Take on Me

42 Big Girls Dont Cry


Notas iniciais
Hello, people! Tudo bem? Demorei, mas está aqui o capitulo. Pelo titulo, dá pra ver que será um capitulo nada animado como deviam estar esperando, mas precisava mostrar esse momento. Vejo vocês nas notas finais. Boa Leitura.

Sarah

— Obrigada — agradeci a Anna quando me entregou o café. — E eu achando que estava livre dessa bebida.

— Se você quer ficar acordada enquanto conversa com esse cara, vai precisar de cafeína.

Sorri pelo comentário, antes de tomar um gole da bebida, tínhamos saído bem cedo por conta do tempo de viagem e não dormi muito bem, os pesadelos mudaram e ficaram mais assustadores, nem mesmo os braços de Steve envolta de mim me acalmaram. É como se eu tivesse medo de descobrir a verdade, mas é o único jeito.

Um agente da OTAN abriu a porta da sala onde esperávamos e pediu para que seguíssemos.

— Fiquei surpresa pelo plano ter funcionado — falei baixo para a bruxa, seguindo o agente. — Achei que não iam permitir que falássemos com ele.

— Precisamos de informações referente à Hidra. — Eles pararam em frente a uma porta. — Preparada?

— Sim.

Entramos na sala, era igual ao que vi nas séries de televisão: sala de paredes escuras, uma das paredes tinha um espelho e, no meio, uma mesa com três cadeiras, sendo duas de um lado da mesa e uma do outro lado, que já estava ocupada pelo Strucker, que ficou surpreso pela minha aparição.

— Senhorita Stark, é um prazer revê-la. — Levantou-se e, ao estender uma das mãos, foi puxado pela corrente em que estava preso à mesa, o fazendo abaixar o membro e voltar a sentar. — Está muito melhor que da última vez que nos vimos.

— Obrigada, acho que a liberdade combina mais comigo que cárcere privado — respondi, me sentando, e a Anna fez o mesmo. — Preto fica bem em você, mas o laranja ficaria muito melhor.

Danke — agradeceu com um sorriso irônico. — E você Annabelle...

— Chega de papo e vamos falar o que interessa — interrompeu a bruxa. — Creio que tenha uma ideia do porquê estamos aqui.

— O que foi, Annabelle? Medo de falar do seu passado? Saber mais sobre você? — Soltou uma risada seca, que não só me irritou, mas como também a bruxa. — Já deve imaginar quem a sequestrou também. Eu posso...

— Não tenho medo de falar sobre o que fizeram comigo — interrompeu Anna. — Mas não é o momento certo para falar sobre isso.

Coloquei, brevemente, minha mão em seu braço para dar apoio, sei que é um assunto delicado, mesmo quando ela se abriu comigo. Imagino o quanto dói lembrar e falar sobre o passado.

— Marcaremos outra visita e espero que seja mais confortável que essa — comentou o Barão, mostrando as algemas. — Hoje a pauta dessa reunião é sobre o sequestro da senhorita Stark e da senhorita Graham.

— Por que eu e Melinda fomos sequestradas?

— Você não lembra? Não recuperou suas memórias.

— Recuperei o suficiente para saber que você deu a ordem do nosso sequestro, mais um item para sua lista de crimes.

— Não nego o crime, sim, sequestrei ambas. — Deu de ombros. — Senhorita Graham foi para você obedecer ao que seria pedido.

— E o que seria? — questionei.

— Vocês a sequestraram para construir uma arma? Como aconteceu com Tony?

— De certa forma.

— Como assim “de certa forma”? — indaguei.

— Não era para construir um míssil ou um tipo de arma, não precisaríamos de você para isso — declarou orgulhoso. — O que queríamos era uma máquina.

— Para algum uso indevido — comentou a bruxa, brava.

— Para vocês, é sempre uso indevido, mas, para nós, é evolução.

— Por que matou a Melinda? — perguntou Anna.

— Quem disse que fomos nós que a matamos?

