Take on Me

46 Hello, Little Brother


Notas iniciais
Hey people o/ Tudo bem? Eu peço desculpa pela demora, mas desde a ultima vez que atualizei muitas coisas aconteceram, coisas boas e ruins. As coisas ruins acabaram me abalando e acabei ficando sem forças ou inspiração para escrever, mesmo sendo acontecimentos do filme. Pessoas próximas sabem o que passei e o que passo ainda, e quero deixar meu muito obrigada pelo apoio que recebi. Eu quero agradecer cada comentário que recebi, vocês não sabem o quanto me animaram e me deram forças para continuar, principalmente, quando eu recebi um comentário maldoso. Sei que não posso agradecer todo mundo, mas acredito que há diferença entre comentário construtivo e comentário maldoso. Também fico aliviada em saber que não ofendi as pessoas que sofrem de Síndrome de Pânico, receber os comentários das pessoas que tem e terem gostado de como mostrei, me deixou aliviada e ao mesmo tempo grata, pois eu tento mostrar meus personagens os mais humanos possíveis, pois sei que posso ajudar de algum modo as pessoas. Vou parar por aqui, pois devem estar ansiosas para ler o capitulo. Boa Leitura

Sarah

Tirei minha jaqueta e deixei na cadeira qual estava sentada há alguns instantes. Steve já tinha contado seu plano e todos nós estávamos nos preparando para lutar, já que não sabíamos bem o que nos esperava, além da possível presença de Ultron. Me aproximei de minha armadura e a vesti. A máscara estava recolhida, deixando meu rosto descoberto. Steve se aproximou e colocou o capacete.

— Pronta?

— Sim, Capitão. — Meu capacete se fechou. — E tente não fazer algo louco.

— Você também.

Abri a boca para falar algo a mais, no entanto, Anna me impediu ao informar que tínhamos chegado. A porta se abriu, revelando o prédio onde ficava o laboratório da Cho.

— Boa sorte — desejou Clint.

Sorri para ele em agradecimento antes de seguir Steve. O local estava deserto, o que me deixou preocupada. Chegamos tarde? Corremos até sua sala, onde encontramos um lugar bagunçado, uma briga tinha acontecido, algumas pessoas estavam no chão, desmaiadas.

— Dra. Cho! — Steve apontou para onde ela estava caída.

Nos aproximamos e tinha um corte de seu peito até o combro, ela estava tentando se levantar, mas o Capitão a manteve sentada. Peguei um pano na mesa e entreguei para o meu namorado estancar a ferida. Friday fez um scaner completo e me deu informações de que ela ficaria bem.

— Ele está se transferindo para o corpo — informou a coreana.

— Onde?

Ela balançou a cabeça com a minha pergunta, não sabendo a resposta. Steve tentou levantar, mas ela segurou seu braço.

— O verdadeiro poder está dentro do Berço — disse, chamando nossa atenção. — A gema... Seu poder é incontrolável. Não dá para simplesmente explodir. — Trocamos olhares com suas palavras. — Devem levar o Berço até o Stark.

— Primeiro, precisamos encontrá-los.

— Vão..

Acenamos para ela e corremos para sair daquele lugar. Pedi para Friday chamar uma ambulância, enquanto isso, os três ex-agentes estavam procurando alguma pista para onde Ultron fora com o berço.

— Carona? — perguntei quando saímos do prédio.

Ele acenou antes que eu o pegasse e voássemos.

— Um jato particular vai decolar do outro lado da cidade — avisou Natasha. — Sem registro, pode ser ele.

— Lá. — Apontou o arqueiro. — É caminhão do laboratório.

— Acho que estou vendo — disse ao meu namorado.

— Logo abaixo de vocês — continuou a falar. — No acesso da ponte.

— São eles — confirmou Anna. — São três com o Berço e um dirigindo.

— Eu cuido do motorista — anunciou Barton.

— Negativo — protestou Steve quando o soltei na ponte. — Se o caminhão bater, a gema pode destruir a cidade.

— Precisamos atrair o Ultron.

Vi o caminhão se aproximando da ponte em que estávamos, olhei para ele, mas ele correu para o outro lado da ponte e pulou. Eu voei até ele e pousei em cima do caminhão, não o vendo, fui até a beirada do automóvel e o encontrei segurando nas barras da porta. Estiquei a mão para ajudá-lo a subir, mas fui impedida quando a porta se abriu com a força pelo raio que saiu de dentro do caminhão. Steve conseguiu se segurar, no entanto, a porta explodiu e ele acabou caindo em cima do pedaço que ficou pendurado. Voei e fiquei de frente para Ultron e os outros robôs, precisava distrai-los para Steve entrar.

