Tales of Star Wars
52 Nome artístico (Palpatine x Plagueis)
Notas iniciais
De todos os planetas da galáxia, Naboo talvez fosse um dos mais exuberantes. Era quase inacreditável como infinitas planícies floridas e cachoeiras colossais da mais incríveis já vistas por qualquer ser vivo se tornavam tão mundanas naquele planeta a ponto de parecerem triviais. Uma beleza não encontrada em mais nenhum outro lugar da galáxia (ou, até mesmo, fora dela).
Mas não era aquela beleza que chamava a sua atenção. Era justamente o contrário: em um planeta tão único e pitoresco, era o caos que lhe chamava a atenção. Não o calor vivo e fresco de oceanos e lagos azuis, mas a umidade fria e mofada que escorria por entre fendas e cavernas. Não a vida colorida e numerosa que dominava mares e terra, mas a morte fria e solitária que habitava os perigosos pântanos.
Aparentemente, porém, ele era o único que parecia ser atraído por esse lado pouco explorado do planeta.
Não apenas atraído... Fascinado!
Um fascínio que extrapolava a simples percepção do contraste e se exteriorizava através de seu corpo através da única coisa que achava fazer bem: arte. Quadros e mais quadros que lotavam parte do seu quarto, se acumulavam na sala e preenchiam completamente o depósito de seu pequeno apartamento em Theed. Enquanto não estava estudando, estava pintando. Dando vida à sua obsessão pela morte, traduzindo sua inquietude em imagens inesgotáveis que saiam de sua cabeça e ganhavam corpo através do pincel entre seus dedos.
Quem o visse em seus momentos de maiores devaneios jamais imaginaria que, diante de si, estava o mais brilhante aluno do Programa de Jovens Políticos. Jamais imaginaria que o rapaz à sua frente estava sendo treinado para, no futuro, representar seu semelhantes na tomada de decisões na capital (ou, se tudo desse certo, quem sabe, no Senado Galático?).
“Sheev?”
Alguém bateu à sua porta, retirando-o de seus pensamentos mais profundos. E ele amaldiçoou a pessoa por isso.
- Sim? – jovem Sheev Palpatine respondeu em voz alta, virando-se para a porta de entrada de seu apartamento, mas sem dar um passo em direção a ela.
“Abre a porta”, a voz respondeu, e apenas nesse momento, Sheev a reconheceu como a de seu vizinho e (talvez único) amigo próximo, Tibério. “Acredite, você vai querer saber o que está acontecendo.”
Sheev revirou os olhos nas órbitas, irritado por ser interrompido. Resmungou algo em voz baixa antes de pousar o pincel sobre o cavalete e abandoná-lo no meio da sala, caminhando até a porta antes de, por fim, abrí-la.
- O que aconteceu? – ele perguntou, tentando disfarçar sua impaciência e fingir interesse.
- Você já ouviu falar de um tal de Lorde Domnus? – Tibério respondeu com uma nova pergunta.
Para Sheev, o nome era familiar. Não se lembrava muito bem de onde já tinha ouvido falar. Ele demorou alguns instantes para entender que Tibério falava “do” Lorde Domuns.
- Ele não é um dono de uma galeria de arte imensa em Corsucant? – foi o Sheev respondeu – A Magno Aurea...?
- Ele mesmo!
Nos olhos azuis de Tibério, por detrás dos cachos louros que lhe caiam sobre a face, Sheev conseguia ver uma misto de empolgação e fascínio.
- O que tem ele? – perguntou, por fim.
- Está vindo para Theed! – Tibério respondeu. – Dr Ferdinand está tentando contato com você a tarde toda para te contar isso, mas você não atende o comunicador. Lorde Domnus está vindo pra cá!
Uau, que novidade... Naboo era um planeta de artista, não era incomum colecionadores de arte virem ao planeta.
