Take on Me
44 Can you hear me?
Notas iniciais

Sarah
— Todo o nosso trabalho já era — queixou Bruce no laboratório. Todos nós estávamos lá, junto com os destroços da Legião. Meu pai encarava a carcaça que Ultron tinha utilizado. — Ultron foi embora, ele usou a internet como uma porta de fuga.
— Ultron — disse Steve antes de suspirar.
— Ele esteve em contato com tudo, arquivos, câmeras, provavelmente, sabe mais sobre nós do que sabemos um do outro — comentou Natasha, nos olhando, e se encostou na bancada, cruzando os braços.
— Ele está nos seus arquivos, está na internet, e se ele decidir acessar alguma coisa um pouco mais interessante? — perguntou Rhodes, com uma bolsa de gelo no braço.
— Códigos nucleares — Maria pensou em voz alta, tirando os cacos de vidro do pé.
— Códigos nucleares — reforçou ele. — Precisamos ligar para algumas pessoas, se é que ainda podemos.
— E se vão nos atenderem? — comentei, encostada na mesa, ao lado do Steve, mexendo no tablet. — Tem pessoas que não gostam de nós.
— Bombas? Ele nos queria mortos — a ruiva nos lembrou.
— Não foi o que ele disse, ele disse “extintos” — corrigiu Steve.
— Ele também disse que matou alguém — expressou Clint, se aproximando de nós.
— E que uma garota fugiu — completou Anna, ao seu lado.
— Mas não havia mais ninguém no prédio — falou Hill, sem entender.
— Havia sim — respondeu Tony antes de mostrar o holograma do Jarvis, mas todo despedaçado.
— E a garota é a... — disse Anna.
— Friday — a interrompi.
— Isso é loucura. — Bruce analisou a imagem.
— De algum modo, Jarvis a desconectou antes de ficar nesse estado. — Passei a mão na tela e a Friday logo apareceu. Ela estava mal, mas não como o do meu pai. — Ele a colocou num servidor remoto e assim ficar intocada pelo Ultron. — Me aproximei do holograma da Friday. — Por que fazer isso com eles?
— Jarvis e Friday eram a primeira linha de defesa, tentaram desativar o Ultron e Jarvis sabia que podíamos precisar de ajuda, então, a tirou do caminho — murmurou Steve, com os braços cruzados.
— Se sacrificou por ela. — Soltei um suspiro.
— Ultron poderia ter assimilado o Jarvis. Isso não é estratégia, isso é raiva — comentou Banner.
Escutamos passos pesados e vimos que era Thor que tinha entrado, sua expressão era fechada e o nórdico foi direto em direção a Tony.
— E está se espalhando — escutei Barton falar no momento que Thor levantou meu pai pelo pescoço.
— Fale com palavras, amigo — pediu Tony, um pouco rouco.
— Thor, para — pedi, me aproximando dos dois, e coloquei minhas mãos em seu braço, tentando puxar. — Por favor, não faz isso.
— Ele criou o Ultron.
— Não foi sozinho — respondi e Steve apareceu ao meu lado. — Vai matar o Banner também e então? Já vai começar a cumprir a ameaça que ele nos fez?
— Thor, o Legionário — interviu Steve e o outro soltou meu pai.
— O rastro esfriou a uns 150 km, indo para o norte, e ele tem o cetro — respondeu seriamente. — E, de novo, teremos que recuperá-lo.
— O gênio saiu da garrafa, está vivo e se chama Ultron — expressou a ruiva.
— Não consigo entender — Helen disse, chamando a atenção de todos. — Você construiu esse programa, por que quer nos destruir? — ela perguntou diretamente a Tony, que se virou para o computador e tentou segurar o riso, mas falhou. Bruce, que estava ao seu lado, o repreendeu.
— É sério, Tony? — falei brava, pegando o tablet.
— É engraçado pra você? — Thor o olhou, sorrindo sarcástico.