— Oi, irmãozinho — disse ao acenar para ele. — Está na hora de nós termos uma conversinha de irmã mais velha para o caçula.

— Achei que ia se esconder para sempre atrás dos heróis — provocou, me encarando.

— Não estava me escondendo, só deixei nosso pai falar primeiro.

— Nosso pai? Eu não sou um Stark!

— Não tem como negar, tem os mesmos problemas paternos que todo Stark tem.

— Não me coloque no mesmo nível que vocês!

Ele usou a manipulação de gravidade em minha direção, me joguei para o lado para não ser atingida, mas Steve acabou sendo lançado para longe. Pensei em ajudá-lo, porém, ele deu a ordem para manter Ultron ocupado. Resolvi pousar em cima do caminhão, o afastando do berço, mesmo Clint falando que eu não era párea para ele. Ok, eu precisava tentar pelo menos.

— E eu achando que tinha sido dura com Tony no passado.

De algum modo, Steve conseguiu voltar para o caminhão e acenou para mim.

— Sabe o que tem naquele berço? — Ultron surgiu voando e lançou um raio em minha direção, no entanto, meu namorado se meteu na minha frente, me protegendo com o escudo que estava preso nas suas costas. — O poder para fazer mudanças reais e isso aterroriza vocês.

— Não diria que me deixa tranquilo — Steve rebateu antes de lançar o escudo no robô.

Aproveitei e voei para cima dele, o acertando no rosto. Ele voou e tentou acertar Steve com outro e me afastar com sua mão, porém, eu fui mais rápida e o acertei no tórax enquanto o Capitão se protegeu com o escudo. Aproveitei que Steve jogou novamente o escudo e soquei o mesmo para afundar mais ainda no corpo de metal de Ultron. Ele aproveitou e me jogou para longe, tirou o escudo e lançou para trás de si. Disparou seus raios novamente e dessa vez acertou Steve, o impulsionando para cair no capô do caminhão.

— Você disse fazer mudanças? Eu vou fazer uma. Mudar essa sua cara!

Sem dar espaço para ele responder, fui para cima, pronta para acabar com ele.

Anna

Era uma droga ficar dentro da nave e não fazer nada, queria ir lá e destruir aquele robô, mas precisava do momento certo. Levou só alguns minutos para esse momento, olhei para Natasha que teve o mesmo pensamento que eu. Fomos até a parte de trás da nave, Natasha abriu o compartimento onde estava a moto que Steve usava. Ela subiu na moto e fiz o mesmo, segurando na cintura dela.

— Eu estou abrindo — avisou Clint. — Quatro, três.... Acabem com ele.

Abriu a comporta embaixo de nós e aterrissamos bem no meio da avenida, Natasha foi a toda velocidade atrás daquele caminhão. Desviava dos carros com facilidade, melhor do que eu pilotaria.

— Escudo! — exclamou, indicando onde estava. — Estou sempre limpando a sujeira de vocês.

— Me tira dessa — disse antes de pegar o escudo.

— Lembra da missão em Varsóvia?

— Eu tenho uma lembrança diferente.

Clint nos informou que estavam seguindo pelo viaduto e não teria como nos dar cobertura, então, ele foi nos dando as coordenadas para os seguimos. Estava ficando mais preocupada pelo que ouvia no ponto, Sarah e Steve estavam tendo problemas, só esperava que eles aguentassem até chegarmos. Avistamos o caminhão: Sarah lutava com Ultron e Steve estava com um dos robôs. A ruiva se aproximou do caminhão e passou por baixo dele, para ficarmos no lado onde estava o Capitão. Assim que ele me viu, joguei o escudo para ele e que afastou aquele robô dele. Ultron nos viu quando ele foi jogado pela praga do teto do caminhão e usou seus poderes para levantar o concreto da rua na nossa frente. Usei meus poderes para segurar o concreto e levar de volta para o chão, mas Natasha teve de brecar para evitar sermos atingida.

— Por que os dois deram tanta tecnologia para ele? — indaguei brava antes dela voltar a seguir o automóvel. — Não podia ser algo simples?

— Imagina que podia ser pior, Sarah podia ter participado e Ultron poderia ter mais truques na manga do que já tem.

Os outros robôs atiraram na nossa direção e ela teve de desviar, pegando um atalho nas escadas, o que me deu uma visão melhor do que estava acontecendo: Sarah foi jogada para a frente do caminhão, caindo em cima do capô, e foi segurada por um dos robôs, já Steve foi lançado para fora por Ultron, que usava seus truques no Capitão.

Tentei usar meus poderes para ajudar, porém, passávamos por entre as pessoas e eu podia acertar algum inocente. A ruiva pediu ajuda de Clint para distrair aqueles robôs, permitindo a gente de se aproximar para tentar ajudar e pegar o berço.

