Take on Me

45 I'm Only Human


Notas iniciais
Hello people Olha quem voltou? Eu mesma! Eu ia segurar um pouco mais o capitulo, mas hoje é aniversário de um dos protagonistas da história: Steve Rogers! Então para comemorar, estou atualizando. Não sei se coloco como gatinho, mas melhor avisar do que dar problema depois: tem uma cena de um personagem tendo um ataque de pânico. Nas notas finais explico porque foi daquele modo e tal. Outra coisa muito importante para avisar é que mudei a idade da Sarah, de vez começar com 16 anos na história, ela começa com 17 anos. Por conta da cena de sexo entre ela e Steve. Agora deixo vocês com o próximo capitulo. Boa Leitura!

Sarah

O encarei surpresa, não estava esperando aquela atitude dele, senti um nó no estômago ao mesmo tempo em que meu coração batia rápido. Ele sorriu e pegou minha mão, me fazendo andar para longe da casa, para onde vinha um barulho de conversa e risadas. Olhei para trás, para ver Steve, mas ele não estava lá, nem o sangue.

Ele parou e fiz o mesmo, acontecia uma festa e parecia um aniversário de criança. Quem era o aniversariante? Vi meu pai e Pepper, os heróis e algumas pessoas estranhas, incluindo várias crianças, mas três chamaram minha atenção, ambas estavam falando com Tony, uma menina de cabelos claros, um menino com cabelos negros e outro com cabelos castanhos claros, estavam de costas e não pude ver seus rostos.

— Parece que o primeiro aniversário foi ontem. — Bucky soltou um suspiro melancólico. — Queria que ele tivesse aqui.

— Steve? — Quando o olhei, sua expressão mudou para dor e ele caiu. — Bucky? Bucky!

Me ajoelhei e vi um tiro no meio da sua testa, levei minha mão na boca para abafar meu grito. Coloquei a outra mão no rosto e dei um leve tapa para confirmar. Senti uma vontade de vomitar, aquela cena era igual da... Melinda. Eu lembrei, mas não era o momento ideal.

— Você falhou com Melinda — a mesma voz disse atrás de mim. — Irá falhar com Steve e com Bucky, irá falhar com todos que ama.

Olhei em direção às pessoas e vi todos deitados no chão, me levantei e corri até onde estavam, fui primeiro ao meu pai, que estava com os olhos abertos, sem vida. Senti as lágrimas escorrendo por meu rosto, aquela cena era horrível. Encarei em volta e todos estavam do mesmo jeito, tudo aquilo era culpa minha.

Aquelas crianças estavam próximas de mim, segurei a respiração ao avistá-las. Os dois meninos estavam deitados de barriga para baixo e a menina deitada de lado, com seus fios castanhos claros sujos com o vermelho do sangue, impedindo de ver o rosto, no entanto, sentia uma vontade de abraçá-la e protegê-la. Na verdade, eu sentia aquele sentimento pelas duas crianças.

— Não... — sussurrei, tocando nos cabelos da garota. — Não é possível.

— Tudo será culpa sua, Sarah — aquela voz feminina voltou a falar. — Você será responsável por isso, pelas mortes dessas pessoas.

O que eu fiz? Como causei isso? Preciso evitar! Preciso fazer algo! Não posso perder minha família e amigos, não posso deixar que pessoas inocentes morram. Eu não conseguia parar de tremer e chorar. Não conseguia nem encontrar quem era a pessoa. Fechei os olhos, querendo fazer tudo desaparecer.

— Sarah, acorda. — Eu conhecia aquela voz. — Vamos lá, Sarah, reage... — Senti um toque em meu rosto e minha visão começou a mudar, mas ainda estava embaçada. — Isso... — Fechei os olhos e abri, dando de cara com Anna. — Oi, garota.

— Onde... Onde...?

— Estamos na nave. — Notei que tinha sangue em sua testa e segurei a respiração. — Eu estou bem, só bati a cabeça. — Anna tocou a testa e fez careta de dor. — Você está bem? — Balancei a cabeça em afirmação, mas ela não acreditou. — Eu vou ali no Steve, preciso tirar ele desse controle. Qualquer coisa, me chama.