— Não. — Ele segurou o riso e se virou para olhá-lo. — Provavelmente, não é, certo? — Ele olhou para os demais na sala. Levei a mão à testa, pensando se não deveria ter deixado. — Isso é terrível. Isso é tão... — Ele balouçou, segurando o riso novamente. — É terrível sim.
— Poderia ter sido evitado se não tivesse brincado com uma coisa que não entende — iniciou Thor.
— Não, desculpe, desculpe. — Ele foi até Thor. — É engraçado, o mais engraçado é não entender porque precisamos disso.
— Tony, talvez essa não seja a hora certa — Bruce o repreendeu novamente.
— Escute o doutor, Tony — sugeriu a bruxa.
— Sério? — Meu pai pareceu indignado. — É isso? Você vai rolar e mostrar a barriga sempre que alguém rosnar?
— Só quando eu crio um robô assassino — rebateu o Banner.
— Não criamos, nem chegamos perto, estávamos perto de uma interface?
— Pelo robô assassino denominado Ultron que acabou de nos atacar, eu discordo sobre a interface — respondi e recebi uma cara feia como resposta.
— Alguma coisa certa você fez — expressou Steve. — E fez bem aqui, mas os Vingadores deveriam ser diferentes da SHIELD.
— Alguém lembra que levei uma bomba nuclear por um buraco de minhoca? — perguntou Tony, tentando se defender.
— Não, ninguém fala disso — respondeu Rhodes calmamente.
— Salvei New York.
— Nunca ouvi falar — retrucou novamente.
— Vocês lembram? Um exército alienígena hostil invadiu por um buraco no espaço, estavam uns cem metros abaixo. — Ele suspirou. — Somos os Vingadores. Podemos acabar com traficantes de armas o dia todo, mas aquilo lá em cima iria acabar com tudo. Como dariam um fim naquilo?
— Juntos — Steve afirmou seriamente.
— Perderemos — replicou meu pai.
— Faremos isso juntos também — reafirmou antes de finalizar o assunto. — Thor está certo. Ultron está nos desafiando. Gostaria de encontrá-lo antes que estivesse pronto para nós. O mundo é um lugar enorme, vamos torná-lo menor.
— Vou colocar a Friday para rastrear, assim que consertá-la — disse indo em direção à escada.
— Quanto tempo para isso? — indagou Steve.
— Precisarei de pelo menos duas horas — respondi, olhando para o tablet. — Se não tiver enganada pelo que estou vendo.
— Tudo bem.
Bati meus dedos na mesa, mostrando minha impaciência, esperando o programa rodar corretamente o código que coloquei. Se não fosse o Jarvis, melhor nem pensar. Espero que meu pai esteja conseguindo consertar a I.A.
— Como foi o teste de proteção?
— Falhou no terceiro nível, senhorita.
— Merda — xinguei. — Vou acrescentar umas coisas.
Estava tão focada que não escutei Tony entrar e sentar ao meu lado, ele colocou um prato de sanduíche na mesa, pelo qual fiquei imensamente agradecida.
— Como está indo?
— Bem, acho — respondi antes de morder um pedaço do sanduíche. — E o Jarvis?
— Está indo bem, o deixei fazendo testes, mas deve melhorar.
— Assim que terminar a Friday, a deixo ajudando.
— Obrigado. — Notei que ele queria falar algo e fiz sinal com a cabeça para incentivá-lo. — E obrigado por tentar me salvar do Thor.
— Não agradeça, eu só o salvei porque não quero assumir os negócios.
— Me senti importante — disse com sarcasmo. — É bom saber o quanto minha filha me ama.
— Olha, pai, eu entendo a raiva de Thor. — Coloquei o que sobrou do sanduíche no prato. — Mas eu não podia ficar de braços cruzados e ver que Ultron já estava conseguindo nos separar.
— Você também me culpa?
— Você e Banner fizeram uma merda, mexer com algo sobre o qual não têm ideia — disse, tentando segurar minha raiva. — O Cetro do Loki é literalmente de outro mundo, não vem com manual para manusear.
