Talvez...
1 Capítulo 1
Talvez eu seja completamente idiota, ou talvez eu seja a pessoa mais certa dessa merda de escola, prefiro acreditar que eu seja a mais certa, assim eu sei que não sou nada parecida com essas pessoas que me rodeiam, eu sou como todos gostam de chamar ‘a esquisita’, não sou anti social, tenho vários amigos, só não sou popular e nem quero ser, é uma vida difícil, você tem que acordar colocar sua própria roupa (alguém devia fazer isso), você é obrigada a dirigir no seu carrão conversível até a escola, ficar com o cara mais gato e sexy de toda a escola, ser a lider de torcida mais boazuda da equipe, ainda por cima ser a queridinha do professores, é realmente é uma vida difícil. Minha vida? É completamente o oposto, não faço parte do jornal, nem da equipe de torcida, nem ao menos gandula do time de futebol eu sou, faço parte da equipe dos f.d.q.n.t.p.p.b. (feios e derrotados que não terão par para o baile) triste realidade para uma garota do penúltimo ano, esse é o baile que te leva a ser popular no ultimo e tão esperado ano do colégial,eu queria ir, mais minhas únicas opções são o gordinho que sentava no fundão que adora mangá e jogos de guerra, ótimo amigo mais não queria ficar a noite toda sentada ao lado da mesa dos doces, e também tinha o cara que não tomava banho, eca! Esse até o fato dele respirar me causava náuseas, talvez eu não devesse ir, todos meus amigos já tinham par, que aliás eram as minhas amigas, enfim eu sobrei mais um vez.
Era terça-feira, faltava exatamente 1 mês para o tão esperado baile acordei cedo, coloquei minha roupa costumeira, calcei o tênis, arrumei a mochila que insistia não fechar com a quantidade de nada que existia dentro dela, tirei a remela do olho, e enfim o cereal matinal.
- Anda anda menina você vai se atrasar. – minha mãe gostava de repetir essa frase.
- Tudo sobre controle capitã. – disse com a boca cheia de cereal.
- Preciso que cuide das gêmeas hoje a tarde.
- Hoje a tarde eu não posso mãe, tenho compromisso. – menti.
- Desmarque, meu compromisso é mais importante. Tchau!
- Mãe volta aqui, mããããe!. – não acredito que ela me deixou falando sozinha.
Terminei o que costumo dizer ser a melhor refeição do dia, escovei os dentes, e sai rápido montada em meu amigo inseparável, o skate. Chegando ao colégio o sinal já havia tocado mais as pessoas ainda circulavam pelos corredores conversando umas com as outras, trocando ideias, e opiniões sobre os vestidos para o baile,eu iria entrar em depressão, estava destinada a ficar o dia do baile me enchendo de gordices, e vendo filmes melosos com jovens indecisos, e pais que morrem em acidentes de carros junto com minha avó e as gêmeas, por que até minha própria mãe iria ao baile, triste vida. Pensei que a partir do momento que entrasse na sala o assunto baile morreria, me enganei novamente, a sala estava enfeitada assim como os corredores de toda escola, todos respiravam e viviam o assunto baile, confesso que queria muito ir, mais por fim já estava me acostumando com a ideia dos filmes melosos e dramáticos com vovó e as gêmeas. Pois bem, a melhor coisa dessa terça-feira estúpida é a primeira aula que é com o melhor professor, e que também é o mais bonito, loiro alto — (qualquer pessoa com mais de 1,60 era alta para mim)- belos músculos definidos e ainda era fluente em inglês, que aliás era o principio básico para ser professor de inglês. Sentei aonde era de costume pois a sala tem espelho de classe –(que infantil) pois se não eu com toda certeza sentaria de frente para ele, e ficaria encarando aquele lindos olhos azuis.A aula foi tranquila assim como as seguintes, procurei me distrair o máximo que pude assim o tempo passava rápido e a hora de ir para casa chegaria, como meu ‘compromisso’ da tarde havia sido cancelado graças a minha mãe eu teria que ficar em casa com as gêmeas, mais estaria em casa pelo menos, esse inferno de escola estava me deixando agoniada, se eu pudesse sumir durante esse 1 mês que faltava para o baile, e mais 1 mês para que todos parassem de falar do mesmo garanto que nunca mais reclamaria da vida, talvez eu dê essa sugestão a minha mãe mais tarde quando ela chegasse do tal compromisso. O sinal tocou no momento exato em que a baba que corria da minha boca tocou a bolsa que servia como travesseiro na mesa, pulei com o susto, limpei a boca e sai em disparada para a saída.
