Take on Me
43 There are no strings on me
Notas iniciais

Sarah
A festa estava agitada, dava para escutar a música que tocava, apesar das pessoas conversando alto ou do barulho que faziam. O lugar estava cheio de pessoas — e eu não conhecia a maioria — e os heróis se misturavam pela galera. Eu estava conversando com a Cho e Clint sobre algo referente um programa que tínhamos assistido, não pude deixar de notar que os dois se davam muito bem e que eu podia estar sobrando naquele momento, mas, na única tentativa que fiz para sair, os dois me impediram. Tomei um gole do meu drink sem álcool e olhei em volta: notei Natasha e Rhodes conversando no sofá; Banner andando, parecendo bem deslocado; Thor conversando com alguns senhores e, pelo modo que falava, devia ser alguma história de guerra; Steve, Sam e Annabelle jogando sinuca e Tony com a companhia da Hill e um pequeno grupo conversando.
Voltei a encarar Banner e resolvi salvá-lo, me desculpei com os dois e informei para onde iria. Logo me aproximei do doutor, que sorriu.
— Está tudo bem?
— Sim, só muitas pessoas. — Arrumou os óculos. — Me preocupo com você sabe quem.
— Voldermort vai aparecer? — brinquei. — Relaxa Banner, isso não vai acontecer. — Notei que a música mudou para uma alegre. — Vamos dançar!
— Dançar? — indagou antes que eu pegasse sua mão e o puxasse para me seguir. — Sem opção de não fazer isso?
— Isso vai te ajudar. — Chegamos à pista improvisava, onde tinha algumas pessoas dançando. — Precisa relaxar e ter confiança para tomar atitude
— Atitude? — perguntou antes de começar a dançar.
— Sim, atitude com a Anna. — Balancei a cabeça, não acreditando que ele não entendeu. — Vai lá e diz o que achou da sua aparência, conversa com ela.
— Não sei, muita coisa aconteceu e tem...
— Shiu... — Finalizei a minha bebida. — Olha, só me escuta, ok? Eu sei o que digo.
Ele assentiu e a música acabou, coloquei a mão em seu ombro e apertei carinhosamente. Eu adorava Banner e Anna, por isso queria ajudá-los. Me afastei dele para que pudesse refletir sobre o que disse e, assim, ficar com a bruxa. Só espero que ele faça algo antes que eu resolva trancar os dois num quarto.
— Sarah! — Virei e vi Rhodes se aproximando de mim e da assistente da Cho, Kim, com quem estava conversando. — Achei você.
— Eu estava perdida? Não estava sabendo.
Nós três ficamos conversando, mas Rhodes parecia ansioso para algo e quando a Kim questionou sobre ser o Máquina de Combate, apareceu um sorriso enorme em sua face e contou uma de suas missões, tanto ela quanto eu prestamos atenção na história. Particularmente, eu não conhecia aquele acontecimento.
— Eu peguei o tanque, levei voando até o palácio do general e perguntei: “Boom, era o que procurava”? — Quando terminou, ela riu ao meu lado, mas eu fiquei confusa, já que não entendi o motivo da risada. — Não gostou da história, Sarah?
— Gostei, claro que gostei — digo rapidamente ao notar um pouco de decepção por minha reação. — Então é só isso?
— Sim, é a história do Máquina de Combate.
Balancei a cabeça antes de tomar um gole da minha bebida, a história não tinha sido ruim, só esperava um pouco mais do final, pelo modo animado que nos contou.
— É muito boa — comentou a assistente.
— Obrigado. — Voltou para mim. — É minha melhor história e todos adoram.
— Já contou para quantas pessoas na festa? — questionei.
— Seu pai, Hill e Thor, mas eles não entenderam. — Olhou em direção ao meu pai que estava a poucos metros. — E, pelo visto, nem você.
— Mais uma para a lista.
Estava procurando meu namorado, já que toda vez que tentava ir falar com ele, algo acontecia: ou eu era puxada para conversa com outras pessoas ou era ele. Por sorte, estava descendo as escadas acompanhado de Sam. Caminhei na direção dos dois e sorri ao parar na frente de ambos.