— Eu tive uma visão — começou a contar seriamente. — No dia que recuperamos o cetro, eu vi algo que mexeu muito comigo, algo que eu temo acontecer.
— O quê?
— Fomos atacados de novo, mas, dessa vez, perdemos. — Levou a mão aos cabelos, mostrando sua frustação. — O preço foi caro, foi muito alto para mim.
— Pai, o que você viu? — perguntei preocupada.
— Os Vingadores caíram, todos morreram... Você morreu.
— Pai, eu não morri. — Segurei sua mão. — Eu tô aqui viva.
— Steve me culpou por não ter feito nada.
— Pai, é só uma visão. — Ele me encarou. — Nada daquilo aconteceu e nem vai acontecer.
— Por isso criei o Ultron, entende? Eles não podem voltar a atacar a Terra.
— E não irão, ok? Confie em mim.
Eu o abracei forte para acalmar seus demônios. Ter uma visão dessas não deve ter sido fácil, ver todos seus companheiros e filha mortos, é para deixar qualquer um preocupado e capaz de qualquer coisa para evitar. Mas meu pai precisa entender que não está sozinho nessa.
[...]
Tomei um gole do meu chá de hortelã e suspirei de satisfação. Uma bebida quente faria bem àquela hora da manhã e daria mais energia. Reparar Friday demorou exatamente duas horas. Por sorte, ela mesma tinha condição de me ajudar a arrumar, diferente do Jarvis. Só de lembrar o que aconteceu, minha cabeça até dói.
Escutei a porta da cozinha se abrir e sorri ao ver a Anna. Ela parecia cansada, acho que ela não dormiu, na verdade, acho que ninguém dormiu. Só cochilamos para ter energia suficiente para aguentar o dia.
— Café? — perguntei.
— Sim — respondeu, pegando a xícara. — Você está bem?
— Claro, ainda mais depois de um gole de chá.
Ela encheu a xícara e encostou no balcão.
— Como foi a conversa com Tony?
— Foi ok — respondi, dando de ombros. — Não tinha muito a fazer, a merda já foi feita.
— Mas foi bom ele escutar de você também.
— Sabe que eu não tenho moral para isso — expliquei antes de andar até a porta. — Não depois de saber que posso ter participado dos planos da Hidra.
— Você acreditou nisso? — indagou, me alcançando e caminhando ao meu lado. — Eles podem ter te sequestrado para isso, mas duvido que você tenha feito algo.
— Não saberemos até eu lembrar ou voltarmos a falar com o Barão.
— Nem pensar, você precisa de tempo. — Arqueei a sobrancelha. — Acredito que tenho de te treinar na arte do interrogatório.
— Não sabia que interrogatório é uma arte.
Entramos no elevador e apertamos o andar.
— De certo modo, ainda mais quando só envolve a psicologia — explicou com um sorriso sinistro.
— Se lembrando de algum interrogatório?
— De certo modo — respondeu antes da porta se abrir e sairmos.
— Vamos marcar para depois de derrotarmos Ultron — concordei, começando a subir as escadas.
— Seu meio-irmão deve ter deixado alguma pista de onde está.
— Meio-irmão?
— Sim, já que ele foi criado por Tony e Banner — disse num tom divertido. — Logo é seu meio-irmão.
— Estou surpresa não ter pensado nisso. — Escutei uma voz no corredor. — Bem, ele será seu enteado.
— Meu enteado? — Então vimos Clint no telefone e acenamos para ele. — Por que meu enteado?
— Porque logo você e Banner estarão juntos.
— Se toda vez que alguém flertar comigo eu tiver de ficar com a pessoa, estaria em relacionamento com muitos homens, mais do que você imagina.
— Safadinha — brinquei.
Entramos na sala onde o pessoal estava trabalhando, exceto Barton e Steve. Aproveitei e me aproximei de Tony, que estava mexendo na tela. Sorri e vi que era pesquisando algo referente ao que Ultron xeretou.