Quando ela se afastou, puxei minhas pernas para abraçá-las e, de algum modo, me proteger. Senti uma dor na lateral do corpo, no entanto, resolvi ignorar no momento. Escutei um suspiro de tristeza e vi que vinha de Natasha, que estava sentada ao meu lado. Nunca tinha visto ela daquele jeito, derrotada e até um pouco assustada.

Ao escutar a voz de Steve, o olhei. Nossos olhares se cruzaram, mas ambos desviaram, parecia que não era o momento para falar algo, nenhum dos dois estava bem. Apoiei a testa no joelho e fechei os olhos, eu só queria ir para algum lugar silencioso e ficar sozinha.

Fiquei tão absorvida em mim que nem notei quando a nave aterrissou e o pessoal foi saindo. Meu pai me esperou, não querendo que eu saísse sozinha. Ele ficou muito preocupado ao ver meu estado quando fomos buscá-lo, podia sentir que ele queria fazer algo, porém, nada poderia ser feito naquele momento. Forcei um sorriso de agradecimento pelo apoio.

Ao deixar o jato, estranhei o local: além de uma casa, não tinha mais nada perto, parecia um lugar no meio do nada. Segui o grupo em direção ao imóvel, por sorte, não era tão longe, e não demoramos a chegar. Clint abriu a porta e fomos entrando, não pude deixar de reparar que a casa parecia comum, bem confortável e arrumada, diferente de uma base secreta.

Acho que todos nós pensamos o mesmo, ainda mais quando vimos duas crianças invadirem a sala e gritarem pelo “tio Clint”, correndo em direção a ele, que os abraçou no mesmo instante.

— Mini-agentes? — Escutei meu pai perguntar.

— Acha que eles treinariam crianças? — Arqueei a sobrancelha.

Ele preferiu dar de ombros como resposta.

— Onde está a tia de vocês? — indagou o Barton.

— Está lá fora com a mamãe — contou a menina de cabelos pretos. — Você trouxe a tia Nat? E a tia Anna?

— Por que não me dá um abraço e descobre?

A ruiva teve uma mudança de semblante e de postura, tentando parecer alegre para a criança que logo correu para ela, a abraçando carinhosamente. Eu acabei lembrando das duas crianças do sonho, pude sentir minha respiração acelerar levemente, balancei a cabeça para me concentrar no que estava acontecendo naquele momento.

— Eu também não recebo abraço? — questionou Anna, fingindo estar com ciúmes. A menina se afastou da ruiva e foi até a bruxa. — Também estava com saudades.

O barulho da porta dos fundos abrindo chamou a atenção de todos e logo vimos duas mulheres rindo e entrando na sala, no entanto, quando nos viram, pararam no mesmo momento. Todos nós ficamos surpresos por uma das mulheres ser uma pessoa que conhecíamos, ainda mais no estado que ela se encontrava.

— Louise, temos companhia — anunciou o arqueiro, se aproximando dela. — Desculpe não ligar antes.

Ela o abraçou rapidamente e, ao afastar, o Barton colocou a mão na barriga saliente.

— Vocês não tinham terminado? — questionou meu pai, curioso.

— Nós tivermos que mentir por conta da gravidez — explicou Clint seriamente para nós.

— Eu precisava sumir, então, foi melhor fingir o termino do namoro — continuou Louise. — Íamos contar depois do nascimento para conhecerem o bebê.

— Meus parabéns — Thor foi o primeiro a falar algo.

— Você sabia, filha?

— Não, estou tão surpresa quanto você.

— Pessoal — Clint chamou a atenção de todos nós. — Essa é Laura Barton, minha cunhada, ela é dona da fazenda.

— Oi, eu sei o nome de todos vocês.

— Sentimos por aparecer assim — desculpou-se Steve.

—Teríamos ligado, mas estávamos ocupados não sabendo que existiam — comentou Tony. — Quero dizer, sabíamos de Louise, mas não sobre vocês ou da condição dela.

— Meu irmão é um agente também e Fury ajudou a escondê-los — contou o arqueiro. — Vamos manter assim — pediu o arqueiro, olhando para o grupo. — É um bom lugar para nos escondermos.

— Podem ficar, sem problema — confirmou Laura, sorrindo. — Barney não está mesmo, mas concordaria comigo.

Natasha e Anna se aproximaram de Louise, no mesmo momento, a pomba fez sinal para que eu me aproximasse e assim fiz. Ela me abraçou — o melhor que conseguiu — quando parei à sua frente.

