Take on Me
48 Speak to Me
Notas iniciais

Sarah encarava a xicara do seu chá de hortelã, que segurava firmemente entre suas mãos. A sala de reunião estava vazia, um ótimo lugar para ficar sozinha até Steve chegar. Ela levou a bebida até os lábios, por onde saboreou o líquido doce, porém, não trouxe o conforto que sempre sentia ao tomar um bom chá.
A jovem tinha acordado cedo, perto das cinco horas da manhã, depois de um sonho, ou, mais especificamente: uma lembrança do seu tempo de sequestro. No entanto, ela não esperava que aquilo tivesse acontecido com ela e Bucky, nem esperava aqueles sentimentos desconhecidos que surgiram. Fechou os olhos e as imagens vieram à sua cabeça.
Sarah encarou James, que levou a mão da jovem que segurava até seus lábios. Sentiu um pequeno frio no estômago com o gesto, sentiu a atitude estranha e não parava de olhar para a mão que não soltava a sua. Aquilo a fez pensar em como o toque dele podia ser delicado, mesmo sendo a mesma mão que tirava uma vida.
Sentiu o olhar do Soldado deslizar por seu rosto e pararem nos lábios. Antes que pudesse fazer algo, ele a beijou, a surpreendendo. Ela levou alguns segundos entender o que estava acontecendo e empurrá-lo para longe. Assim que se separou, a jovem deu um tapa no rosto do Soldado.
Seu celular tocou com uma mensagem, a acordando da lembrança. Pegou o aparelho e viu que era uma mensagem do irmão de Louise, Thiago, perguntando se estava livre aquela noite por estar em Nova York e queria encontrar com a moça para matar a saudade. Os dois se tornaram amigos bem próximos, ainda mais depois das semanas que passou na base dos Vingadores. A inglesa informou que tinha um compromisso com o namorado e que teria de ficar para a próxima. Na verdade, ela nem sabia o que iria acontecer depois da conversa com Steve.
Naquele momento, o Capitão América resolveu entrar no cômodo, estava usando roupas civis e ela podia notar que tinha acabado de sair do banho, já que seus cabelos estavam úmidos, o que a fez ter vontade de passar a mão naqueles fios. O modo que a olhava a fez sentir um peso na boca do estômago, o amor que ele lhe transmitia também lhe trazia a vontade de chorar.
Notando a mudança de expressão da namorada, Steve puxou a cadeira e sentou ao lado dela, preocupado com o que estava acontecendo. Desde que recebeu a mensagem dela, pedindo para que, quando terminasse a corrida, encontrasse com ela na sala de reunião para conversarem. Mil e uma possibilidades passaram em sua cabeça, imaginando qual assunto seria. Ele tinha notado que ambos estavam um pouco afastados, os compromissos estavam atrapalhando, no entanto, acreditou que não seria o motivo. Os dois faziam o que possível para conseguirem um tempo juntos, como tirar o fim de semana de folga.
— O que foi, amor? — indagou.
— Steve, eu preciso te contar uma coisa. — Ela desviou o olhar, não tendo coragem de encarar aquelas íris azuis que tanto amava. — Peço que escute tudo antes de falar algo.
— Está me deixando preocupado. — Colocou sua mão sobre a dela, que segurava a xícara. — O que foi? Não me diga que está gravida.
— Grávida? — Ela soltou uma risada fraca, que acabou diminuindo seu nervosismo. — Acredito que se eu tivesse grávida, não teria te esperado voltar da corrida.
— Então, o que é?
Sarah contou sobre o sonho, todos os detalhes, não escondeu nada nem o que sentiu com a lembrança. Steve ouviu atentamente, suas feições não esconderam o que pensava sobre cada palavra que escutou, e, mesmo vendo que sua namorada não tinha culpa, sentiu-se um pouco traído e com ciúmes.
— Eu não quis o beijo, eu não consenti.
— Eu sei.
O tom não a convenceu. Quando finalmente o encarou, sentiu o coração se quebrar um pouco, não sabendo mais o que fazer, se levantou e pegou a mochila, que tinha deixado na outra cadeira. Ao dar um passo, Steve pegou no seu braço a impedindo de sair.
— Sarah, onde você vai?
— Eu preciso ir à aula — contou, passando uma mão nos cabelos. — Acho que ambos precisamos de um espaço agora.
