Take on Me
41 First Contact
Notas iniciais

Sarah
Eu olhei para a janela e bufei, queria poder entregar essa prova e ir embora, mas o professor não liberava até o fim da primeira aula. Olhei para o relógio que estava na parede atrás do professor e só tinha passado metade do horário. Abaixei a cabeça e fechei os olhos por alguns momentos, estava cansada do ritmo que estava a minha vida nos últimos meses: provas e trabalhos da universidade, entrevistas e compromissos como vingadora e Stark, procurar Bucky e detalhes sobre meu sequestro, trabalhar nos meus projetos, ter uma vida social, passar o tempo com a família e com Steve e, claro, ter um momento só para mim. O dia tinha que ter mais de 24 horas para que eu pudesse fazer tudo.
Minha cabeça doía só de lembrar tudo que tenho para fazer essa semana e na próxima, mas preciso ser forte. Eu era muito agradecia a Steve por ter comprado aquela casa, poder ir lá no meu tempo livre – quando eu conseguia –, relaxar e descansar sem culpa. Não posso esquecer a parte que sou mimada por meu namorado e claro que faço o mesmo com ele.
— Senhorita Hamilton-Stark!
Levantei a cabeça assustada, já que o tom usado pela pessoa mostrava estar irritada com algo que fiz. Encarei o professor e o reitor, que me olhavam seriamente, o que me deixou preocupada já que não queria problemas com a universidade.
— Sim?
— Terminou a prova? — indagou o professor.
— Terminei sim.
— Pegue suas coisas e me acompanhe — mandou o reitor.
— Entregue sua prova.
Peguei minha caneta, lápis e borracha, joguei dentro da minha mochila e fiz o mesmo com meu copo de chá – que já estava vazio –, coloquei a mochila no ombro e peguei a prova. Todos da sala me observavam enquanto me aproximava dos dois, um burburinho já se formou na sala e me fez olhar feio para eles.
Entreguei para o professor e segui o reitor para fora da sala, estava ficando mais preocupada com a minha situação, se eu tivesse problema, era uma vez ser vingadora. Ele andava rapidamente e eu o seguia tentando descobrir para onde estava me levando.
— Quero deixar bem claro que isso não pode se repetir — disse seriamente a mim. — Não é por fazer parte de uma faz famílias mais importantes do país que pode ter privilégios.
— Desculpe, mas não estou entendendo.
— Seu pai pediu que fosse dispensada das aulas de hoje.
— Ele explicou o porquê? — questionei, já puxando a minha mochila para frente para poder pegar meu celular. — Será que alguém se feriu?
Não tinha nenhuma mensagem ou tentativa de ligação, o que me deixou em alerta.
— Explicou que é assunto dos Vingadores.
No mesmo instante joguei o celular de volta na mochila e peguei meu ponto, que logo coloquei na orelha.
— Pai?
— A sua armadura já está a caminho — informou Tony. — Aguarde do lado de fora do prédio.
— Ok. — Sorri para o reitor. — Eu agradeço pela compreensão da situação.
— Nossa universidade não gosta desse tipo de coisa. — Ele abriu a porta e saímos do prédio. — Como eu disse, não quero que essa situação se repita.
— Espero que não aconteça novamente. — Desci rapidamente as escadas com ele me acompanhando. — Peço desculpas.
— Soube que tinha um projeto para apresentar hoje.
— Sim, senhor.
Foi só eu confirmar que começou a dar uma palestra sobre responsabilidade e privilégios. Balancei a cabeça concordando com o que dizia, mas não prestava atenção, já que durante o que ele falava, meu pai avisou pelo ponto que a minha armadura estava chegando e eu estava tentando localizá-la. Sorri ao vê-la e voltei ao reitor.
— Espero que tenha entendido.
— Sim, senhor e estou ciente que zerei nesse projeto.
— Ótimo.
A armadura parou na nossa frente, o assustando. Entreguei minha mochila a ele, num pedido silencioso para segurar para mim, e ele aceitou. Dei um passo à frente e a armadura se agarrou em mim, tendo a confirmação de Friday que tudo estava certo, peguei minha mochila de volta.
