Take on Me
4 Breakthru
Notas iniciais

Steve olhava para a moça atentamente. Quando Fury o convocou para a missão, o Capitão esperava uma versão de saia do Stark. Mas, ao ver as imagens apresentadas pelo líder da organização, ficou totalmente surpreso por ser tão diferente de sua imaginação. Fisicamente, não lembrava em nada o bilionário, o que Steve agradeceu a Deus. Ele não conseguiu compreender, mas se sentira hipnotizado pela garota de primeira.
Um assobio vindo de seu companheiro arqueiro chamou sua atenção.
— Muito bonita, nada parecida com o pai — comentou Clint. — Tem certeza que é filha dele?
— Stark recebeu uma carta, informando a existência da garota — informou Nick. — As datas e idade batem, além de ser um gênio como o Stark. — Na tela atrás do diretor, mudou as informações. — Ela está sendo vigiada há algum tempo.
— Por quem? — indagou Natasha.
— Por um grupo de mercenários contratados por algum inimigo do Stark. — O símbolo do grupo apareceu na tela. — Precisamos que tragam um deles vivo para interrogarmos.
O Capitão olhou novamente para a imagem onde a garota estava junto a um grupo de estudantes. Sentiu pena ao saber que sua mãe havia falecido e que ela não tinha ninguém, além de si.
— Ela sabe quem é o pai? — perguntou Steve.
— Pela carta, não. A senhora Hamilton nunca contou, querendo que a filha ficasse longe do mundo do Stark. — Ele colocou suas mãos atrás das costas e encarou os três. — Quero que tragam Sarah Hamilton imediatamente para a base.
Ao ouvir o nome, Steve concordou de imediato com o quanto combinava com ela. E, por algum motivo, sentiu que precisava proteger a menina de todos.
...
— Relaxa, Caps — pediu o arqueiro, parando ao lado do amigo.
Os dois olhavam pelo espelho que havia na sala de interrogatório. Steve não gostara da ideia de ter que ficar do lado de fora, queria estar lá, ao lado dela. Sabia que a menina estava apavorada, mesmo com sua pose arrogante.
— Estou relaxado, Barton.
— Ela tem a mesma personalidade — declarou o agente. — Não sei se aguento dois Stark assim — lamentou antes de soltar um gemido de tristeza.
— Ela pode ter respostas na língua como ele, mas é diferente — expressou Steve. — Parece ser mais doce.
— Parece que alguém se encantou — brincou Clint, colocando a mão no ombro do amigo. — Deixa o Tony saber disso!
— Não é nada disso, Clint.
— Eu entendo você, se fosse mais velha e eu estivesse solteiro, não iria desperdiçar a chance.
— Deixa sua namorada ouvir isso — comentou a Viúva Negra, entrando na sala. Ela parou ao lado do arqueiro. — Aposto que o sofá adoraria sua companhia.
— Eu disse "se fosse mais velha e eu estivesse solteiro". — Levantou o dedo indicador para ela. — Eu não trocaria minha namorada por nenhuma mulher.
O Capitão não prestava atenção, já que seu foco estava na garota, que mesmo com respostas na ponta da língua e demonstrando toda confiança do mundo, parecia, no fundo, estar com medo.
— Onde está o Stark? Já devia ter chegado — proferiu Steve, irritado.
— Não precisa chamar duas vezes, Bela Adormecida — anunciou, entrando na sala. — Eu sei que já estava sentindo minha falta. — Acenou para os dois agentes. — Onde está minha querida filha? Nossa, ela é linda, puxou a beleza da família.
— Se tivesse puxado, daria meus pêsames a ela — brincou o arqueiro.
— Ela se machucou? — perguntou o playboy preocupado, ignorando a brincadeira do agente.
— Só um corte na mão — respondeu a Romanoff.
— Aqueles filhos da mãe! Já sabem quem é a pessoa por trás disso?
— Ainda não, em breve iremos interrogá-los — contou a ruiva.
Todos voltaram suas atenções para a garota.
— Minha deixa. Como estou? Bem? — questionou o Stark para os três. — Alguém tira uma foto quando nos abraçarmos?
— Por que vocês se abraçariam? A menina não quer ver você nem pintado de ouro — debochou Clint.