— Eu sei que você não me trairia. — Ele se levantou e colocou as duas mãos no rosto da moça, erguendo-o para que ela olhasse bem seus olhos. — Não vou mentir e dizer que não me incomodou, meu melhor amigo beijou minha namorada, mas você foi forçada e o Bucky não era o Bucky.
— Ah, Steve.
Ele se inclinou e a beijou, um modo de acalmar os dois, sendo delicado e calmo. O líder dos Vingadores sentiu algo molhado tocar seu rosto e ao se afastar, notou que foi uma lágrima de Sarah.
— Não chore. — Selou seus lábios ao dela e passou um braço por sua cintura. — Nosso fim de semana ainda está de pé.
Ela balançou a cabeça e se afastou. Assim que ela fechou a porta, Steve se sentou e colocou seus braços sobre a mesa, onde apoiou sua cabeça. Não estava tudo bem para ele, aqueles sentimentos de ciúme e traição estavam crescendo e não sabia como lidar. O Capitão América, antes do soro, não conseguia chegar perto de uma mulher por conta de como era: baixo, magricelo, asmático, entre outros pontos. Depois do experimento, as mulheres caíam em cima dele, mas elas só viam o exterior. Somente duas mulheres viram mais que um rosto bonito: Peggy e Sarah.
Quando Bucky viu a Carter pela primeira vez e jogou seu charme, pensou que tinha perdido sua chance, mas ela simplesmente o ignorou, o que acalmou sua insegurança. Claro que, depois que seu amigo soube, pediu desculpas já que não sabia de seus sentimentos e jamais daria em cima da garota de Steve. Já em seu relacionamento com Sarah, ele tinha alguns momentos inseguros, afinal ele era mais velho e diferente dos jovens.
Os relacionamentos eram mais complicados no século XXI, no entanto, não achava que Bucky se interessaria por Sarah, por não ser nem um pouco como as outras mulheres. Porém, seu amigo sentiu atraído por ela, mesmo em seu modo Soldado Invernal.
— Steve?
Levantou a cabeça e encontrou Natasha o encarando, com os braços cruzados, seu rosto estampando um misto de curiosidade e preocupação.
— Aconteceu algo?
— Eu que pergunto. — Sentou ao lado do líder do grupo. — Sarah passou por mim bem abatida.
— Não é nada.
— Brigaram? — Ele não respondeu, preferiu desviar o olhar para a parede, o que a fez ter certeza que aquele era o motivo. — O que está perturbando o paraíso?
— Vamos ver as pistas que encontrou do Rumlow — mandou o líder, se levantando, o que a fez coçar a cabeça. — Espero que dessa vez o peguemos.
— Você é pior que eu quando quer mudar de assunto. — Ela deu uma risada fraca. — Saiba que, se precisar falar, eu estou aqui.
— Obrigado — agradeceu antes de se levantar e se dirigir à saída, acompanhado da ruiva.
Sarah olhou para o pulso para ver as horas, já era quase meio-dia. Tinha resolvido passar no café da universidade e comprar algo para comer: chá gelado com limonada e croissant. A fila não estava grande, mas ela não estava a fim de ficar ali. Toda vez que ia ao estabelecimento, aparecia algum fã querendo tirar foto ou autógrafo. Não que ela se incomodasse, mas seu humor não estava dos melhores naquele dia. Quando chegou sua vez de ser atendida, a funcionária soltou um gritinho de surpresa, o que a fez forçar um sorriso. Fez seu pedido e pagou em dinheiro, deixou o troco na caixinha dos funcionários e se afastou.
Sentou numa mesa vazia e ficou mexendo no celular, lendo algumas matérias que abordavam sobre o grupo de heróis de um modo negativo para a imagem deles. Mostrando os danos que causavam por onde passaram, o que a fez soltar um murmuro revoltada e trocar a matéria.
Olhou espantada por ser sobre ela e sobre possíveis affairs: vários nomes de famosos com quem trocou alguma palavra nas festas e eventos que teve de participar. O mais novo era o filho de um político que conheceu numa reunião na qual acompanhou Tony. Não trocaram muitas palavras, mas foi o suficiente para a imprensa achar que rolou algo.
Escutou seu nome ser chamado e foi buscar sua comida. Pegou o copo e o saco onde estava o salgado, não iria comer ali, preferia algum lugar aberto. Quando escutou seu nome ser chamado de novo, se virou para a atendente, que sorriu sem graça. Era nova, já que normalmente era um rapaz que a atendia. Seus cabelos ruivos e olhos verdes chamaram sua atenção, passou a mão no braço quando sentiu um arrepio passar pelo corpo, o que estranhou.