— O que você está insinuando? — questionei. — Que um de nós foi o responsável pela morte da garota?

— Eu não disse nada.

— Para de brincar e responda as perguntas!

— Faça a pergunta certa, Senhorita Stark.

— Por que mataram Melinda e me deixaram viva?

— Porque você precisava aprender uma lição e ela era uma Maria-ninguém.

— Ela não era isso! — exclamei, me levantando. — Melinda era uma ótima filha, uma grande amiga e uma pessoa maravilhosa, você não chega nem aos pés dela.

— Não duvido que ela seja tudo isso, mas a senhorita Graham não era alguém importante ou filha de alguém importante. — Eu ia rebater novamente, mas ele continuou a falar. — Pense, senhorita Stark, se você tivesse morrido também, seu pai não descansaria e usaria seu poder e dinheiro para me encontrar, garantir que eu fosse preso.

— E fizemos do mesmo jeito, afinal, você está preso.

Ele se levantou e me encarou com deboche, só aumentando minha raiva.

— É mesmo? Pelo que soube, você continuou a sua vida normal: voltou à universidade, dava entrevistas, salvava o mundo e até conseguiu um trabalho. — Comecei a entender o que ele estava dizendo. — Se você tivesse morrido, acha que seu pai faria o mesmo? — A culpa que sentia com a perda de Melly aumentou sobre meus ombros. — Quer que eu responda?

— Você não vai mexer com a minha mente.

— Eu só digo o que vejo e o que penso. — Ele se aproximou de mim e agarrou meu braço para que eu me inclinasse sobre a mesa, permitindo-o falar no meu ouvido. Fiz sinal para Anna não fazer nada. — Você acha que é inocente, mas está enganada. Essa culpa que carrega irá aumentar ainda mais quando refletir sobre o que contei, principalmente sobre o motivo do seu sequestro, e verá que não sou o único que deve ficar atrás das grades.

Ele me soltou e eu sentei, ainda o encarando, tentando esconder o quanto aquelas palavras me tocaram.

— Barão, se eu fosse você tomaria cuidado — avisou a bruxa. — Você não está mexendo só com a Sarah, está mexendo com todos os Vingadores, suas palavras não só me ofendem como os ofende.

— A verdade dói, não é, Anna? — Ele também se sentou e sorriu. — Acho que já respondi todas as dúvidas da jovem.

— Nem todas — digo num sussurro, o fitando.

— Tem mais um aprimorado além dos gêmeos Maximoff. Quem é? — indagou a Anna.

— O que posso dizer sobre essa pessoa é que ela deve aparecer de novo, mas não agora — respondeu seriamente. — Parece que muitas pessoas gostam de provar o prato “vingança”.

Minha mente estava a mil. Não consegui parar de pensar sobre a conversa, virou um loop na minha cabeça e não parava, isso fez com que minha cabeça doesse muito. Anna tentou conversar, mas deixei claro que não queria falar, precisava ficar na minha. Olhei pela janela e suspirei de alívio ao ver o prédio dos Vingadores, queria correr para o meu quarto, tomar um banho e colocar minha mente no lugar.

A nave pousou e soltei o cinto rapidamente, peguei minha bolsa e jaqueta, não esperei Anna para me acompanhar, desci da nave e não fiquei surpresa ao ver meu pai e meu namorado me esperando, ambos estavam sérios, deixando claro seu descontentamento comigo. Ajeitei meus óculos e me aproximei dos dois.

— Espero ser recebida assim mais vezes. — Tentei soar animada, mas fracassei.

— Vai depender de quantas vezes irá aprontar — disse Tony, cruzando os braços.

— Eu não aprontei.

— Você faltou à aula — disse Steve com cara de bravo. — Tínhamos um acordo.

— Sim, eu sigo o acordo. — Levei meus óculos para cima da minha cabeça. — Hoje tinha uma excursão para a sede do Google e não era obrigatório. — Os dois relaxaram com minhas palavras. — Eu cumpro com o que prometo.