— Espero que me perdoe por esconder, mas foi preciso.

— Eu entendo. — Dei um leve sorriso. — Ser filho de um herói é perigoso, passei por umas coisas por conta disso. Eu entendo perfeitamente.

— Obrigada.

— Você está bem? — questionou Anna, preocupada.

— Estou sim, só cansada, parece que carrego uma melancia. — Soltou uma risada leve. — E isso faz minhas costas doerem.

— E a pequena Natasha? — questionou a ruiva, colocando a mão na barriga da amiga.

— Você quis dizer Annabelle — corrigiu a bruxa, colocando a mão também.

Eu só observei a briga das duas, a pomba me olhou e balançou a cabeça.

— Vai ser Nathaniel. — As duas encaram surpresas. — Infelizmente, não tem masculino de Annabelle.

Ambas se curvaram em direção à barriga.

— Traidor! — acusou Natasha.

— Você nos sacaneou — concordou Annabelle.

— Quem sabe na próxima.

— Clint! — Louise deu um leve tapa no braço do namorado. — Nem nasceu e já está pensando no próximo?

— Por que não?

Senti alguém passar por trás de mim e virei para ver quem era. Thor. E, pelo modo que andava, algo tinha acontecido. Steve o seguiu logo depois, pensei por alguns segundos e resolvi fazer o mesmo. Quando me aproximei da porta, Thor estava girando o martelo e saiu voando.

Steve se virou e me encontrou na porta, nunca o tinha visto com aquele olhar. Parecia tão sério. Ele deu um passo à frente, porém, algo aconteceu que fez ele dar dois passos para trás, descendo os degraus da varanda. Seu olhar mudou para mágoa, como se eu tivesse feito algo.

— Steve…

— Eu preciso ficar sozinho.

Ele se afastou e me deixou parada na porta. Aquela atitude me machucou, era como se eu tivesse algo e a última coisa que queria era ficar na minha companhia. Lembrei da visão, do sangue e de tê-lo perdido. No momento, estou tendo esse mesmo sentimento, de tê-lo perdido.

[...]

Louise

— Está se preocupando à toa — disse Clint quando sentiu meus dedos passarem onde ele havia se machucado. — Não sinto nem diferença.

— Fico feliz que não tenha cicatriz. — Abaixei a camisa dele e sorri. — Laura avisou que, se eles dormirem aqui, terão que dividir camas.

— Acho que isso não vai dar certo. — Colocou as mãos na minha cintura.

— Fizemos um sorteio e acabou que Tony terá que dormir com a gente.

— Tá brincando, marrentinha? — Tentei segurar a risada por sua expressão carrancuda, mas logo notou que era brincadeira e soltou um suspiro de alívio. — Não brinca com isso.

— Não resisti. — Dei um beijo em seus lábios. — Relaxa que ninguém vai vir para o nosso quarto. — Ele se afastou e foi até o closet, aproveitei e peguei meu casaco da cama, onde tinha largado mais cedo. — É grave não é? Nat parece abalada, Sarah parece que viu um fantasma. — Coloquei a peça de roupa no cesto.

— Ultron tem alguns aliados jovens, para mim são delinquentes — ele contou, colocando a camisa, e eu me aproximei dele. — Eles são muitos poderosos e isso as afetou. — Me olhou seriamente. — Alguém tem que ensinar boas maneiras a eles.

Ele passou por mim e não sei se gostei muito do que escutei. Esses jovens não eram comuns, tinham poderes e, se fracassassem, não seria algo bom. Não tenho ideia do que poderia acontecer.

— E esse alguém seria você? — O segui até onde ele se sentou para colocar o par de botas. Coloquei minhas mãos em seus ombros e olhei pela janela, de onde pude ver Steve e Tony cortando lenha. — Estamos há tanto tempo juntos e eu sempre estive ao seu lado, mesmo com nossas opiniões diferentes em alguns pontos. — Sorri quando recordei dos últimos anos. — Lembra quando me contou sobre ser um Vingador, Gavião? Eu tinha chegado de Londres, depois de ficar um tempo com meu pai e irmão, você me disse que queria ser um herói e fazer a diferença no mundo. — Ele continuou colocando um pé da bota. — Eu fiquei tão orgulhosa e ainda estou, mas vejo o pessoal e o que fazem...