— Alguma coisa?
— Nada, filha. — Pegou a xícara da minha mão e tomou um pouco. — Podia estar mais doce.
— Na próxima vez, trago para você. — Ele devolveu a xícara, mas apoiei na mesa.
Nesse instante, Steve entrou na sala e parecia que tinha descoberto algo, me aproximei, junto com meu pai e ele me entregou o tablet. Ao olhar para tela, vi a foto de Strucker na cela de prisão, morto. Aquilo me chocou, não esperava o assassinato do Barão.
— O que é isso? — perguntou antes de também olhar para a tela.
— Uma mensagem — nos contou Steve. — Ultron matou o Strucker.
Notei na parede a palavra “paz” escrita com o sangue do Strucker e achei a cena repulsiva. Mesmo depois de aquele cara ter feito o que fez comigo. Entreguei o tablet ao meu pai, que queria ver melhor.
— E deixou um recadinho na cena do crime só para nós — murmurou Tony ao ver a palavra.
— É uma cortina de fumaça — comentou Natasha. — Por que enviar uma mensagem quando acabou de discursar? — Natasha perguntou e os olhou.
— Strucker sabia de alguma coisa que Ultron não quer que vejamos — concluiu Steve.
— E eu aposto que... — Anna parou de falar ao ver na tela do computador que a página havia sido bloqueada. — É, o que tínhamos sobre o Strucker foi apagado.
— Nem tudo — informou Tony antes de se afastar. — Preciso de ajuda. Sarah, pode me acompanhar também?
— Claro.
— Você está bem? — me questionou quando parei ao seu lado. — Você ficou pálida.
— Só em choque, mas bem — respondi, forçando um sorriso. — Acho que, no final, ele colheu o que plantou.
— Nem eu e nem você acreditamos em justiça divina, mas acho que, nesse caso, o nome combina — disse Tony.
— Acho que os pais de Melinda vão sentir paz.
— Sim, com certeza — concordou meu pai. — Eu sei que estou sentido isso.
Dava para entender meu pai ter esse sentimento, acho que eu devia estar sentindo o mesmo, no entanto, algumas perguntas ficaram sem respostas, por enquanto. Queria descobrir mais informações sobre essa máquina que Strucker falou, mas isso ficaria para depois, mais um item para a lista de coisas a fazer.
Na sala onde fomos, notei várias caixas e lembrei que meu pai tinha falado daqueles documentos, foram doados aos heróis por Fury, informações que podiam nos ajudar. Pegamos as caixas e levamos para o laboratório. Depois começamos a abrir e a olhar os arquivos, procurando alguma conexão.
— Associados conhecidos — disse Steve, colocando uma caixa sobre a mesa, entre Thor e Tony, abrindo a mesma, pegando uma pasta em creme. — Ele devia ter vários amigos.
— Essas pessoas são horríveis — comentou Bruce, olhando alguns nomes.
— Espere — disse Tony, chamando nossa atenção e apontando para o arquivo que Banner segurava. — Eu conheço esse cara. — Ele pegou o arquivo e depois entregou para nós. — Faz tempo, ele negocia na costa africana, mercado negro de armas — comentou e notou o olhar nada amigável de Steve. — Existem congressos, tá? Lá se conhecem pessoas, não vendi nada pra ele — se defendeu. — Ele queria encontrar alguma coisa nova, que virasse o jogo, estava num astral meio Ahab.
— O que é isso? — indagou Thor, apontando para a foto em suas mãos, uma marca na nuca do sujeito, que já tinha várias tatuagens.
— É uma tatuagem, acho que ele não tinha na época — respondeu Tony.
— Não, essas são tatuagens. — Ele indicou os desenhos escuros. — Isso é uma marca. — Apontou para a outra, que mais parecia uma cicatriz.
— É uma palavra que significa ladrão num dialeto africano, de uma forma muito menos amigável — Bruce respondeu após pesquisar no computador e fui até seu lado para ver.