Assim que os robôs se afastaram voltamos a nos aproximar. Vi quando Sarah, Steve e Ultron caíram do caminhão para dentro de um trem que passava ao lado, dando a brecha que precisávamos. Barton nos avisou que os robôs estavam voltando, então, usamos o momento para entrar. Ficamos surpresa ao vermos o que tinha no berço. Tentávamos desconectar o sistema, mas acabamos caindo quando o caminhão foi levantado, eu me segurei num cabo e a ruiva em mim.

— Ele está na minha mira.

— Negativo — disse, levantando junto com a ruiva. — Ainda estamos no caminhão.

— Mas o que está...

— Prepara-se — pediu Romanoff. — Vamos enviar o pacote até você.

— E como espera que eu pegue?

Ela fez sinal para os cabos e entendi o plano, o que seria bem estilo Viúva Negra.

— Seria melhor se não tivesse perguntado.

Escutamos Steve nos avisando sobre Ultron vindo em nossa direção e Clint nos mandando sair. Depois de soltar os cabos e amarrar para nos segurarmos, Natasha acenou com a cabeça e colocou uma bomba na parede do caminhão e eu cortei o ultimo cabo, nos jogamos para cima do berço e ele escorregou para fora do caminhão, com Barton já à nossa espera. Assim que senti o impacto do berço tocando no chão da nave, também senti algo segurar meu tornozelo e me puxar. Bati meu rosto em algum lugar e escutei chamarem meu nome. Gritei involuntariamente, virei-me apenas para ver que era aquele robô que havia me pego e, antes de pudesse usar meus poderes nele, senti um choque atravessar meu corpo, me fazendo perder a consciência.


Sarah

Quando cai dentro do trem, empurrei Steve para longe, evitando que ele fosse atingido pelo punho de Ultron, mas não evitei que eu fosse atingida, caindo um pouco longe. Vi os passageiros se levantarem e irem para longe de nós. Fui ajudar meu namorado, mas estava feio para nós, logo fui jogada novamente para o chão e senti o pé dele em cima de mim, tentando afundar meu peito. Steve tentou me ajudar, mas foi impedido por Ultron.

— Capitão, Sarah, podem mantê-lo ocupado?

— O que acha que estamos fazendo?

— Sério, Natasha? — perguntei quando consegui que ele saísse de cima de mim e rolei para ficar distante. — Ok, acho que chega de brincar.

— Você está falando que estava brincando? — disse Ultron quando eu o acertei.

— Quase isso.

Eu e Steve combinávamos nossos movimentos, estava tendo algum efeito, mas não o que queríamos. De repente, Ultron foi lançado para o outro lado da cabine do trem e nós dois caímos. Não escondi minha surpresa ao ver os gêmeos Pietro e Wanda nos ajudando.

— Por favor, não façam isso.

— Que escolha nós temos?

Aquela resposta não deve ter o deixado muito feliz, pois no segundo seguinte, ele atirou raios na cabine de controle e saiu, nos deixando para trás. O trem acelerou, nos fazendo nos segurar em algum lugar. Steve avisou aos outros e foi até a frente do trem, eu fiz o mesmo. A manobrista estava desacordada e muito ferida, eu a peguei e a coloquei num canto.

— Sarah!

Quando levantei a cabeça vi que os trilhos estavam acabando e que iriamos sair. Não tive nem tempo de pedir para as pessoas segurarem quando o trem deslizou pela rua. Escutamos Clint e Natasha perguntando sobre a Anna, o que me deixou preocupada.

— O que houve?

— Se está com o pacote, leve até o Stark! — mandou Steve. — Agora!

— Steve, a Anna...

— Vá! — exigiu Steve, me interrompendo. — Temos um problema maior aqui, Sarah. — Virou-se para os dois irmãos. — Tem civis no caminho. — Pietro saiu correndo. — Consegue parar essa coisa? — Sem esperar uma resposta, voltou para mim. — Vá para frente do trem, assim que ela erguê-lo, você empurra para tentar diminuir a velocidade.

— Sim, Capitão.

Voei pelo buraco que o robô abriu e vi que nos aproximávamos de uma parede, um tipo de muro. Chamei a atenção de Steve, que, no mesmo instante, afastou as pessoas que estavam perto, apoiei minhas costas na frente e apontei minha mão na direção do concreto, acertando com mísseis, destruindo a parede. Foi tão em cima que acabei sentindo o impacto, fazendo bater a cabeça no metal do trem. Assim que Steve deu a ordem, apoiei minhas mãos e usei meus propulsores para forçar a redução da velocidade.

— Friday, potência máxima. — Senti uma leve mudança na velocidade. — Vamos lá, querido.

