Tales of Vankash
2 Capítulo 2
Notas iniciais
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Neryd despertou da viagem no tempo com um barulho de alçapão se abrindo. Ela tentou observar quem entrava mas sua visão estava turva, apenas conseguia ver um borrão rosa e um outro, quase imperceptível, roxo. Os borrões aparentavam estar comunicando, ela tentou apurar os ouvidos para conseguir ouvir sobre o que elas falavam. Apurando os ouvidos e sua visão tendo melhorado um pouco percebeu que a mulher rosa falava:
– Toke!!! Eu falei, e falei e falei que não era uma boa ideia, iremos perder o festival de frutas! Abacaxis, maçãs, pêras! ABACAXIS, TOKE, ABACAXIS!– Fique quieta, Fhanda. Eu , em breve, bolarei um jeito sairmos daqui. Então, por favor, fique quieta ou eu esfrego sua cara na parede.– Mas... Meu avô e a Lizzy ainda estão lá em cima!– Apenas aguarde.Passos eram possíveis de ser escutados, e além disso, uma voz bem aguda e irritante, também; Não se deu muito tempo e o alçapão abriu de novo, fazendo duas pessoas novas chegarem. Uma moça de cabelos presos azuis e um senhor bem idoso.– HUNF! Eles acham que vão me prender, Ermed! OLHA ISSO! — A moça recém chegada gritou.Neryd tentou levantar-se, mas a sua cabeça girava, deixando-a tonta e ainda sem ter recuperado totalmente os sentidos. Olhou ao redor; os seus olhos visualizaram Davven, desmaiado em um canto, um sinal de que o feitiço do príncipe tinha dado errado. Afastado de todos, a figura de roupas escuras de Thimni recostava-se na parede. Ao seu lado, o príncipe estava caído no chão, sangrando uma poça vermelha por um ferimento na cabeça. Mesmo ferido e desmaiado, olhar aquele rosto de criança mimada deu para Neryd uma imensa vontade de chutá-lo. Os seus olhos captaram um movimento estranho vindo do lugar mais escuro da caverna; ela olhou novamente para Thimni e percebeu que ele estava acordado, discretamente fumando um cachimbo preto.A fumaça do cigarro de Thimni chegava até onde a elfa estava. Ela tentou levantar-se de novo; não pretendia ficar ali, sendo uma fumante passiva daquele ar sufocante. Mas as suas pernas ainda não tinham forças para andar, e tudo o que conseguiu foi ficar de pé e encostar-se na parede.Os seus olhos pararam em Toke. Aquela mulher de cabelos roxos lhe parecia a única pessoa sensata dali; e abriu a boca para falar com ela, mas ela não conseguiu emitir nenhum som inteligível.Toke percebeu que estava sendo observada pela loira, logo reparou em suas orelhas e nos seus companheiros em um estado deplorável, um elfo dormia quase babando, um parece que levou uma bela de uma surra e o outro fumava. Ficou tanto intrigada com as orelhas, mas achou melhor oferecer ajuda. Ela estendeu sua mão para ajudar Neryd a se levantar e se apresentou cordialmente enquanto o senhor sentava e lia um livro sobre medicina.– Então... É um prazer lhe conhecer, meu nome é Toke — Ela sorriu calmamente, tentando ser simpática, o que não era fácil para ela.Neryd teve de fazer algum esforço, a sua mente parecia embaralhar os pensamentos com ideias que ela não entendia; mas finalmente conseguiu abrir a boca e falar.– Sou Neryd. — Disse, seca, e fez uma curta e séria reverência. — Vocês também estão presos aqui? — Perguntou, e agora que a cabeça funcionava melhor, deu uma olhada nas pessoas atrás dela. Ela logo imaginou que haveriam problemas quando viu que eram humanos.Da forma mais discreta que conseguiu, Neryd preventivamente levou a sua mão até a sua faca, deixando-a pronta para uma possível defesa.Toke encarou Neryd bem nos fundos dos seus olhos e disse:– Senhorita Neryd, creio que não precisaremos de agressão física, além disso, você não machucaria humanos e elfos indefesos, machucaria? — ela lançou um sorriso cínico sabendo que causaria um pouco de confusão sobre a parte dos elfos.Neryd franziu a testa, um pouco surpresa com a reação de Toke.– Não me interessa se são humanos, não estou disposta a começar uma guerra de raças dentro de uma prisão. — Ela balançou os dedos que ainda seguravam a faca, acomodando-os melhor ao redor de seu cabo. — E estes elfos não são meus amigos. Apenas peço que não o envolva. — Apontou com a cabeça para Davven. — Ele ainda é uma criança. De resto, Toke, eu também não acho que precisamos de agressão física. Você é quem decidirá isso.Ela encarava Toke de volta, mordendo os lábios de raiva.Toke olhou torto para Neryd e cerrou os punhos, ela pediu muita calma a qualquer Deus que existisse acima dela.– Não quis nenhuma guerra de raças, eu quero sair logo daqui para ir continuar meus negócios — Continuava a olhar torto para a moça. Toke reparou na falta de Fhanda e quando a localizou viu ela perto do garoto elfo ruivo.– Por que as orelhas eles são mais pontudas que as minhas? — Ela disse manhosa — Eu sou uma elfa, eu mereço orelhas lindas como as deles. Aliás, Neryd, você tem orelhas lindas — Fhanda deu um sorriso bobo e feliz. Toke simplesmente ignorou e se direcionou a porta. – Droga, está bloqueada por magia. — Ela suspirou — Realmente, eu gostaria que a magia não tivesse sido banida — ela abaixou a cabeça e começou a murmurar para si mesma enquanto Lizzy sentava do lado de Ermed e acompanhava sua leitura.
Ver outra elfa ali, embora desconhecida e infantil, fez Neryd relaxar e soltar a mão da faca. Ela correu os olhos por toda a caverna, pensando em algo que poderia lhe tirar dali.Com o barulho de Fhanda falando, Davven acordou. Ele levantava o corpo para sentar-se, confuso, sonolento e com a baba ainda escorrendo da boca.– Onde...?Ele parou a fala quando viu Fhanda. Aquela elfa de cabelos rosa, rosto delicado e um sorriso bobo e feliz no rosto estava olhando para ele. Davven corou.– Ah, eu... Eu... Ah... Oi. — Gaguejou, lançando o olhar para longe, repleto de vergonha. — Olá. Você...A língua do garoto travou. Sem falar nada, ele olhou para baixo, envergonhado.– Eu..? — Fhanda entortou a cabeça para mostrar dúvida — Eu sou a Fhanda — sorriu novamente.
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