— Que dialeto? — questionou Steve.
— Wakanada.
— Wakanda — o corrigi depois de ler na tela.
Tanto meu pai como meu namorado se entreolharam, o que estranhei.
— E se esse cara saiu de Wakanda com um dos produtos de lá? — Tony perguntou a Steve.
— Seu pai não disse que ficou com o último? — rebateu Steve, nos fazendo ficar mais confusos.
— Não estou entendendo, o que saiu de Wakanda? — Bruce perguntou, se aproximando da mesa, e eu fiz o mesmo.
— O metal mais forte da Terra — respondeu Tony e todos olhamos para o escudo do Capitão.
— Onde está esse sujeito? — indagou Steve.
O local combinava com esse cara, Cais da Sucata. Quem desconfiaria que esse louco estaria ali dentro? Mas, também, quem desconfiaria que qualquer um estivesse ali dentro? Tony pousou o quinjet um pouco distante, na frente de uma floresta, mas não tão longe do navio no qual Ulysses estava. O plano até que era simples, porém, nada sai tão simples, ainda mais com Ultron e os gêmeos à solta e podendo aparecer. Ficou decidido que o Banner ficaria na nave, aguardando caso fosse necessário acionar o código verde. O restante entraria para lutar e capturar o sujeito.
Enquanto seguia meu pai, olhei em volta, estranhando estar tudo calmo. Alguns dos homens do Ulysses estavam quietos e tinham uma expressão de medo, o que significava que meu meio-irmão e seus novos amigos tinham chegado. Logo os avistamos conversando e nos aproximamos, resolvemos pousar perto da passarela.
— Tenha cuidado, Sarah — pediu, se virando para me encarar.
— Ok, pai.
— É sério.
— Não sou eu quem está na lista de quem ele quer matar — disse, tentando tranquiliza-lo.
— Eu devo estar no topo — brincou com o que disse.
— E eu devo ser sétima.
— Por que sétima?
— Por que eu fui a última a entrar no grupo — declarei antes de finalizar o assunto.
— Ah, Junior — disse, chamando a atenção dos três. — Vai partir o coração do papai. — Pousamos entre o Thor e o Steve.
— Talvez eu faça isso — respondeu o robô, ficando no outro lado da pequena ponte.
— Ninguém tem que partir nada — rebateu Thor.
— Com certeza, nunca fez um omelete.
— Tirou as palavras da minha boca — comentou meu pai e revirei os olhos por suas palavras.
— Que engraçado, senhor Stark. — A voz com o sotaque carregado de Pietro Maximoff chamou nossa atenção, saindo de trás do robô. — Está confortável? Como nos velhos tempos?
Vi alguns mísseis debaixo da ponte e compreendi o quis dizer.
— Essa nunca foi a minha vida.
— Vocês dois ainda podem sair dessa — pronunciou Steve.
— Nós vamos — disse Wanda sarcástica com um sorriso.
— Eu sei que sofreram. — O Capitão foi interrompido por um barulho vindo de Ultron.
— Capitão América. — O robô riu e o observou. — O homem santificado. Fingindo que consegue viver sem uma guerra. Olhe, eu não consigo vomitar, infelizmente, mas...
— Se você acredita em paz, deixe-nos mantê-la — disse Thor, o interrompendo.
— Acho que está confundindo paz com silêncio. — Ultron deu alguns passos à frente.
— Pra que quer o vibranium? — perguntei.
— Que bom que você perguntou, porque eu queria mesmo esse tempo para explicar o meu plano maligno — ele disse e me puxou, usando uma onda magnética, logo depois usou os raios propulsores dos seus dedos para me jogar na parede. Vi que surgiram alguns robôs e atacaram o pessoal.