- Que isso na sua cara guria?- escutei alguém falar ao meu lado mas ignorei. – Porra guria, quanta consideração, essa foi a educação que eu te dei? – continuou a voz desta vez com mais intensidade exigindo atenção. Olhei procurando entender o por que daquele ser estar ali.
- O que você quer Karlla? – perguntei impaciente.
- Que isso na sua cara? – olhei pelo reflexo da janela que havia no corredor e percebi que talvez usar a mochila como travesseiro não tinha sido boa ideia. – dormiu na rua cadela? Enfim esquisita... – vez cara de nojo me olhando de cima a baixo- ... já tem par para o baile?
- Sim. –menti.
- Credo, quem é o ser de bom coração que vai fazer essa caridade? – fiquei a encarando observando ela olhar ao redor e perceber que ninguém estava afim de prestar atenção em sua tentativa idiota de fingir ser uma das populares.
- Calma amiga um dia você vai conseguir. – a abracei afim de consola-la, mais não contive o riso. – Quem sabe na faculdade.
- Quem sabe... mais minha atuação não foi espetacular? – riu procurando uma reação minha. -pelo visto dormiu na aula de novo né tansa? Valha meu deus tem que prestar atenção nas aulas, daqui a pouco você vai receber uma surpresinha grande, redonda e vermelha nas provas finais.
- Me esquece CDF, por favor?- falei em tom de zombação.
- CDF blá blá blá, vamos para ‘O Submarino’ ?
- Não, tenho que cuidar das gêmeas essa tarde.
- Bom... então nos falamos mais tarde. – disse se dirigindo ao Voyage ano 91 estacionado no canto da calçada. — Louis e Helena também estarão lá, aparece.
- Ta bom. – ela sabia que eu não iria mais mesmo assim sorriu, e disse que estaria me esperando.
Segui meu caminho para casa ao som de Led Zeppelin, remando o skate e deixando os ‘problemas’ para trás, ainda teria o mês inteiro pela frente para aguentar toda essa baboseira e chilique que as meninas fariam referente a esse maldito baile, precisava me preparar psicologicamente. Mais alguma remadas e enfim estaria em casa, fechei os olhos e sonhei com o momento que me jogaria no sofá e mandaria as gêmeas massagearem meus pés cansados. Quando os abri novamente já estava varrendo o chão com a cara. Levantei olhei reparei de relance alguém vindo na minha direção parecendo assustado, ou assuntada não conseguia ver direito.
- Você está bem? – voz feminina.
- É... não sei, mais pelas dores que estou sentindo em lugares inapropriados talvez eu não esteja tão bem.
- Me desculpe, pensei que você ia desviar quando subi na calçada.
- É... eu estava tentando me desconectar do mundo, e de olhos fechado é mais seguro e funciona melhor, pelo menos eu pensava isso.- ela riu do meu comentário idiota.
- Me chamo Larissa, prazer. – fiquei fitando-a imaginando quem havia perguntado. – e o seu é?
- Camila. – levantei agarrando o skate e virando as costas seguindo em direção ao ‘lar’.
- Nos vemos por ai. – gritou.
– Ou não.- falei num tom que apenas eu poderia ouvir.
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