- Não quero parecer grosseiro, mas o que eu tenho a ver com isso? – Sheev perguntou, ainda sem entender o motivo de toda a animação de Tibério.
- Sua ficha ainda não caiu mesmo, né? – respondeu o rapaz. – Ele está vindo para cá para se encontrar com você!
A notícia atingiu Sheev como se fosse um soco no rosto. Em um primeiro momento, ele se sentiu desnorteado, incapaz de raciocinar e entender o que estava acontecendo. O que, em um milhão de anos, faria um colecionador de arte vir até o outro lado da galáxia apenas para se encontrar com um jovem político que pintava quadros obscuros por hobby?
- Mas o quê?
- Sim! – a excitação parecia não morrer na voz de Tibério. – Dr Ferdinand não entrou muito em detalhes quando me pediu para te avisar, apenas me disse que ele está vindo para cá e quer te levar para jantar. Você precisa estar pronto as 20h, disse que um motorista virá buscar você aqui mesmo.
Sheev não tinha resposta para dar. Ainda não conseguia acreditar que aquilo tudo não era um sonho, que era real... Parecia tudo muito absurdo... Muito inverossímil... Primeiramente, de onde raios Dr Ferndinando conhecia alguém como Lorde Domnus? E, em segundo lugar, Sheev ainda não entendi como alguém como Lorde Domnus estaria interessado em jantar com ele.
- Será que finalmente alguém com poder na galáxia notou esses loucuras que você gosta de pintar? – sugeriu Tibério. – Quem sabe ele não é a sua ponte pra encurtar seu caminho para Coruscant, hein?
- Cara, não sei... – Sheev parecia inseguro, apesar de estar começando a se sentir minimamente bem com a idéia de ter chamado a atenção de um colecionador de arte. – Pintar é um hobby, um passa-tempo. Eu quero ir pra Coruscant como político, talvez senador um dia... quem sabe... nunca pensei em transformar minha arte em algo profissional...
- Então eu começaria a pensar – Tibério o interrompeu na mesma hora. – Algumas oportunidades a gente não pode deixar passar, cara...
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Como combinado, exatamente as 20h havia um transporte estacionado em frente ao pequeno prédio de apartamento estudantis em que Sheev Palpatine morava. Como era verão naquela região de Naboo, o céu ainda não estava completamente escuro, mas tingido por um azul-violeta que contrastava com as luzes alaranjadas das casas nas ruas de Theed. Um contraste de cores que, em condições normais, poderiam transmitir uma sensação de calma, paz e aconchego, mas não para Sheev, não àquela noite.
- Para onde estamos indo? – ele perguntou, incapaz de esconder sua inquietude diante do encontro iminente.
Mas o droid que conduzia o veículo, planando sobre as suas de Theed, permaneceu em silêncio durante todo o trajeto, sem sequer lhe destinar qualquer forma de atenção. Assim que o veículo parou em frente ao apartamente, o droide abriu a porta e esperou que Sheev entrasse, retornando ao banco do motorista e seguindo caminho sem dizer uma única palavra.
Mais cedo naquele mesmo dia, ainda incrédulo com o rumo que aquele dia trivial e monótono havia tomado, Sheev havia contactado Dr Ferdinand para mais esclarecimentos, tentando entender o que estava acontecendo.
“Você vai amar o Domnus”, foi a resposta vindo do holograma de seu professor, vinda do comunicador. “Uma pessoa muito espirituosa. Ele é um velho amigo do meu pai e apenas recentemente descobri que ele adquiriu algumas obras suas. Prometi a ele que conseguiria um jantar para poder te conhecer.”
Obras? Ao que se lembrava, Sheev nunca havia levado nenhum de seus quadros para Coruscant. O mais perto havia sido uma exposição amadora em Corelia. Havia vendido alguns quadros para expositores locais, mas apenas isso. Não se lembrava de ter vendido nenhum quadro para grande donos de galerias de arte, muito menos para o grande Lorde Domnus. Será que seus quadros havia passado de mãos em mãos até chegarem nele? Isso seria, afinal, um grande truque do destino...
