- Cuidado. — Neryd sussurrava para Davven, depois de puxá-lo pelo braço para longe de uma armadilha. O menino estava confuso e assustado. A sensação de medo era ainda pior em uma caverna. Ele olhou para a saída; a cachoeira que desaguáva bem na entrada refletia a luz do sol de forma suave naquele lugar inóspito.

- O que foi? — Perguntou em um tom um pouco alto, o que lhe fez levar um tapa de Neryd.

- Não estamos sozinhos. Vamos sair daqui antes que você faça alguma besteira.

O menino assentiu, um pouco irritado e ainda sentindo a dor do tapa. Aquela caverna parecia ser um labirinto. Ela tinha, em todos os lugares, uma pequena fresta que deixava a luz do sol passar; mas andar por ela era uma tarefa difícil, e sair, mais ainda. O teto era alto e o chão muito desregulado, fazendo com que se corresse o risco de cair para um lugar que não se conseguia subir mais.

Com cuidado e fazendo todo o silêncio possível, Neryd ia andando próxima às paredes, tentando lembrar o caminho que lhe tiraria dali e com o arco e uma flecha em mãos.

Chegaram à um corredor onde as paredes se estreitavam e tudo ficava mais escuro. Davven deslizou em algumas pedras soltas no chão e caiu de costas, resmungando de dor.

Neryd, bufando de raiva, fez um gesto pedindo silêncio.

- ...Eu não lembro de pedras no chão quando entramos! — Reclamou, franzindo o rosto. Neryd puxou-o pelo ombro e colocou-o de pé.

- Pare de choramingar, apenas se levante e venha.

- Mas... Neryd, isso não está certo! A caverna...

- Tente não cair desta vez.

O menino silenciou, mas continuou com uma careta abusada no rosto. Aquilo não estava certo para ele. Tudo ia correndo normalmente até que Neryd virou o corredor e viu que o lugar por onde entraram estava bloqueado.

Tateou a parede, como se não acreditasse que a passagem realmente se fechou ali.

- Deve ter acontecido algum deslizamento aqui. — A elfa concluiu. Ela soltou um suspiro frustrado, tentando não ver que Davven lhe olhava como quem implorava por um pedido de desculpas.

Começaram pelo caminho que haviam feito antes, mas desta vez Neryd tinha deixado de lado todo o seu cuidado. Caminhava a passos largos e agressivos. Ela estava tão concentrada em caminhar com raiva que acabou trombando com o corpo magro de alguém com um casaco de seda.

Assim que percebeu que a pessoa com quem tinha trombado era Neryd, Aethel abaixou seu cajado e abriu um sorriso leve. Os minutos que haviam passado separados já lhe deixavam preocupado.

O seu sorriso se desmanchou um pouco quando viu que Davven a acompanhava.

- Ah, vocês... Tem que sair daqui. O mais rápido possível. Os magos sombrios acharam a esfera antes de nós. — Ele ia virando-a para trás quando Neryd o conteve.

- A passagem por onde entramos está bloqueada por pedras, Aethel.

O elfo ficou levemente boquiaberto; até que assentiu com desgosto.

- Tudo bem. — Ele disse com voz calma e deu uma rápida olhada para trás. — Acho que podemos sair pela mesma entrada dos magos sombrios, se formos cuidadosos. Venham.

Recomeçaram a andar, desta vez com Aethel à frente, iluminando o caminho com a suave luz azul do seu cajado. Ele tomava caminhos que desciam cada vez mais, e os deixava mais distantes da luz do sol. Os túneis diminuíam de tamanho, Davven começava a se preocupar que chegasse ao ponto de ter de se apertar para passar em um túnel de rato até que a passagem se abriu para uma parte imensa da caverna.

Aethel respirou fundo e fez um sinal para que os dois parassem ali.

- Fiquem aqui, por favor. Um deles ainda está aqui e eu não gostaria que vocês se arriscassem a enfrentar um mago.

Aethel fez o máximo de silencio possível, tentando chegar em Thimni sem que o percebesse. Entretanto, sua tentantiva foi falha e o mago percebeu sua presença e sem hesitar, atacou. Aethel bateu em uma parede e sentiu alguns de seus ossos quebrarem e cortes arderem em suas costas. Com suas uma de sua últimas forças, lançou um feitiço de raios, mas, Thimni retornou o ataque com mais poder, deixando o mago mais novo queimado feat chamuscado.

Neryd resolveu interver, mas quando estava se aproximando sentiu alguma coisa lhe puxando e tapando a sua boca. Contra sua vontade, foi levada para atrás de algumas pedras. O seu sequestrador atou as mãos da elfa e finalmente apresentou seu rosto.

- O príncipe olhou em seus olhos verdes e abriu um sorriso cínico.

Sem tirar o olhar dela, ele agachou-se e aproximou seus rostos ao máximo.

- Você está tão encantadora no escuro desta caverna, elfa. Se tivéssemos mais tempo, eu adoraria fazer neste lugar o meu momento romântico com você.

Neryd rangia os dentes, tentando conformar-se com o fato de não poder socá-lo de mãos atadas.

- O que você quer, Majestade? — Cuspiu as palavras com raiva. O príncipe riu, deliciando-se com a raiva de Neryd.

Notas finais
tchanã