Take on Me
47 Bring Out Your Boss
Notas iniciais

Annabelle
Ultron tinha saído e me deixado sozinha. Infelizmente, não tinha conseguido escapar e só podia ficar sentada, esperando o que ele faria comigo. Esperava muito que tivessem recebido minha mensagem e estivessem a caminho, não só para derrotar esse robô lunático, mas também para me tirar daqui.
— Anna? — Escutei uma voz me chamar e tentei identificar quem era. — Anna?
— Bruce! — chamei, me levantando e me aproximando das grades.
Ele surgiu do extenso corredor e pude notar seu alívio ao me ver, o que me fez sorrir.
— Você está bem? — perguntou ao parar na minha frente e acariciar minha mão pela grade.
— Agora estou bem.
— A equipe está na cidade, vai começar o combate.
— Eu aposto que encontrou uma chave dando sopa por ai — brinquei.
— É. Eu encontrei — contou, me mostrando uma arma em suas mãos, se afastou para atirar e aproveitei para me esconder atrás da parede.
Levei as mãos aos ouvidos para abafar o som da explosão, que ocorreu logo em seguida. Voltei à porta e a abri para sair.
— Tem uma versão menor para tirar isso? — perguntei, mostrando minhas pulseiras. — Ultron sabia que um choque podia me manter quieta.
Banner pegou meus pulsos e encarou os objetos, devia estar pensando em um modo de soltar. Me puxou até uma mesa onde tinha várias coisas, inclusive ferramentas, foi mexendo até achar o que procurava.
— Ele sabia que você podia destruí-lo com um estalar de dedos.
Levou pouco tempo para que me libertasse dos objetos e fiz questão de jogar para longe de mim.
— Qual é o plano? — questionei, passando meus dedos em um dos pulsos.
— Vou deixar você em segurança.
— O trabalho não acabou — disse confusa, o que o fez colocar suas mãos em meus ombros.
— Podemos ajudar com a evacuação, mas não posso estar numa luta próxima aos civis — argumentou e pude notar seu medo. — E você já fez muito. — Abri a boca, mas fechei logo em seguida ao notar que ele não tinha terminado de falar. — Nossa luta acabou.
— Então, vamos desaparecer? — repeti a pergunta que ele me fez na fazenda.
Para minha surpresa, ele se aproximou e me beijou, fazendo o mesmo que fiz. Eu não esperava que ele me beijasse, ainda mais naquele momento. Fechei os olhos para aproveitar a sensação que percorria meu corpo. Quando nos separamos, notei que ele corava levemente, no entanto, tinha um belo sorriso no rosto.
Sarah
Eu sobrevoava e indicava as saídas mais próximas da cidade, eram muitas pessoas e estavam assustadas. E, afinal, quem não estaria? Ter que deixar tudo para trás por conta de um robô maluco. Pude notar meus companheiros de equipe por terra, ajudando os civis, faltavam Banner e Thor, que foram salvar Anna, e meu pai, que fora atrás do Ultron com Visão.
Estava ficando preocupada com o que aquele robô maluco poderia fazer ou já ter feito, espero que Banner e Thor tenham encontrado a bruxa e que ela esteja bem.
Estava observando todos se afastarem quando vi uma família, a mãe segurava sua filha pequena, que tentava se agarrar na boneca, porém, o brinquedo acabou caindo. Voei até onde estavam e peguei a boneca, a família tinha parado a alguns metros e esperou eu me aproximar. Entreguei na mão da menina que sorriu para mim em agradecimento, no mesmo instante, o chão tremeu e gritei para que eles corressem.
O chão se abriu atrás de mim e uma mão segurou meu tornozelo. Olhei e vi a cabeça de um robô saindo, uma das criações de Ultron. Usei meu outro pé e pisei bem forte para me soltar, o que aconteceu, depois atirei nele, o destruindo. Voei e fui para cima dos outros robôs que foram surgindo. Lutava para que não chegassem perto dos civis, por sorte, Natasha estava perto, me ajudando.
— Ultron foi desconectado da internet — informou Friday.
— Ótimo, agora não tem como ele escapar. — Outro barulho chamou minha atenção e, dessa vez, as ruas começaram a se dividir, causando mais pânico entre as pessoas. — O que está acontecendo?
— Sokovia vai dar um passeio.
Um robô se aproximou e seus olhos mudaram de vermelho para azul, não fez nenhum movimento para atacar.
— Estão vendo? A beleza disso, a inevitabilidade. Vocês se erguem apenas para cair. — A voz era de Ultron, estava usando seus capangas para passar a mensagem. — Vocês, Vingadores, são o meu meteoro, minha espada certeira e terrível, e a Terra irá rachar com o peso da derrota de vocês. — Peguei o robô pelo pescoço, irritada com as palavras que escutava. — Expurguem-me de seus computadores, voltem meu próprio sangue contra mim. Não significa nada. — Olhei em volta e vi tudo que ele estava causando. — Quando a poeira abaixar, a única coisa viva neste mundo será de metal.