O transporte parou e, ao descer, Sheev ouviu o droide falar pela primeira vez. “Venha comigo”, foram as palavras dele, que o conduziu para o interior de um restaurante.
O lugar era amplo. Um imenso salão iluminado pelas luzes de muitas velas em dezenas de candelabros presos às paredes. Havia um delicioso e aconchegante cheiro de comida no ar, mas o rapaz estava tão ansioso que aquilo não parecia lhe abrir o apetite. Na verdade, ele não tinha fome alguma.
O droide parou em frente a uma mesa. Nela, estava sentada uma figura encapuzada a qual Sheev não conseguia ver o rosto, mas, dada a grande estatura da pessoa e a tonalidade escura da pele da mão que segurava um copo sobre a mesa, ele sabia se tratar de um Muun. Mas não era um Muun qualquer. Era Lorde Domnus.
“Lorde Domnus, esse é Sheev Palpatine”, disse o droide.
E, pela primeira vez, o homem encapuzado se virou para olhar o recém chegado. Por debaixo do capaz, Sheev conseguiu ver uma cabeça ovalada de pele verde escura e com olhos vermelhos. No momento em que os olhares dos dois se cruzaram, o Muun sorriu amigavelmente e retirou o capaz de cima da cabeça.
- É um imenso prazer poder te conhecer, senhor Palpatine – disse Lorde Domuns, levantando-se e estender uma de suas grandes mãos para o rapaz.
Era estranho ser chamado de “senhor”. Sheev era evidentemente muito mais novo que o Muun à sua frente, principalmente considerando que aquela espécie podia viver até mais de cinco séculos e que, dadas às rugas no rosto do Lorde Domnus, ele não era o membro mais novo de sua família.
- Eu... é... – Sheev balbuciou, apertando a mão do alienígena à sua frente quase que como um reflexo. – O prazer é todo meu...
- Por favor, sente-se – disse o Muun, apontando o assento à sua frente em um gesto cortês. – Eu gostaria muito de agradecer ter aceitado o meu convite para jantar. Quase não acredite quando Ferdinand me contou que você era seu aluno. Uma grande coincidência, não acha?
Impactado pela simpatia forçada de Lorde Domuns, Sheev se sentou no assento indicado. Não porque o quisesse fazer, mas porque estava agindo de forma automática.
- Coincidência? – questionou.
- Mas com certeza! – rebateu Lorde Domnus, ainda sorrindo para ele, enquanto se sentava à mesa novamente. – Que o autor do meu quadro favorito da minha coleção é um dos melhores alunos de um amigo da família. Uma coincidência em tanto, não acha?
Sheev parecia um adolescente apaixonado. Ouvir aquelas palavras chegava a ser desnorteante. Ele nem sequer imaginava como reagir.
- Eu... – o rapaz balbuciou. – Eu fico muito grato pelo reconhecimento, senhor... Lorde...
- Ah, por favor, não precisamos de formalidades aqui – ele disse. – Ou, pelo menos assim, eu espero, se você se sentir confortável... se quiser, pode abandonar o meu nome aertístico e me chamar pelo meu nome de verdade.
- Que seria?
- Plagueis – foi a resposta. – Incomum, eu sei. Acho que você entende o porquê de eu ter inventado um nome artístico, não é? Não seria um bom cartão de visitas para meus potenciais clientes.
- Bem., senhor... quero dizer... Plagueis... – Sheev se torturava por cada palavra que saia de sua boca, estava tão nervoso que mal conseguia formular uma frase completa. – Eu fico muito agradecido pela admiração... Na verdade, eu nem sequer sei como reagir. Sabe, algumas pessoas já me disseram que meus quadros são bons, mas nunca ninguém me disse que admirava algum deles da forma como o senho... você... está dizendo.
