Take on Me
5 Flashes in My Face Now
Notas iniciais

Sarah
De todos os homens da Terra, por que minha mãe engravidou justamente de um dos mais famosos do mundo? Desde que pousamos em Nova York, eu não sabia o que era ter paz. Pessoas em volta, me arrumando para a coletiva, alguém falando o que devia dizer, como devia me comportar. Achavam mesmo que eu ia obedecer?
— Sei que não deve estar feliz com isso, mas, por ser filha de quem é...
— Eu sei, é necessário — interrompi a namorada do meu pai, conhecida como Pepper.
— Você pode trazer uma boa imagem para a empresa — explicou a mesma.
Mesmo sabendo que ela queria ajudar, que, desde o começo daquela loucura, Pepper tentava me manter confortável, nada deu certo.
— Mas é necessário tudo isso? — questionei, apontando em volta de mim. — Estou parecendo aquelas filhinhas de papai que não vivem sem estar maquiadas e com o cabelo arrumado.
— Sim, é — afirmou a mulher responsável pela imagem da empresa. — E não esqueça o que está no cartão, é necessário omitir alguns fatos.
— Certo — concordei, revirando os olhos.
Depois de alguns minutos, terminaram de me arrumar. Claro que, ao olhar para o espelho, fiquei surpresa, eu parecia mais uma mulher do que uma adolescente. Meus cachos estavam perfeitos e no lugar, estava com uma maquiagem leve que destacou mais meus olhos azuis. O vestido preto caiu como uma luva em meu corpo e, para completar, uma sapatilha preta.
— Está linda.
— Obrigada, Pepper.
— Saiba que estou feliz por estar conosco. — contou antes de pegar minha mão e apertar carinhosamente. — Quero que saiba que não quero substituir sua mãe, sei que é impossível, mas espero que sejamos grandes amigas.
Eu só pude sorrir, já de cara gostei dela e sabia que seríamos amigas. Pelo menos alguém que seja legal para conviver.
Alguém bateu na porta e eu mandei entrar. Não fiquei surpresa por ser Tony. Todos foram embora, nos deixando a sós.
— Sarah, você está linda — elogiou o playboy. — Está parecida com sua mãe.
Aquelas palavras mexeram comigo, mas não ia amolecer.
— Você diz isso só por ter visto uma foto dela. — Estreitei meus olhos a ele. — Aposto que nem lembraria se não tivesse — afirmei, sentando-me na cadeira que estava há poucos instantes.
— Admito que fui mulherengo, mas têm pessoas que marcam e a sua mãe, Megan, me marcou.
Senti que ele falava a verdade, mas não consegui acreditar. Era difícil, afinal, um mulherengo lembrar-se dos seus casos de uma noite. Pior era pensar que minha mãe havia sido só mais uma na vida dele.
— O que você quer? — perguntei, já mudando de assunto para não ter briga.
— Vim te buscar para irmos.
Nós dois saímos e fomos até onde a imprensa esperava. Ao ver o número de repórteres, jornalistas, fotógrafos e câmeras, me senti um pouco intimidada.
— Relaxa, pequena Stark. Vou à frente acalmar as feras — avisou, colocando a mão no meu ombro.
Afastou-se e ficou na frente da bancada. Ele falou várias coisas e brincou com a situação. Patético!
— Por favor, querida, se aproxime e deixe que eles a vejam, minha princesa — pediu Tony, esticando a mão.
Coloquei a minha em cima e parei ao seu lado.
— Sua princesa o caramba — murmurei para o playboy.
Os repórteres e jornalistas estavam desesperados para saberem tudo sobre mim. Cada pergunta que passava, eu ficava mais à vontade. Brinquei, ironizei e cutuquei o Tony. Até que foi bom, não podia negar que fiquei mais à vontade ao seu lado e comecei a ver como éramos parecidos.
O Stark apontou para a próxima jornalista e já não gostei dela.
— Qual foi sua reação ao saber que Tony é seu pai? — perguntou a loira.