— Não importa, deveria ficar longe dele.

— Steve, precisávamos de informação. — Respirei fundo. — Eu precisava de informações.

— Nós teríamos conseguido — declarou meu pai. — Ele estava cooperando e falaria sem precisar da sua presença.

— Você estaria segura e não estaria assim — reforçou Steve.

— Assim como?

— Como tivesse visto seu pior pesadelo — respondeu meu pai. — E diria também prestes a desmaiar.

— Eu não vou desmaiar — digo firmemente. — Olha, eu precisava fazer isso, é como se fosse um fechamento para mim. — Passei pelos dois. — Além disso, eu não sou só o rostinho bonito do grupo de heróis que só serve para dar entrevistas para melhorar a imagem do time. — Virei e acenei para eles, impedindo de falarem. — Eu não tô nem um pouco afim de brigar com vocês, tenho muita coisa pra fazer, como revisar meu discurso, dar uma entrevista por telefone e terminar dois trabalhos.

Corri para o elevador e apertei o andar onde ficavam os quartos, para meu alivio, nenhum dos dois me seguiu. Não sei se conseguiria evitar uma discussão se um deles ou os dois tivessem entrado nesse elevador. Sei que estavam preocupados sobre como seria ou como reagiria à presença do Barão, mas não era necessário falarem comigo daquele modo. E eu achando que tinham melhorado na questão de serem protetores comigo.

A porta do elevador abriu e corri para meu quarto, evitando encontrar mais alguém e ter mais questionamentos. Joguei minha bolsa num canto e me aproximei da minha escrivaninha, coloquei meus óculos e abri a gaveta procurando aspirina ou algo parecido, não demorando a encontrar. Peguei o remédio e, por sorte, tinha deixado uma garrafa d’agua em cima da mesa. Tomei um gole, depois de colocar o remédio na boca para engolir e, no momento que coloquei a garrafa no lugar, meus olhos foram para as fotos que eu tinha pendurado num tipo de varal na prateleira com alguns livros. Peguei uma das fotos, minha com Melinda, e me lembrei do dia que a tiramos, foi quando tínhamos ido assistir a um show e nos divertimos muitos.

As palavras de Strucker voltaram à minha mente e, dessa vez, parecia causar até dor física. Engoli em seco e me aproximei da cama, deitei na cama, ainda olhando para a foto. Sentia que aquele olhar, antes feliz, virou acusador. A culpa tinha diminuído com o tempo, no entanto, hoje, com a conversa, aumentou. Senti meu rosto molhado e levei a mão para minha face, eram lágrimas e nem senti que estava chorando. Levei a mão à boca para abafar um gemido de dor, não estava aguentando.

Chorei por um tempo até dormi por causa do cansaço. Foi um sono sem sonhos, não sei se foi por conta da exaustão ou porque tive sorte, não sei dizer, mas, quando acordei, me senti um pouco revigorada e a dor tinha diminuído. Olhei para a janela e fiquei surpresa que já estava escuro, devo ter dormido por horas. Sentei e notei que estava sem minha jaqueta, meus sapatos ou minha calça, na verdade, estava mais confortável, e sei que não me troquei. Além de ter sido coberta, o que foi um gesto muito gentil.

A porta se abriu e Steve entrou, sorriu para mim e se aproximou, curvou-se e beijou o topo da minha cabeça antes de sentar ao meu lado. Passei as mãos sobre meus cachos para melhorar minha aparência que devia ser péssima e forcei um sorriso já que me olhava preocupado.

— Foi você que tirou minha roupa?

— Você não parecia confortável. — Pegou minha mão e apertou carinhosamente. — Está melhor?

— Sim, precisava dormir um pouco — concordei, balançando a cabeça, reforçando o que disse. — O dia foi agitado e muitas coisas... Ai droga, tenho que ligar para remarcar a entrevista e...

— Relaxa, amor, seu pai já resolveu isso.