Os segundos foram passando e a velocidade foi diminuindo até que o trem parou. Abri a minha máscara para respirar melhor, sentia o suor escorrer no meu rosto e passei minha mão para evitar cair nos meus olhos.

— Você está bem? — Levantei a cabeça e acenei para Steve, que colocou a cabeça para fora pelo buraco. — Tem certeza?

— Sim, Capitão, eu estou.

Notei Pietro num canto tentando recuperar o folego, não deve ter sido fácil para ele correr tanto. Andei em direção aos dois e logo Steve estava ao meu lado, precisávamos falar com eles.

— Estou tentada a não lhe dar um — disse ao meu namorado quando escutou Pietro pedir um momento.

— O berço — pronunciou Wanda, nos olhando. — Você pegaram?

— Sim, meu pai vai cuidar dele.

— Não, não vai.

— Claro que vai, você não sabe o que está falando — respondi, não entendendo o que falou.

— Stark não é louco.

— Ele vai fazer de tudo para consertar as coisas.

Ela e Steve tiveram uma troca de olhares, como se tivessem tido uma conversa telepática. Steve se afastou e tentou falar com meu pai pelo ponto.

— E qual o problema dele consertar?

— Ultron não sabe a diferença entre salvar o mundo e destruí-lo — respondeu a Maximoff calmamente. — Onde acha que ele aprendeu isso?

— O que você está insinuando? — Me aproximei, mas Pietro se meteu entre nós duas e senti Steve segurar meu braço. — Meu pai fez merdas, eu concordo, mas ele não vai fazer merda de novo. — Me senti sendo puxada para trás. — Só porque mexeu com a mente dele, acha que o conhece melhor do que ninguém?

— Sarah... — Encarei Steve e fiquei decepcionada ao notar que as palavras dela mexeram com ele. — Ela viu algo.

— Você não caiu nessa, né? — Soltei meu braço da mão dele. — Você o conhece há anos!

— Sabemos que seu pai pode ter as melhores intenções...

— Para! Para! — Levantei a mão, o impedindo de falar. — Sério mesmo, Steve?

Resolvi me afastar, não queria brigar com ele na frente daqueles irmãos. Mas minha expressão foi suficiente para mostrar o quanto estava decepcionada.


Não fazia nem uma hora que estávamos na nave, os irmãos estavam sentados ao fundo conversando, não conseguia entender de tão baixo que falavam. Eu estava sentada ao lado de Steve, como copiloto, e não tínhamos trocado nenhuma palavra desde que entramos na aeronave. Eu estava brava com ele, já que preferiu acreditar em alguém que queria nos matar do que no Tony.

Sei que meu pai tenta fazer o certo, mas acaba fazendo o errado, porém, não acho que ele irá fazer merda depois do fracasso com Ultron, não cometeria o mesmo erro duas vezes. É estranho, mas eu dou um voto em confiança de que Tony não fará nada de errado.

— Você vai ficar me ignorando até quando?

— Não estou ignorando, só não tenho assunto para falar.

— Quero resolver isso antes de aterrissarmos no prédio.

— Resolver o que? — Ele me encarou seriamente. — Steve, você deixou claro que concorda com ela.

— Não é que concorde com ela, você sabe como é seu pai.

— Eu sei que ele fez merda achando que fazia o certo. — Cruzei meus braços. — Eu lembro do que ele fez com quando Mandarim atacou o Happy. — Bufei, recordando daquele momento difícil. — Só que ele não vai cometer o mesmo erro.

— Ela viu algo.

— Então, só por isso você acredita nela, que até pouco tempo queria nos matar do que seu amigo de anos por ela ter invadido a mente de todos sem permissão? Então, se ela falar algo do que viu na minha mente, vai acreditar nela?

— É diferente.

— É diferente por transar comigo? — A pergunta foi feita num tom baixo para que os irmãos não escutassem essas palavras.

— Eu te conheço.

— E também conhece meu pai! — Fechei os olhos por alguns segundos, tentando me acalmar. — Mesmo assim, duvida dele, alguém que conhece há anos. E sei que irá duvidar de mim também, se ela falar qualquer coisa que viu na minha mente, principalmente, se for sobre a visão que tive. — Balancei a cabeça, fazendo meus cabelos se mexerem. — Eu nem entendo o que vi.

— Sarah...

— Mas vou ser mais rápida e falar: eu vi todos morrem! — Ele me encarou seriamente. — Você, meu pai, Pepper, nossos amigos, crianças que eu não tenho ideia de quem sejam, e tenho certeza que por minha culpa.

— Você não pode ser a responsável.