— Aí estão vocês. — Os dois retribuíram meu sorriso. — Sam, eu vou ficar com ciúmes se não dividir Steve comigo.
— Eu queria era estar falando com você, mas preferiu a companhia das outras pessoas. — Colocou uma das mãos no coração. — Isso me magoou.
— Se eu te apresentar uma moça legal, você me perdoa?
— Se ela realmente for legal, com certeza estará perdoada, garota de ferro.
No mesmo instante, Thor chamou Steve para acompanhá-lo em algo e só dei meu olhar de “tenha cuidado” antes dele se afastar, pois algo me dizia que o deus ia aprontar. Sam riu com minha atitude, tenho que me preocupar também com meu namorado.
— Bebida? — indaguei, apontando para o copo vazio que ele segurava.
— Não, mas posso te acompanhar se for pegar para você.
— Vou ter de me contentar com um drink sem álcool. — Começamos a andar. — Infelizmente, aqui só vou poder beber com vinte e um anos.
— Pensa pelo lado positivo: quando sair com o pessoal da universidade, você será a motorista e vai evitar acidentes.
— Não gostei desse lado positivo, mesmo evitando alguma tragédia. — Ri com as palavras. — Alguma novidade no caso do nosso amigo?
— As pistas estão frias, mas algo deve aparecer.
Ao chegarmos, encostei no balcão e fiz meu pedido ao barman, Sam depositou o copo vazio em cima do móvel.
— Tem que aparecer, me preocupa que a Hidra possa encontrá-lo e fazer uma nova lavagem cerebral.
— Se a Hidra estiver atrás dele também, deve estar tendo a mesma dificuldade que nós ou até mais — comentou, apoiando o braço no balcão. — Devem estar mais preocupados em fugir de vocês do que caçar Bucky.
— Verdade.
— Lembre-se: ele tem um alto nível de treinamento e vimos isso em primeira mão.
— Uma das minhas armaduras lembra muito bem disso — brinquei antes de pegar a bebida que o barman colocou na minha frente.
— Logo novas pistas vão aparecer, ele está sozinho e sem apoio.
— Só espero que não sejam mais pistas frias. — Tomei um pouco do drink. — E, falando sobre Hidra fugindo, quando você vai se juntar a nós?
— Até você?! — Arqueei a sobrancelha, sem entender. — Steve me perguntou não faz muito tempo.
— Está vendo? Seu futuro é estar no grupo.
— No momento, vou ficar na procura do desmemoriado — falou Sam, rindo. — Menos louco que seu mundo louco.
Me juntei à sua risada, Sam era um ótimo cara e fico feliz que Steve tenha ele como amigo, alguém que o entende em relação a servir seu país, suas guerras internas e externas.
Por cima do ombro dele, vi dois garçons ajudando um senhor a andar, o que me preocupou pelo estado que o senhor estava. O pássaro olhou na mesma direção e se perturbou, ele se aproximou e eu fiz o mesmo, depois de virar meu copo.
— O que aconteceu? — questionei aos dois garçons ao chegar perto.
— Bebeu demais — respondeu o que estava à direita do idoso. — Ele e aquele grupo.
Apontou na direção onde tinha um com a cabeça baixa apoiada no braço, que estava em cima do balcão, e outro em pé, parecendo em estado de choque. Isso foi pela bebida ou algo mais forte?
— Eles estão bem? — indagou Sam.
— Estão, eu mesmo verifiquei — respondeu o da esquerda. — Vamos buscá-los, assim que levarmos esse embora.
— Excelsior — disse o senhor, se inclinando na minha direção.
— Certo — digo para ele, mesmo sem entender que palavra era aquela. Virei para os dois garçons. — Tudo bem, façam o que for necessário para eles chegarem em segurança.
Deixei eles seguirem e encarei os outros dois idosos.
— Queria saber o que eles beberam.
— Por quê? — indaguei, cruzando os braços.
— Para passar bem longe, se fez isso com eles, o que aconteceria comigo? — Colocou as mãos na cintura e deu risada. — E o que raios significa “Excelsior”?