— Já? Como?

— Eu e Stark a encontramos dormindo, vendo que precisava de um descanso, ele conversou com a Hill e ela informou quem era o jornalista. — Balancei a cabeça entendendo. — Tony ligou e remarcou a entrevista, mas ele acabou sendo entrevistado também.

— Preciso agradecer.

— Depois, primeiro vai comer algo — disse, se levantando. — Pediram comida chinesa, espero que não se importe.

— Não, claro que não. — Levantei também. — Mas eu...

— Vou trazer para cá. — Sorriu. — Aproveita e toma um banho quente, vai querer colocar roupas mais confortáveis.

— Obrigada. — O abracei e apoiei minha cabeça em seu ombro. — Obrigada mesmo.

— É o mínimo que posso fazer.

Afastei e deixei ele sair, aproveitei e fui até o banheiro, ao olhar para o espelho me espantei com minha aparência, não sei como Steve não se assustou. Tirei a roupa e me enfiei debaixo do chuveiro, foi difícil segurar o gemido pela sensação boa da água quente batendo no meu corpo, era bom deixar a água lavar o que estivesse preso na minha pele, seja algo físico ou imaginado. Fiquei alguns minutos até estar pronta para sair, me sequei rapidamente e coloquei meu robe, peguei outra toalha para secar meu cabelo.

Ao abrir a porta, notei minha cama arrumada e com uma bandeja em cima com a comida que pediram e Steve estava sentado encostado na cabeceira da cama, estava de olhos fechados e se não o conhecesse, diria que estava dormindo. Deve ter notado meu olhar e abriu seus olhos, revelando aquelas íris tão azuis que me fazia lembrar o céu.

— Espero não ter demorado ao ponto de te fazer dormir.

— Não, eu procurei algo na televisão, mas não tinha nada interessante para assistir. — Me aproximei e sentei ao seu lado, o cheiro estava maravilhoso e meu estômago fez barulho, o que me fez ficar com vergonha. — Não fica com vergonha, não é a primeira vez que escuto seu estômago.

— Mas ele não tinha feito um barulho tão alto. — Ele pegou uma caixa e me entregou — Obrigada. — Abri e sorri ao ver que era meu favorito: frango xadrez. — E obrigada por trazer meu jantar, se quisesse, podia jantar com o pessoal.

— E deixar você sozinha? — Dei de ombros como resposta. — Eu prefiro estar aqui com você do que com eles, além disso... — Ele se curvou e roubou um beijo de mim. — Não poderia fazer isso. — Voltou para seu jantar. — Mas depois dá uma passada na sala e dá um olá para o grupo, eles estão preocupados com você.

— E ouvir sermão do resto? Espero amanhã para isso.

— Não é sermão, é preocupação. — Ele colocou a caixa da sua comida na bandeja, mas forte, mostrando a irritação. — Eu entendi o que você quis fazer, mas você não tinha de encontrar com aquele cara.

— Eu precisava! — Coloquei minha comida na mesa e me levantei. — Precisava encarar o rosto da pessoa responsável pelo meu sequestro e pela morte de Melinda. Se eu não o encarasse pessoalmente, não desse um fechamento, eu seria uma covarde.

— Ninguém pensaria isso de você.

— Mas eu sim. — Passei a mão por meus cabelos. — Como posso ser chamada de heroína, se eu não consigo enfrentar meus demônios sem precisar de ajuda? Não ser forte e corajosa o suficiente para encarar cara a cara a pessoa responsável pelos meus pesadelos?

— Você não vê o quanto é forte? — Colocou as mãos em meus ombros. — Toda noite você luta contra seus demônios e sozinha.

— Mas sempre corro para seus braços, querendo algum conforto pelo medo que sinto.

