Antes: – Me chamo Larissa, prazer. – fiquei fitando-a imaginando quem havia perguntado. – e o seu é?

– Camila. – levantei agarrando o skate e virando as costas seguindo em direção ao ‘lar’.

– Nos vemos por ai. – gritou.

– Ou não.- falei num tom que apenas eu poderia ouvir.



~


Corri para casa aonde pude enfim me jogar no sofá.Na TV clipes de artistas antigos, que num geral eu gostava mais o que precisa no momento era uma boa dose de pop atual, me sentia dolorida, e um pouco FODA pela maneira fria que havia tratado a ‘estranha’, sim na verdade a estranha aqui sou eu.

– Evelyn vem aqui. – gritei levantando do sofá e indo em direção ao banheiro. – Aonde está sua irmã?

– Aquela que por acaso é sua também? – ri com sua piada sem graça. – Carla está La fora, o que você quer?

– Não saiam, não conversem com ninguém, liguem a TV e se empanturrem de pipoca, preciso dormir.

– Não enche. – revirou os olhos e saiu.

– Me escutasse né?

– Tá, tá chata.

Liguei o chuveiro para que o mesmo estivesse na temperatura certa quando eu finalmente decidisse entrar para tomar banho, ajeitei o espelho na direção que pegava mais luz no rosto e me coloquei a espremer os cravos que insistiam em existir aonde não deviam. Quando ‘terminei’ me vi com o rosto cheio de bolinhas de inchaço. – Tais certíssima Camila. – falei vendo a burrice que havia feito.Me debrucei no Box colocando uma das mãos debaixo da água quente que caia, tirei a roupa, joguei no cesto logo atrás da porta e liguei o celular com minha playlist favorita e entrei no ‘palco’, entrei com tanta rapidez que quando a água entrou em contato com os ferimentos recuei o mais rápido possível colocando uma das mãos na boca para não gritar de dor, voltei agora com mais cautela que a ultima vez e enfim tomei meu banho. Já de banho tomado coloquei meu pijama velho, gasto mais incrivelmente confortável e morri na cama.

Acordei com o barulho de pratos na cozinha, imaginei que as gêmeas estivessem aprontando, segui devagar até o corredor que dava para o cômodo da onde o barulho vinha.

– O que você está fazendo aqui? – entrei na cozinha assustada.

– Carla me deixou entrar, disse que estava dormindo e resolvi pegar alguma coisa pra comer enquanto esperava.

– Mais você é folgado mesmo hen Guilherme, puta que pariu. Não mexe nisso. – o encarei tirando o pacote de chips de suas mãos. – O que você quer? E que horas são? – Guilherme era meu vizinho de frente, meu melhor amigo desde sei lá 3 anos de idade.

– São 5 horas da tarde dorminhoca, e respondendo sua segunda pergunta vim saber como você está, nem nos falamos hoje no colégio.

– Me engana que eu gosto, o que você quer? – ele rio.

– Bem viu a nova vizinha? Mó gata, e como ela mora do lado da sua casa vim ver se existe algum cômodo que de pra espionar sem causar constrangimento ou que me leve a ser interrogado pela policia.

– Nova vizinha? O que? Eu durmo por pouco mais de 4 horas e já invadem a casa do seu Mauro? – ri mais algo me dizia que não era a casa dele que haviam alugado.

– Bom não foi bem essa a casa que foi invadida. – fez aspas ao dizer a ultima palavra, dando ênfase. Percebi ele engolir em seco e pensando como continuaria a contar a novidade. – Eles se mudaram para a casa do Harry.

Talvez eu não devesse reavivar essa história, mais devo uma explicação e conformismo a mim mesma. Harry assim com Guilherme era meu melhor amigo, nos conhecemos na mesma época estudamos na mesma sala desde sempre, mas como a vida não é simples e muito menos justa com ninguém levou um de meus amigos embora, mas não contente com a saudade que a distancia com certeza deixaria ela o levou do mundo a exatos 11 meses atrás. Percebendo o estado de choque em que havia entrado após a noticia voltei a mim, poucos segundo depois.