Com toda minha raiva, separei a cabeça do corpo e soltei as peças caindo.
— Friday, como Ultron está fazendo isso?
— Uma máquina está na igreja, no centro da cidade. Seu núcleo de vibranium tem um campo magnético, é o que mantém a rocha íntegra.
— E se essa máquina parar de funcionar, e se isso tudo cair?
— No momento, o impacto vai matar milhares, se for alto o bastante: extinção global.
— Merda!
— Uma família está prestes a ser atacada no lado oeste.
Voei para salvar os civis e tentar pensar num plano.
Annabelle
Eu e Bruce corríamos pelos corredores para sair, tudo tremia e parecia que, a qualquer momento, tudo ia cair. Banner parou e me fez fazer o mesmo, olhei em volta, procurando um modo de sair e lutar. Precisávamos lutar. Esperava muito que ele entendesse que não podíamos fugir naquela situação.
— Temos que ir.
— Não vai ficar verde?
— Tenho uma boa razão para não perder a calma.
— Eu te adoro. — O puxei para um beijo e, quando nos separamos, eu o empurrei para o buraco que tinha atrás dele. — Mas eu preciso do outro cara. — Dei dois passos para trás, dando espaço para o Hulk, que apareceu no segundo seguinte. O que me deixou surpresa foi ele ter sorrido para mim. — Vamos terminar o trabalho.
Segui o Hulk pelo caminho que abria e, quando chegamos ao lado de fora, notamos que uma parte da cidade voava. Precisávamos chegar lá de algum modo, me virei para falar algo, mas ele me pegou e me colocou em suas costas. Só tive tempo de me segurar nele antes que desse um pulo enorme e caísse em uma das pedras que soltava da enorme rocha, repetindo isso várias vezes até alcançar a cidade. Foi difícil não segurar o grito. No último salto, fomos em direção às arvores, senti galhos baterem em mim, o pulo foi tão forte que, quando ele aterrissou, acabei voando e cai a alguns metros dele, sai rolando, tentando parar. Quando me levantei, sentia algumas dores pelo corpo, olhei para onde o Hulk estava e ele rosnou para mim.
— Espero que isso nos deixe quites. — Ele olhou em volta com um semblante sério, dava para notar que não estava muito feliz. — Agora vá ser um herói.
Hulk soltou um urro e correu para uma direção, enquanto eu segui na oposta, torcendo para chegar o mais rápido possível, onde estava acontecendo a luta.
Sarah
Empurrei um dos robôs em direção ao chão e, com o impacto consegui, desligá-lo. Outros logo vieram para cima e eu ia lutando. Queria muito encontrar Ultron e socar ele até virar sucata. A situação estava ficando difícil e, com os civis no meio da luta, complicava a situação ainda mais. Estava tão focada em derrotar aquelas máquinas, que fiquei surpresa quando escutei a voz do meu namorado.
— Stark, se preocupe em levar a cidade de volta para o chão — pediu Steve pelo ponto. — O resto de nós tem uma tarefa: despedaçar essas coisas. — Levantei a mão e atingi um que estava vindo em minha direção. — Se forem feridos, firam eles de volta. Se morrerem, levantem e lutem.
— Sim, Capitão — disse antes de ter uma ideia e notei Natasha perto. — Nat, vou tentar afastá-los ao máximo e você tira as pessoas daqui.
— O que você vai fazer?
— Não se preocupe comigo. — Virei para eles e os atingi com meus mísseis. — Vamos brincar de pega-pega? Está com vocês!
Voei e eles me seguiram, porém, nem todos. Passei perto dos que ficaram e aticei para que viessem também. O plano foi um pouco idiota, porém, funcionou. Eu desviava dos ataques e os atingia quando um deles grudava em mim.
— Um prédio irá cair à sua frente.
— Tem alguém dentro ou perto, Friday?
— Não.
— Calcule o tempo para eu passar e esse monte de concreto cair em cima deles.
Na minha tela, apareceram as informações e o que devia fazer, segui a rota que Friday me fez e passei no momento certo quando o prédio já estava desmoronando, só escutei o barulho no concreto atingindo cada robô. Quando parei a alguns metros de distância, vi o edifício no chão e não tinha mais nenhum capanga me seguindo.
Notei que Steve e Natasha estavam perto, aproveitei e voei em direção a eles.
— A próxima onda deve estar chegando — comunicou Steve ao ponto. — Alguma ideia, Stark?
— Bom, nada demais, talvez uma forma de explodir a cidade — Tony respondeu seriamente. — Vai impedi-la de se chocar contra o solo se conseguirem sair.
— Eu pedi uma solução, não um plano de fuga — repreendeu o Capitão.
— O raio de impacto está ficando maior a cada segundo, vamos ter que fazer uma escolha.
— Não até que todos aqui estejam seguros.
— Deve ter outro jeito — eu disse, pousando ao lado de Steve e Natasha.
— Todos aqui contra todos que estão lá embaixo? A conta é fácil de fazer.