Nesse momento, um droide-garçom parou ao lado da mesa e depositou uma taça de vinho diante de cada um dos dois na mesa.
- Eu pedi uma garrafa para nós – informou Plagueis enquanto o droide destampava uma garrafa de vinha. – Achei que poderíamos brindar o nosso encontro. Espero que não se incomode.
- De forma alguma – foi o que Sheev respondeu.
Ele não costumava beber, mas, diante daquela situação, como poderia negar.
O droide serviu a bebida e deixou os dois a sós. Plagueis adiantou-se, pegou a sua taça e levantou. Sheev repetiu o gesto.
- A nós – disse o Muun. – E ao que espero ser o início de uma parceria.
- A nós – Sheev brindou e bebeu um pouco do vinho.
Uma vez que os dois depositaram suas taças sobre a mesa, Plagueis começou a falar.
- Sabe, o que mais me chama a atenção nos seus quadros é a simplicidade – começou ele. – A forma como você pinta paisagens tão sombrias mas consegue fazer uma tela que transmite paz. Uma paz inquieta, entende? Um silêncio que pode ser desfeito a qualquer momento nos ambientes inóspitos que você pinta. Incomum para alguém que nasceu e cresceu em Naboo, com as paisagens mais incríveis da galáxia na janela de casa. Posso te perguntar de onde vem a sua inspiração?
- A verdade é que nem mesmo eu sei ao certo – o jovem foi totalmente honesto. – Talvez porque eu sinto que já estou imune a toda essa beleza das paisagens de Naboo. No fundo, eu gosto da inquietude que algumas paisagens menos perfeitas me trazem. Gosto da forma como pode haver paz e desconforto ao mesmo tempo. Por isso, passei a pintar paisagens em pântanos, cavernas, desertos e vulcões. Tudo muito calmo e tranquilo, mas uma calma e tranquilidade que podem acabar a qualquer momento.
Havia um sorriso de satisfação no rosto do Muun.
- E você apenas confirma as minhas suspeitas – disse Plagueis. – Sabe, em minha coleção eu tenho uma infinidade de obras... quadros e esculturas... de artistas que perderam as sua vidas tentando reproduzir o belo e o perfeito da forma mais fidedigna possível. Já encontrei artistas que pensassem o contrário, que quisessem deixar claro que nem tudo na arte pode ser uma exaltação ao belo. Mas é a primeira vez que encontro um artista que consegue isso.
Sheev corou com o elogio.
- Bem, eu agradeço – ele respondeu, enfim. – Posso saber como o senhor ficou sabendo sobre a minha arte? Digo... não é como se eu fizesse muita divulgação dela.
- Não faz muita divulgação, é verdade – concordou Plagueis. – Mas faz um pouco, não é? Estive no último dia da feira de arte em Corellia, consegui ver três dos seus quadros sendo vendidos por lá. Obviamente, eu estava disfarçado, não gosto de ser reconhecido nesses eventos. Mas teve um que me chamou a atenção, sabe?
- Qual, especificamente? – Sheev quis saber.
- “A caverna no pântano” – respondeu Plagueis.
Imediatamente, Sheev se lembrou de qual era o quadro a que ele se referia. Uma tela quase totalmente tomada pela cor cinza, cercada por árvores em decomposição em um pântano, com a sua entrada rodeada por uma névoa. A caverna não era mais do que uma fenda, mas em seu interior havia apenas escuridão.
Não era a obra de arte que Sheev mais se orgulhava, nem de longe.
- Posso saber de onde tirou a inspiração para pintá-lo? – perguntou Plagueis. – Afinal, não me parece nenhuma paisagem que possa ser encontrada em Naboo.
- E não é – Sheev assumiu. – Na verdade, a maioria das paisagens que pinto não são. As imagens simplesmente aparecem na minha cabeça, quase que como um sonho... quando eu acordo, eu apenas transporto elas pra tela.