– Que bom. – segui para o quarto e voltei a dormir como se não houvesse amanhã.

Acordei com o despertador tocando uma das minhas músicas preferidas drunk- Ed sheeran, engraçado e talvez um pouco contraditório, minha música preferida para o pior momento do dia. As gêmeas já estavam sentadas no sofá vendo algum tipo de noticiário matinal, essa mania de estar sempre muito bem informadas me cheirava a nerdisse, e isso me irrita,mais pra alguma coisa sempre servia...

– Meu dever? – perguntei sentando no balcão a fim de preparar o café da manhã.

– Em cima da mesa queridinha. – Carla.

– Não acredito que você fez elas terminarem seu dever de novo Camila?

– Fazer o que né... elas ficaram com o cérebro da família, e eu com a beleza. – todas riram.

O convívio com minha mãe era intenso e doentio, nunca nos demos bem ainda mais depois que meu pai nos deixou, sempre a culpei, a única coisa que ainda me mantinha nessa casa eram as gêmeas, elas já não eram bebês, na próxima semana completariam 15 anos, podiam muito bem tomar conta uma da outra, afinal minha mãe passava sei lá meia hora em casa, eu particularmente só a via no café da manhã, mas mesmo assim não as deixaria sozinhas aqui tendo que aguenta-la. Bom... é hora de encarar mais um dia estúpido e inútil naquela escola, peguei o skate e encaixei os fones no ouvido pressionado como se o volume pudesse ficar ainda mais alto do que já estava, pensei diversas vezes em matar aula, mais eu iria para onde? E faria o que quando chegasse lá? Não me importava em rodar, afinal meu destino era viver para sempre com minha mãe, quando tivesse idade trabalharia em uma lanchonete chinfrim na beira da estrada, atendendo as pessoas que realmente sabiam curtir a vida, os mochileiros. Harry, Guilherme e eu sempre tivemos esse sonho em comum, talvez viajássemos uma boa parte juntos, mais eu tinha planos e interesses diferentes deles, queria conhecer o México, e suas famosas tequilas, Egito e as lendárias pirâmides, eles apenas queria viajar e andar sem destino. Voltar a realidade agora era uma obrigação, o assunto baile já me não me incomodava mais, o por que eu não sei, Guilherme iria com Helena obviamente, Karlla com Louis, Manu com um carinha ainda mais esquisito que eu, mas que era popular Niall se não me engano, e eu? SOBREI, se Harry estivesse aqui iríamos juntos zuar da cara dos apaixonados, éramos experts nesse ramo, principalmente com nosso casal cobaia Guilherme e Helena.

– A quanto tempo estão juntos? – encarei-os fechando a porta do armário com certa força.

– 1 ano e 7 meses. – Helena.

– Nossa tudo isso? – não conseguia ver meu rosto, mas pela maneira que me encaravam eu estava surpresa, como o tempo havia passado tão rápido sem nem mesmo eu tivesse percebido? estranho. – Está durando hen Gui. – ri e dei de ombros entrando na sala.

Entrei na sala de cabeça baixa olhando o quão sujos estavam meus tênis, encontrei sem grandes problemas meu lugar, sentei na cadeira sem perder o contato visual com o lixo que protegia meus pés.

– Que aula é agora? – perguntei em voz alta, sem uma vitima ao certo. Ainda não havia decorado os horário, e já estávamos no final do ano.

Para meu azar a primeira aula era com a Flack, odiava essa professora com todas as minhas forças, mas Harry a adorava, sempre a paparicava, e procurava ser o melhor aluno pelo menos na matéria dela. Detestável. Como de costume fingi prestar atenção anotando algumas coisas no caderno, mas na verdade a desenhava com uma bela berruga no nariz e dentes podres.

‘Por favor preciso que essa aula acabe logo, to morrendo de tédio, e olha que é apenas a primeira aula.’


Notas finais
talvez ela apenas precise ter certeza que o tempo vá faze-la esquecer