— Quando ela souber que sou o pai, vai mudar de ideia.
Ele saiu e Clint soltou uma risada.
— Ele vai quebrar a cara.
— Acho que vai quebrar a cara literalmente — completou Natasha.
— Acham que a senhorita bateria no Stark? — indagou Steve.
— Capitão, ela tem raiva acumulada, se eu fosse ela, não perderia a chance de descontar — respondeu a agente.
Os três voltaram a prestar atenção no interrogatório. Stark entrou com aquele seu jeito de ser e a garota não escondeu a surpresa ao vê-lo. A conversa foi acontecendo, os dois se cutucavam e, vendo a cena, não negavam que eram pai e filha.
Assim que a confissão finalmente saiu, a garota permanecera descrente e todos se prepararam para ver sua reação, que, naquele momento, parecia ser de total choque.
— Sério isso? Ele é meu pai? — interrogou a moça.
— Sim — afirmou Fury. — O teste não mente.
— Vem dar um abraço no papai.
Sarah se levantou e aproximou-se do gênio, que já sorria pela vitória, entretanto aquele sentimento foi substituído por uma careta ao sentir a dor do chute que a garota deu em seu saco.
Todos encararam a cena impressionados, nenhum dos ali presentes esperava por tal ato. O Stark se curvou de dor, fazendo a moça ter um leve peso na consciência, mas que logo foi esquecido ao ver seu pai levantar o rosto para falar, fazendo-a atingi-lo com um tapa.
— Essa é perigosa — comentou Clint para o Capitão.
— Acha que só porque vai me ajudar, já vou abraçando e o chamando de papai? — questionou irritada. — Você ficou ausente da minha vida por dezessete anos!
— Sarah, eu não sabia — explicou em um gemido baixo.
— É o que sempre dizem, que nunca sabiam. — Virou-se para o chefe da organização. — Já resolvemos? Estou livre? Estou cansada e quero dormir.
— Já.
— Vamos para o hotel, já tem um quarto a aguardando — chamou o Stark, ficando ereto, mesmo sentindo uma leve dor.
— Preferia ir para casa, se não se importar.
— Sim, me importo — declarou antes de voltar a inspirar. — Pode ter alguém te esperando e eu não vou deixar você sem proteção — finalizou Tony, mostrando que não tinha mais o que discutir.
— Tanto faz — murmurou a menina em resposta, guardando suas coisas.
Os dois caminharam para a saída, mas foram parados por Fury.
— Antes de ir, só responda: foi você mesmo, Sarah?
— Quem sabe? — respondeu simplista, dando de ombros.
Os dois se dirigiram para uma nave que já os aguardava. A moça ainda sentia raiva e queria gritar com Tony, mas estava tão exausta que preferiu deixar para o dia seguinte. Já Tony, permanecia a uma distância segura, com medo de qual reação sua filha poderia ter ao dizer alguma palavra.
— Esperem! — chamou uma voz masculina.
Os dois se viraram e deram de cara com Steve. Sarah arqueou a sobrancelha ao ver o herói, que respondeu com um sorriso. Nenhum desses gestos passou despercebido pelo gênio.
— Capicolé, o que você quer? — questionou o Stark, cruzando os braços.
— Entregar isso — respondeu Steve, entregando a carta à moça.
— Obrigada. — Os dois tocaram suas mãos e ambos sentiram um arrepio pelo corpo, deixando a situação um pouco mais tensa. — Obrigada — murmurou Sarah novamente, sorrindo.
— Não há de que — disse enquanto admirava o sorriso da moça.
— Já que foi entregue, já pode ir — mandou o Stark, não gostando do clima. — Venha, Sarah!
A moça soltou um suspiro de irritação, mas obedeceu. Fez um sinal de despedida e entrou na nave, com seu pai perto, que mostrou uma cara feia para o Capitão. A porta se fechou e a nave saiu. Steve ficou olhando até que sumisse de vista.
— Eu devia ter apostado com o Stark — comentou o Gavião Arqueiro, se aproximando. — Teria ganhado dinheiro fácil.
— Ninguém esperava aquela atitude.
— Tapa e chute? Foi fantástico. — Deu um leve tapa na sua própria coxa. — Agora, eu quero perguntar algo: quando vai vê-la de novo? Vai chamá-la para um encontro?