— Será que poderia tirar uma foto comigo? — A Stark forçou um sorriso e acenou. A garçonete virou-se para tirar uma selfie de ambas. — Muito obrigada!
— De nada. — Olhou para a plaquinha que tinha o nome da moça. — Katerina? Disse certo?
— Disse sim.
A jovem acenou com a mão, em despedida, e saiu do estabelecimento. Infelizmente, não poderia dizer não a esses momentos, afinal não queria piorar a imagem dos Vingadores e soar mesquinha. Andou por alguns metros até sentar na escada que leva ao prédio da biblioteca – seu lugar favorito. Sarah estava aproveitando seu croissant quando o celular tocou. Ao ver a tela, viu um pedido de vídeo conferência de seu pai. Atendeu e sorriu para Tony.
— Olá, princesa.
— Oi, pai — disse antes de terminar de comer. — Como você está?
— Bem, com saudades — contou antes de se sentar. — Devia vir passar o fim de semana com seu pai.
— Já tenho compromisso.
— Avise o Sorvete Maravilha que precisa passar um tempo comigo também. — Ela riu com as palavras ditas pelo Stark. — Você está bem mesmo?
— É só estresse da universidade — mentiu, não queria que seu pai soubesse o que estava acontecendo. — Os testes finais do semestre estão chegando.
— Isso você tira de letra, nota máxima como sempre — comentou, sorrindo orgulhoso. — Mas não é isso.
— Tem o estágio que preciso fazer com urgência.
— Já disse para fazer um dos nossos estágios na sede que tenho em Nova York.
— Tony, eu quero ganhar o estágio por merecer e não por ter meu sobrenome na placa de entrada do prédio.
— Sarah, você ganharia a vaga por seu talento, o que puxou da família. — A jovem estreitou os olhos, o que o fez bufar. — Ok, não digo mais nada.
— Obrigada — agradeceu, jogando o cabelo para trás do ombro. — E como está a vida de casado?
Tony e Pepper estavam casados há pouco tempo, a cerimônia ocorreu um mês depois do pedido. Foi discreta e linda, bem diferente do que o Homem de Ferro queria, mas foi fácil convencê-lo a fazer como a Potts queria.
— Está um paraíso, quem diria que ser casal é tão bom. — Ele riu antes de coçar o cavanhaque. — Tem alguém perto de você? Preciso te contar uma notícia, uma ótima notícia!
— Me deixa pegar os fones — pediu e mexeu na mochila até achá-lo, por ser por Bluetooth, só precisou colocar nos ouvidos e ativar no aparelho. — Pronto, pode falar.
— Sarah, eu e Pepper estamos grávidos. — A boca de Sarah abriu em forma de “o” pela surpresa. — Na verdade, ela está grávida, mas você vai ganhar um irmãozinho ou irmãzinha!
— Meus parabéns, pai!
— Obrigado, estou tão animado! — O playboy não pôde esconder a animação da notícia.
— Mas me conta mais detalhes.
— Vou te mandar a foto do ultrassom, ela está com três meses, não reparou que estava grávida. — Olhou para os lados antes de se aproximar mais do aparelho. — Eu achei que teve um aumento de peso, não ligo para isso, mas não pensei que era minha filha ali.
— Ou filho.
— Eu espero muito que seja menina, acho que vai ser mais fácil de educar e meninos dão trabalho. — Soltou uma risada. — Menina é melhor.
— Olha, eu não fui uma criança fácil — contou Sarah. — Então, posso dizer se ela te puxar, será igual ou pior que eu.
— Esse lado pode ser da sua mãe.
— Sei que não foi, pois minha mãe me contava que era quieta e tranquila — continuou a falar. — Bem diferente de mim, que não ficava parada e mexia em tudo, principalmente, desmontar coisas para saber como funcionavam.
— Agora nem menina eu quero.
— Agora não tem escolha. — A jovem notou o nervosismo do pai, afinal, quando ele soube da existência da primogênita, já era quase adulta e não passou por muitos momentos complicados. — Pai, vai dar tudo certo.
— Como você sabe? Se eu falhar como o meu pai, cometer os mesmos erros...
