Take on Me
3 Stand my ground, I wont give in
Notas iniciais

Sarah
Onde foi que eu me meti? Eu sabia que não eram simples federais, afinal, o Capitão América estava no grupo, mas não pensava em uma organização supersecreta.
Quando pousamos no porta-aviões, eu não podia negar que fiquei mais preocupada com aquilo. Estar no meio do céu, sem escapatória. Fui levada para uma sala, parecia uma sala de interrogatório, até aquele espelho tinha, só que ocupava a parede toda. Tive certeza que tinha ido mesmo parar em um interrogatório, mas eles não achariam nada para me acusar. Eu era mais esperta.
Tirei meu casaco e coloquei na cadeira, depois deixei minha bolsa na mesma e me sentei. Eu estava tranquila, não tinha com o que me preocupar, só se resolvessem me matar. Se eles fizessem aquilo, ninguém saberia e nem sentiria minha falta, exceto o síndico, que sentiria falta do dinheiro.
Calma, Sarah, não vai acontecer nada! Não tem motivo para te matarem, só relaxe.
Passei meus dedos no curativo de minha outra mão. Acabei me machucando com a faca e, mesmo sendo só um corte pequeno, os três patetas fizeram questão que o ferimento fosse tratado corretamente. Exagero!
Um homem de tapa-olho entrou. Obviamente aquele era o chefe, com aquela pose de “mando nesse lugar e, ao fazer um sinal, acabo com você”. E uma mulher muito bonita com cara de boazinha, coisa que não devia ser.
— Senhorita Hamilton, é um prazer conhecê-la — disse o homem. — Eu sou Nick Fury, o diretor da SHIELD.
SHIELD? Que nome era aquele?
— Gostaria de dizer o mesmo, Pirata Alma-Negra* — me expressei, não gostando muito da situação. — Olha, eu fui acusada de algo que não fiz!
O tapa-olho levantou a mão e a mulher entregou uma pasta para ele, que abriu na mesa.
— Suas informações são bem interessantes: desde criança mostra uma genialidade. — Seus olhos deslizavam pela folha. — Estudou numa boa escola de Liverpool, ganhou muitas competições. Formou-se aos quinze com honras e, para completar, foi uma das poucas a conseguir uma bolsa para o programa de estudos de Robótica, pude ver que era uma das melhores. — Me encarou antes de um leve sorriso surgir na sua face. — Meus parabéns, senhorita Hamilton!
— E o que faço com seus parabéns? Devo ficar feliz com isso? Quer que eu pule de alegria? — Ele me encarou o que me fez arquear a sobrancelha. — E eu dou os parabéns pela pesquisa, realmente descobriu tudo sobre mim.
Ele me respondeu com um sorriso irônico.
— É tão jovem e cheia de problemas — declarou com uma voz que quase soou como pena. — Sua mãe faleceu e deixou muitas dívidas, bem altas para uma jovem.
— Vocês me trouxeram para jogar na minha cara tudo que eu já sei? Porque, se for isso, eu podia ter feito sozinha. — Bufei irritada. — Eu tenho espelho em casa e podia jogar na minha própria cara — exaltei-me nas palavras, mostrando minha irritação.
— Sei que gênios como vocês fazem coisas erradas quando precisam de dinheiro — comentou Fury, fechando a pasta.
— E o que gênios como eu fazem de errado, Jerry? — questionei de maneira "inocente".
— Jerry? — rebateu a agente.
— Sim, do desenho Três Espiãs Demais. — Os dois me encararam sem entender. — Sério que não conhecem? Indico, vão gostar.
— Adora pôr apelidos — comentou a mulher.
Só sorri em resposta. A assistente passou por trás de mim e pegou minha bolsa.
— Ei, não se pede mais permissão para pegar as coisas dos outros, Gladis?
Ela entregou ao outro, que foi abrindo.
— O que você estava fazendo no shopping? — interrogou Jerry, esvaziando minha bolsa.
— Pergunta para a Sam, já que está me vigiando.
— Ela me disse que estava aprontando.
— Se xeretar a vida dos outros é considerado aprontar, então, foi o que fiz — informei cruzando os braços. — Fiquei nas redes sociais, conversei com amigos...
Ele entregou meu notebook para a morena, que logo começou a mexer, já ele, foi abrindo o envelope.
— Emancipada, interessante — anunciou lendo o documento. Guardou os papéis e pegou o outro envelope que minha mãe deixou para mim, quando foi abrir, arranquei de sua mão.
— Não se deve abrir coisas onde não têm seu nome, se você sabe ler, está escrito "Sarah" e você não se chama Sarah.
— Garota, você está sendo investigada e...
— Deixa, Hill — mandou o chefe, me olhando. — Essa carta tem valor sentimental para a Senhorita Hamilton.
— Exato, essa carta só interessa a uma pessoa: a mim! — exclamei, deixando clara minha irritação. — Agora vamos terminar isso, porque tenho coisas para fazer que é melhor do que ver a sua cara!
— Sabe que sua situação está feia — afirmou e eu dei de ombros. — Está sendo acusada do roubo de informações das indústrias Stark e tentativa de invasão do sistema de Tony Stark.
