Tales of Star Wars
51 Histórias para contar (Luke x Ahsoka)
Notas iniciais
A festa havia avançado noite adentro, terminando a apenas algumas horas, quando todos finalmente entenderam que poderia dormir um pouco antes de voltar a comemorar. O império não havia caído, mas a morte do Imperador era a primeira peça de um imenso dominó a cair em direção a esse inevitável fim. Assim, era nítido que haveria muitas outras noites para celebrar.
Mesmo assim, a música ainda invadia os ouvidos do jovem Jedi. Apesar de nenhum instrumento estar mais emitindo nota alguma, ele podia ouvir claramente os sons que ecoaram por aquela floresta durante toda a noite. Agora, depois de uma madrugada inteira celebrando e sem dormir, essa memória auditiva vinha acompanhada de uma intensa dor de cabeça. Apesar da necessidade evidente de sono e descanso, ele não conseguia dormir. Algo o incomodava. Algo na Força o deixava alerta. Não como uma sensação de perigo iminente, mas como a sensação de que algo importante estava para acontecer e ele não poderia, de forma alguma, perder isso.
Incapaz de adormecer, ele passou as ultimas horas ali, naquele lugar, sentando em frente ao precipício, olhando o vale que se formava à sua frente e que misturava com a densa mata da floresta. Ao seu lado, os restos de uma pira funerária ainda estavam quentes, emitindo fumaça e suas últimas fagulhas, misturando cinzas à uma armadura negra de metal, retorcida pelo calor.
- Eu sei que está ai – ele disse, sem se virar para trás.
Havia alguns minutos, ele havia sentido. Um presença marcante na Força que se aproximava mais e mais. Diferente de tudo o que ele havia sentido. Diferente da forma como Léia se apresentava na Força. Diferente da forma como seu pai, Obi-Wan, Yoda ou seu pai se apresentavam na Força. Ele não fazia idéia de quem poderia ser, mas seus instintos lhe diziam que não precisava se preocupar. Algo lhe dizia muito intensamente que se tratava de um amigo.
Ao dizer essas palavras, ele ouvir passos muito próximos a ele, pisando sobre as folhas secas caídas no chão da floresta. Seja lá quem fosse, essa pessoa saia de seu esconderijo (possivelmente, de trás de uma árvore) e se aproximava lentamente em direção ao jovem Jedi. E a cada passo, a presença reconfortante da pessoa deixava Luke ainda mais calmo e relaxado. Era estranho ter aquela sensação de paz tão intensa na presença de uma pessoa cujo rosto ele nem sequer conhecia.
Enfim, os passos pararam. A pessoa estava a pouco mais de um metro dele.
- Eu sabia que estaria aqui, Luke Skywalker – disse uma voz feminina que emanava poder, calma e confiança. – Foi por isso que eu vim.
Lentamente, Luke se levantou e se voltou para trás, encarando sua companhia.
À sua frente, coberta por uma túnica cinza e vestindo um capaz sobre a cabeça que de forma alguma escondia seu rosto, havia uma togruta. Seu rosto esboçava uma expressão séria, embora houvesse um lampejo de alegria em seus olhos como se... ela estivesse feliz em vê-lo?
A mulher se aproximou dele, retirando o capuz. Apenas a uma curta distância, Luke pôde ver que seus olhos estavam marejados. Lágrima de alegria por aquele encontro, mas também de tristeza. Ela passou por ele e parou diante dos restos da pira funerária, olhando com atenção para o capacete de metal distorcido pelo fogo. Nesse momento, a lágrima que se formava em um de seus olhos escorreu pelo seu rosto.
E Luke soube exatamente quem ela era.
- Meu pai nunca mencionou o seu nome – disse Luke. – Mas eu ouvi falar sobre você, Ahsoka Tano.
A Jedi permaneceu em silêncio por um instante, admirando a pira e a paisagem ao fundo.
- Fico feliz que tenha escolhido esse lugar para o descanso eterno do seu pai – disse ela, por fim. – Anakin teria amado essa vista.
Ahsoka se voltou para Luke. O rosto da mulher estava tomado pelas lágrimas, mas, pela primeira vez, Luke viu um sorriso. Um sorriso sincero de quem estava feliz, apesar da morte de um antigo amigo. Um sorriso de quem estava feliz simplesmente por estar ali.
A mulher se aproximou de Luke e o abraçou. Nesse exato momento, o jovem pôde sentir todo o amor e carinho que Ahsoka sentia por ele, apesar de tê-lo conhecido oficialmente apenas alguns instantes. Inebriado pela sensação de bem estar que aquela Jedi conseguia lhe transmitir com um gesto tão simples, ele retirbiu o abraço.
- É injusto que eu tenha passado tanto tempo com seus pais e você, tão pouco – ela disse, finalmente se afastando e encarando Luke nos olhos. – Se você quiser, eu tenho muitas histórias para contar sobre Anakin e Padmé, sobre como eles foram meus melhores amigos e sobre como eu sinto a falta deles.
O queixo de Luke caiu e ele abriu a boca. Ele tentou respirar, mas o ar se recusava a entrar em seu peito. Ele tentou falar alguma coisa em resposta – falar qualquer coisa – mas a sua voz se recusava a sair.
Ali, naquele momento, Luke ouvia o nome de sua mãe pela primeira vez.
- E eu adoraria ouvir – ele conseguiu dizer, enfim.
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