O número de pessoas na festa tinha diminuído, até Sam já tinha ido embora, aproveitei e sentei no sofá vazio, decidi olhar em volta antes de colocar meus pés em cima do móvel, mas o que chamou minha atenção foi ver o Banner se aproximando do bar, onde Anna preparava uma bebida. De onde estava, não dava para escutar a conversa e não sou boa em ler lábios, no entanto, o sorriso da Anna entregava que o papo estava bom. Ela se afastou, o deixando sozinho e eu fiquei sem entender. Fiz sinal para chamar sua atenção, mas a Anna subiu as escadas, não sei se me ignorou ou não viu. Podia ir atrás dela, só que estava com preguiça, andei demais na festa.
Por sorte, Steve se aproximou do bar e conversava com Banner. Espero que seja sobre os dois, preciso saber se Banner me escutou, se não eu que tomaria atitude.
Steve me viu e se afastou do doutor, veio na minha direção e sentou ao meu lado. Ele esticou o braço no encosto do sofá e apoiei a cabeça em seu braço.
— Pode contando — pedi, o olhando.
— O quê?
— O que você escutou e também o que disse ao Banner. Me diz que ele me escutou.
— Primeiro preciso saber o que disse a ele. — Deu um sorriso brincalhão. — Você o ameaçou?
— Não faço essas coisas. — Fingi estar ofendida. — Só sugerir tomar uma atitude em relação à Anna.
— Então, ele te escutou, mas... — me impediu de falar. — Não do modo que pensa, ele foi devagar, só flertaram.
— Já é algo — concordei, feliz. — E o que você disse a ele?
— Que acho legal os dois juntos e que não devia esperar tanto para ser feliz, os dois merecem.
— Isso é verdade — apoiei. — Eles já sofreram demais, merecem ser felizes, eu só espero que não demore.
— Vamos deixar no ritmo deles — pediu antes de beber um pouco da cerveja. — Banner é tímido.
— Então, estarão velhos quando resolverem. — Me inclinei na sua direção. — Se vermos que empacaram, nós vamos ajudá-los.
— Nós?
— É, temos que devolver o favor. — Ele me olhou sem entender. — Anna foi uma das pessoas que nos ajudaram.
— Não gosto de me meter na vida dos outros.
— Mas foi o que fez ao falar com o Banner — comentei antes de rir. — Agora não tem como voltar atrás.
— Tudo bem. — Colocou a mão em cima da minha, que estava apoiada no sofá. — Será que vai demorar para todos irem embora?
— Não sei, acho que não — respondi, olhando em volta de novo. — Mais pessoas já foram embora. — Voltei a encará-lo, curiosa. — Mas por que quer que todos vão logo embora?
— Porque poderei abraçar ou beijar minha namorada sem me preocupar dessas pessoas verem.
— Logo eles irão embora e poderemos fazer tudo isso ou... — Joguei meu cabelo para trás do ombro de modo sedutor. — Eu posso me recolher para o quarto mais cedo e você alguns minutos depois, e, então...
— Gostei. — Apertou mais ainda minha mão. — Gostei muito da ideia.
— Que ideia? — indagou meu pai, aparecendo atrás da gente, nos pegando de surpresa. — Espero que seja uma divertida.
— É feio ouvir a conversa dos outros — briguei.
— Eu só vim avisar que os últimos convidados estão indo embora, mas isso não significa que a festa acabou para nós.
Se afastou e olhei para Steve, que pareceu desapontado, mas não tinha o que fazer. O plano ficaria para depois, porém, teríamos energia para fazer qualquer coisa depois da segunda parte da festa?
Sentei ao lado de Steve quando todos se reuniram na sala, quando restamos só nós. Além dos heróis, estavam Maria, Rhodes e Helen. Todos estavam à vontade, sentados no sofá e no chão. Conversando e rindo, tentei roubar um pouco de cerveja do meu namorado, mas ele não deixou, na verdade, ninguém dali deixou. São chatos mesmo.
Vi Thor entregar uma pequena garrafa ao Steve e estranhei a forma do utensilio. Peguei da mão do Steve e levei até meu nariz para cheirar, tinha um cheiro forte, que me deixou um pouco tonta. Logo a garrafa saiu das minhas mãos.
— O que é isso? — questionei, curiosa.
— É uma bebida que veio dos barris feitos dos destroços das frotas de Grunhel — contou Thor antes de Steve beber um pouco. — Foi envelhecida durante mil anos. Não foi feito para mortais.