— Acha que não precisam de mim? — Seus olhos estavam fixos enquanto colocava o outro pé, evitando me olhar.

— Acho que precisam. — Senti seus ombros relaxarem. — Você não precisa ter uma armadura, um soro, um martelo, poderes ou ficar verde. Poderes não significam nada quando se tem um coração de herói e isso você tem. E ganha de todos, até mesmo do Capitão América. — Pude escutar sua risada. — Eles estão desnorteados, Clint.

Ele encarou os dois heróis trabalhando com as madeiras, parecia estar refletindo sobre algo.

— É, mas faço parte disso.

— Sim, faz parte — concordei antes que ele se levantasse e me encarasse. — Precisa ter certeza de que essa equipe é mesmo uma equipe, principalmente agora. — Clint acenou para que eu continuasse. — As coisas estão mudando para nós e, em alguns meses, não seremos apenas nós dois. Preciso que... Só que tenha certeza.

— Sim, senhora.

Ele se inclinou e me beijou, senti seus braços passarem por minha cintura e me puxarem para si. Clint queria me tranquilizar e, creio, que a ele mesmo. Quebramos o beijo e voltamos a olhar a janela. Deslizei minha mão onde deveria ter a cicatriz e toquei suavemente para sentir o local.

— Posso sentir a diferença — comentei antes de rir.

— Eu estava morrendo de saudades, marrentinha.

[...]

Annabelle

Estava sentava na cama do quarto de hóspedes, cuidando da ferida da minha testa. Se eu tivesse prestado atenção, Wanda não teria me acertado e me derrubado, não teria esse machucado e as mentes deles não teriam sido invadidas. Foi difícil olhar para eles depois que acordei do meu desmaio, nunca tinha visto o grupo daquele jeito, foi de partir o coração. Não pareciam as mesmas pessoas.

Soltei um suspiro de frustação e Banner resolveu abrir a porta no exato momento, com uma calça de moletom e sem camisa. Ele me encarou surpreso, não me esperava ali.

— Não percebi que estava esperando.

— Eu teria entrado aí com você, mas não me pareceu a hora certa. — Sorri para ele, o que o fez relaxar um pouco sua postura.

— Acabaram com a água quente — ele avisou, saindo da frente da porta.

— Devia ter entrado então. — Me levantei.

— Perdemos a chance — comentou Banner.

— Perdemos?

Ele compreendeu que a pergunta era sobre nós, de termos algum futuro juntos.

— O mundo acabou de ver o Hulk. — Escutei-o resmungar antes de vestir uma camisa. — O Hulk de verdade, pela primeira vez. Você sabe que eu tenho que ir embora.

— E você acha que eu tenho que ficar? — Balancei a cabeça em negação. — Eu tive um sonho, do tipo que na hora parece normal. — Ele me olhou confuso. — Mas quando você acorda...

— Sonhou com o que? — ele perguntou e deu um passo em minha direção.

— Que eu era uma vingadora, que eu não era mais a aberração na qual me transformaram.

— Está pegando pesado consigo mesma. — Ele deu mais de um passo em minha direção, olhando para os próprios pés.

— Eu achava que essa era sua função — murmurei, fechando a distância entre nós.

Pude sentir sua respiração em meu rosto e não pude deixar de fitar seus olhos. Eu não sei como esse sentimento surgiu, não queria, porém, não tinha como fugir. Ele me deu tantos sinais e dar aquele passo era um pouco difícil para mim. Acho que ver o que vi, me deu forças para ter mais atitude.

— O que você está fazendo?

— Eu estou investindo, em você. — Levei minha mão até seu rosto e fiz um leve carinho, ele logo colocou sua mão sobre minha e a segurou, dando um aperto. — Já que investir é o plano, se você quiser também.

Banner afastou minha mão de si e a soltou. Seu olhar incrédulo depois de ouvir minhas palavras me deixou confusa.

— Você ficou maluca?

Ele andou para longe de mim e aproveitei para formular minhas próximas palavras.

— Eu quero que você entenda que...

— Annabelle, aonde eu posso ir? Onde no mundo eu não sou uma ameaça?

— Você não é uma ameaça pra mim — afirmei, me aproximando. — Sabe muito bem que...

— Tem certeza? — Eu parei. — Mesmo que eu não... Não existe futuro comigo. Eu nem posso... — Ele olhou em volta e indicou os vários desenhos e artesanatos no cômodo. — Eu não posso ter isso. Filhos. Pense, sou fisicamente incapaz.