Plagueis se encostou no assento, olhando para Sheev com admiração. Em seus olhos vermelhos havia algo que deixou Sheev desconfortável. Quase como se o Muun à sua frente o estivesse estudando.
- Curioso – disse Plagueis, por fim. – Por acaso, você já esteve no planeta Dagobah?
- Não, senhor – ele respondeu.
- Pois eu já – Plagueis informou. – E o que me chamou a atenção foi o fato de que, em Dagobah, existe uma caverna igualzinha a que você pintou. Uma caverna que alguns na minha religião dizem existir uma energia muito forte. Alguns até tem medo de se aproximar dela. E isso me chamou muito a atenção, sabe? Comecei a estudar alguns de seus quadros e descobri que muitos deles representam lugares reais existentes na galáxia. Encontrei em seus quadros paisagens existentes em Coruscant, Hooth, Mustafar e Ilos. Por acaso já esteve nesses planetas antes?
Sheev engoliu em seco. Como aquilo era possível?
- Apenas em Coruscant – ele respondeu. – Uma passagem muito breve há dois anos, não permaneci mais do que uma semana.
- Curioso que você tenha pintado paisagens desses planetas sem nunca ter estado neles. Ainda mais, com tanta precisão e conseguindo transmitir todo esse sentimento de inquietação que você consegue. Não acha?
- Acho...
Nesse momento, Sheev percebeu que seu coração estava acelerado. Aquilo não fazia sentido algum. Como ele poderia ter pintado lugares reais sem nunca ter estado neles.
- Eu me pergunto o que mais os seus sonhos podem estar te mostrando – concluiu Plagueis. – Quantas obras de arte a mais você pode estar produzindo com essas sua inspiração tão... intrigante...
Sheev não soube porque fez aquilo. Mas algo o forçou a fazê-lo. A cada frase que aquela conversa avançava, ele se sentia mais e mais intimidado por aquele Muun. No começo, a gratidão pela admiração. No fim, um nervosismo estranho diante de todas aquelas revelações. Mas, mesmo não conseguindo se sentir confortável na presença de Plagueis, era como se ele sentisse que precisava fazer aquilo.
- Eu posso te levar até o meu apartamento se quiser – Sheev ofereceu, quase que de forma involuntária. – Posso te mostrar os quadros que estou trabalhando atualmente.
Nesse momento, ele viu um sorriso surgir no rosto de Muun à sua frente.
E Sheev não sabia dizer se quem sorria era o próprio Plagueis, a pessoa intrigada na inspiração de um jovem artista, ou Lorde Domnus, o dono de uma grande galeria de arte na capital.
- Eu adoraria.
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Plagueis, como todos os Muuns, era muito alto e preciso se abaixar para não bater a cabeça comprida no arco da porta quando adentrou o apartamento de Sheev Palpatine. O rapaz acendeu as luzes e, imediatamente, foi possível ver telas e mais telas espalhadas pela sala, muitas delas (a maioria, na verdade), inacabadas.
- Me desculpe a bagunça – disse o rapaz.
- Não há o que desculpar – Plagueis respondeu imediatamente. – Todos bom artista consegue encontrar a sua arte no meio do seu próprio caos.
Sheev se virou para digitar a senha e trancar a porta. Plagueis avançou para o interior da sala, observando com atenção as telas e os esboços feitos em papel que estavam espalhados sobre a mesa de jantar.
- Novamente, nenhum luar que você tenha visto pessoalmente? – perguntou.
- A paisagem no cavalete é real – Sheev apontou para uma telas que exibia um vulcão em erupção, mas que, no momento retratado, apenas eliminava uma imensa nuvem de fumaça que encobria o sol e transformava o dia em noite. – Foi a erupção de um vulcão no sudeste de Naboo há umas três semanas. Mas todas as outras telas são paisagens que vi a primeira vez em sonhos.