Entendi o ponto da ruiva, mas não é uma decisão simples.
— Não vou sair daqui enquanto houver civis.
— Não disse que deveríamos sair. — Olhei para ela e compreendi sua sugestão. — Há formar piores de morrer. Onde mais eu conseguiria uma vista assim?
Desviei meu olhar para Steve, que assentiu para mim. Bem, se era para morrer, pelo menos ia morrer com as pessoas que amo.
— Que bom que gostou da vista, Romanoff. — A voz de Nick Fury surgiu e nos surpreendeu. — Ela está prestes a melhorar — terminou a frase e o aeroporta-aviões surgiu entre as nuvens. Sorri ao saber que teríamos uma chance. — Legal, não é? Eu a tirei do depósito com a ajuda de velhos amigos. Está empoeirada, mas dá para o gasto.
— Fury, seu filho da puta.
— Você beija sua mãe com essa boca?
— Isso é a SHIELD? — questionou Pietro assim que parou perto de nós, vendo pequenas naves se aproximando da cidade.
— Isso é o que a SHIELD deveria ser — respondeu Steve, sorrindo.
— Não é tão ruim assim.
— Não mesmo — concordei com o velocista.
— Embarquem todos — mandou o Capitão América. — Sarah, dê cobertura pelo ar — ordenou ao ver mais robôs.
— Que caras chatos.
Voei em direção a eles, que estavam perto do aeroporta-aviões. Para minha surpresa, Rhodes surgiu, atirando nas sucatas.
— Ajuda? — questionou a mim.
— Com certeza.
— Sim! — exclamou feliz pelo ponto. — Essa vai ser uma boa história!
— É, se viver para contar — comentou meu pai, também aparecendo.
— Prometem que não vão zoar? — pediu.
— Se sobrevivermos, eu vou aplaudir — garantiu Tony. — Sarah?
— Se sobrevivermos, eu posto você contando a história nas minhas redes sociais.
— Vou cobrar de vocês.
Os botes já cheios se aproximavam do aeroporta-aviões, mas aquelas sucatas insistiam em tentar se aproximar. Nós três nos esforçávamos ao máximo para impedi-los de ferir os civis.
— Já sei, criamos um selo de calor, eu poderia sobrecarregar a torre por baixo.
— É um bom plano pai, mas será que terá energia suficiente?
— Thor! — ele chamou e eu entendi quem geraria a energia. — Eu tenho um plano.
— Estamos sem tempo — respondeu Thor. — Eles estão vindo para o núcleo.
— Rhodes, leve o resto das pessoas para a aeronave.
— Está bem — murmurou, concordando.
— Vingadores! Hora de pegar pesado. — O segui até a igreja. Quando chegamos, encontramos alguns robôs, mas logo os derrotamos. Olhei em volta e notei que Anna e o Hulk não tinham chegado. — Petrov — chamou pelo comunicador. — Espero que você e o Banner não estejam brincando de esconde-esconde.
— Relaxa, cabeça de lata — respondeu Anna. — Nem todo mundo pode voar.
— Achei que conseguiria com seus poderes.
— Não cheguei a esse ponto, pirralha. — Escutamos um barulho no lado de fora e logo ela surgiu. — Cheguei.
— Qual é o lance? — indagou Natasha.
— Esse é o lance. — Tony apontou para o núcleo enquanto olhava em volta. — Se Ultron colocar a mão no núcleo, nós perdemos.
Hulk se aproximou e parou ao lado de Steve, após destruir mais um robô.
— Isso é o que pode fazer de melhor? — questionou Thor, bem alto para que Ultron escutasse.
Em resposta, ele ergueu o braço, em sinal, e uma nova legião de capangas se aproximou, cercando onde estávamos.
— Você tinha que perguntar — resmungou meu namorado, olhando torto para o deus.
— Isso é o que posso fazer de melhor — disse Ultron para nós. — É exatamente o que eu queria. Todos vocês contra todos de mim.
— Por que ele tem que ser parecido com o Tony? Não podia ser mais o jeito de Banner?! — murmurei.
— Não teria graça se fosse tranquilo — comentou Natasha, o que fez Anna rir.
— Não conseguem ver? — Ultron chamou nossa atenção. — Estão em desvantagem. Como ainda esperam me impedir?
— Como o velhinho disse... — Tony atraiu a atenção para si e olhou para Steve. — Juntos.
Com o forte rugido do Hulk, os robôs avançaram em nossa direção. Como meu pai falou, juntos fomos destruindo cada um com tudo que tínhamos: socos, balas, laser, flechas e poderes. Um caía, outro surgia e isso não nos fazia parar. Não demorou muito para Ultron se envolver, indo direto para cima do Visão, que, usando o poder da Gema, o lançou para fora. Eu, Tony e Thor o seguimos, o loiro usou o raio que saiu do seu martelo para atingi-lo, eu e meu pai usamos nossos propulsores. Ele tentou se defender, usando seus braços para segurar a energia que formamos, mas era muito forte e o fez derreter. Paramos ao notar que ele estava acabado.