— Se você sabe onde ele errou, não fará igual — declarou ao interrompê-lo. — Não existe pai perfeito, não importa o quanto tente ser. — Ele soltou um suspiro desanimado. — Eu sei que fará o que achar melhor pelo mini Stark.
— E se ela me odiar?
— Posso garantir que ela não irá te odiar, mas pode sentir raiva por não concordar.
— Como você?
— Como eu. — Notou que aquelas palavras mexeram com ele. — E também como você. Sei que nunca chegou a odiar o vovô, no entanto, tinha raiva com algumas atitudes que ele tomava.
— Culpado. — Levantou uma das mãos em rendição. — Você é uma boa filha, em vez de eu estar te animando, você que está fazendo isso comigo.
— Pai?
— Eu te conheço e sei que algo aconteceu — comentou seriamente. — Sabe que pode contar comigo né?
— Sei sim.
— Quando estiver pronta para conversar, pode me ligar.
— Tudo bem.
— Pode ser madrugada, de manhã... Qualquer hora.
— Eu sei, pai. — Sorriu para ele. — Não se preocupe, se precisar do seu ombro para chorar, eu vou entrar em contato.
A porta se abriu num barulho alto, mais do que a jovem pensou que seria. Ligou a luz e suspirou ao ver a casa vazia. Sarah se aproximou do sofá e apoiou a caixa transportadora da sua gata, abriu a portinha, permitindo Rusty de sair. A felina pulou para o chão e se afastou. Pegou o celular, que não tinha nenhuma mensagem ou ligação de Steve. Ele tinha informado que estava resolvendo um assunto com o diretor da CIA e que logo iria se encontrar com ela, pelo horário pensou que ele chegaria primeiro, mas estava enganada.
Levou alguns minutos para colocar as malas e as compras que tinha feito para dentro da casa, seu estômago roncou de fome e soltou uma risada. Pegou novamente o celular e mandou mensagem ao Steve perguntando se estava chegando. Apoiou no balcão que dividia a sala e cozinha e encarou Rusty, que vinha em sua direção.
— O que você quer para o jantar? — A gata a ignorou. — Eu trouxe Sachê de frango e de peixe, qual vai querer? — Mostrou os pacotes para a felina, que só miou em resposta. — Peixe? Sabia, melhor escolha. — Pegou o pote no armário, despejou o alimento no objeto e depois o colocou perto do balcão. — Bom apetite — desejou ao ver a gata perto da comida. — Agora decidir o que eu irei comer. — Abriu a geladeira e resolveu pegar o pedaço de frango e alguns legumes. — Acho que Steve irá gostar, não? — perguntou a Rusty, que a ignorou de novo, preferindo comer seu próprio jantar. — Bem, espero que goste...
Sarah acabou jantando sozinha e o Capitão América não deu nenhum sinal de vida. Começou a imaginar se não tinha acontecido algo com ele, afinal, podia ter o soro do Super Soldado em suas veias, mas ainda era humano. Ligou para Natasha, porém, foi direto para a caixa postal. Resolveu entrar em contato com Wanda, que estava no QG e informou que ele não tinha retornado da reunião, então, imaginou que tinha ido direto encontrá-la.
Por fim, resolveu conversar com Annabelle, que estava seguindo pistas de uma base da Hidra e tentava descobrir sobre a terceira aprimorada, já que não tinha nenhuma informação e nem mesmo Wanda soube informar o nome ou descrevê-la, mas desistiu da ideia com medo de atrapalhá-la.
Sentou no sofá e ligou a televisão, colocou num canal que passava um filme qualquer, algo para passar o tempo. Rusty resolveu deitar ao seu lado e a dona fez um carinho em sua barriga. Estava preocupada e imaginando se ele tinha se arrependido por ainda querer passar o fim de semana sozinho com ela depois da revelação que fez. No entanto, afastou aquele pensamento. Se ele quisesse se afastar dela, não teria deixado a mala arrumada ou falaria. Steve não faria joguinhos. Soltou um suspiro antes de voltar a prestar atenção no filme. Esperava que ele chegasse logo, não queria passar a noite sozinha na casa.
O som da televisão fazia companhia a Sarah, que estava tomando seu café da manhã enquanto trabalhava no projeto “Asa Vermelha”, na verdade, tentava melhorar o robô que acompanhava Sam, um modo de distrair sua mente e seu humor, já que Steve não tinha dado sinal. Ela tentou ligar várias vezes e não teve sucesso, sabia que não tinha tido nenhum ataque de super vilão, pois teriam ligado para ela, porém, algo podia ter acontecido a ele. Rusty estava deitada na mesa, seus olhos verdes observavam cada movimento que sua dona fazia, e deu um miado baixo, chamando a atenção. Logo recebeu um carinho atrás da orelha direita e um sorriso da moça.