— Eu não cheguei na melhor parte: Bucky me beija! — Ele arregalou os olhos de surpresa. — Sim, ele me beijou e eu te traí. Caramba, te traí e não pude nem impedir, porque não tinha controle!

— Sarah, fica calma.

— Pronto, agora pode duvidar da minha lealdade, já que devo te trair.

— Isso nunca vai acontecer.

Olhei a frente, não querendo encará-lo. Ter visto aquilo era difícil para mim, sentir que de, algum modo, aquela cena já aconteceu, ter sentido algo e ter traído Steve. Eu sei que não faria aquilo com ele, na verdade, eu quero acreditar que jamais farei, no entanto, uma voz na minha mente diz que, para eu ter visto isso, alguma coisa tem, algo aconteceu entre mim e Bucky, mas, até recuperar minhas memorias, jamais saberei.

— Se você confia em mim, peço que confie no meu pai do mesmo jeito.

— Tudo bem.

Ele tentou sorrir, porém, falhou na tentativa. Sei que o que contei mexeu com ele, até mexeria comigo se fosse o contrário. Relacionamento é algo complicado, mas, sendo de dois heróis, creio que é mais ainda. Parece que em um segundo está tudo certo e, no seguinte, tudo errado, e não é por conta de brigas do cotidiano como casais normais, mas por coisas que envolvem o mundo.

— Eu vi que você me abandonou — Steve disse depois de ficarmos vários minutos em silêncio.

— O quê?

— Na minha visão, eu estava numa festa, comemorando o final da Segunda Guerra Mundial, eu vi a Peggy e meus amigos, mas sentia algo errado. Tudo some, eu estava sozinho. — O tom de voz que ele usava fazia meu coração doer. — Então, vejo os outros e você, nós dançávamos e nos divertíamos, mas você sumia também. Eu fiquei sozinho.

— Steve...

— Não acredito que essas visões mostrem algo que irá acontecer, mas sim nossos medos.

— Não importa o que aconteça com a gente, eu vou estar sempre aqui para você.

— Eu sei.

Dessa vez, consegui ver um sorriso de agradecimento. É estranho ver Steve com esse receio, essas dúvidas. Ele pode ser um super soldado e ter enfrentado diversos inimigos, desde nazistas até extraterrestes, mas ele é um ser humano que, como todos, tem dúvidas.

— Pensei que você não tinha medos.

— Sou mortal, Sarah. — Ele apoiou sua mão na minha. — Como você.

Anna

Abri os olhos e fechei novamente ao sentir minha cabeça girar. Levei a mão à testa e a massageei para aliviar e segurar a minha dor de cabeça, que teimava em aumentar. O choque que me atingiu foi muito forte, se não fosse por ser quem sou, podia ter morrido, agora estava dolorida e ferida. Escutei barulhos e, novamente, abri os olhos, notando estar num lugar grande e escuro, parecia uma versão mais bagunçada e sinistra da oficina dos Starks.

— Não tinha certeza se acordaria — expressou uma voz robótica que eu conhecia. — Mas esperava que sim. — Ele estava mexendo em algo que não pude ver. — Eu queria mostrar a você... Não tenho... Mais ninguém.

Me forcei a sentar e levei uma das minhas mãos até minha boca, limpando o sangue do meu lábio machucado.

— Por que será que te abandonaram? Acho que não tem a ver com o fato de querer acabar com o mundo, não é? — Foi quando notei um tipo de pulseira grossa no meu pulso que não havia antes. Olhei para minha outra mão e também tinha uma. — O que...?

— Acha que daria minhas costas a você sabendo que tem o poder de acabar comigo? — Escutei um tipo de risada que me fez encostar na parede atrás de mim. — Tente fazer qualquer coisa e uma corrente elétrica irá atingir seu corpo antes que possa finalizar seu plano.

— Acho que não tenho opção que não seja ser sua nova companhia.

— Eu penso muito sobre os meteoros. — Pude identificar que mexia numa carcaça de robô. — A pureza que há neles. Boom! O fim! Começa de novo. Um mundo é limpo para que o novo homem possa o reconstruir. — Ele parou o que fazia e olhou em volta, como tivesse imaginando algo. — Eu deveria ser o novo. Eu deveria ser lindo. O mundo, ao olhar para o céu, veria esperança. Veria piedade. — Ele parou seu monólogo e me encarou com raiva. — Ao invés disso, vão olhar com pavor por sua culpa. — Ele se aproximou de mim e eu tentei permanecer firme, mas, ao mesmo tempo, indefesa, ele precisa acreditar que estava em suas mãos. — Vocês me feriram e parabenizo vocês por isso. Mas como disse um homem: O que não me mata... — Naquele momento, uma mão atravessou sua cabeça e outro o corpo surgiu, o que me assustou o suficiente para me arrastar para trás, até encostar numa caixa de madeira. Pude ver que foi ele mesmo que se destruiu, numa nova forma, parecendo mais forte quando se aproximou mais ainda. — Só me fortalece.