— Eu também posso ser incapaz — contei, desviando o olhar. — Ninguém descobriu todos os danos que sofri pelos experimentos, às vezes parece que está bem e não está. — Cruzei os braços. — Além disso, não sei se iria querer trazer uma criança que possa ser como eu. Você não é o único monstro do grupo.

Quando tive coragem para encará-lo, sua expressão ficou mais suave e pude vê-lo pensando em um modo de me reconfortar. Não preciso disso, não mais.

— Então, vamos desaparecer?

Deixar tudo que consegui para trás era uma loucura, as amizades, a família... O que aconteceu com o Banner poderia ter acontecido comigo, perder o controle e ferir inocentes. Wanda não conseguiria invadir minha mente e causar isso, ela não é tão forte como imagina. Não mais do que eu. No entanto, pode existir alguém que me supere e, então, as coisas ficariam feias.

Banner parecia ansioso pela minha resposta, sei que não mudaria só minha vida, mas a dele também. Os outros entenderiam nossa decisão. Eu espero que entendam. Creio que Sarah ficaria chateada no começo, mas depois compreenderia.

Dei os passos que faltavam para ficar à sua frente. Coloquei minhas duas mãos em seu rosto, o puxei para mim e o beijei. Nos primeiros segundos, ele pareceu em choque, mas depois retribuiu. Suas mãos estavam em minha cintura, me segurando firmemente. Ficamos assim por algum tempo até nos separar por falta de ar.

— Essa é minha resposta.

[...]

Sarah

Coloquei a camisa e fui até o espelho, soltei meu cabelo e fiz uma trança que me deixou menos assustadora. Coloquei minha mão na testa e massageei, tentando diminuir a dor na minha cabeça, mas a lateral do meu corpo também doía, acho que era melhor eu pedir um remédio para Louise.

Abri a porta e tinha esquecido que estava usando o banheiro da Lila, a sobrinha de Clint, então, dei de cara com um quarto de criança. Era muito bonito, branco com detalhes rosa, tinha uma casa de boneca em um dos cantos, bonecas espalhadas pelo quarto. Me lembrei do meu quarto quando criança. Eu não tinha uma casinha como aquela para brincar ou aquele número de brinquedos, no entanto, tinha esse mesmo calor de lar. Minha mãe sempre me deu tudo do bom e do melhor que conseguia com nossas condições, acho que nunca a agradeci o suficiente. Peguei uma boneca de pano que estava em cima da cama e fixei meu olhar nela. Fechei os olhos e me lembrei da visão. Parecia que estava ouvindo de novo a risada, com as imagens voltando.

Comecei a sentir meu coração a acelerar, meu corpo a tremer e faltar o ar. Precisava sair dali. Larguei a boneca e corri para fora do quarto, desci as escadas correndo e nem sei como não cai. Me segurei no corrimão no final da escada, pois senti uma tontura.

— Sarah?

Virei-me e vi Louise, com Laura e Lila, as três me fitavam, preocupadas. Coloquei a mão no peito, tentando acalmar o coração. Parecia que a sala estava ficando menor, eu acho que estava tendo um ataque de pânico.

— Eu... Eu... Preciso de ar.

— Sarah, volta aqui! — Escutei quando abri a porta da casa.

Eu corri até a nave, estava afastada o suficiente de todos, teria bastante tempo para me acalmar. Diminui meus passos e entrei devagar, sentei na cadeira e apoiei minha testa no meu joelho. Tentava respirar devagar, não achava que fosse tão difícil, mas estava errada, estava ficando pior. Eu sentia que ia morrer.

— Levanta a cabeça — pediu uma voz e colocou a mão nas minhas costas, virando minha cadeira. — Olha para mim.

Fiz o que foi mandado e fiquei aliviada ao ver Steve.

— Ar...

— Eu sei. — Pegou minha mão e colocou em seu peito. — Respira junto comigo.

Fechei os olhos e só me concentrei no seu peito subindo e descendo lentamente. Aos poucos, eu senti meu corpo se acalmando e minha respiração se normalizando. Ficamos daquele jeito por alguns minutos, que pareciam longos para mim.

— Obrigada — agradeci, aliviada. — Não pensei que teria um ataque de pânico.

— Está tudo bem.