Seu celular tocou, avisando da chegada de uma mensagem e abriu rapidamente ao ver que era de Louise, questionando se iriam na próxima semana. No momento em que começaria a digitar a resposta, a porta da casa se abriu e ela depositou o aparelho em cima da mesa para se levantar. Steve entrou segurando um pequeno buquê de rosas, deu um sorriso em cumprimento à namorada, que somente se levantou e cruzou os braços.
— Sarah...
— Por que não mandou mensagem? Ou ligou? — interrompeu a moça, perguntando. — Se está bravo comigo, eu entendo, mas não me faça idiota.
— Eu não quis te fazer de idiota, longe disso — respondeu magoado. — Depois da reunião com o diretor da CIA, acabamos tendo uma conversa em particular que terminou muito tarde.
— E foi tão tarde que te impediu de entrar em contato?
— Desculpa. — Se aproximou e entregou o buquê a ela. — Quando vi o horário, era muito tarde e imaginei que estava dormindo. — Ele notou olheiras da namorada e se sentiu mal.
— Como eu iria conseguir dormir não sabendo o que aconteceu com você? — rebateu irritada. — Não só pensei que podia ter se acidentado, mas alguém ter te pego... Alguém da Hidra ou algum novo vilão!
— Sarah, se isso tivesse acontecido, alguém teria te avisado.
— O pessoal acreditaria que estava aqui comigo!
— Você está exagerando, não aconteceu nada.
— Ah é, exagerando? — Colocou as flores na mesa e fechou os olhos, tentando controlar seus sentimentos. — Se fosse o contrário, você estaria surtando.
— É diferente, você já foi sequestrada.
— E você também poderia. — Apontou o dedo em direção a ele.
— Sarah, eu não quero discutir. — Steve colocou as mãos na cadeira e se apoiou. — Estou cansado, tenho muitas coisas na minha mente e eu só quero relaxar.
— O que perturba sua mente? Algo da reunião?
— Não... — Ao notar o que disse, balançou a cabeça. — Digo, sim.
— Não minta para mim. — Ele soltou um suspiro irritado. — É por causa do beijo.
— Eu sei que Bucky que forçou o beijo, mas é difícil para mim — admitiu o líder dos heróis, a encarando.
— E não é para mim? — Sarah se abraçou, estava sentindo mil coisas e queria chorar naquele momento. — Eu me sinto culpada!
— Você não é culpada, mas eu estou bravo com isso.
— Devíamos ter cancelado o fim de semana.
— Isso não fará o problema sumir.
— Então, me fala: como resolver isso? — Steve abriu e fechou a boca duas vezes. — Vou voltar para o QG.
— Sarah...
— Eu não vou ficar aqui nesse clima.
A jovem se afastou e foi até o quarto, deixando o Capitão América sozinho. Ele puxou a cadeira e se sentou. Sua mente estava uma bagunça e mil coisas passavam por ela. Se sentiu culpado pelo que ocorreu, podia ter encerrado a reunião mais cedo, mas algo o impedia. Viu que realmente ele não estava pronto para voltar e encará-la. Tudo estava confuso e não sabia como resolver, parecia mais fácil criar uma estratégia e derrotar um vilão do que sair daquele problema.
Não podia deixá-la ir embora, precisavam sentar e resolver a situação, de algum modo, encontrar uma solução juntos. No entanto, sabia que a primeira coisa que precisava fazer era pedir seu perdão, ela não tinha culpa e precisava garantir que ela realmente soubesse disso. Se arrependeu de não ter pedido ajuda para Natasha, ela poderia ter ajudado no que dizer. Se xingou por ter problemas em se expressar com mulheres por causa da sua insegurança.
Escutou o barulho de passos e viu que Sarah tinha voltado para a sala, olhava para o celular com cara de espanto, tendo uma das suas mãos na boca. No mesmo instante, se levantou e se aproximou da moça.
— O que aconteceu?
— Steve, eu consegui. — Ela soltou um gritinho de felicidade. — Eu consegui o estágio de verão nas Indústrias Pym!
— O quê...?
— Eu vou passar três meses em San Francisco!
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