— Obrigada.
— Boa sorte, senhorita Hamilton-Stark.
Acionei os jatos e voei em alta velocidade. Apareceu a localização do jato e estava perto, para minha sorte, levou alguns minutos para chegar ao transporte. A porta traseira abriu e entrei na aeronave, onde os heróis já me aguardavam, pousei e sai da minha armadura. Eles estavam ocupados se preparando, menos Clint que pilotava.
— Qual é a emergência que fez vocês quebrarem a regra de não atrapalharem as minhas aulas?
— Antes de tudo: terminou a prova? — indagou meu pai, se aproximando de mim.
— Claro, pai — respondi, sorrindo, e logo me lembrei do trabalho, mas ele não precisa saber. — Acredito que fui bem.
— Essa é minha pirralha — disse Anna, sentada no chão, e levantou o dedo em positivo para mim.
— Podia me dar um novo apelido — falei, mas só recebi como resposta outro dedão positivo. — Depois reclama que chamo de bruxa.
Tony mostrou seu tablet e só vi um mapa e informações do lugar.
— Estamos indo para Sokovia — meu pai começou a falar para chamar minha atenção, ampliei o mapa e localizei o lugar entre a Áustria e a República Checa. — Encontramos sinal do cetro de Loki, está numa das bases secretas da Hidra.
Lembrei que o cetro do homem rena tinha ficado na Terra e tinha sumido depois da queda da SHIELD, era um dos itens que os heróis estavam procurando.
— Não conseguiriam sem mim?!
— Na verdade, conseguiríamos — expôs Steve ao vir para meu outro lado e mostrei a língua pra ele. — A questão é quem está com o cetro.
Ele tocou na tela e uma foto de uma pessoa familiar apareceu.
— Strucker — sussurrei seu nome. — Encontraram o Barão Strucker?
— Sim.
— Sabíamos que iria querer participar dessa missão — exprimiu Natasha em algum lugar da nave.
— Obrigada, gente.
Os dois se afastaram e fiquei encarando a foto. Depois de meses, consegui lembrar mais coisas do meu sequestro, uma delas foi o Barão Wolfgang von Strucker e tinha certeza que ele estava por trás de tudo. Agora poderia descobrir o que aconteceu e quem matou Melinda, assim poderia finalmente levá-lo à justiça.
Katerina
Observava alguns cientistas trabalhando em seus experimentos, sendo supervisionados pelo Barão, que sempre falava algo para eles, e, em um dos cantos, estavam os gêmeos Maximoff, os queridinhos do Strucker. Nesse tempo que estamos aqui, não fiz questão de trocar uma palavra com eles, creio que eles nunca me viram e nem ligo. Não preciso conhecê-los para mudar minha opinião, tudo que escutei enquanto estava em observação só provou que minha opinião estava certa.
Como estava no segundo andar, tinha uma boa visão de tudo, resolvi ir para o outro lado e ver melhor as novas armas, não que eu precise, no entanto, eu tinha um fascínio em armamento, deve estar no meu sangue.
— Kat, porque não se junta a mim e comenta sobre as experiências?
— Estou bem aqui.
— Gostaria de ouvir sua opinião — insistiu Strucker.
— Não gostaria, Barão. — Coloquei alguns fios de meu cabelo atrás da orelha. — Deixamos para outro dia, quando meu humor estiver melhor.
— E quando não estivermos presentes — disse Pietro.
— Seria perfeito — rebati, sorrindo.
Eu podia listar todos os motivos que não gostar desses dois, mas o que está no topo é o fato deles não serem confiáveis. Mesmo tendo aceitado serem cobaias por motivo de vingança, acredito que, na hora do vamos ver, vão dar para trás, são ingênuos demais para isso.