Ele soltou minha mão e aproveitei para ir até onde estava minha bolsa, minha cabeça e corpo ainda doíam. Abri a bolsa e peguei uma aspirina, quando ia pegar uma garrafa d’água, Steve surgiu ao meu lado segurando uma. Peguei e acenei em agradecimento, tinha até aberto. Tomei o remédio e tomei a água logo em seguida.

— O que está fazendo aqui? — Entreguei a garrafa a ele.

— Louise. — Se afastou para guardar o objeto.

— Acho que a assustei. — Voltei a me sentar.

— A mim também. — Voltou e sentou ao meu lado. — Você me assustou demais.

— Steve...?

— Eu queria pedir desculpa por mais cedo.

— Tudo bem, estávamos sem condições para ajudar um ao outro.

— Acho que vimos não foi algo fácil, acho que todos tivemos uma visão envolvendo as pessoas que amamos.

— Eu estava envolvida na sua visão? Por isso ficou tão preocupado quando Louise te avisou?

— Sim.

— Você estava na minha também.

— Sarah, eu vi...

— Capitão Rogers! Srta. Stark! — Uma voz feminina nos interrompeu.

Nos levantamos das cadeiras e saímos da nave, preocupados com o que poderia ter acontecido. Laura sorriu ao nos ver e colocou as mãos na cintura.

— Aconteceu algo?

— Não, Capitão Rogers. — Suspirei aliviada. — É que tem uma pessoa querendo ver vocês.

— Quem? — questionei curiosa.


— Ultron tirou vocês de jogo pra poder ganhar tempo — contava Fury a nós na sala de jantar. Eu estava sentada em uma das pontas da mesa, Anna no meu lado, enquanto Bruce e Steve se mantiveram de pé, Tony jogava dardos e Clint lavava a louça. Lila se aproximou de Natasha e a entregou uma folha, fazendo a ruiva sorrir, logo depois ela e seu irmão subiram, acompanhados por Louise e Laura. — Meus contatos disseram que ele está construindo alguma coisa. A quantidade de vibranium que ele levou, acho que não é pra uma coisa só.

— E quanto ao próprio Ultron? — questionou Steve.

— Ele é fácil de encontrar, está em todo canto — o moreno respondeu. — O cara se multiplica mais rápido do que um coelho. Mesmo assim, ainda não conseguimos ter uma ideia de quais são os planos dele.

— Quer os códigos nucleares? — Escutei meu pai perguntar.

— Ele quer sim, mas não está fazendo nenhum progresso — o homem do tapa olho disse, preparando um sanduíche.

— Eu invadi o firewall do Pentágono no colégio, sabiam?

— A tecnologia mudou muito desde essa época, Tony — comentou Anna, se ajeitando na cadeira.

— Já fizemos contato com nossos amigos na Nexus a respeito disso.

— Nexus? — Steve olhou para Fury.

— É a central mundial da internet em Oslo — respondi. — Cada byte passa por lá. É o acesso mais rápido da Terra.

— E o que disseram? — questionou Clint, analisando um dardo.

— Ele está concentrado nos mísseis, mas os códigos estão sendo mudados constantemente — informou Nick.

— Por quem? — Tony perguntou e dois dardos passam rapidamente em sua frente, acertando o centro do alvo. Ele rapidamente olhou para o Gavião, que deu de ombros, segurando o riso.

— Um grupo desconhecido — voltou a responder.

— Temos um aliado? — Natasha perguntou, o fitando.

— Ultron tem um inimigo, isso não é a mesma coisa. Eu pago todo o dinheiro do mundo pra saber quem é.

— Talvez eu precise visitar Oslo — o bilionário se pronunciou. — Encontrar nosso desconhecido. Quer vir, Sarah?

Abri a boca para responder, porém, a Natasha me interrompeu.

— Olha, está sendo um encontro ótimo, chefe, mas eu esperava que tivesse mais do que isso.

— Eu tenho. — O olhei curiosa. — Tenho vocês. Eu costumava ter olhos em todos os lugares, ouvidos em todos os lugares. Vocês tinham toda a tecnologia que podiam imaginar. — Ele se aproximou da mesa. — Aqui estamos nós, de volta à Terra, só com nossa inteligência e vontade de salvar o mundo. O Ultron disse que os Vingadores são a única coisa entre ele e essa missão. E, mesmo que ele não admita, a missão dele é a destruição global. Seria o fim de tudo isso aqui. Então, levantem-se e acabem com o safado de platina.