Ele puxou uma porta de grades e me prendeu, era seu plano me manter presa e onde pudesse me ver. Se afastou, me deixando sozinha, o que foi seu erro. Deveria achar que eu dependia dos meus poderes, mas não poderia estar mais enganado. Olhei em volta e achei várias máquinas e objetos, o que eu podia usar para avisar aos outros. Não dava para criar algo atual, como Tony faria, no entanto, podia usar um meio que dois amigos me ensinaram para um momento como esse.

Fui mexendo e desmontando as peças, para minha sorte, dava para construir um aparelho de Código Morse. Enquanto montava, eu me certificava de que ele estava ocupado, afinal se ele descobrisse, podia me matar. Graças à caixa, sabia onde estava e só precisava avisá-los, não só para me salvar, mas para deter Ultron.

Assim que finalizei, sorri com orgulho, não era a cientista no grupo, mas consegui me virar bem. Consegui achar a frequência que Clint e Natasha tinham me falado e comecei a passar a informação. Torcia que eles lembrassem de terem me ensinado.

Sarah

Quando chegamos no prédio, Friday me informou que Tony e Bruce estavam no laboratório, trabalhando no berço, o que me fez xingar meu pai. Desperdicei saliva brigando com Steve por causa dele e, sem contar, o olhar de “eu tinha razão” que meu namorado me deu. Uma lição aprendida: não defender e nem brigar por causa de Tony Stark.

Esperávamos o elevador quando senti a aproximação da Wanda ao meu lado, o que me deixou desconfiada.

— Eu sinto muito.

— Pelo que? Ter se juntado a um robô doido? Invadidos nossas mentes? Ter se juntado à Hydra?

— Ter razão sobre seu pai.

— Devia sentir por ter se juntado ao Ultron.

— Nós não sabíamos todo seu plano — justificou Wanda.

— Agora não importa.

A conversa finalizou quando o elevador chegou. Quando alcançamos o andar, os dois trabalhavam e não notaram nossa presença.

— Só vou dizer isso uma vez — Steve disse firmemente.

— Que tal nenhuma? — ironizou o Stark.

— Pai, desligue agora — mandei, me aproximando dele.

— Não, não vai rolar, filha. — Aproveitou e foi até o berço.

— Não sabe o que está fazendo — persistiu Steve.

— E você sabe? — Bruce se pronunciou. — Ela não está nas suas cabeças?

— Eu sei que está com raiva — Wanda tentou se defender, mas ele a interrompeu.

— Eu estou com muito mais do que raiva. Eu te estrangularia agora e nem precisaria ficar verde — ele ameaçou.

— Banner, depois de tudo o que aconteceu... — Steve aumentou o tom, assim como Tony, interrompendo-o novamente.

— Não é nada comparado ao que está por vir!

— Gente, não é hora de brigarmos! — disse, tentando chamar atenção.

Continuamos discutindo até sermos interrompidos por barulhos dos computadores e notamos que Pietro usou seus poderes para desconectar os cabos do berço.

— Não, por favor, continuem. O que disse? — ele pediu, então, de repente, o vidro estourou abaixo dele, fazendo-o cair no andar inferior.

— Vou direcionar o upload — informou Tony, mas Steve lançou seu escudo para impedi-lo.

— Gente! — exclamei, querendo que eles parassem, mas foi como tivesse falado para a parede.

Foi só meu pai ter chamado a luva da armadura e tudo desandou. Bruce segurou Wanda, isso acabou a fazendo atacá-lo; eu me meti no meio dos dois, para evitar que se batessem, porém, Natasha apareceu e me puxou para longe.

— O que você está fazendo? — indaguei, irritada pela atitude.

— Evitando que eles te acertem e piorem a situação.

— Eu estava evitando isso! — Apontei para os dois no exato momento que meu pai lançara Steve para longe, usando o raio do peito.

Naquele mesmo momento, Thor surgiu e pulou sobre o berço. Levantou a mão que segurava o Mjolnir e invocou seus poderes, fazendo os computadores sobrecarregarem com o choque, logo acertando o berço. De algum modo, o berço devolveu o ataque, o lançando contra a parede, que o deus atravessou, caindo em algum lugar da sala de estar. Logo em seguida, uma criatura verde e vermelha se levantou, o que me fez segurar o braço da Viúva Negra. Por alguns segundos, ele encarou o nada à sua frente, entretanto seus olhos passaram por cada um de nós, quando parou em mim, acabei sentindo um arrepio, não sabendo se era bom ou ruim. Se eu não estivesse irritada, teria ficado admirada com o que os dois fizeram.