— Sabem, avaliando em retrospectiva... — Ele foi impedido de terminar sua fala pelo Hulk, que surgiu de repente, lhe dando um soco para lançá-lo longe.
O pouco que resto dos robôs observaram a cena e fugiram assustados. Resolvi seguir para destruí-los.
— Estão saindo da cidade — avisou Thor.
— Não podemos deixar nem mesmo um — comentou Tony. — Rhodey!
— Deixa comigo.
Voltei para onde estava o núcleo, onde estava o restante do pessoal.
— Temos que sair, o ar está ficando rarefeito — expôs Steve, nos encarando. — Entrem nas naves, vou procurar os perdidos. — Seus olhos pararam em mim. — Eu sigo vocês.
— Mas e o núcleo? — indagou Clint.
— Eu vou protegê-lo — respondeu Wanda. — É meu trabalho.
— Vou ficar e ajudar — avisou Anna.
— Não — rebateu a outra. — Ultron está aí fora e você tem poder para derrotá-lo.
— Nat, Anna, Sarah, por aqui.
— Eu vou ajudar Steve, Clint — disse e saí voando para onde estava meu namorado.
Os três foram para um lado e nós para o outro. O tempo estava correndo e estava contra nós.
Annabelle
Nós três estávamos no carro, Clint pilotava e divagava seus planos sobre a casa que estava construindo para morar com Louise e o filho. Dava para notar que ele estava animado para a nova moradia e que fazia questão de que fosse perfeito.
— Louise precisa de um espaço para trabalhar e um escritório é perfeito, mas ela acha que é um espaço desnecessário — comentou o Gavião. — Acha que é melhor ter espaço para a sala de jantar.
— Não acho que irão usar muito a sala de jantar — comentou Natasha, olhando em volta.
— Acho que vão comer na cozinha — opinei.
— Exato, ninguém usa a sala de jantar — disse, olhando em frente. — Ela acha que qualquer lugar da casa está ótimo. Ela precisa de um espaço só dela, seja trabalhar ou simplesmente fazer nada.
— Ou fugir de você — brincou Natasha, me fazendo rir.
Avistamos, bem à frente, uma das naves de fuga com os últimos civis entrando. Ele estacionou e escutamos o Hulk, devia estar acontecendo algo.
— Não temos muito tempo — avisou Clint.
— Vocês dois entram na nave — disse, saindo do carro.
— Anna! — escutei Natasha me chamar.
— Já venho!
Corri na direção de onde escutei seu rugido e o encontrei num pequeno parque. Estava segurando o que restou de um dos capangas. Era nítido que estava irritado, o que significa que precisava acalmá-lo.
— Oi, grandão — cumprimentei, tirando minha luva. — O sol está quase se pondo. — Ele grunhiu com o barulho. Levantei a mão e ele entendeu que era a hora, quando estávamos prestes a nos tocar, fomos atingidos por tiros. Acabei caindo e bati a cabeça no chão, o que me deixou zonza. Senti meu corpo ser levantado e, quando minha visão volta a focar, estava sendo carregada pelo Hulk, ambos estávamos no ar. Senti o impacto do pouso e ele me colocou no chão. Não pude dizer nada, só o vi pular de novo para a nave que estava passando acima de nós. — Hulk!
Sarah
Estava ao lado de Steve e Thor, enquanto as últimas pessoas entravam na nave. Meu pai explicava o plano para evitar um desastre. Notei Clint se afastando e indo até um dos prédios, o que significa que tinha mais alguém. Escutei o barulho de outra nave e, no momento em que olhei para cima, foi quando começaram a tirar na nossa direção. Acabei me jogando no chão com o impacto dos tiros. Quando pararam, olhei para os dois, que pareciam estar bem, porém, ao olhar na direção onde Clint tinha ido, vi Pietro no chão. Thor saiu voando, eu e Steve nos aproximamos, recolhi a máscara do meu capacete no momento em que Clint fez sinal de quem tínhamos perdido Pietro. Levei minha mão até a boca: Pietro tinha se sacrificado por Clint e pela criança que o arqueiro tinha salvado.
Steve pegou o corpo do corredor e Clint do menino, eu segui os dois e parei na entrada do “bote”, eu estava em choque com o que aconteceu. Não esperava que alguém fosse morrer naquele momento, na verdade, não imaginei que fosse ser ele. Se sacrificou para que duas pessoas vivessem. Senti a mão de Steve no meu ombro e coloquei a minha, brevemente, para agradecer o apoio.
Steve deu alguns passos à frente, olhando em volta para garantir que ninguém ficou para trás enquanto as últimas pessoas entravam. Um som estrondoso chamou nossa atenção e, naquele momento, ele correu em direção à nave e, quando a terra despencou, ele pulou. Eu só me joguei para frente esticando a mão e, por um milagre, consegui segurar a dele, evitando que ele caísse para uma morte certa. Puxei e o ajudei a subir, assim que ele se sentou, me joguei em seus braços. Ele me abraçou forte, creio que teve a mesma sensação que eu, que morreria. Acabamos nos curvando para ver aquele grande pedaço de terra cair. Levou alguns segundos para vermos um clarão e vários pedaços de terra.