— E isso te faz menos heroína que o resto do grupo? — Me puxou para seus braços. — Acha que todos não temos nossos momentos de medo? Eu tive quando você foi sequestrada, eu tenho quando luta, tenho medo quando enfrento meus pesadelos, mas eu continuo firme, porque você me dá força quando está ao meu lado, você e nossos amigos. — Beijou meus cabelos. — Se eu tivesse sozinho, não sei como enfrentaria o mundo.

— Entendi seu ponto. — Me afastei para encará-lo. — Só que eu sei que tem momentos que você não quer ninguém ao seu lado, você quer lutar sozinho. — Passou a mão no meu rosto. — Eu preciso desses momentos para crescer.

— Tudo bem. — Voltei abraçá-lo e ficamos assim por alguns segundos. — Nada do que ele disse é verdade.

— O quê?

— O que Strucker disse. — Me apertou mais forte. — Não se deve sentir culpada por ter voltado a estudar ou sair com os amigos ou namorar, isso não prova que você a esqueceu.

— Steve...

— Você está seguindo em frente, mas sem dar as costas para o passado. — Senti uma dor em sua voz, que me fez querer chorar. — Melinda vai estar sempre com você, em seu coração, como sua mãe.

— Eu sei.

— E você fez tudo o que podia para trazer justiça a ela, nós fizemos tudo que podíamos.

— Não parece suficiente.

— Nunca irá parecer o suficiente. — Ele me puxou junto consigo para cama, onde sentou e me fez sentar em seu colo. — Não é a única que acha que falhou com Melinda.

— Eu esqueço que você sente culpa pelo que houve.

— Não sou o único, todos nós sentimos que fracassamos com você e Melinda. — Colocou a mão no meu queixo para olhá-lo. — Não deixe ele mexer com sua cabeça, não entra no jogo dele.

— Tudo bem.

— Você é mais forte do que pensa, nunca se esqueça disso.

[...]

Eu não pensava que inauguração de uma ONG era rápida e prática, sem muitas pessoas e terminaria assim que fizesse o discurso, mas não sabia que muitas pessoas iam falar antes de mim. Esperava somente a diretora, no entanto, mais pessoas resolveram falar. Além do fato de ter mais pessoas do que imaginei, no caso, mais imprensa do que esperava.

Desviei meu olhar daquele pessoal para Steve, que estava assistindo a alguns metros de distância, estava usando boné e óculos, o que impediu de o reconhecerem. Eu ia pedir para a Anna vir para me ajudar a sair quando acabasse, mas ela disse que queria ficar e garantir que Tony e Banner comessem, já que se enfiaram no laboratório há alguns dias e não saíam de lá. Steve, sendo cavaleiro que é, se ofereceu e aceitei.

Voltei a encarar a mulher que será responsável por cuidar da ONG e, no mesmo instante, terminou de falar. Batemos palmas para ela e logo em seguida me chamou para falar. Levantei e sorri para todos em agradecimento pelos aplausos. Peguei o microfone que ela me ofereceu e agradeci a todos os presentes. No mesmo instante, senti um arrepio atrás do pescoço e um olhar estranho sobre mim, um olhar que achei conhecido. Meus olhos passaram pelas pessoas, porém, nada chamou minha atenção.

Todos me encararam e notei que não tinha falado mais nada. Fiz uma piada sobre estar nervosa por falar na frente de todos, o que os fez rir, e comecei meu discurso, que estava gravado em minha mente. Continuei olhando as pessoas, tentando identificar quem era que me olhava assim, sei que era alguém que conhecia, mas nenhum sinal.

Ao terminar, todos aplaudiram e a diretora se aproximou para tirarmos fotos. Levou alguns minutos e logo se encerrou. Me despedi dela e do restante das pessoas que trabalhariam na ONG e fui até a saída do prédio. Tinha alguns jornalistas me esperando e faziam uma série de perguntas, eu tentei responder algumas enquanto ia até onde estava meu carro. O foco era minha opinião sobre os protestos contra os heróis e também sobre as missões. Sorri e respondi o melhor que podia e, antes de entrar no carro, parei e me despedi dos jornalistas. Naquele momento, uma pessoa me chamou atenção: uma mulher estava afastada, no outro lado da rua, não dava para ver o rosto, no entanto, pude ver seus cabelos ruivos. Era ela quem me encarava, mas de onde eu a conheço?