— E porque não?
— Você viu os senhores? — perguntou Steve, devolvendo a garrafa ao loiro, acenei que sim. — Foi essa bebida que fez aquilo.
— E você está bebendo! — Dei um tapa em seu braço. — Pode parando.
— Relaxa, meu amor — disse, passando o braço por minha cintura. — Graças ao soro, não ficarei daquele jeito.
— Acho bom, não quero cuidar de bêbado.
Beijou-me e me puxou para mais perto de si. A conversa continuou até chegar no assunto referente ao Mjolnir, que estava na mesa de centro, e parecia não convencer a todos sobre como funciona.
— Mas é um truque — declarou Clint para Thor.
— Não, é muito mais do que isso. — Thor riu e fez um brinde com Steve.
— Então, “aquele que for digno, possuirá o poder” — Barton disse com uma voz grave, como se fosse o Pai de Todos. — Qual é? É um truque!
— Por favor, fique à vontade. — O deus riu e indicou o martelo.
Todos nós paramos de falar para ver a cena.
— Sério? — Clint riu, brincando com duas baquetas, e se levantou ao ouvir a confirmação do outro.
— Isso vai ser lindo — comentou Rhodes, rindo.
— Clint, sua semana foi difícil, ninguém vai te zoar se não conseguir levantar — implicou Tony depois de encher seu copo e sentar ao lado do coronel.
— Pai, você vai deixar essa oportunidade passar? — questionei, rindo, e ele me respondeu com uma piscada.
— Você sabe que eu já vi isso, não é? — perguntou o passarinho ao loiro e se aproximou do martelo, segurou no cabo e o puxou, mas nem saiu do lugar. — E eu ainda não sei como se faz. — Ele riu e olhou para os outros.
— Sentiu o cheiro da zoação? — Tony perguntou seriamente, mas todos nós rimos.
— Por favor, Stark, faça as honras.
Ele se afastou enquanto meu pai se levantou e ajeitou o blazer, se aproximando do martelo.
— Eu nunca fugi de um desafio justo. — Parou no mesmo lugar que o arqueiro e voltou-se ao Thor. — É física. — Ele passou o pulso pela alça e segurou o cabo. — Então, se eu levantar, eu vou poder governar Asgard?
— Vai, é claro.
Tanto eu quanto Steve rimos, sabíamos que não conseguiria.
— Vou reinstituir a prima nocta* — disse, tentando levantar, e é claro que falhou.
— Vou fingir que não é meu pai se fizer isso.
— Eu volto já. — Ele soltou sua mão e saiu, voltando em poucos minutos, já sem o terno e com a luva de sua armadura, tentando novamente. — Me dá uma força, Rhodes?
— Só se eu tiver alguns direitos sobre Asgard. — Ele se levantou e chamou a mão da sua armadura. — Estamos de acordo?
— Claro, claro... — disse, impaciente. — Vem logo.
Ele se juntou ao Tony e ambos tentaram levantar.
— Você está puxando? — questionou Rhodes, o olhando e puxando ao mesmo tempo.
— Somos uma equipe, né?
— Finja, pelo menos, puxe! — exclamou o coronel.
No final, não importava o quanto eles puxassem, o martelo não se mexia. Depois de verem que não conseguiriam, deixaram outra pessoa tentar, dessa vez foi o Banner. Ele tentou puxar, apoiando os dois pés sobre a mesa, mas, ao ver que não conseguiria, soltou e começou a “rugir”, como tivesse se transformando no Hulk. Nós apenas olhamos. Todos ficamos sérios, não gostando da brincadeira.
— Não? — perguntou antes de sorrir sem graça.
— Quem sabe o Hulk consiga — sugeri.
— Prefiro não saber — respondeu o doutor, voltando ao seu lugar. — Vai tentar, Sarah?
Levei meu dedo até o queixo, fingindo refletir sobre o assunto. Todos davam apoio, provavelmente para rir às minhas custas. Levantei e tirei minha jaqueta, dei para meu namorado e fui até o martelo.
— Mostra o poder das mulheres — gritou Anna animada.
— Asgard já teve alguma rainha, sem ser por casamento?