— Todos, ao conhecerem seus pais, normalmente, os abraçam... — Joguei alguns fios de cabelo para trás. — Eu sou mais original e já fui logo dando um chute no saco. — Todos ficaram me encarando e então soltei uma risada para quebrar o clima, fazendo-os rirem. — Foi engraçado, né? Mas, falando sério agora, foi um chute e um tapa.
— Sério mesmo? — indagou a mesma.
— É mesmo, ainda estou sentindo dor — respondeu o Stark. — Não nega que é minha filha.
Voltaram a me encarar, provavelmente pensando que, de boazinha, eu só tinha a cara.
— E por que demorou tanto tempo para aparecer? E por que agora quando seu pai acabou de salvar o mundo junto com os Vingadores? — interrogou a mesma loira.
— Quem bateu na minha porta informando que era meu pai, foi ele e não eu — contei. — Estava bem em Liverpool. — Ou quase bem. — E o que você está insinuando com "aparecer agora"?
— Bem, seu pai já era famoso mundialmente, e, agora sendo um grande herói, só aumentou sua fama. — Arquei a sobrancelha para ela. — Ser filha de um homem famoso e rico é o sonho de qualquer garota. Poder gastar quanto dinheiro quiser em qualquer coisa. — Terminou de falar dando um sorriso irônico.
— Pena que não sou qualquer garota pra ter esses sonhos idiotas. — A olhei seriamente. — Fala sério, isso é tão fútil e para pessoas que são fracas. Deus, ser superior ou mesmo a evolução, sei lá no que vocês acreditam... Deram-nos braços, pernas fortes e algo muito importante, chamado cérebro. — Apontei para minha cabeça. — Tendo isso, não precisamos de mais nada para trabalhar e lutar pelo que queremos, e não ficar dependendo de terceiros. — Dei um leve tapa na bancada. — Anota isso!
— Mas cresceu sem pai, deve te imaginado que seu pai fosse alguém...
— Idiota, foi isso que sempre imaginei, e eu acertei. — Sorri para Tony. — Que todos saibam de uma coisa: eu não fiquei feliz ao saber que ele é meu pai, mas eu não tenho escolha. — Olhei para todos. — E se fosse interesseira e pensasse só em dinheiro como você disse, eu estaria fazendo isso agora, gastando os bilhões dele e não conversando com vocês. Eu não pedi para entrar nesse mundo, mas saibam que, agora que faço parte dele, vou fazer questão de mostrar que não sou como as outras filhinhas de papai. Podem preparar seus dedos, vocês vão escrever muito sobre mim. — Soltei beijos para as pessoas. — Em breve darei notícias.
Os fotógrafos vieram em minha direção, mas eu ignorei. Não era a intenção falar o que falei, mas quando vi, já tinha saído, então, já era.
Logo, Happy apareceu e me levou até o carro. Tony e Pepper se juntaram a nós e fomos para a minha nova "casa".
...
Eu tive que manter minha boca fechada para não mostrar minha surpresa ao ver aquela mansão. Lana teria tido um treco, e, quando vi o interior, só aumentou minha certeza de que ela faria mesmo um escândalo.
— Bem-vinda ao lar! — anunciou Tony, parando no meio da sala. — Jarvis, quero que conheça minha filha, Sarah.
— É um prazer conhecê-la, senhorita Sarah — me cumprimentou uma voz robótica. — Devo parabenizá-la por chegar tão longe na invasão do sistema, alguns não conseguiram passar do primeiro nível, mas você já estava indo para o terceiro.
— Então, você é o famoso Jarvis? — indaguei alegre. — O prazer é todo meu. Devo dizer que é um sistema difícil, mas posso conseguir.
Era muito estranho falar com alguém sem poder ver.
— Podemos fazer isso hoje mesmo — concordou Tony animado. — Adoraria...
— Tony, agora não — interrompeu Pepper.
— Depois a gente vê. — Soltei uma risada pela cara de Tony e ele piscou para mim, combinando que conversávamos depois. — Jarvis, já colocou a digital da Sarah no sistema?
— Sim, senhor — afirmou a inteligência artificial. — Sarah tem acesso a todos os cômodos da casa.
— Excelente! — Juntou as mãos e as esfregou, satisfeito. — Sarah, se precisar de qualquer coisa, pode pedir para ele.