— Sam disse que vocês têm provas, pois bem, cadê elas? — O pirata olhou para sua parceira que acenou em negação. — Sem provas, sem acusações — destaquei, não escondendo um sorriso arrogante.
Um homem entrou segurando um tablet e entregou ao chefe. Aquilo devia significar algo, já que deu um sorriso de lado.
— As provas estão chegando, mas, enquanto não chegam, que tal falar o que aconteceu? Sabe quem eram aqueles homens?
— Não — declarei antes de notar que batia o pé de raiva. — Como disse a Sam, Clover e Alex: não sei quem eram eles — respondi, encostando-me na cadeira.
— Eles eram mercenários contratados para sequestrá-la — contou a agente fuxiqueira. Jerry colocou o tablet na mesa e mostrou imagens dos homens. — Eles iam usar você.
— Usar para que? Eu não tenho dinheiro, não tenho nada de valor e nem venho de família rica ou importante. — Olhei para as imagens enquanto minha mente tentava entender a situação. — Só se eles queriam meu cérebro, isso eu posso entender, sou um gênio. Sem querer me gabar.
Ok, me gabei, mas era verdade. Era a única explicação que tinha a não ser... Meu pai! Tanto aqueles caras quanto os três mosqueteiros falaram sobre ele. Aquele homem devia saber.
— Você me lembra muito uma pessoa — comentou o pirata.
— Deixe-me adivinhar: meu pai?
— Conhece ele? — questionou, cruzando as mãos na mesa.
— Não e nem faço questão — disse antes de apoiar minhas mãos na mesa, virando meu rosto. — Não vai fazer diferença conhecê-lo agora.
Se antes não queria, quem dirá depois de saber que ele podia ser o culpado do perigo que corri.
— Tem certeza que não gostaria de conhecê-lo? — perguntou o mesmo.
Antes que eu pudesse responder, a porta abriu e um homem entrou. Não escondi o espanto ao ver a pessoa. Não podia acreditar que ele estava ali.
— Finalmente vou poder conhecer a única pessoa que conseguiu chegar ao nível dois do meu sistema pessoal e tenho certeza que conseguiria chegar ao último nível. Prazer, Tony Stark. — Ele esticou a mão e apertei. — Meus parabéns, mocinha. Me diga: como conseguiu, tão rápido, roubar os dados da empresa e, de quebra, chegar ao nível dois, Sarah? Inclusive, belo nome.
Soltei sua mão e fiquei encarando-o. Ele estava me parabenizando? “Sarah, se concentra, tem que fingir que não sabe de nada, senão você está encrencada”. Com certeza ele estava falando aquilo para que eu confirmasse e pronto, estava presa.
— Prazer — respondi desconfiada pela atitude dele. — Não sei do que você está dizendo, pois não fiz nada — declarei, desentendida.
— Pode relaxar, não vai acontecer nada com você, certo, Pirata Fury? — Ele pegou uma cadeira e se sentou ao meu lado, ficou me encarando como se estivesse procurando algo. — Sabe, nunca imaginei que isso podia acontecer. Nunca passou pela minha cabeça.
Ele estava falando sobre o que mesmo?
— O quê? Invadir seu sistema? Seu sistema não é invencível.
— Então, você invadiu? — a agente Hill mais afirmou do que perguntou.
— Eu não afirmei que invadi, mostrei um ponto! — Assoprei os fios de cabelo que foram para meu rosto, para afastá-los. — O senhor Stark pode ser um gênio, mas não é o único nesse planeta. — Cruzei meus braços novamente. — E eu já disse que não fui eu. Cadê as provas? Vocês falaram que estão chegando? E então? Tá chegando a nado ou via pombo correio? — indaguei ao chefe do lugar. — Fury, eu notei que você gostou de mim, mas você me trancando aqui não vai me fazer gostar de você. Ainda mais usando esse tapa-olho. — Inclinei a cabeça para o lado esquerdo. — Diga-me, realmente perdeu o olho ou usa isso para charme? Mulheres não curtem isso.
O Stark soltou uma risada.
— Agente Hill, entregue os equipamentos para o Stark — pediu o chefe.
Merda! Merda! E merda! Agora que vou colocar em prova se era tão inteligente assim a ponto de enganá-lo.
Ele abriu o notebook e ficou olhando para a imagem.
— Sua mãe? — perguntou, colocando um tipo de pen drive no mesmo. — Ela era muito bonita, soube que faleceu de uma doença terrível.
A expressão do gênio mudou, ficou triste como se fosse alguém que ele conhecesse. Que estranho. Devia ter se identificado comigo, já que perdeu os pais cedo também. Não queria que sentisse pena, não precisava daquilo.
— E pare antes de falar "sinto muito" — resmunguei, levantando a mão. Mudei logo de assunto. — Então, precisaram chamar ele para encontrar algo?
— Pois é, somente um gênio pode descobrir algo de outro gênio — declarou orgulhoso. — E quem melhor do que eu para descobrir? O cara com a maior inteligência do mundo.