Continuei andando e, quando cheguei onde queria, o alarme tocou, chamando a atenção de todos. Só podia significar uma coisa: estávamos sendo atacados! Sorri de satisfação quando uma voz no autofalante anunciou de quem era o ataque. Todos pararam o que estavam fazendo e seguiram as ordens que foram pronunciadas em seguida no autofalante, eu resolvi aproveitar a chance e mostrar meu poder.
— Kat, nem pense nisso — avisou o Barão e eu o encarei seriamente. — Está na hora de você ir.
— Ir? Acho que vai precisar de mim.
— Não é a hora da sua jogada — declarou, irritado. — Não discuta comigo, sabe muito bem o plano que nosso líder tem para você e sabe muito bem o que acontece quando não é obedecido.
Balancei a cabeça concordando, não queria problemas com o Caveira Vermelha. Corri para sair da sala, porém, não ia embora ainda, queria dar uma olhada nos heróis.
Sarah
Eu seguia meu pai, atacando os capangas que se atreviam a nos enfrentar, ajudando Clint, Natasha e Anna, que vinham mais atrás no jipe. Estava surpresa com a tecnologia que a Hidra usava, mas somos mais fortes. Íamos passando e derrubando quem aparecesse e logo alcançamos uma barreira de madeira, mostrando que chegamos ao local. Vi que os outros também chegaram e passamos juntos, pude até escutar o jipe explodindo.
— Me segue, Sarah.
— Ok, pai.
Avistei o castelo, acelerei em direção ao mesmo, vinham tiros do lugar, mas eles tinham péssima mira. Tony passou à minha frente e, quando chegou bem perto, bateu direto no escudo e isso me fez desviar para longe.
— Merda! — xingou Tony.
— Olha a língua! — repreendeu Steve e eu revirei os olhos. — Jarvis, como é a vista de cima?
— A construção central é protegida por um tipo de escudo de energia, a tecnologia do Strucker é maior do que em outras bases da HIDRA que invadimos.
Ataquei alguns capangas que estavam visíveis na construção.
— O cetro de Loki deve estar aqui — Thor nos avisou. – Strucker não conseguiria essa defesa sem ele. – Escutei barulho de luta. – Finalmente. – Ele suspirou.
— Esse “finalmente” está demorando demais, crianças — Natasha opinou.
— É, acho que perdemos o elemento surpresa.
— Nunca vi graça no elemento surpresa, Clint — rebateu Anna em algum lugar.
— Espere aí — disse Tony, chamando nossa atenção. — Ninguém vai comentar o fato de o Capitão ter dito “olha a língua”?
Soltei uma risada, estava acostumada com isso.
— Foi mal — desculpou-se Steve antes que eu escutasse um barulho. — Saiu sem querer.
— Sarah, não me deixa nessa sozinho.
— Desculpe, pai — disse, desviando dos tiros. — Mas não é a primeira vez que escuto ele falar isso. — Escutei risadas e me toquei do que eu disse. — Não nesse sentido, pessoal.
— Ninguém disse nada — brincou a bruxa. — Mas, explique-nos sobre isso.
— Senhor, a cidade está sendo atingida. — Jarvis avisou.
— Foco, gente. — pediu Steve.
— Pelo visto, Strucker não vai se preocupar com baixas civis. – resmungou Tony. – Envie a Legião de Ferro.
— Como eu odeio esse cara. — murmurei para mim mesma. — Friday, preciso saber o ponto fraco desse lugar.
— Sim, senhorita.
Mais agentes da Hidra apareciam e eu ia só derrubando, mas estava ficando irritada.
— Temos um aprimorado aqui. — comunicou o Capitão América.
— Clint caiu! — exclamou a ruiva com um barulho no fundo. — Alguém pode dar um jeito naquele bunker? — Escutei um urro alto e não foi difícil adivinhar quem foi ajudá-los. — Obrigada.
— Precisamos entrar logo! — resmungou Steve.
— Me dá mais um minuto — pedi, desviando dos tiros dos agentes da fortaleza. — Friday, conseguiu algo? Há uma fonte de energia para o escudo?
— Uma densa onda de partículas sendo emitida abaixo da torre norte, senhorita.