— Vamos conhecer a casa — chamou Pepper.
Eu me perguntei o caminho todo para que uma casa daquele tamanho só para duas pessoas, no caso, três agora. Provavelmente me perderia ali.
Eles me mostraram alguns cômodos, me explicaram sobre a casa, sobre o Jarvis e as regras que tinham. Nós descemos para o subsolo, algo que eu nem imaginei quando vi do lado de fora. Eles pediram para pôr minha digital no vidro e, então, apareceu uma foto minha com algumas informações.
— Bem-vinda à terra das maravilhas! — anunciou Tony, entrando no local.
Era uma oficina enorme, e, daquela vez, não escondi a surpresa.
— Nossa, que incrível! — elogiei, entrando e vendo as armaduras, robôs e algumas invenções.
— Aqui foi onde tudo começou, foi aqui que criei o meu primeiro motor. Prometo te levar para ver onde criei as armaduras depois — ele garantiu, parando atrás de mim, e colocou as mãos nos meus ombros. — E vai ser aqui onde veremos você fazer magia.
— Eu fazer o que? — indaguei sem entender.
— Suas criações — respondeu como fosse a coisa mais óbvia. — Você terá um canto para você aqui. Essa oficina também é sua.
— Minha Marie Curie!* — exclamei, quase pulando. — Eu vou ter minha oficina?
— Nossa... Nossa oficina — deu ênfase na primeira palavra. — Prometo não atrapalhar seus trabalhos.
Bem, não era minha, mas, para quem nunca teve um canto para trabalhar, já estava ótimo. Era um grande presente.
— Obrigada — agradeci, o olhando sobre o ombro.
— Faço tudo para minha filha ficar feliz.
Ok, ele estava brincando com a sorte. Pepper provavelmente reparou na minha cara e logo me puxou para ela. Ele devia parar de forçar a barra.
— Que tal vermos o último lugar que falta? — sugeriu a ruiva, me levando para a escada. — Seu quarto.
Nós subimos com ele na nossa cola e paramos em frente a uma porta branca.
— Aquele é o nosso quarto, então, se precisar de algo, é só ir lá. — Apontou na direção do cômodo. — Qualquer coisa mesmo!
— Claro! Pode deixar, se eu tiver medo do escuro, vou correr até o quarto de vocês, assim atrapalhar os pombinhos e, de quebra, dormir no meio dos dois — brinquei, rindo.
— Você já não passou dessa fase? — indagou o Homem de Ferro, meio preocupado.
Comecei rir da cara que ele fez, como ele podia pensar que eu estaria nessa fase? Ele abriu a porta e entrei. Se eu me surpreendi com a oficina, com o quarto não foi diferente.
— Ele não está pronto, falta dar o seu toque pessoal, mas dei uma decorada — contou Pepper.
Eu a abracei, mostrando minha gratidão. Nunca tive um quarto só para mim, dividia o único quarto com minha mãe. Então, não tinha muito meu toque pessoal.
— Muito obrigada — agradeci, nos separando.
— O papai aqui não ganha um abraço? — perguntou Tony, abrindo os braços.
— Não — respondi, cruzando os meus.
— Eu dei o dinheiro — disse, indignado.
— E daí? Deu porque quis.
Ele fechou a cara, foi engraçado, pareceu uma criança.
— Então, não vou dar o cartão para fazer compras — avisou o mesmo.
— Vamos deixá-la à sós para arrumar suas coisas, algumas ainda estão nas caixas — anunciou Pepper, o puxando pelo braço, e piscou para mim. — Ele vai dar o cartão sim, amanhã faremos comprinhas básicas.
Finalmente sozinha, ou não totalmente. Jarvis era ligado na casa.
— Aqui não tem câmera, né?
— Não, só sensor de movimento.
— Valeu, Jarvis — agradeci, olhando melhor o quarto.
— Disponha.
