Talvez...
3 Capítulo 3
Antes: Como de costume fingi prestar atenção anotando algumas coisas no caderno, mas na verdade a desenhava com uma bela berruga no nariz e dentes podres.
‘Por favor preciso que essa aula acabe logo, to morrendo de tédio, e olha que é apenas a primeira aula.’
~
O dia estava bonito lá fora, de dentro de casa eu via o vento soprar as folhas que se entulhavam em um canto da cerca, não tinha aula, eu ficaria o dia todo andando de skate e depois sentaria embaixo de alguma arvore e aprenderia a tocar alguma coisa no violão. O QUE? NÃO TINHA AULA? Bom... acordei do sono profundo e do sonho impossível, pois além de estar na escola, lá fora a chuva marcava presença, o sinal para o intervalo me acordou de tal ilusão. Arrumei a mochila, a enchi de nada, que era o que eu trazia para a escola,na verdade eu trazia meu caderno de desenho com meus lápis, e é claro o celular e o mp3, guardei tudo e fui para o refeitório, um dos milhares de ambientes propícios para a criação de macacos em extinção,ou qualquer coisa que não tenha o cérebro mais desenvolvido que aquela vaca que aliás além de ser fêmea alfa do habitat e também futura rainha do baile namorava o cara mais gato da escola, clichê, queria vê-lo namorando uma esquisita como eu, TE DESAFIO BONITÃO, garanto que ele não daria conta, sou muita areia pro caminhão dele -sqn-. Eu já namorei uma vez, um cara bem gato eu tinha uns 13 anos e ele 9, eu era A top na rodinha de amigos dele, só que não deu certo ele era muito infantil, não levava nada a sério. Harry nunca deixava barato quando se tratava dessa história, sempre tirou sarro da minha cara por esse namoro, a mas foda-se ele, fui feliz enquanto durou, confesso que tudo o que disse sobre esse assunto até agora é ridículo, mas Harry adorava relembrar essa história, afinal estou lembrando muito dele nos últimos dias, estranho... até agora havia simplesmente bloqueado essas memórias. Voltando ao hospício, zoológico, manicômio ou escola como as outra pessoas costumam chamar, estava uma loucura, piorando a cada dia, Manu, Karlla e Helena não paravam de falar, Louis e Gui do outro lado da mesa roubavam a comida um do outro como se fossem 2 crianças, Niall o mais novo integrante da ‘turma’ estava sentado ao lado da Manu procurando entender a diferença entre poliéster e algodão enquanto elas discutiam o tecido para o vestido.
- Esquece amigo, nem eu consigo entender isso. – falei me juntando a ele próximo a Manu.
- É ta meio difícil, mas não tenho muitos amigos por aqui, sou novo, Manu me adotou. – ri enquanto ele não tirava os olhos e os ouvidos delas.
- Pois bem, bem vindo ao inferno.
A porta da frente ainda estava trancada quando voltei da escola, era cedo, Carla e Evelyn ainda não haviam chegado da escola, eu também não teria chegado tão cedo se não fosse essa chuva, fiz Karlla me trazer até aqui, por sorte a chave extra ainda estava debaixo do tapete da porta de trás aonde eu mesma havia escondido para papai quando viesse buscar suas coisas, ele não veio, nem ligou, esqueci a chave e queimei as roupas do guarda roupa, dramático? Nem um pouco para uma menina de 13 anos, que surtou com a separação dos pais, os meninos me aguentaram por um tempo mas com o passar do tempo fui piorando e virei o que sou hoje, talvez numa versão melhorada depois da morte do Harry, mas chega de falar disso. Sentei no sofá e desejei profundamente ter algum tipo de poder que trouxesse o controle da TV até mim, a preguiça estava me matando, vendo que não havia solução peguei no sono ali mesmo.
- OOOO VACA ACORDA. – pulei do sofá com o susto.
-Hã? – falei ainda meio lezada.
- Levanta demônio. – era Helena. – Um sol desses lá fora e você aqui dormindo?
- Me poupe Helena, em que mundo que tu vive? Tá chovendo ainda. – corri até a janela pra confirmar o que dizia apenas por precaução.
- Tá foda-se, vamos sair se arruma.
- Mas e as 2? – apontei para Carla e Evelyn que discutiam na cozinha.
- I daí? – a encarei. – Elas sabem se cuidar, são bem grandinhas. Não são meninas?
- Somos. – disseram em coro.
- Te troca molambenta, e nada de tênis e camiseta do ramones, coloca algo bonito vamos ao ‘Submarino’ e adivinha quem vai tá lá?
- Andrew Garfield? – adoro esse menino, tão gato, ai senhor.
- Não né tansa.
- Então não tem sentido eu me arrumar.
- O Paul vai estar lá. – ela me olhou com se tivesse pisado no meu calo, e deu uma piscadinha maliciosa.
- Maldita, o que você fez? – falei a fuzilando com os olhos e avançando nela ao mesmo tempo. – Não acredito.
- Não fiz nada sua louca, quem fez foi seu amigo Guilherme. – FDP. – e agora você pode me soltar?
A soltei me afastando da sala e indo em direção ao meu quarto, Paul não era popular, era gente como eu e meus outros amigos,era gandula do time de futebol, e participava do grupo de matemática, ele fazia o estilo nerd despojado,e era um ano mais velhos que eu, nunca nos falamos mas sempre fui apaixonada por ele, bem estilo amor platônico como Platão explicava, eu o idolatrava e ele nem meu nome sabia, mas já estava acostumada a ser ignorada. Louis e Gui o conheciam, tinham amigos em comum, e pelo que Helena explicou eles o convidaram para jogar boliche, eu sabia que Guilherme tinha algo a mais em mente ele não dava ponto sem nó, adorava me sacanear. Coloquei a primeira roupa que encontrei no guarda roupa, não iria dar esse prazer a Guilherme, tentaria agir naturalmente, e eu sei que consigo.
O lugar estava lotado, e diferente desde a ultima vez que havia vindo ali,os meninos aguardavam nossa vez em umas das mesas próximas a pista, cumprimentei Karlla e Louis com um beijo descontraído, Manu e Niall que chegaram pouco depois de nós, e Paul e sua queridíssima irmã Suzy que estavam de pé apoiados na cerca que fazia as divisórias, Suzy ia na mesma sala que eu, e não nos dávamos bem, ela era uma popular, um pouco esquisito, geralmente o irmão mais velho é o popular, capitão do time de basquete e namorado da lider de torcida mais gata, e a irmã mais nova é a recalcada, nesse caso eles quebraram o protocolo, sorte minha, ou não, por que por mais que ele não fosse popular ele era bonito. Mas enfim aonde estaria o traidor?
- Cadê o Guilherme? – perguntei sentando ao lado de Karlla
- Já deve estar vindo, teve que ir em casa, algo com a mãe dele, sei lá. – Louis.
- Ata. – falei em voz alta. – E por que essa idiota tá aqui? – apontei Suzy com a cabeça, e num tom que apenas Karlla e Manu pudessem ouvir. – Cadê os amiguinhos dela?
- Paul disse que a mãe deles só a deixa sair se ele estiver junto. Engraçado né? Nós temos a mesma idade, e vamos aonde queremos. – rimos juntas.
- Tansa. – disse em voz alta, adorava provocações.
Mas antes mesmo que nós começássemos a jogar, ela já tinha ido embora com seus amiguinhos, disse algo como : — Vocês mancham a minha reputação. – e foi embora, dei graças e voltei para junto dos meus. Gui já tinha chegado, minha discussão com ele certamente não começaria ali, eu o pegaria desprevindo
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