Ele voou em direção aonde o Thor havia caído, o que fez todos nós irmos para a sala de estar. Por ser perto, chegamos em um minuto e o vimos olhando para a vista da janela. O loiro fez sinal para não reagirmos e colocou o martelo em cima da mesa, se aproximando com cautela.

— Isso foi estranho — disse ao pousar no chão, ao lado do Thor. — Mas, obrigado. — Ele olhou para o mesmo e assentiu em agradecimento, logo fazendo surgir uma capa amarela em suas costas.

— Thor — Steve o chamou. — Você ajudou a criar isso?

— Eu tive uma visão — ele se justificou. — Um redemoinho que suga toda a esperança de vida e o centro é aquilo. — Ele indicou a joia amarela na testa do humanoide.

— O quê, a gema? — questionou Bruce.

— É a joia da mente, uma das seis Joias do Infinito, o maior poder do universo, com capacidade destrutiva incomparável — explicou o loiro.

— E por que você... — Steve começou a falar, mas foi novamente interrompido.

— Porque Stark está certo.

— É nesse momento em que começa a chover merda — murmurei surpresa com o que ouvi.

— Os Vingadores não podem destruir Ultron — continuou Thor.

— Não sozinhos — completou o humanoide.

— Por que a sua visão fala como o Jarvis? — indagou Natasha.

— Reconfiguramos a matriz do Jarvis para criar uma coisa nova — respondeu Tony, se aproximando.

— Já atingi minha cota de coisas novas.

— Vocês acham que eu sou um filho do Ultron.

— E não é?

— Eu diria que é mais um irmão que ganhei — sugeri, inclinando a cabeça para o lado.

— Eu não sou Ultron — ele continuou, pensativo. — Não sou Jarvis. Eu sou.

— Eu olhei em sua mente e vi aniquilação — Wanda se pronunciou, se aproximando, e encarou-o de frente.

— Olhe outra vez — ele pediu, fazendo Clint rir.

— O selo de aprovação dela não é nada pra mim — queixou-se o Barton, se juntando a nós.

— Os poderes dos dois, os horrores das nossas cabeças, o próprio Ultron, tudo isso veio da joia da mente e não é nada comparado ao que pode fazer, mas com ela do nosso lado...

— Ela está? — questionou Steve, interrompendo Thor, e olhou para o humanoide. — E você? Está do nosso lado?

— Acho que não é tão simples — ele respondeu, pensativo.

— Simplifique — pediu a ruiva.

— Eu estou do lado da vida, Ultron não está. Ele vai acabar com tudo. — Ele olhou para o Rogers até Tony chamar sua atenção.

— O que ele está esperando?

— Vocês.

— Onde? — perguntei.

— Sokóvia, está com a Anna também — Clint respondeu.

— E se estivermos errados sobre você? — questionou Banner, parando de frente para o corpo. — E se você é um monstro que Ultron construiu?

— O que farão? — Visão indagou. — Eu não quero matar Ultron. Ele é único e está sofrendo muito. Mas esse sofrimento vai tragar toda a Terra. Por isso, ele deve ser destruído. Cada forma que ele construiu, cada traço da sua presença está na internet. Temos que agir agora. E nenhum de nós fará isso sem os outros. — Ele olhou para Steve, parando de perambular pela sala. — Talvez eu seja um monstro... — Ele encarou as próprias mãos. — Acho que eu não saberia se fosse um, não sou o que vocês são e nem o que planejaram. Talvez não haja como fazê-los confiar em mim, mas temos que ir logo. — Ele se virou de frente para nós e estendeu o Mjolnir para Thor, nos deixando surpresos, principalmente o deus, que pegou o martelo e olhou confuso para os companheiros.

— Tudo bem — Thor se pronunciou. — Vamos lá. — Ele deu um tapinha no ombro de Tony e foi atrás da visão.

— Três minutos — Steve murmurou e os olhou. — Se preparem.

Vi todos se separando, eu me aproximei de meu pai, que já me olhou com uma expressão preocupada.

— Se for para brigar sobre...

— Não. — Levantei a mão para ele parar de falar — Quando isso tudo acabar, procure um psicólogo.

— Por que diz isso?

— Porque estou preocupada que você esteja tentando me dar um irmão de um modo nada convencional.

Eu me afastei assim que escutei sua risada, claro que levaria como uma brincadeira.

— Prometo que não irei te dar um irmão ou irmã psicopata.

— Cuidado com a promessa — disse, me virando na porta. — Quem garante que eu não tenha um perdido por ai e você ainda não descobriu.