— Acabou. — Senti Steve me puxar mais para si. — Acabou.
Sim, acabou. Vencemos, evitamos que Ultron extinguisse a raça humana, mas quanto isso nos custou? Vidas inocentes pagaram o preço e teremos que carregar isso nas nossas costas.
Eu olhava o céu, que já escurecia, o dia havia sido longo e bem cansativo. Estávamos voltando para casa depois de garantir que todos os civis estavam bem. Puxei mais para mim o cobertor que estava em volta do meu corpo. Tinha preferido ficar no lado de fora, longe de tudo. Muitas coisas tinham acontecido e eu não ainda tinha conseguido digerir. Fechei os olhos ao sentir o vento bater em meu rosto, a imagem de Pietro caído invadiu minha mente. Sabia que toda vez que saíamos, tinha o risco de alguém não voltar, mas foram tantas vezes em que todos conseguimos voltar que era difícil acreditar que tínhamos perdido alguém.
A imagem continuava a martelar na minha mente, o olhar que ele tinha no momento em que morreu foi assustador. De repente, um flash de outra cena surge: um homem deitado no chão, me encarando sem vida, e, então, vejo Bucky como Soldado Invernal.
Abri os olhos e acabei encostando na parede em surpresa, era uma lembrança da minha época em cativeiro. Aquele homem morto, eu senti que não gostava dele, mas o que o Bucky tinha a ver? Foi ele que o matou? Por quê? Eram tantas perguntas que estavam me deixando zonza.
— Sarah?
Olhei para o lado e encarei Anna, que aproveitou para sentar-se ao meu lado. Sua expressão era preocupante e eu não sabia se era pelo Bruce ou por mim.
— Alguma novidade?
— Ainda não — ela respondeu e me entregou uma garrafa d’agua. — Tony está tentando traçar caminhos que ele pode ter seguido.
— Daqui a pouco ele vai entrar em contato — disse, tentando tranquilizá-la. — Só precisa de um tempo.
— Assim como você. — Dei de ombros. — No que você estava pensando?
— Pietro. — Coloquei a garrafa que ela me entregou ao meu lado e puxei minhas pernas, abraçando-as. — E que não foi a primeira que vi alguma morte.
— Como assim?
Contei a ela tudo o que lembrei.
— Eu não sei o que dizer.
— Não precisa falar nada, só mais uma coisa que aconteceu no meu cativeiro — disse, forçando um sorriso. — E o Clint?
— Está bem, está descansando depois da cirurgia.
— Alguém falou com a Louise?
— Ele pediu para não avisar — contou Anna. — Não quer a estressar e acabar acontecendo algo.
— E Wanda?
Mal perguntei e a porta abriu, relevando a própria. Ela deu alguns passos para longe de nós, desconfiei que nem nos viu. Parou e pude notar seus ombros tremerem, sabia que estava chorando. Levantei e segurei o cobertor para não cair, me aproximei dela sabendo que Anna me seguia. Coloquei minha mão no ombro de Wanda, que levou um leve susto.
— Oi, gente.
— Eu não pude dizer antes, mas eu sinto muito.
— Obrigada, Sarah.
— Sei que esse momento é difícil, mas você não está sozinha — Anna garantiu. — Estamos aqui.
— Clint me disse a mesma coisa — nos contou. — Como podem ser legais comigo depois de tudo que fiz?
— Todos nós tomamos decisões erradas.
Acenei concordando com Anna e, para minha surpresa, Wanda me abraçou. Retribui o gesto, no final, ela foi só mais uma vítima do mundo.
[...]
Soltei um suspiro de cansaço quando fechei a caixa, a peguei e fui até onde estavam as outras, perto da porta. Quando parei em frente à pilha, notei que Rusty estava deitada na caixa, como se fosse sua cama. Que gata folgada. Fiz barulho com a boca e dei um leve chute na caixa que estava abaixo da dela, que fez tudo mexer, e ela acabou pulando fora. Coloquei a caixa em cima e apoiei meu braço.
Creio que não tinha mais nada meu na oficina, caso eu lembrasse de algo, pedia para alguém levar para o novo QG. Confesso que fiquei triste pela mudança de local, mas o lugar que foi escolhido era um pouco afastado da cidade e, caso sofrêssemos algum ataque, não atingiria os inocentes. Lado ruim: um pouco longe da universidade, o que me faria acordar cedo para as aulas.
Um barulho de algo caindo chamou minha atenção. A Rusty estava na mesa me encarando, claro que tinha de ter derrubado algo, parecia que ela sabia que íamos sair e demonstrava sua insatisfação.