— Vou para o interrogatório — avisou Steve, se afastando e fugindo do assunto.
— Se quiser, podemos fazer um encontro duplo, assim não fica tímido — sugeriu enquanto ele se afastava. — Louise não ia se importar.
Steve só acenou com a mão, mas Clint já começava a colocar o plano em ação ao mandar uma mensagem para sua namorada.
"Steve encontrou uma bela garota, só que ela é filha do Stark e rolou um clima."
Alguns segundos depois, recebeu a resposta.
"Me deixa adivinhar: você quer juntar os dois? Stark vai odiar isso e vai querer nos matar.
To nessa!"
...
Sarah ignorou o Stark o caminho todo, preferindo ficar presa em seus pensamentos. Teve muitas informações para uma noite, ainda não acreditava quem era seu pai e que a queriam usá-la contra ele. Sentiu-se um pouco culpada por sua atitude, mas não ia pedir desculpas, não naquele momento.
Quando chegaram, o gênio acompanhou-a até o quarto. Ela abriu a porta e, antes de poder fechá-la, ele a impediu com o pé.
— Não vai dar nem um beijo de boa noite no papai? — perguntou o Homem de Ferro, provocando.
— Posso mostrar meus sentimentos de outra maneira se quiser — respondeu a garota séria.
— Não, eu dispenso. — Balançou a cabeça em negação e levou suas mãos para proteger sua parte intima. — Tomei liberdade e pedi que trouxessem algumas roupas suas. O restante das suas coisas do apartamento já foi mandado para Nova York. — Ela acenou com a cabeça para ele. — Eu estarei no quarto ao lado e, caso precise de algo, é só gritar que eu venho.
— Ok.
Ele retirou o pé e andou até seu quarto. A moça colocou a mão no sutiã e tirou o pen drive.
— Ei! Stark!
O herói virou-se e sorriu ao vê-la chamando-o.
— Sim, querida?
Ela jogou o pen drive e ele segurou. Não escondeu o sorriso de satisfação, sabendo o que continha no pequeno objeto.
— Não diga nada — pediu a moça antes de fechar a porta.
O Stark sorriu outra vez, havia muito tempo para conquistar a confiança de sua filha. Um desafio aceito de bom grado.
...
De manhã, os dois se reuniram no restaurante do hotel para tomar o café. A moça ficou o tempo todo em silêncio enquanto ouvia o Stark falar sobre como seria sua vida dali para frente.
— Nova York é uma cidade belíssima, você logo se adapta — expôs Tony antes de colocar sua xícara de café de volta no pires. — E tem ótimas faculdades, tenho certeza que vai ser aceita rapidamente, senão disputada, afinal é uma Stark e...
— Em nenhum momento disse que usaria seu sobrenome — Sarah o interrompeu. — E eu não quero usar seu sobrenome, ele chama atenção demais. Todos vão saber que sou sua filha e isso vai me trazer mais problemas.
— E eles vão saber — rebateu o playboy. — Quando chegarmos, uma coletiva nos aguarda e irei dizer que é minha filha — contou o herói antes de comer um pedaço da torrada.
— Você está literalmente me jogando na toca dos leões?! — apontou a jovem. — Todos vão querer me usar.
— Nada vai acontecer com você — garantiu o Homem de Ferro. — Eu e minha equipe vamos protegê-la!
— Claro, como vão me proteger quando estiverem salvando o mundo? — questionou Sarah de forma irônica, tomando um gole de seu suco.
— Os agentes da S.H.I.E.L.D. vão te proteger.
— Ótimo! Sinto-me mais segura. — Revirou os olhos, sarcástica.
O Stark respondeu com um dedo positivo.
— Sarah, quero que saiba que as contas do hospital e as outras dívidas já foram pagas — contou o gênio seriamente. — Só falta o aluguel, que vou mandar meu motorista levar o dinheiro pessoalmente.
— Eu podia fazer isso sozinha, não preciso do seu dinheiro.
— O dinheiro não é só meu — corrigiu o Stark. — É seu também.
Um sorriso travesso surgiu na face da moça, já imaginando o que poderia fazer com o síndico de seu prédio.
