. Continuei rindo até que senti lagrimas caindo pelo meu rosto e minha barriga doendo.
Segurei com mais força na arara segurando a barriga tentando me acalmar.
– Não vi a graça. -Thalia comentou acida.
–Muito menos eu. — Piper constatou.
Tentei me recuperar o máximo que eu pude para não rir de novo. Depois do episódio com Percy na sala de boxe eu não me sentia normal.
Joguei essa lembrança para o baú mais escondido da minha mente e o tranquei. Aquele não era o momento para lembrar as sensações que ter o corpo dele junto do meu causava em certas partes do meu corpo.
– Desculpem. – falei ofegante enquanto secava as lágrimas que haviam escorrido. – É que vocês se superaram nessa.
Elas não falaram nada. Me olhavam de um jeito meio louco e depois o olhar de ambas se suavizou o que me deixou meio cabreira.
– Pretendem levar o dia todo? – dei um pulo quando escutei a voz de Luke vinda da porta.
– É Pipes. Já é quase meio dia. – Jason comentou. – Estou com fome.
Piper rolou os olhos para o comentário do namorado.
– Quando ele não ta com fome?
Ela largou as blusas que ela tinha na mão em alguma arara qualquer e caminhou na direção do namorado. Jason a pegou pela cintura, levantando ela no ar, e a rodou. Eles eram um casal muito feliz. Piper ria enquanto ele a rodopiava.
Quando ele a soltou, depositou um beijo leve nos seus lábios. Sabia que não deveria sentir ciúmes do relacionamento da minha amiga, e muito menos inveja, mas foi difícil realmente controlar o sentimento. Olhei para Luke pela primeira vez pensando no que elas haviam me dito. Se ele realmente estava esperando algo mais do que eu estava oferecendo.
Então meu pensamento voou de forma teimosa para Percy. Ele havia dito que iria se encontrar conosco ali, mas não havia aparecido até então. Luke veio na minha direção pegando minha mão. Senti uma sensação incomoda. Não era mais como no começo que podíamos passear por ai de mãos dadas sem que eu pensasse que poderia estar fazendo algo errado.
Malditas Piper e Thalia que me faziam pensar naquelas coisas.
Ninguém comentou nada sobre Percy durante todo o caminho até a praça de alimentação. Eu estava pronta para perguntar quando Jason puxou o celular.
– E ai sua bichona! – ele ria sobre o comentário de alguém.
– Pretende chegar nessa vida ainda? – meu coração se agitou. Ele estava falando com Percy?
Tentei chegar mais perto para escutar.
– Estamos indo para o burger king. Vem logo.
Jason riu mais um pouco e depois seu olhar mudou. Ele assumiu um tom sério e divertido.
– Eu já esperava por isso.
Então as coisas começaram a ficar estranhas.
Jason olhou na minha direção por segundos, mas o olhar dele estava carregado de um toque divertido. Ele parecia curioso para saber o desenrolar de alguma coisa.
– Tem certeza? Ainda dá para voltar atrás Jackson.
Ele riu alto ao escutar alguma coisa e então murmurou um se divirta antes de desligar. Ele se virou para beijar Piper e me olhou novamente por segundos. Jason estava com um brilho divertido nos olhos que fez eu me sentir inquieta.
Piper fez então a pergunta que valia um milhão de dólares.
– Ele não vem?
– Não. – uma risadinha sacana. – Ele esta... – um pigarro. -Ocupado.
Todo mundo olhou pra ele curioso, mas Jason não abriu aquela maldita boca pra dizer nada.
Onde estaria Percy? Em casa? Treinando? Com... Alguém?
Fiquei agitada. Agitação essa que Luke percebeu.
– Ta tudo bem? – ele sussurrou no meu ouvido.
– Sim. — respondi baixinho.
Piper e Thalia não paravam de me dar olhares significativos. Sentamos para comer e eu já estava louca para voltar pra casa. Jason comeu dois burger king e eu me assustei pensando mesmo onde cabia tanta comida. Piper olhava para o namorado estufado com reprovação.
– Não precisava comer como se essa fosse à última refeição da sua vida.
Mas Jason não deu bola. Eu olhava com desinteresse para o meu hambúrguer. Depois do almoço saímos para caminhar mais um pouco. Na verdade tentei prestar atenção no passeio e me divertir com meus amigos, mas minha cabeça estava longe.
Nico convenceu a todos a ir jogar na sala de jogos do shopping. Todos adoraram a ideia e compramos muitas fichas para jogar.
E até que foi mesmo divertido.
Teve competição de dança, competição de escalada, e competição de fliperama. Quando finalmente chegou à hora de ir embora eu suspirei em alivio.
É claro que ninguém viu isso. A não ser Nico, Piper, Thalia, Luke e Jason. É! Quase ninguém.
Ninguém disse nada. Caminhamos em silencio pelo estacionamento até o carro. Eu estava de braços dados com Thalia enquanto Luke tinha uma conversa animada com Nico. Graças aos deuses ela estava quieta. Mas depois de um tempo aquilo me deixou mais agitada, pensando no que ela poderia estar pensando.
O caminho no carro foi silencioso também. Fiquei distraída brincando com o pênis de borracha na minha mão como se ele fosse aquelas bolinhas de ginástica laboral. Quando finalmente chegamos à frente da mansão e eu vi os dois carros serem estacionados eu praticamente corri para dentro de casa.
Estava com uma péssima sensação. Eu agarrava o pênis de borracha nas duas mãos como se aquilo fosse minha tabua da salvação. Antes de entrar olhei na direção de Jason que parecia mesmo estar se divertindo agora. Ele estava com expectativa. Sobre o que eu ainda não sabia, mas tinha uma vaga sensação de que me envolvia.
A principio não notei nada de diferente na mansão. Caminhei de forma lenta pelo corredor central, segurando em uma das mãos a sacola de compras e na outra o pênis de borracha, vendo com certa náusea uma peça de lingerie caída no chão. Olhei na direção da porta que dava acesso para o jardim e senti minhas pernas se moverem por vontade própria para a área da piscina.
Olhei para todos os lados e não vi nada. As paredes de vidro da hidromassagem estavam abafadas. Havia música lá. Mesmo daquela distancia eu pude ouvir uma risadinha fútil vindo de lá.
Meu corpo inteiro pareceu se encher com um liquido fervente. Eu estava pegando fogo. Meu coração martelava no meu peito. Com uma certeza cega andei na direção da casa de vidro. As portas estavam fechadas. Pelo caminho havia mais peças de roupas pelo chão.
Demorei um pouco para perceber que era muita roupa para apenas duas pessoas. Ouvi alguém falar algo atrás de mim, mas não prestei atenção. Eu estava cega. Cega pela raiva. Eu podia sentir o gosto da loucura. Então eu localizei o alvo. As portas de vidro pareciam sussurrar para que eu as abrisse. Você quer descobrir o que tem aqui atrás? Me abra! Olhei para elas como se eu pudesse as fazer derreter apenas com o meu olhar.
Marchei na direção da porta, ainda segurando o pênis de borracha como se ele fosse uma arma, olhando com certo desgosto para a calcinha pendurada na fechadura.
Ao abrir as portas e me deparar com aquela cena a minha fúria finalmente explodiu.
Fale com o autor