— Eu já entendi, mas o lugar que vamos morar é bem legal e você vai gostar — disse, me aproximando dela. — Não tem elevador, o que significa que você pode andar por todos os lugares sem precisar de um humano. — A peguei no colo e ela miou, num tom que parecia reclamar. — E tem um pátio enorme, onde poderá se jogar e curtir o sol. — Outro miado de desgosto. — Desisto.
— Devo me preocupar de você estar falando com a gata? — indagou uma voz que eu conhecia.
— Eu que devo perguntar se me preocupo por você falar com suas armaduras — respondi meu pai ao me virar e notei um sorriso muito alegre. — Não sabia que voltaria hoje.
Meu pai foi para Malibu resolver algumas coisas das empresas e pensei que só voltaria na próxima semana para ajudar a levar alguns equipamentos para o novo lugar.
— É que eu preciso te falar algo pessoalmente.
— Então, é algo sério? — Tony parou na minha frente e seu sorriso só aumentou, parecia que ele sabia de um grande segredo e queria contar, o que me deixou muito curiosa. — Fala logo.
— Eu pedi a Pepper em casamento.
— Ai, meu Alan Turing! — Pulei de alegria. — Como foi? Se ajoelhou? Ela disse sim?
— Claro que ela disse sim. Por que ela diria não? — Dei de ombros. — De qualquer forma, eu a levei até onde era a mansão, mas à noite, assim tínhamos uma visão linda do céu e da praia — contou, se apoiando na mesa. — Fiz um discurso falando o quanto a amava e tudo que tinha direito, no final me ajoelhei e mostrei o anel.
— Parabéns, pai. — O abracei. — Estou orgulhosa de ter feito algo simples.
— Depois da batalha de Ultron, vi que não podia perder tempo em algo desnecessário. — Sorri com as palavras. — Mas o casamento terá que ser a festa do século.
— Tony!
— O quê? Sabe, nós, Starks, sabemos fazer grandes celebrações. — Me afastei e Tony riu com minha cara. — Não é todo dia que o homem mais cobiçado do mundo vai se casar.
— Você? O mais cobiçado do mundo? Faça-me rir — disse ao sentir meu celular vibrar. Tirei do bolso da calça e vi que era uma mensagem. — Pepper não irá gostar disso. — Abri a mensagem para ler.
— Eu vou conversar com ela, precisa ser memorável. — Passou o braço sobre meu ombro. — Além disso, serei o primeiro do time a casar e preciso mostrar que eles não irão conseguir superar meu casamento.
— Então, é melhor marcar uma data logo antes que você se torne o segundo a casar. — Mostrei o texto para meu pai, que ficou surpreso. — Louise disse sim ao pedido do Clint.
Ele se afastou e pegou seu próprio telefone, onde riscou rapidamente um número.
— Pai, pra quem você...?
— Pepper, precisamos conversar. — Curvei a cabeça de lado, tentando entender. — Estava pensando, não precisamos esperar muito para nos casar. — Ela disse algo que não pude escutar. — Eu sei, mas podemos casar mês que vem... — Dei um tapa na testa, surpresa. — Não é tão em cima assim. — Ele foi andando em direção à saída. Parou na porta e voltou para mim, colocou a mão no aparelho, para evitar que a Pepper ouvisse. — E mais uma coisa: você será meu melhor homem, no caso, minha melhor mulher.
— O quê? — perguntei, não entendendo.
— Isso mesmo que você escutou. — Falou algo rapidamente para ela e voltou para mim. — De todas as pessoas que eu podia chamar, só pude pensar em você. Eu sei que a Pepper podia te chamar para ser a dela, no entanto, eu quero que seja você que esteja no meu lado em um dos dias mais importante na minha vida.
— Eu aceito, pai — concordei, animada. — Será uma honra.
[...]
— Ai! — exclamei antes de levar o dedo que machuquei à boca.
— O que houve? — indagou Steve, preocupado.
— Um pequeno corte no dedo, nada grave. — Sai de baixo da mesa e me sentei para encará-lo. — Pode me passar a parafusadeira?
— Devia ter mais cuidado — disse Tony, sentado num banco afastado e encarando o tablet.
— E você podia nos ajudar.
Ele só murmurou algo que não entendi e revirei os olhos. Eu e Steve estávamos instalando a mesa digital, enquanto eu mexia nos fios, meu namorado terminava de prender a parte de cima do móvel, já meu pai fazia vários nadas.
— Eu gostei do que comentou sobre o noivado — comentou meu pai. — Achei que ia falar sobre Pepper não me merecer ou ser muita areia para meu caminhão.
— Confesso que pensei, mas a Pepper não deixou. — Sorri ao terminar e sai de baixo da mesa. — Achei engraçado a repórter ter falado do vídeo do Rhodes.
Sim, eu cumpri minha promessa e postei um vídeo dele contando a história da luta. Para minha surpresa, tiveram muitos likes e visualizações, o que aumentou o número do seu fã clube.
— Terminei — avisou Steve.