— Sarah? — chamou Steve. — Sarah?

Virei para ele e depois olhei novamente para a direção da moça, mas ela não estava mais lá. A procurei com meus olhos, porém, não obtive sucesso. Me despedi dos jornalistas e entrei no carro, que Steve ligou antes de sair do estacionamento.

— Desculpa a demora.

— Tudo bem. — Balançou a mão como se não fosse nada. — Eu fiquei preocupado por ter ficado quieta de repente.

— Pensei ter visto um conhecido, mas me enganei. — Balancei a cabeça para espantar os pensamentos. — Ainda estou chateada da Pepper não ter vindo.

— Ela não falou o porquê?

— Não, a mensagem que ela mandou só me desejava boa sorte e que conversaríamos depois. — Peguei o celular e disquei seu número. — Ela pediu para ligar quando terminasse o discurso.

Coloquei o aparelho no ouvido e esperei ela atender.

— Oi, Sarah — cumprimentou alegremente. — Como foi a inauguração?

— Foi bem, consegui dizer meu discurso sem gaguejar.

— Você fala bem.

— Logo deve estar na internet e aí te mando para assistir.

— Vou querer ver mesmo. — Pude sentir ela feliz por mim. — Se continuar assim, deixarei você como responsável pela imagem da empresa.

— Não, dispenso. — Soltei uma risada. — Que horas você chega? — Ela ficou muda por alguns segundos, o que me preocupou. — Pepper?

— Eu não irei para Nova York.

— Por que não? O que meu pai fez?

— Nem tudo é culpa do seu pai. — Soltou um suspiro. — Nós nos desentendemos.

— Entendi. — Passei a mão no rosto irritada. — Não se preocupe que darei um jeito nele.

— Sarah!

— Tá bom, eu fico quieta.

Conversamos mais alguns minutos antes de encerrarmos a ligação. Eu estava muito brava com meu pai, tudo que tínhamos planejado foi por água abaixo e deve ser por algo que fez ou falou.

— O que aconteceu?

— Pepper e Tony brigaram e ela não virá. — Guardei o celular. — Vou matar o Tony.

Quando a porta do elevador se abriu, corri até as escadas, subi e fui em direção ao laboratório, pelas paredes serem transparentes, pude ver meu pai e Banner trabalhando. Estavam tão concentrados que nem notaram quando abri a porta e foi necessário falar um pouco mais alto.

— Oi, Sarah — Tony me cumprimentou. — Aconteceu algo?

— Sim e precisamos conversar. — Acenei para Banner. — Agora!

— Já volto. — Entregou o tablet ao doutor e se aproximou. — O que aconteceu?

— Pepper não vai vir e tudo que planejamos foi para os ares.

Eu estava brava porque era a terceira vez que tudo que preparamos para Tony a pedir em noivado era cancelado. Em vez de algo simples, meu pai queria fazer algo inesquecível e eu precisava sempre lembrá-lo que inesquecível não devia ser algo escandaloso. As duas vezes anteriores foram por conta de problemas no mundo, mas eu estou irritada por ser culpa dele.

— Pois é, acabamos nos desentendendo.

— O que você aprontou?

— Por que sempre eu que apronto? — respondeu com outra pergunta, indignado, — Ela pode ter feito algo.

— E ela fez?

— Não. — Levantou a mão para me impedir de falar. — A questão é que foi briga de casal, igual a que você e Steve tiveram e logo que nos entenderemos, mas não será hoje.

— Tudo bem. — Cruzei meus braços. — Já cancelou os músicos e o restaurante?

— Já resolvi tudo.

— Pai, se você perder essa mulher, nunca achará outra igual nem melhor.