Fui em direção ao meu armário e joguei minha roupa logo após de ter trocado para meu macacão. Lembrava o que Anna e Natasha usavam, porém, o meu era todo preto, com o “A” dos Vingadores em meus ombros e o símbolo do Coração de Ferro no peito, a máscara na cor vermelha e amarela. Coloquei meu ponto para poder falar com meus companheiros de equipe e com a Friday.

— Friday, hoje usarei Lucy 7.

— Sim, senhorita.

— Lucy? — perguntou uma pessoa com o sotaque forte ao meu lado, me virei e encontrei Pietro sorrindo para mim. — Quem é Lucy?

— Minha armadura.

— Ela tem nome? — Acenei positivo. — Por que Lucy?

— É o nome do fóssil mais antigo e mais completo encontrado, ela é considerada uma ancestral do Homo Sapien.

— E você a homenageou dando seu nome à armadura.

— Às armaduras — corrigi e ele sorriu para mim. — Todas se chamam Lucy, só coloco um número no final para saber qual é.

— Interessante. — Pietro cruzou os braços e inclinou a cabeça, fazendo alguns fios brancos do seu cabelo caírem na testa, me olhando de um modo diferente. — Olha, sei que começamos com o pé esquerdo, mas espero que consigamos ser bons amigos.

Ouvi Wanda falar algo em seu idioma que o fez fazer uma careta e eu ri.

— Se você não tentar me matar, acho que podemos ser.

— Não tentarei, agora que te conheci melhor.

Ele se inclinou mais perto de mim e eu acabei me afastando, acho que ele estava dando em cima de mim. Dei uma risada e fechei a porta do armário, ao me virar vi Steve parado na porta com os braços cruzados e uma expressão séria. Andei na sua direção e parei à sua frente, me inclinei e beijei seu rosto, achei que isso iria tirar sua feição de sério para o Pietro, mas não adiantou.

— Estão prontos?

— Sim, Capitão.

Os dois passaram por nós e Pietro piscou para mim ao passar ao meu lado, não deve passado despercebido para a irmã já que escutei as palavras “relacionamento” e “Capitão América”. Ri com o ciúme que Steve estava sentindo.

— Sabe que ele não tem conhecimento do nosso namoro.

— Não estou com ciúme.

— Pois não parece. — Me virei para segui-los, porém, fui impedida por Steve, que segurou meu braço. — O que foi?

— Essa luta não será como as outras. — Assenti, mostrando que sabia. — Não sei qual era o resultado, espero que ganhemos, mas...

— Mas...?

— Não morra — pediu, quase suplicando. — Se isso acontecer, não sei se irei sobreviver.

— Eu não planejo morrer, mas... — Engoli seco. — Se isso acontecer, saiba que eu te amo e que quero que continue. Continue sendo herói, continue lutando pelos inocentes e continue sua vida. — Dei um sorriso triste. — Eu quero que seja feliz, nem que seja com outra pessoa.

— Sarah...

— Me prometa?

Em vez isso, ele colocou as mãos no meu rosto e me beijou. Seu beijo era firme, era cheio de paixão e parecia que queria me mostrar o que sentia em vez falar. Eu me segurei em seus ombros para não cair e devolvi com os mesmos sentimentos. Entendia o que ele queria dizer, uma luta em que sabíamos que as chances de falharmos, de morrermos, eram mais altas do que as de termos sucesso. Nos afastamos por falta de ar e ele encostou sua testa na minha.

— Se eu morrer, quero morrer com a lembrança dos seus lábios aos meus — declarou, olhando bem fundo meus olhos. — Do color do seu corpo ao meu de quando nos abraçamos e, o mais importante, em saber que eu amei e fui amado.

— Eu te amo, Steve — disse, segurando as lágrimas. — E você não vai morrer, não pode morrer.

— Farei o possível para isso não acontecer.

— Eu também.

Notas finais
Na minha visão Era de Ultron foi um dos filmes que mais mostrou um lado humano dos personagens, mais de emoções dos personagens e creio que por isso eu tenha feito esse final de capitulo. Eles foram lutar prontos para morrer pelas pessoas, não que eles não façam isso toda vez que lutam contra os vilões, porém, creio que com o Ultron eles viram que as chances de morrer era maior, sentiram que iriam morrer. O que acharam da visão do Steve? E da conversa? Sim, eu mantive a visão do Steve, mas com o acréscimo da Sarah. Afinal, ele não quer ficar sozinho, já perdeu uma vez o amor e não quer perder de novo. Eu não sei mais o que falar, espero não demorar para atualizar o próximo capitulo, mas não posso prometer não atrasar. Peço desculpa por isso e peço paciência comigo. Espero ver vocês nos comentários! Me digam o que acharam, onde devo melhorar ou quiserem falar comigo. Beijos