— O Steve não gosta desse linguajar — comentou Anna antes de tomar um pouco de suco.

— Sério mesmo, Anna?

— O que ele quer, afinal? — Nick questionou chamando a atenção de todo mundo.

— Se tornar melhor — meu namorado respondeu. — Melhor do que nós. Ele fica construindo corpos.

— Corpos humanoides, a forma humana não é eficiente. Biologicamente falando, estamos ultrapassados — contou meu pai. — Mas ele insiste em continuar.

— Quando vocês o programaram para proteger a raça humana, falharam feio. — Natasha olhou para os dois com uma expressão séria.

— Ela não precisa ser protegida — pronunciou Bruce, aproximando-se da mesa, examinando o desenho de borboleta ao lado de Natasha. — Ela precisa evoluir...

— Ultron está evoluindo — completei o pensamento. — Isso não é nada bom.

— Como? — Fury nos olhou, abaixando o copo que estava no meio do caminho para sua boca.

— Alguém aqui fez contato com a Helen Cho? — Banner olhou para nós.


Estiquei os braços antes de começar a descer as escadas, faltavam poucos minutos para o amanhecer e todos nós já tínhamos levantado. Ao chegar ao final da escada, vi meu namorado na sala, se preparando.

— Vou levar Natasha, Anna e Clint — disse Steve, antes de prender seu escudo às costas.

— Ok, é só reconhecimento, eu e Sarah vamos até a Nexus, me encontro com vocês assim que puder — murmurou meu pai, passando por ele, ajeitando algo em seu relógio.

— Se Ultron está mesmo construindo um corpo... — interrompeu Fury, se aproximando.

— Vai ficar mais poderoso do que qualquer um de nós. Ou que todos nós. Um androide projetado por um robô?

— Eu sinto falta da época em que a coisa mais estranha que a ciência criava era eu — queixou-se Steve.

— Vou deixar o Banner na Torre — o pirata avisou, vestindo seu casaco. — Se importam se eu levar a senhorita Hill?

— Ela é toda sua. Como sempre.

— O que vai fazer? — Steve perguntou.

— Eu não sei, talvez alguma coisa dramática. — Ele sorriu e se dirigiu à porta.

Quando os dois me viram, sorriram para mim e fiz o mesmo. Os dois saíram e eu estava prestes a segui-los quando escutei um murmuro. Olhei para o corredor e vi Clint e Louise conversando. Parecia uma conversa séria, o que me preocupou, ela devia estar bem preocupada com ele. Acho que era melhor mudar os planos.

Sai antes que me vissem e alcancei os dois.

— Pai! Steve! — Eles pararam e me olharam. — Acho melhor ir com Steve.

— Por que, filha?

— Aconteceu algo?

— Não vejo a razão de duas pessoas irem até Nexus — respondi. — Acho que posso ajudar mais indo com vocês.

— Eu acho...

— Eu concordo — interrompeu Steve e meu pai olhou feio. — Tinha pensado em levá-la, mas achei que preferia ir com seu pai.

— Não sei o que espera no laboratório da Cho e uma heroína a mais faz diferença.

— Tudo bem — concordou meu pai antes de voltar a andar.

Olhei para trás e vi Louise na varanda nos olhando, acenei para ela e a mesma devolveu o gesto. Não devia ser fácil para ela ver o pai do seu filho ir para luta e não saber se vai voltar vivo. No entanto, Clint Barton tinha que voltar vivo, voltar para a mulher que ama e para seu filho não nascido. Nós temos que garantir isso, custe o que custar.

Notas finais
Finalmente rolou o beijo Banna, finalmente esse dois se beijaram! Quem estava com saudades de Louise? Ela voltou e já com um discurso sobre o papel do Gavião Arqueiro no grupo. Sobre a reação da Sarah, pensei que por ela passar por um momento muito estressante, teria um ataque de pânico. Eu já tive e por isso coloquei o que senti no momento do meu ataque. E no meu caso, um amigo fez isso que Steve fez com a Sarah para me acalmar até conseguir chegar no hospital. Espero não ofender ninguém que teve um ataque de pânico. Próximo capitulo em andamento, então só aguardar. Não deixem de me falar o que acharam e até!