— Se não se importar, eu adoraria ir pagar pessoalmente aquele filho da mãe.
— Eu acho que não é o certo.
— Qual é? O que pode acontecer?
— Alguém te sequestrar? — sugeriu Tony antes de voltar a beber café. — Minha resposta é não.
— Ai meu Stephen Hawking! — exclamou, mostrando sua revolta. — Não vem querer ser o pai agora. Está bem tarde para ser protetor.
— É meu trabalho agora e planejo cumprir perfeitamente — afirmou, sorrindo. — Se você quer que o síndico sofra, isso eu posso resolver.
— Aff... Sério mesmo? Olha, eu vou, você querendo ou não. — Ela jogou o guardanapo na mesa. — Já vai aprendendo Tony, você não manda em mim.
Ela saiu sem esperar a resposta do pai e foi até seu quarto pôr seu plano em ação.
— Como chegou aqui? — perguntou Tony, saindo do carro e vendo Sarah encostada à parede.
— Esqueceu que você está na minha cidade? E aqueles seguranças são uns idiotas — respondeu Sarah, se aproximando. — Você deve ser o Happy.
— Sim, eu mesmo, senhorita Sarah. — O motorista deu um sorriso sincero e acolhedor.
— Por favor, me chame só de Sarah — pediu a moça.
— Eu disse que resolvia. — Bufou Tony.
— E eu vou perder a chance de jogar o dinheiro na cara dele? Negativo! Pode ir passando o dinheiro — pediu, esticando a mão.
— Não.
— Você mesmo me disse que o dinheiro é meu também, então, passa o meu dinheiro. — Fechou e abriu a mão num sinal para entregar o dinheiro a ela.
Tony murmurou alguns xingamentos e, a contragosto, tirou um envelope do bolso da calça, entregando a ela, que sorriu em vitória.
— Valeu, meu querido Tony — agradeceu a Sarah, já se dirigindo à porta do prédio.
— Eu vou com você — avisou o herói, seguindo-a.
Os dois subiram as escadas rapidamente, como se quisessem resolver logo aquele assunto. A moça bateu com gosto na porta e esperou abrirem, olhou para trás e viu o Stark afastado na escada. Tirou as notas do envelope e, assim que foi atendida, esfregou as notas na cara do síndico.
— Tá aqui o dinheiro que te devo — declarou a jovem ao se afastar.
— Você tá louca, garota? — gritou o síndico com ódio.
— Sim, estou louca — concordou com o velho. — Graças ao seu Deus, estou indo embora e nunca mais vou ver você e seus pirralhos.
Sarah desceu as escadas, nem se importando em olhar para trás para ver seu pai a seguindo.
— Você foi boazinha demais com ele — comentou o Stark.
— Espera só um minuto. — A garota pegou o celular e digitou alguns códigos. — Três... Dois.... Um...
Um xingamento foi escutado pelo prédio todo.
— O que você fez?
— Só enviei algumas imagens comprometedoras para a esposa. — Sorriu diabolicamente. — Ela o coloca em um pedestal, seria uma pena se alguém fosse expulso de casa agora.
Ao abrir a porta da saída do prédio, várias roupas estavam no chão, os dois olharam para cima e viram uma mulher jogando-as pela janela.
— Olha só. — Levou a mão até a boca para abafar a risada. — Vamos ver o que ela vai jogar.
Uma súplica foi escutada e uma TV foi lançada caindo ao lado do carro do Stark.
— A TV que ele tanto quis... Que triste. — Fez um bico de tristeza que logo foi substituído por um sorriso. — Agora podemos ir.
— Me lembre de nunca irritá-la — brincou o Stark, sentando-se ao seu lado.
— Ainda não acabou.
— Não?
— Alguns amigos do trabalho receberão algumas fotos do grande fetiche dele. — Sarah mostrou o celular que continha uma montagem do síndico vestido de mulher em uma pose bem sensual. — Isso eu estou guardando há um tempo, agora terei minha chance de me vingar.
— Essa é a minha filha.
A moça rolou os olhos com o comentário. Olhou pela janela e não deixou de sentir uma pontada de tristeza ao saber que seria a última vez que estaria naquele local.
— Adeus Liverpool... — murmurou antes de soltar um suspiro de tristeza. — Que venha Nova York.
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