— Deixa comigo — anunciou meu pai ao escutar minha IA. — Vou dar uma cutucada. — Pude ver Tony derrubar vários agentes, passar por dentro de um caminhão e levantar voo, logo depois lançou um míssil por debaixo do local que Friday indicou. — Ponte levadiça abaixada.
— Hora de entrar — disse, me aproximando da entrada.
Steve e Thor começaram a conversar sobre o aprimorado e Natasha nos informou sobre o estado de Clint. Ficou decidido que eu, meu pai e Steve iríamos entrar e encontrar o cetro.
— Vem cá, é sério mesmo? Você disse “olha a língua”? — perguntou Tony, ainda inconformado com as palavras de Steve.
— Não vai esquecer tão cedo?
Eu queria muito acertar algo no meu pai.
— Vamos focar na missão.
— Sarah, eu vou entrar por esse lado e você pelo outro, ok?
— Ok, pai.
— Cuidado.
Entrei pela janela, quebrando o vidro e espalhando pelo local, no mesmo instante o grupo de homens da Hidra se virou para me encarar e atirar na minha direção, mas, por causa da armadura, não me feriam.
— Hora da diversão.
Annabelle
— Tudo sob controle aqui — avisei ao ver o pessoal da Hidra se rendendo.
— Vá até o Banner — mandou Steve pelo ponto. — Hora da canção de ninar.
Soltei um suspiro e olhei na direção em que o Hulk tinha ido, seria uma caminhada considerável. Eu não gostava de fazer isso, não gostava nem um pouco. Andei rapidamente pelo caminho até encontrá-lo, não era surpresa vê-lo destruindo algo. Ele pegou duas partes do que restou de um tangue, um ele jogou longe e o outro jogou no chão, mais perto de si.
— Oi, grandão. — Ele se virou e me encarou irritado, mas, ao ver que era eu, sua fisionomia mudou. — O sol está se pondo. — Aquelas palavras o fizeram rosnar para mim, o que não me abalou, só agachei para ficar perto da sua altura, já que estava num ponto elevado da neve. — Eu sei, mas é preciso — murmurei para mim ao tirar a luva e mostrar minha mão.
Ele se aproximou de mim e, mesmo eu tendo feito isso algumas vezes, parecia que ele sabia o que ia acontecer e isso me surpreendia. O Hulk levantou a mão para tocar a minha, mas, no último segundo, mudei minha mão para que apoiasse a sua na minha e ele o fez, colocando as costas de sua mão sobre a palma da minha. Sem desviar o olhar, levei minha mão até seu pulso, onde fui passando a ponta dos meus dedos sobre sua pele, passando pela palma de sua mão até a ponta de seu dedo indicador, e afastei meu toque dele.
Nesse instante, ele se afastou de mim e foi diminuindo, mesmo andando para longe de mim, fiquei o observando até ver que o Banner voltou. Agradeço pelo projeto da calça ter dado certo, se não, teria de ficar andando com uma muda de roupa para esses momentos. Quando ele me olhou, eu sorri e me afastei, mesmo querendo ficar, precisava lhe dar espaço. Acho que precisávamos conversar sobre algumas coisas, mas não aqui e nem agora.
Sarah
Abri a porta com um chute e encontrei um grande corredor com várias portas. Esse lugar é enorme e me lembrava do meu cativeiro, o que me fez sentir um mal estar. Algumas imagens invadiram minha mente, respirei fundo algumas vezes para me concentrar na missão, não era hora de recuperar minhas memórias. Por poucos segundos, tive a impressão de ter visto uma sombra em um dos cantos, me lembrando Bucky. Fechei os olhos e olhei novamente, mas havia sumido.
— Temos um segundo Aprimorado — comunicou Steve, chamando minha atenção. — Uma mulher. Não ataquem.
— Quantos será que... — Escutei um barulho atrás de mim e virei-me, levantando minhas mãos, pronta para atacar. — Friday, visão de calor. — Dessa vez não era coisa da minha mente, tinha alguém realmente ali. — Se eu fosse você sairia do esconderijo, prometo não te machucar. — Uma luz prateada cercou a sombra. — Eu realmente tenho sorte.