— Não, você será a primeira se conseguir — contou o loiro.
Coloquei a alça no meu pulso e segurei o martelo, olhei para todos e notei que tinham suas expectativas, o que me deixou nervosa. Respirei fundo e puxei, mas ele não se mexeu, nem um centímetro se quer. Coloquei a minha outra mão e tentei novamente, novamente, nada. Meu cabelo caiu na frente do meu rosto e assoprei para longe do mesmo. Todos riram e soltei o Mjolnir.
— Deve ter leitura de digital — comentei, olhando para o cabo. — Ou esse martelo é machista?
— Machista? — indagou o Thor e Steve explicou rapidamente a ele. — Não, não é.
Me afastei e sentei no meu lugar, Steve todo fofo tentou me consolar com um beijo rápido. Em seguida, levantou e foi em direção ao objeto. Arregaçou as mangas e analisou a arma antes de segurar o cabo e puxar.
— Força, Capitão — disse Clint antes de rir.
— Você consegue! — exclamei, dando meu apoio.
Ele tentou mais por alguns poucos segundos, mas desistiu.
— Nada — disse Thor, rindo também antes de beber.
Meu namorado voltou ao lugar e peguei sua mão, antes de apoiar minha cabeça em seu ombro. Eu achei que ele conseguiria, já que é um homem tão bom, mas parece que o martelo não vê isso.
— Anna? — chamou Bruce, chamando a atenção da bruxa e nos fazendo olhá-la.
— Melhor não. — Abanou a mão em negação. — Se eu conseguir levantar, não terá necessidade de existir os Vingadores.
Todos nós começamos a falar, brincando claro, sobre ela jogar na cara que ficaria muito poderosa e que não precisaria de nós. Ela só sorria e aproveitava sua bebida. Não tem como negar que ela seria muito poderosa, não teria nem graça de lutar contra ela.
— Viúva? — O doutor tentou com a ruiva.
— Ah, não, não quero fazer parte dessa brincadeira. — Ela sorriu e apoiou o braço no sofá, bebendo sua cerveja.
— Com todo respeito ao homem que não queria ser rei, mas rola um truque — meu pai resmungou, de pé, ao lado de Rhodes.
— Do caramba — concordou Clint, passando por Tony.
— Steve, ele quase disse um palavrão! — exclamou Maria, apontando para o arqueiro.
— Você contou sobre aquilo? — questionou Steve ao meu pai.
— Acho que ele pode ter mostrado o áudio a ela — disse, rindo.
— O cabo tem um sensor, tipo, uma trava de segurança — disse Tony, ignorando o capitão. — E, como minha filha disse, funciona para quem tiver as impressões digitais do Thor. Uma tradução literal.
— É, é, na verdade, é uma teoria muito interessante, mas eu tenho uma mais simples. — Ele se levantou e foi até o martelo, pegando-o normalmente, brincando com o mesmo. — Vocês não são dignos.
Todos nós começamos a rir sobre o que disse, mas logo paramos quando escutamos um tipo de estática, fazendo nossos ouvidos doerem. Peguei meu celular transparente e olhei, mas não tinha nada, logo notei que meu pai fez o mesmo. Um som muito estranho veio das escadas, me lembrava daquele ruído de filmes de terror. O que parecia um dos restos de uma armadura misturada com um dos robôs da Legião surgiu, andando em nossa direção, mas parou quando nos viu.
— Dignos. Não. Como seriam dignos? — A voz sinistra vinda do robô nos fez levantar. — Vocês são assassinos. — Começou a se aproximar devagar.
— Stark — Steve o chamou e virou para mim. — Sarah.
— Friday — chamei para identificar o problema, mas não tive resposta e a tela a mostrava offline. — Pai?
— Jarvis — ele chamou a outra I.A.
— Perdão, eu estava dormindo, ou sonhando acordado — disse o robô.
— Reinicie o sistema da Legião de Ferro, temos um traje com defeito. — Ele tentou dar o comando, porém, nada ocorreu. — Sarah? — Balancei a cabeça em negação. — Droga.
— Tinha um barulho terrível. Eu estava preso por cordões. Tive que matar o outro cara. Ele era legal — divagava para nós. — A garota também era, mas ela escapou.
