Antes: Gui já tinha chegado, minha discussão com ele certamente não começaria ali, eu o pegaria desprevenido

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Minhas mãos estavam suando, a bola de boliche não encaixava direito e eu estava com uma baita dor de barriga, eu não queria fazer coco mas parecia que tinha comido algo estragado, que estranho. Louis e Guilherme na pista do lado não paravam de rir, e eu sabia que era de mim, mesmo as meninas não conseguiam conter o riso, estava ficando agoniada, Paul parecia não ligar, ou talvez seja tão tapado que não percebeu o clima estranho, a segunda opção fazia mais o estilo dele. Tomei meu suco e segui meu caminho, me despedi de todos e sai, teria muito o que andar, mas amanhã Guilherme vai me escutar.

– A mãe já chegou? – entrei empurrando a porta com força para que ela fechasse sozinha.

– Claro que não né. – Carla apareceu com algo verde e gosmento na cara na porta do banheiro. – Nem brinca com isso estou usando o creme de pepino dela, se ela ver me mata.

– Credo guria, tira isso da cara.

Sentei ao lado de Evelyn no sofá, tentei entender qual a programação mas não entendia bulhufas do que diziam, passei a mão ao meu redor procurando o controle que por razões obvias ela o segurava nas mãos em sinal de reprovação caso eu quisesse trocar de canal, mas foda-se ela, sou mais velha.

– Controle por favor. – estendi uma das mãos.

– Eu to vendo.

– Não me interessa, o controle. – exigi com a mão ainda estendida. – Vamos, amanhã vocês tem aula, e já tá na hora de criança dormir. Carla tira esse meleca da cara e vai dormir.- Ev bufou mas me deu o controle.

– Boa noite. – disse ela em direção ao quarto.

Deitei me esticando completamente, e voltando a me encolher em um tamanho que coubesse no sofá – confortável? Confortável. – falei sozinha.Agarrei a almofada e fiquei observando a TV, peguei no sono em 10 minutos de programação era incrível como deitada na cama eu demorava a pegar no sono e ali no sofá em frente a TV eu dormia tão rapidamente. Acordei de madrugada com a TV desligada, e com uma coberta, com certeza minha mãe já havia chegado. Deitei na minha cama pensando poder terminar minha noite de sono ali, engano meu. Revirei o resto da noite, liguei PC e coloquei uma play list pra tocar, li, pintei a unha do pé, mas nada do sono, procurei deitar e exigir que ele viesse e depois de muito pensar na vida e o quão merda ela estava peguei no sono.

–‘ Acordei pela manhã e fui pra academia, como sempre, Paul malhava em um aparelho próximo ao meu, e mesmo podendo dar conta do peso pedi sua ajuda, mas ele falava outra língua, sei lá, acho que era alemão por que parecia um monte de palavrão, ETA língua estranha alemão, e para meu desespero eu não falava a mesma língua e fiquei igual uma tansa olhando pra ele, como se pedisse desculpa’.

– Que sonho mais idiota Camila. – Carla se intrometendo na conversa.

– Na verdade estranho. Cadê a mamãe?

– Não sei, ela não dormiu em casa. – nesse mesmo instante alguém entra pela porta dos fundos, na ponta dos pés procurando ser invisível.

– Sabemos que é você Anna Stella. – Evellyn

– Onde você estava? – perguntei impaciente.

– Sai com o Roberto ontem a noite, e resolvi ficar na casa dele. – Quem era esse tal de Roberto? AAAA que o sangue subiu pra cabeça, ela tinha 2 filhas menores que ainda dependiam dela, eu também sou menor de idade mas sei muito bem me virar, o que ela pensa que está fazendo? E não teve nem a responsabilidade de avisar ninguém. Odeio essa mulher.

– Vou pra escola, tchau. – dei um beijo na testa das meninas e sai esbarrando na Anna. Eu sei que ela é minha mãe, e blá blá blá. FODA-SE não sou obrigada a gostar dela, queria que meu pai não tivesse me abandonado, tudo seria diferente. Lembra quando disse que sempre quis matar aula, mas nunca sabia para onde ir? E nem o que fazer lá? Pois bem, vou descobrir hoje.Esperei minha mãe levar as meninas ao colégio e aproveitei pra esconder a mochila debaixo da cama e trocar de roupa, vou a praia. Remei até a avenida principal liguei para Janiane amiga parceira que sempre me acompanhava quando eu decidia fazer alguma coisa fora da ‘lei’.

Sentei na areia quente e observei a quantidade de pessoas que haviam na praia, será que todas elas estavam matando aula como eu, ou eram ricas o suficiente para não trabalharem no período da manhã? A segunda opção era mais viável, pois eu estava em jurerê internacional, praia de gran fino. Peguei o skate e coloquei debaixo da bunda por que a areia estava muito quente, jani já estava no mar paquerando um surfista gato, eu por minha vez fiquei na areia sentada observando... de um lado uma criança porca com o punho enfiado no nariz limpando o salão, do outro uma senhora gorda pegando sol de bunda pra cima, eu estava mesmo em jurerê? Tirei a blusa e o shorts e fiz um montinho e entulhei tudo encima do skate junto com as coisas da Jani, e fui tomar meus caldos.

–‘E se talvez eu ficar por aqui? Talvez elas fiquem melhor sem mim, talvez minha mãe volte a ser feliz, e meu pai retorne, talvez eu seja só mais uma idiota tentando ser feliz. O talvez é uma palavra que aparece constantemente no meu vocabulário, talvez eu tenha que trabalhar em talvez mais convincentes’ – voltei enchendo os pulmões de ar e buscando uma explicação para esse meu momento depressão, nunca fui assim, ainda tenho muito o que incomodar. Voltei para a areia procurei Janiane na areia, arrumei minhas coisa, me vesti e segui meu caminho ao som de ACDC. Cheguei em casa um pouco depois das gêmeas, incomum mas elas não abririam a boca pra contar nada.

– Lari esteve aqui. — Carla

– Lari? – fiquei imaginando quem seria.

– É... a nova vizinha, a que se mudou para casa do Harry. – Não acredito que aquela era a nova vizinha. – Onde você estava?

– Na praia. Tá mas o que ela veio fazer aqui?

– Se apresentar, ser uma boa vizinha, coisa que deveríamos ter feito. – Evellyn.

– Acredita que ela é do Rio, veio pra cá para estudar, é 3 anos mais velha que você e mora sozinha com o namorado ali? – me olharam surpresas.

– Idai? – falei frustando-as.

– Idai que você também devia arranjar um namorado, de preferência bonito como o dela, e sair de casa.

– HAHA – ri sarcástica. – Não enche. – me tranquei no quarto e passei a tarde jogando Black no play, e imaginando como era morar sozinha longe dos pais, tento toda a liberdade e independência financeira, um namorado que andasse de skate comigo e curtisse jogar play, e preferisse mexer na internet e ver filmes da Marvel ao invés de sair para balada. Não custa sonhar.


Notas finais
talvez ela esteja exigindo de mais, e não esteja procurando nos lugares certos