— Olá, Sarah.
Não fiquei surpresa por ela saber meu nome, mas sim por temer aquela energia. Ouvi outro barulho, vindo de cima de mim, quando olhei vi o pedaço de concreto do teto caindo em cima de mim. Não me machuquei, graças à armadura, mas acabei soltando um gemido ao sentir o chão. Escutei Steve avisando que achou o Barão e meu pai falou que achou algo maior.
— Temos mais um aprimorado — disse no ponto. — Outra mulher.
— Estou a caminho — avisou Steve.
— Não precisa — disse, levantando e derrubando os pedaços de concretos no chão.
— Nos vemos em breve, Sarah.
Olhei em sua direção, mas não tinha mais sinal da mulher.
— Ela sumiu — disse, o avisando. — Mas acredito que não será a última vez que nos vemos — murmurei a última parte para mim.
Pousei na frente da nave e entrei. Banner, Thor, Anna e Nat estavam lá dentro, sendo que as duas estavam perto da maca. Saí da armadura e dei ordem para ficar em um dos cantos, fui em direção ao trio e apoiei a mão na maca, sorri para Clint que estava com os olhos fechados.
— Ele está bem?
— Vai viver — me informou a ruiva. — Não foi tão grave, mas é preocupante.
— Tony e Steve?
— Estou aqui — anunciou meu pai ao entrar, segurando o cetro. — Steve foi entregar o Strucker para o pessoal da OTAN.
— Ele foi preso?! — Sorri com a notícia. — Que maravilha!
— E temos o cetro. — Levantou para me mostrar. — Só falta uma coisa.
— O quê? — Tony me puxou para dar um abraço. — Pai...?
— Não posso matar saudade da minha filha predileta?
— Pode. — Ele se afastou para guardar o cetro. — E filha predileta? Eu sou sua única filha.
Tony não falou nada, só se afastou de mim. Olhei para Anna e apontei para meu pai sem entender nada, ela somente fez sinal de louco e deu de ombros. Steve chegou logo depois, e deu sinal que tudo estava pronto. Meu pai assumiu a poltrona do piloto e deu partida, pronto para sair daquele lugar.
Peguei minha mochila e sentei numa das cadeiras perto de Clint, peguei meu tablet e liguei. Tinha de terminar meu discurso para o evento de abertura de uma ONG que meu pai resolveu abrir e eu fui escolhida para representar a família, o que não liguei, porém, descobri que escrever um discurso não era meu forte. Olhei o rascunho que tinha e fiz uma careta com o que li.
Escutei Steve conversando com o pombo e a aranha referente ao estado do ferimento do arqueiro. Levantei a cabeça e sorri para meu namorado para mostrar que estava bem, já que seus olhos mostravam preocupação com meu estado.
Anna – que estava sentada em um banco atrás de Tony –, se levantou e foi até Banner, que estava sentado no chão perto de mim e focado em escutar as músicas em seus headphones. Os dois conversaram brevemente referente à “canção de ninar” e sobre o Hulk.
— Thor, relatório sobre o Hulk – pediu Anna, chamando a atenção de todos.
— Os portões de Hel transbordam com os gritos de suas vítimas. – O loiro virou-se para os dois e bateu, levemente, as mãos em celebração. Ao ver a expressão de repreensão de Anna e os resmungos de Banner, notou que falara algo errado. — Mas não são gritos dos mortos, é claro que não. Gritos de feridos. — Levei a mão à boca para segurar a risada, já que ele estava piorando a situação. — Basicamente choramingos, muitas reclamações, relatos de distensão de deltoide e gota.
Tossi levemente para tentar disfarçar a risada, mas acho que não tive sucesso, já que Clint me encarou e soltou uma leve risada seguida de um gemido de dor. Coloquei minha mão em seu braço, para dar algum apoio.
— Banner – chamou meu pai. – A doutora Cho está vindo de Seul, tudo bem se ela se instalar no seu laboratório?