— Eu sei. — Ele colocou as mãos nos bolsos. — Sarah, eu amo a Pepper e não vou perdê-la.

Coloquei meu cabelo de lado e peguei meu colar favorito que ganhei de aniversário esse ano de Steve: uma corrente de prata com o pingente de uma estrela. Achei que combinaria com a roupa que estou para a festa. Espero muito que meu pai tenha saído do laboratório e esteja arrumado, não estou a fim de arrastá-lo para o quarto.

Estava tão preocupada com Tony, que não estava conseguindo colocar o fecho e, antes que pensasse em pedir ajuda, Steve apareceu e logo me ajudou. Ao prender, curvou-se e beijou atrás do pescoço, o que me fez sorrir. Colocou a mão na minha cintura e me virou para poder me beijar.

— Está bonita — disse ao nos separarmos.

— Você também — o elogiei antes de passar a mão em seu peito, de modo carinhoso. — Eu gosto dessa blusa azul.

— Só porque você comprou para mim.

— Exato. — Mordi os lábios. — Sabe se meu pai ainda está no laboratório?

— Não, ele saiu agora do quarto e disse que ia para a sala esperar os convidados chegarem.

— Ótimo. — Suspirei aliviada. — Acho que é hora de irmos.

Ele pegou a minha mão e saímos do quarto, pegamos o elevador e logo chegamos ao andar. Tony estava sentado no banco do piano e encarava o instrumento, perdido em seus pensamentos. Soltei a mão de Steve e fui em direção ao meu pai. Só notou minha presença quando sentei ao seu lado, no mesmo banco.

— Está muito bonita, filha.

— Obrigada, pai. — Sorri e toquei em uma das teclas. — Sabe, sempre me pergunto o motivo de ter piano tanto aqui como nas outras mansões. Ninguém toca.

— Na verdade, eu toco, mas não gosto de tocar em público — contou antes de passar os dedos pelas teclas também. — Já te contei que foi sua avó que me ensinou.

— A vovó?

— Sim, ela tocava como um anjo — contou com um sorriso nostálgico. — Desde que me lembro, toda noite, depois do jantar, ela sentava em frente ao piano e tocava, seu avô sentava numa poltrona, ou estava lendo jornal ou papéis de algum projeto, e eu sentava no chão para escutá-la. — Tocou algumas teclas. — Também foi sua avó que me ensinou.

— Sério?

— Sim, todo sábado de manhã tinha aula. — Tirou a mão do instrumento. — Quando criança, ficava ansioso para chegar esse momento. Era um momento só meu e dela, sem interrupções, e era divertido, pois sua avó não era uma professora chata, ela fazia a aula ficar divertida. — Colocou a mão no meu ombro. — Parei de tocar depois que entrei na universidade, mas, nas minhas férias, quando ia para casa, ela tocava para mim.

— Você sente muito a falta dela.

— Sim, muita.

— E do vovô?

— Mesmo não nos dado bem, também tenho. — Escutamos um barulho e vimos que algumas pessoas tinham chegado. — Hora da diversão.

Notas finais
Strucker querendo mexer com a mente de Sarah, coitada. Esse capitulo foi como ela disse para dar um fechamento para a jovem, porém, nós sabemos que não será assim, já que ela ainda não sabe quem atirou em Melinda. Será que ela saberá a verdade algum dia? E esse final em que sabemos um pouco mais sobre o relacionamento de Tony e sua mãe? Gostei muito de escrever, porque mostra mais ainda do amor que ele tinha por ela, e de algum modo pelo pai. Na minha humilde opinião, esse capitulo foi um pouco mais maduro, porque mostrou o quanto a Sarah já amadureceu e quanto ainda precisa, já que ela é jovem e tem muito o que aprender. Espero que tenham gostado e quero muito saber a opinião de vocês. É muito importante a opinião de vocês, não só para eu melhorar minha escrita, mas também para saber como está o rumo da história. Lembre-se: cada comentário que você deixa de fazer, uma fada morre.