Ao ouvir isso, Plagueis pareceu ignorar a tela sobre o cavalete e voltou sua atenção para todas as outras telas na sala, jogadas sem muito cuidado sobre o sofá e, até mesmo, no chão.
- Rapaz, eu gostaria de propor um acordo – disse Plagueis, sem desviar os olhos das telas. – Gostaria de levar seus quadros para expor em minha galeria em Coruscant. Não precisa ser a exposição principal, se você não se sentir confortável, podemos fazer uma exposição menor. Em troca, eu gostaria de te ensinar tudo o que eu sei. Gostaria de te transformar em meu aprendiz.
- Eu agradeço a oferta, Lorde... senhor... Plagueis – Sheev respondeu após engolir em seco, sendo atingido de surpresa pela proposta. – Mas eu tenho responsabilidades quanto aos meus estudos e não posso me ausentar por muito tempo.
- Isso não vai ser um problema – disse Plagueis. – Muito pelo contrário. Sabe, não gosto de me gabar dessa forma, mas sou uma pessoa muito influente em Coruscant. Tenho dezenas de amigos no Senado Galático, muitos senadores. Sou amigo pessoal do próprio Chanceler. O que estou te oferecendo não é apenas uma oferta para te guiar nos caminhos da arte, mas para te introduzir no centro da política da galáxia. Eu posso te colocar exatamente onde você quer chegar, rapaz... Eu consigo ver você representando Naboo no Senado... e, quem sabe, até um dia, se tornando Chanceler da República?
Sheev estava sem ar. Uma proposta daquelas... não era possível que algo assim estava caindo tão facilmente em seu colo daquela forma?
- Eu... fico muito agradecido – respondeu, por fim. – Mas, se me permite, por que está sendo tão generoso comigo? Você mal me conhece...
- Sabe, menino, eu já vivi por alguns séculos – Plagueis respondeu. – E acredite em mim quando digo que eu aprendi a reconhecer a grandiosidade quando a vejo diante de mim. E você, Sheev, eu sei que você vai ser grande! Eu posso não ser um artista, como você, mas certamente sou um apreciador. E eu sinto que é o meu dever te revelar para a galáxia.
O coração de Sheev pulava em seu peito de forma completamente descompassada. Ele engoliu em seco no momento em que sentiu uma gota de suor frio escorrer pela sua têmpora esquerda.
- Aceita? — perguntou Plagueis.
- Aceito – a resposta saiu dos lábios de Sheev automaticamente.
E nesse momento, Plagueis sorriu. Não com os lábios. Mas com os olhos.
Da mesma forma que havia sorrido no restaurante, pouco mais de uma hora antes.
- Perfeito – ele disse, rodeando o rapaz, quase como um tubarão circulando a sua presa. – Mas eu acho que, assim como eu, você, muito em breve, vai precisar de um nome artístico também.
- E você tem alguma sugestão, mestre? – perguntou Sheev.
Afinal, se seria seu aprendiz, ele achou adequado usar aquele termo para se referir a Plagueis daquele momento em diante.
Plagueis continuou circulando Sheev, observando-o, quase como se o devorasse com o olhos.
- Sabe, eu acho muito incrível a forma como você age através da sua arte – disse ele. – Uma inquietude constante, sempre se aproximando do limite, mas sem nunca, de fato, se concretizar. Tudo por acontecer a qualquer mometo, mas não acontece. Você deixa o seu expectador desconfortável diante de dezenas de cenários que podem se desenvolver no futuro que as suas cenas expressam. Você, bem lentamente, toma conta da mente de seu expectador, você o manipula, brinca com seus sentimentos de forma lenta... bem lenta... quase dá pra dizer que você age de forma... insidiosa.
Nesse momento, o Lorde Plagueis parou diante de seu aprendiz.
- Já sei como irei te chamar – ele disse. – Você será... Lorde Sidious.
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