— Claro, lá tem o que ela precisa.
— Valeu, fala para ela que o Barton vai precisar de tratamento completo – pediu Tony ao Jarvis e ouviu um “pode deixar, senhor” em resposta. – Jarvis, assuma o volante – pediu novamente, virando a cadeira, se levantando da mesma.
— Não devia pedir permissão para mim também? — perguntei, brincando, quando ele passou por mim.
— Oficina sim, laboratório não — respondeu, parando e se virando para mim. — Além disso, tem espaço para todo mundo.
Piscou para mim e continuou seu caminho para conversar com Thor e Steve. Natasha se sentou ao meu lado e acabei deixando de lado meu discurso, preferindo conversar com ela, já que estava preocupada com o pombo, mesmo não demonstrando.
Levou um tempo considerado para aterrissarmos no heliporto da Torre. A comporta se abriu, revelando Maria e a doutora Cho nos esperando. Dois enfermeiros entraram e ajudaram a Natasha e Anna a levarem Clint, na maca, para fora da nave. Logo em seguida, Bruce também se retirou e Thor, com a maleta do cetro debaixo do braço, logo depois.
— Oi, Hill — disse ao vê-la entrando antes de terminar de guardar minhas coisas.
— Oi, Sarah — cumprimentou-me. — Laboratório pronto, chefe.
— Na verdade, ele é o chefe — Tony indicou Steve, que estava sentado um pouco mais atrás de sua posição. — Eu só pago por tudo, projeto tudo e faço parecer mais legal.
— Primeiro: fico feliz que admitiu que não manda em nada — disse, me levantando da cadeira. — Segundo: não é o único que faz isso. — Me afastei dele e acenei com a mão. — Vejo vocês depois.
Entrei no laboratório, onde a doutora estava tratando de Clint. Me aproximei da maca, ficando ao lado da Anna. Vi que tinha uma máquina na lateral do abdômen dele, a ferida não parecia mais grave, o que foi um alívio.
— Acha que ele vai ficar bom? — questionou a Nat à doutora.
— Fingir que precisamos dele faz a equipe ficar unida — brincou Anna, o que me fez rir.
— Não há possibilidade de deterioração – respondeu a Helen, ajustando os níveis da máquina. – A funcionalidade nanomolecular é instantânea. As células não sabem que se uniram a simulacros.
— Ela está criando tecido – disse, admirada pelo processo de regeneração. — Certo?
— Certíssima, Sarah — confirmou Banner.
— Se levá-lo ao meu laboratório, o berço regenerador fará isso em vinte minutos – contou a coreana, nos olhando.
— Não, esse cara já era — proferiu Tony, entrando no cômodo com uma bandeja com cinco copos descartáveis. — Hora da morte?
— Não, não, eu vou viver para sempre – defendeu-se o Barton, rindo. – Eu vou ser feito de plástico.
— Vai ser a versão plástica de Robocop? — indaguei, levantando minha sobrancelha.
— Olha a bebidinha. – Tony entregou um copo para cada um na sala, me deixando por último.
— Vai ser feito de si mesmo, senhor Barton. – A Cho o olhou com um sorriso no rosto. – Nem a sua namorada vai notar a diferença.
— Eu não tenho namorada.
— Essa parte não tem conserto — relatou a doutora, segurando a risada.
— Ninguém quer ganhar um espaço no céu para te aguentar?
— Achei que você era ateia, Sarah — comentou Anna.
Dei de ombros com o comentário.
— Isso é o que há de mais novo, Tony – Cho expôs, caminhando pela sala com um tablet. – Os trajes de metal feitos de sucata vão ficar para trás.
— Esse é exatamente o plano! – exclamou meu pai, a olhando. – Mas, e aí, Helen, vai estar na festinha de sábado?
— Diferente de você, eu não tenho muito tempo para festas. – Tony olhou indignado para ela, a doutora só desviou o olhar. – Mas o Thor vai estar?
— Deixa Jane ouvir isso — sussurrei para a bruxa. — Como a legião de ferro chegou, vou dar uma olhada. Se precisarem de mim, sabem onde me encontrar.