— Você matou alguém? — perguntou Steve ao robô.
— Não era minha primeira escolha, mas, no mundo real, temos que enfrentar as escolhas cruéis.
— Quem o enviou? — foi questionado por Thor.
“Eu vejo uma armadura em volta do mundo”.
Eu conhecia essa voz, era meu pai, uma gravação.
— Ultron? — Bruce indagou meu pai.
— Em carne e osso. — O robô assentiu e os olhou. — Bem, não, não ainda. Não essa crisálida, mas estou pronto. Estou numa missão.
— Que missão? — a ruiva perguntou.
— Paz para o nosso tempo. — Ao terminar a frase, outros robôs da Legião atravessaram a parede e voaram na nossa direção.
Eu me joguei para o lado e escutei o barulho de algo batendo, olhei para trás e vi meu namorado sendo derrubado. Eu precisava chegar à oficina e pegar minha armadura, levantei e corri na direção, mas não vi uma armadura chegando, ela acabou me jogando para trás, me acertando numa coluna. Caí no chão, segurei um gemido de dor que quis escapar, levantei a cabeça e o vi vindo na minha direção.
— Sarah!
Olhei e vi Natasha me arremessando — no chão — a arma. Veio direto para minha mão e atirei, tentando mirar bem na cabeça. Para a minha sorte, a carcaça estava tão danificada que consegui derrubar o robô, porém, me custaram todas as balas. Joguei a arma de lado e olhei em volta, me preocupei ao ver a Cho atrás do piano, dava para notar que estava apavorada. Não pensei duas vezes e me arrastei até ela, precisava tirá-la dali.
— Tô chegando, Cho — avisei.
De repente, outro robô caiu no meu lado e me virei, ficando à sua frente. Ele levantou a cabeça e me encarou: ele usava uma das minhas máscaras com um dos corpos da Legião. Era estranho estar nessa situação.
— Por favor, recuem.
Dei um chute nele, para tentar afastá-lo de mim, só que não adiantou em nada. Fui me arrastando para trás, ficando em frente a Cho, não queria que ela fosse ferida ou, pior, morresse. Antes eu do que ela.
Ele usou o propulsor de uma das mãos para levantar, notei que não tinha a parte de baixo, deixando mais bizarro. Apontou a outra mão na nossa direção e, quando estava prestes a atirar, ele parou. Para nosso alívio, Steve apareceu e o puxou para longe de nós, o jogando para Thor, que o acertou com o martelo.
— Obrigada — agradeci antes de levantar e me aproximar da coreana. — Vamos. — Peguei seu braço e a levantei.
A levei até o bar e nos agachamos atrás do balcão, para nos proteger. Tateei debaixo do bar, procurando a arma que a Natasha prendeu para uma emergência, mas não estava lá. Ok, tenho que me lembrar de sugerir para deixar mais de uma arma.
— Isso foi dramático! — disse Ultron, me fazendo levantar para encará-lo. Ele estava no mesmo lugar. — Desculpem, vocês têm boas intenções. Só não pensaram direito — ele murmurou, aproveitamos e nos reagrupamos. Fiz sinal para a Cho ficar atrás de mim. — Vocês querem proteger o mundo, mas não querem que ele mude. Como a humanidade será salva se não for permitido que evolua? Como elas. — Ele riu e pegou um dos robôs pela cabeça, perto de seus pés, apertando o capacete até amassá-lo. — Essas marionetes. — Jogou o resto no chão novamente. — Só existe um caminho para a paz. A extinção dos Vingadores.
Mal terminou de falar e Thor lançou o martelo, desmontando-o ao chocar-se com a parede, logo o chamando de volta.
— Quem quiser, me examinar... — Não conseguiu terminar a frase, a energia de Ultron logo foi esvaída do corpo.
Todos nós ficamos chocados com o que havia acabado de acontecer, com as palavras ditas. Não tinha como não temer. Olhei para o grupo e todos estavam como eu: preocupados. Deixei meu pai por último para encará-lo, mas ele parecia o pior de todos, não em questão de ferimentos, mas em expressão. Dava para ver que se sentiu culpado. Seu olhar logo se cruzou com o meu.
— O que vocês fizeram?
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