Toquei na superfície da mesa e ela ligou, fiquei feliz em ter conseguido fazer. Comecei a programar, enquanto Steve e Tony conversavam até serem interrompidos por um toque que avisava sobre um pedido de vídeo conferência no tablet do meu pai.
— Olá, ara...
— Vocês não leram a mensagem? — interrompeu Natasha irritada.
— Que mensagem?
Aproveitei e me aproximei com Steve para participar da conversa.
— Que o Clint mandou! — disse Anna rapidamente, aparecendo na tela.
— Meu celular está desligado — contou Tony ao pegar o aparelho. — Vou ligar.
— O meu acabou a bateria — avisei.
— Deixei no quarto.
— Inacreditável — murmurou a ruiva, mas alto o suficiente para termos escutado. — Seguinte: o Clint avisou que...
— Louise entrou em trabalho de parto! — comunicou Wanda ao entrar na sala, com o Visão a seguindo, e interrompeu a Nat. — Ele me enviou uma mensagem.
Tony pegou e mostrou seu celular para nós, rindo. Ao ler as palavras da mensagem, também ri: “o ovo está rachando”. Que analogia péssima para se fazer.
— Vê se ficam de olho, porque não vou ficar dando recado — informou a Nat antes de sumir da nossa visão, deixando só a Anna.
— Relaxa que eu dou. — A bruxa bateu continência. — E caso recebam a mensagem primeiro, nos avise.
— Pode deixar — avisei antes de ela sumir. — Caramba, já vai nascer!
— Bem, precisamos nos acalmar — anunciou Tony. — O bebê pode demorar a nascer, então, vamos nos ocupar para não pensar no que pode acontecer.
— O que pode acontecer? — indagou Visão. — Senhorita Louise é uma mulher saudável e acredito ter seguido todas as recomendações médicas.
— Mesmo assim, coisas podem acontecer — rebateu meu pai. — Mas não vamos pensar nisso.
— Você que está pensando e está me fazendo pensar, o que está me deixando bem preocupada.
— Calma — pediu Steve, passando a mão nas minhas costas de modo carinhoso. —Como Tony disse, pode demorar e, por isso, vamos nos ocupar. Fiquemos atentos ao celular com qualquer notícia para avisar aos outros.
Já era uma da manhã, estávamos na sala que era o único cômodo arrumado. Tony estava jogado no sofá, estava cochilando e nem sei como já tinha tomado seis xícaras de café. Eu e Wanda estávamos jogando xadrez, ela estava tendo ajuda de Visão, que estava sentado ao seu lado. Steve estava sentado ao meu, com seu braço em volta do meu ombro, e observava o jogo. Só faltavam Natasha e Anna, que estavam na busca ao Banner, mas já tinham entrado em contato para saber se tínhamos alguma novidade. Ficamos em silêncio desde a mensagem e, com o passar das horas, a preocupação foi aumentando.
— Ei! — exclamei ao notar que Visão passava a jogada certa em vez da que ela realmente faria. — Não é para falar a jogada que ela deve fazer.
— Mas vocês pediram para ajudá-la.
— Quisermos dizer orientá-la — explicou Steve.
— As chances de ela ganhar com a jogada que faria eram mínimas.
— V, eles têm razão, não precisa me ajudar assim — concordou Wanda. — Só tenta não deixar tão na cara.
Eu comecei a rir e peguei uma almofada no sofá atrás de mim, jogando nela, o que a fez rir também. Nesse momento, todos os telefones tocaram ao mesmo tempo, o que fez meu pai acordar no susto. Peguei meu aparelho e notei que era uma chamada de vídeo, apertei e Steve se aproximou mais para poder participar da conversa.
— Olá, gente — cumprimento Clint ao ver todos. — Não achei que todos estariam acordados a essa hora.
— Não iriamos conseguir dormir sem notícias — disse Anna, que parecia péssima, mas sorria. — E então? Como estão Louise e o bebê?
— Louise está bem, dormindo nesse momento. — Olhou para o lado, onde ela deveria estar. — Não vou mostrar ela, pois sei que irá me matar se souber. — Soltou uma risada leve. — O parto foi tranquilo, mesmo tendo demorado.
— E cadê o pombo júnior? — perguntou meu pai.
— Calma, Stark. — Revirou os olhos com a careta que Tony fez. — Com 4,325 kg e 51 cm, eu vos apresento... — A imagem mudou e o bebê apareceu. — Nathaniel Pietro Barton!
Foi difícil não soltar um “oun”, parecia tão pequeno e tão fofo. Estava dormindo, com uma roupinha azul e uma toquinha, eu já estava com vontade de apertar.
— Você colocou o segundo nome de Pietro? — indagou Wanda, parecia emocionada.
— Sim, eu e Loui resolvemos homenagear a pessoa que garantiu que eu estivesse no nascimento do meu filho.
Notei que ela segurava as lágrimas de emoção, creio que até eu estaria assim.
— Espero que ele puxe a beleza da mãe, porque se depender do pai... — brincou Tony, nos fazendo rir.
— Está com inveja que fiz um filho bonito, Stark.