Exibido, realmente era egocêntrico. Não sabia como estávamos cabendo naquela sala, já que seu ego a ocupava quase por inteiro.
— Agente Hill, pode passar o celular da Sarah, por favor? Você procurou no lugar errado, mas tudo bem, erro de principiante. Agora vai aprender com o mestre. — Ela bufou e entregou de má vontade. — Sabe, seu aparelho é bem velhinho.
Ele encarava o celular, como se fosse um ser de outro mundo.
— Sim, é. Afinal, não sou milionária como você.
— Bilionário, querida. "Bi", não "mi" — corrigiu-me.
— Desculpe pelo engano — ironizei. — Ok, bilionária como você. Satisfeito, chatonildo?
— Sim, há uma grande diferença entre milhões e bilhões. — Revirei os olhos com o comentário. — Devo dizer que esse aparelho engana muita gente. Você o olha, parece mais velho que dinossauros, mas, na verdade, tem um dos sistemas mais atualizados que se pode ter. Foi você que fez? — questionou o playboy.
— Foi.
— Interessante. Hill, me passa o cabo que tem na bolsa. — Ela entregou e ele conectou ao eletrônico. — Obrigado. Aposto que tem nesse celular o que é necessário para quebrar os códigos. — Dei de ombros. — Enquanto Jarvis procura, vamos falar de você. — Apoiou o braço na mesa e, depois, o queixo na sua mão. — Tem dezessete anos e já é formada. Soube que entrou no curso de robótica, não estou surpreso, mas por que esse curso?
Sério mesmo que todos iam falar da minha vida?
— De repente todos ficaram interessados na minha vida. — Coloquei minha mão na pasta e empurrei para sua direção. — Se quer saber, olha os arquivos que o tapa-olho tem. Eu não quero falar sobre mim, só quero resolver logo isso. — Voltei ao Fury. — E, respondendo à pergunta do Jerry: não, não quero conhecer o homem que só serviu para doar o espermatozoide.
— Ele está aqui — comentou o chefe.
— Então, foi por causa dele que me atacaram. — Bati a mão na mesa. — Ótimo! Mais um motivo para não o ver! Faz besteira e sobra para mim.
— Ele não fez besteira — defendeu o gênio. — Só faz o que é necessário pela segurança do mundo.
— Parece que o conhece, homem de lata.
— Sim, melhor que ninguém — declarou, sorrindo. — Ele é um homem maravilhoso, simpático, bonito, maravilhoso, espera, eu já disse maravilhoso... Posso ficar falando dele a noite toda, só qualidades.
Meu pai era gay? Ou pagou para o Stark falar bem dele? Pagar não, porque o cara já era podre de rico. Ele deve ter pedido para elogiá-lo, assim eu iria querer conhecê-lo. Tolo...
— Seu pai está aqui para te buscar, já que está sem tutor legal — informou o pirata.
— Pirata, você esqueceu que sou emancipada? — Soltei uma risada com a declaração. — Não preciso dele.
— Para ser emancipada precisa da assinatura dos dois e eu vejo que só tem a da sua mãe. — Minha expressão deve ter mostrado minha confusão com a informação, visto que ele pegou o documento e me mostrou onde devia estar assinatura do meu pai. — Logo a emancipação voluntária, que foi feito no seu caso, se torna inválida. Seu pai é responsável por você até os vinte e um.
O quê? Eu seria obrigada a ficar com o homem que era meu pai?
— Não podem me obrigar a ficar com um estranho que nunca vi na vida! — me expressei revoltada. — Como sei que é realmente meu pai?
Fury tocou na tela do tablet e o resultado de um exame apareceu.
— O teste de DNA confirma.
Puta merda! Pegaram meu sangue quando cuidaram na minha ferida. Filhos da mãe!
— Prefiro ir para um orfanato — falei, empurrando o tablet para longe de mim como se fosse uma cobra.
— Você vai preferi-lo — disse Stark, se metendo na conversa. — Já que ele pode resolver seus problemas, livrá-la das dívidas... — Ele começou a mexer no notebook. — Você criou um algoritmo que apaga todos os rastros e joga a culpa para um IP fantasma. Brilhante!
Óbvio que era brilhante. Aquele algoritmo deu trabalho para fazer, mas deu certo.
— Encontramos a prova — apontou a assistente.
— Vão me prender por isso? Não significa que eu seja a criminosa.
— Relaxa, Sarah, eu disse que não vão fazer nada — garantiu o playboy.
— Seu pai que vai tirá-la da encrenca — informou o pirata. — Tem sorte por ele ser quem é.
Nunca pensei que o cara era rico e que ia me salvar. Droga, não era o que eu queria.
— Onde está o dito cujo? O "salvador da pátria"? — questionei, não escondendo minha ira.
O bilionário levantou e abriu os braços, como se me chamasse para um aperto. Eu o olhei sem entender, por que raios fez aquilo?
— Seja bem-vinda à família Stark, minha filha!
Alguém me belisca! Não era possível. De todos os homens do mundo, meu pai tinha mesmo que ser Anthony Stark? Bilionário, playboy, filantrópico e herói conhecido por todos como o Homem de Ferro!

Fale com o autor