Sai do laboratório e segui o caminho para a oficina, que ficava na parte debaixo do laboratório. No caminho, vi Steve vindo na minha direção e sorrir para mim.
— Como está o Barton? — perguntou, parando na minha frente.
— Teremos que aguentá-lo por mais algum tempo — respondi, colocando minha mão em seu braço, ele se curvou em minha direção e me deu um selinho. — Novidade sobre os aprimorados?
— Eu vim atrás de você para falar disso.
— Ótimo, pode me falar durante o caminho, estou indo para a oficina para trabalhar. — Começamos a andar. — Vamos às noticias.
— Hill descobriu que os aprimorados que atacaram Clint e eu são gêmeos, Wanda e Pietro Maximoff. — Me entregou o tablet com uma imagem dos dois. Deslizei meu dedo na tela e um vídeo dos dois começou a ser reproduzido. — Aos 10 anos se tornaram órfãos, um míssil atingiu o prédio onde moravam.
— Muito jovens para perderem os pais. — Voltei para encarar a foto de ambos. — E pelo vídeo, eles não gostam da gente.
— Não, não gostam. — Soltou um suspiro de irritação. — Eles se voluntariaram para os experimentos do Strucker.
— O quê? — questionei, me afastando dele para entrar na oficina. — Quem se voluntaria para esse tipo de experimento? — Senti um forte olhar nas minhas costas e me virei ao ver a expressão de Steve. — Seu caso é diferente.
— Diferente como?
— Estava tendo a Segunda Guerra Mundial e você participou para acabar com os nazistas — respondi, encostando à mesa, onde já continha a carcaça de um dos robôs. — Agora não existe mais guerra.
— Para eles existem.
— Quais são as habilidades? — Meu namorado veio para meu lado e pegou o tablet, tocou algumas vezes e me entregou para ler. — Ele tem metabolismo acelerado e homeostase térmica aprimorada e ela tem interface neuroelétrica, telecinese e manipulação mental. — Coloquei o objeto eletrônico em cima da mesa. — Temos um velocista e uma bruxa.
— Hill disse quase a mesma coisa — contou Steve, pegando o tablet. — Só chamou ela de estranha.
— Também da pra descrevê-la assim. — Apoiei as mãos no móvel. — E a outra aprimorada que encontrei?
— Nos arquivos, a única mulher que sobreviveu aos experimentos foi a Wanda.
— Mas eu a vi — afirmei, tentando entender. — Não a vi exatamente porque ela estava nas sombras, mas pela visão de calor e pelo brilho prateado que a cobriu. — Não gostei do modo que me olhava. — Você não acredita em mim?
— Claro que sim. — Passou o braço pela minha cintura e me puxou para si. — Eu pensei na possibilidade de um dos arquivos estar errado ou ter sido apagado.
— Uma possibilidade. — Bati a ponta dos meus dedos na mesa. — Tenho salvo a gravação do momento, posso enviar à Hill, quem sabe ajude.
— Uma boa ideia.
— Friday, pode fazer isso para mim?
— Claro, vou enviar nesse instante.
— Eu vou ajudá-la a encontrar algo sobre essa aprimorada — contou Steve. — Qualquer novidade, venho te contar.
Ele se curvou novamente e me beijou, mas passei meus braços por seu pescoço, o puxando mais para mim, queria matar a saudade. Sorri enquanto beijava-o, pois vi que ele também sentia quando suas mãos apertaram um pouco mais forte a minha cintura. Nos separamos por falta de ar e sorrimos um para o outro. Beijou meu rosto antes de se afastar de mim.
— Steve. — Ele parou na porta e me encarou. — E o Strucker?
— Está em OTAN e nunca mais o verá.
— Obrigada — agradeci antes que ele saísse. — Friday, avise a Anna que preciso falar com ela agora.
— Sim, senhorita.
Desculpe, Steve, mas eu preciso ver o Strucker só mais uma vez antes de esquecer que algum dia conheci esse louco.
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