Conversamos um pouco mais até o Nathaniel começar a chorar, o que encerrou o papo. Todos nós resolvemos ir dormir, já que era bem tarde. Estava caminhando pelo corredor, apoiando a cabeça no braço de Steve e segurando sua mão.
— Já pensou nos nomes que daria ao nosso filho?
— Você já? — perguntei curiosa.
— Sim, claro que já — contou, sorrindo. — Se for menina, pensei em Laurel.
— É um nome bonito.
— Minha mãe gostava desse nome.
— E se for menino?
— Eu sempre pensei em James, por causa do Bucky. — Soltou um suspiro que não soube identificar se era de tristeza ou desânimo. — Ele já salvou a minha vida várias vezes e seria uma forma de homenageá-lo.
— Gostei.
— E você?
— Bem, eu queria homenagear minha mãe, ela foi uma mulher incrível. — Abri a porta do quarto dele. — Mas penso mais como segundo nome.
— E menino?
— Acho que vai estranhar, mas pensei em Anthony.
— No nome do seu pai? Por quê?
— Bem, meu pai é um homem brilhante, mesmo pecando em algumas coisas, mas também seria segundo nome.
— Laurel Megan e James Anthony? Não soam mal.
— Verdade, não soam, porém, vamos pensar em filhos num futuro bem distante. — Me aproximei e joguei meus braços em volta de seu pescoço. — Enquanto isso, nós podemos praticar como se fazem bebês.
— Eu gostei muito dessa ideia.
[...]
Encarava a tela do meu computador, decidindo se apertava ou não o botão. As empresas Pym abriram novamente vagas para estágio e eu preenchi todas as informações, porém, não conseguia apertar o botão de confirmar, já que temia outra resposta negativa. Olhei para a foto ao lado da tela, onde estavam minha mãe e eu, sei que ela estaria me encorajando a tentar de novo. Fechei os olhos e apertei o botão. Seja o que tiver que ser.
Levantei e fui pegar meu celular, que já piscava indicando que havia chegado alguma mensagem. Abri e sorri ao ver que era de Louise, dizendo que estava bem, junto a um vídeo. Sorri mais ao ver Nathaniel, nossa ele tinha crescido nesses poucos meses. Estava rindo de algo que Louise falou e achei uma graça ele estar com uma roupinha com o nome dele. Ainda bem que puxou à mãe.
Olhei para o relógio e notei que estava na hora de começar o treinamento. Guardei o aparelho no bolso do macacão e sai do quarto. Melhor passar onde Anna estava, da última vez, ela perdeu o horário por conta das pistas do paradeiro do Banner. Ainda não conseguimos achar ele ou qualquer informação, parecia que tinha desaparecido do mundo.
Mesmo morando no complexo há algum tempo, ainda conseguia me perder pelos corredores. O lugar era enorme e ainda tinha três andares, fora salas subterrâneas, então, acho dá para entender. A encontrei numa sala, juntamente com o Fury, que, ao me ver, acenou para mim e saiu andando.
— Não me diga que ele vai se juntar a nós — pedi ao parar em seu lado.
— Não, ele veio me mostrar isso. — Me entregou o tablet. — Parece que o quinjet caiu no mar de Banda, mas não temos certeza.
— Então, as opções diminuem para onde ele foi — comentei, observando o mapa. — Se quiser, podemos...
— Acho que temos um compromisso que não podemos atrasar.
Ela saiu andando e eu a segui. Entendi que não queria conversar sobre o assunto. Falamos sobre o baby pombo, quando iríamos visitar a família Barton, algo que estávamos planejando para acontecer até o final do mês, e sobre os agentes que estavam em treinamento no lado de fora, principalmente, sobre Thiago que estava nesse grupo. Ao entrar na sala, acenei para os outros que aguardavam Steve e Natasha chegarem. Chamei minha armadura e a vesti, encarei a bruxa, animada para começar o treinamento. No mesmo instante, os dois chegaram e nos olharam, Steve deu um passo à frente e sorriu satisfeito por nos ver.
— Vingadores — nos chamou e suspirou. — Avante!
Narrador
O barulho das gotas de chuva que batiam na janela era confortante para Bucky naquela noite. A televisão estava ligada, mas sem som, ele não estava a fim de escutar a voz da jornalista que o irritava. Para ele, as imagens já eram suficientes, assim via o que acontecia no mundo. Estava escrevendo no caderno tudo que ia lembrando, não deixava nada de fora, nem o que parecia insignificante. Para ele, tudo era um modo de descobrir mais sobre seu passado.
Uma cena na televisão chamou sua atenção: o grupo de heróis em Sokovia. Várias cenas da luta contra Ultron e o salvamento dos civis. Foram aparecendo imagens de cada herói, porém, foi a cena da heroína Coração de Ferro que o fez colocar o caderno no colchão e pegar a pulseira que estava em cima de uma foto do Capitão América.
— Sarah... — Fitou os pingentes e flashes dos acontecimentos surgiram em sua mente. — красивый.
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