Me levantei e fui para cima de Ultron, meu pai logo em seguida. Ele era forte, não mediu esforços para nos deter e nem nós. Ele pegou meu braço e me jogou na parede, depois usou seu laser para derrubar meu pai em cima da janela, voei e taquei uma sucata que achei em sua direção. Quando se virou, peguei suas mãos e usei os propulsores dos pés para empurrá-lo, só não tinha notado o quanto era mais forte e conseguiu reverter, então, foi sua vez de me empurrar.
Meu pai se meteu entre nós, isso o fez aproveitar e me atingir com seu laser, me empurrando para o chão. Quando estava prestes a levantar, dois robôs me seguraram no chão. Olhei para a direção dos dois e os vi sair pelo buraco do teto.
— Sarah? — questionou meu pai enquanto eu tentava me soltar dos dois robôs.
— Estou bem, só fui pega pelos amiguinhos robóticos de Ultron — respondi, conseguindo soltar um dos meus braços.
— Fica e ajude os outros.
— Mas, pai...
— Eu me viro com essa sucata.
Bufei e usei um míssil para afastar e destruir um dos robôs. O outro veio e eu o acertei com um soco, mas, antes que pudesse usar outro, senti um impacto e fui lançada para longe, só parei ao sentir minhas costas baterem na parede, caí sentada e encarei o buraco de onde vim.
— Friday?
— Foi atingida por uma bomba.
— Legal, muito legal. — Gemi de dor. Acho que atingi de novo o local que machuquei na festa. — E aquele robô foi atingido?
— Sim, mas não foi destruído.
Vi ele entrando pelo buraco, estava a fim de lutar, mas não com essa sucata. Levantei a mão e o atingi, ele bateu na parte de cima do buraco e caiu. Fechei minha mão em punho e usei o laser que tenho guardado no pulso, que atingiu sua cabeça. Depois lancei o míssil que tenho no ombro no mesmo lugar que o laser.
Seus destroços caíram no chão e suspirei de alívio. Não pude comemorar por muito tempo, porque homens armados sugiram e atiraram na minha direção. Levantei e fui para cima deles, fui derrubando cada um até só sobrar eu.
Recolhi meu capacete para poder respirar, a situação estava foda. Resolvi seguir o caminho por onde esses homens vieram, porém, um barulho chamou minha atenção. Ao virar, dei de cara com Wanda e, antes de puder fazer algo, fui atingida por alguma coisa, me senti tonta, fechei meus olhos por alguns segundos e, ao abrir, ela já não estava mais lá.
— Tenham cuidado com a Wanda — disse no ponto para todos e levei minha mão até a testa.
— O que houve? — indagou Natasha.
Ignorei a pergunta e as outras vozes que viam do ponto, tudo por conta de uma porta que chamou minha atenção. Por que raios tinha uma porta de madeira naquele local? Abri a porta e dei de cara com uma varanda, mas não era qualquer varanda, era a varanda da casa que Steve comprou. Escutei um barulho de risada e isso me chamou a atenção. Desci os três degraus da varanda e tentei localizar a dona daquela risada. Parecia ser uma criança.
— Sarah!
Virei e vi Steve a poucos metros de distância, ele veio até a mim e me abraçou, mas não como ele me abraça, o carinho e o toque eram diferentes. Senti também algo úmido na minha barriga e, quando separamos, vi manchas vermelhas nas minhas roupas e nas roupas dele.
— Steve, isso é sangue. — Estiquei a mão para tocá-lo. — Você está ferido.
— Alguém deve ser sacrificado e porque não eu? — respondeu, afastando minha mão. — Só garanta sua segurança, meu amor.
Me afastei assustada e vi mais sangue do chão, o que foi me assustando. Nunca vi numa quantidade como aquela.
— Você vai falhar de novo. — Anunciou uma voz feminina que eu já tinha escutado.
Dei um passo para trás e bati num corpo forte, senti uma mão na minha cintura, que me virou, logo em seguida a pessoa me beijou e me apertou mais ainda em seus braços. Fiquei surpresa e sem reação até separar nossos lábios. Quando abri meus olhos, segurei um suspiro de espanto.
— Bucky?
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