O quarto era enorme, chutava que fosse do tamanho de um apartamento. Pepper acertou minha cor favorita: roxo. O quarto foi decorado com as cores roxo e branco. A cama de casal estava coberta com um edredom lilás e duas almofadas do mesmo tom; duas pequenas cômodas brancas em cada lado da cama; na parede onde ela estava encostada, havia um quadro muito bonito de uma flor e uma escrivaninha em frente à grande janela, que tinha uma vista de tirar o fôlego. Abri uma porta e dei de cara com um banheiro enorme. Desconhecia o porquê daquele tamanho, mas até banheira tinha. Fechei, fui para o outro lado do cômodo e abri a outra porta.
— Caraca!
Um closet enorme, entrei e vi minhas roupas já penduradas e guardadas. No fundo, tinha uma penteadeira. Abri as gavetas e encontrei alguns produtos de maquiagem, perfumes, escovas e pentes. O espelho era enorme e dava para ver meu reflexo com nitidez.
Fechei a porta e voltei para o meio do quarto, vi minha bolsa em cima da escrivaninha, fui até lá e peguei a carta da minha mãe. Joguei-me na cama e fiquei encarando o papel, como se pudesse me dizer o que estava dentro. Será que ela tinha mais algum segredo? Não, não devia ter. Já teria aparecido.
Segurei a carta perto do meu peito, para acalmá-lo. Ai, mamãe...
Lembrei sem querer do Capitão, seu sorriso e seus olhos azuis. Caramba, Sarah, mal conheceu ele e já está caidinha? Não, era só atração, além de que ele devia ter uma namorada e não duvidava ser aquela ruiva.
— Senhorita, seu pai pede sua presença na sala — avisou, tirando-me dos meus pensamentos.
— Vamos ver o que o chato quer — murmurei para mim. — Pode falar que já estou indo. — Saí do meu quarto e desci as escadas. Ao chegar à sala, encontrei os dois acompanhados de mais duas pessoas. — Pirata, já estava com saudades — falei, me aproximando. — Trouxe uma namorada.
A mulher me deu um sorriso irônico. Ela era muito bonita. Devia ser uma espécie de norma: todas as agentes tinham que lindas. Diferente da ruiva que conheci, ela não parecia tão séria e acabei indo com sua cara. Seus olhos azuis tinham um brilho de que ia aprontar.
— Olá, Sarah — o pirata cumprimentou de volta. — Essa é a agente Annabelle Petrov.
Eu apertei sua mão e me sentei no sofá.
— Ok, o que vocês fazem aqui?
— Agente Petrov vai ser sua segurança — respondeu Fury.
— O quê?
— Eu serei sua proteção, Sarah — explicou a agente. — Até prenderem o responsável pelo ataque.
Era o que me faltava, uma babá. Dava para ficar pior?
...
Narrador
— Realmente devia ter mandado meus próprios homens para pegá-la — comentou uma voz masculina enquanto assistia à televisão.
A coletiva passava na tela e seus olhos estavam fixos na garota. Sua mente já formava um novo plano para ter Sarah em suas mãos. Sabia que, com sua mente, podia construir máquinas e equipamentos que trariam vitória contra os Vingadores e até a dominação do mundo.
Ele fez sinal e um dos seus homens se aproximou. A roupa preta se camuflava entre as sombras, mas o símbolo podia ser bem visto. Um símbolo há muito tempo esquecido.
— Sim, senhor?
— Quem foi a agente escolhida para protegê-la? — interrogou, sem tirar os olhos da tela.
— Agente Annabelle Petrov — respondeu o soldado.
— Ela não é uma de nós. — Levou a mão até o queixo por alguns segundos, pensando sobre a agente. — Isso não é bom para ela — comentou, pegando o controle e desligando. — Vamos deixar a garota aproveitar um tempo com seu pai.
Ele se levantou e os dois começaram a caminhar. O homem estava sempre um passo à frente do companheiro, mostrando sua posição superior aos outros. Os dois pararam em frente a uma porta, um dos guardas abriu e ambos entraram. Seus olhos correram pelo laboratório, vendo as ferramentas e a cadeira que uma das melhores armas sempre ficava para apagar suas memórias.
— E ele como está, doutor? — questionou o homem, olhando para a porta, onde a janela estava embaçada.
Ele passou a mão no vidro e pôde ver melhor a pessoa ali dentro. Um homem com cabelos longos dormia. Seus olhos foram para o braço metálico, uma das maiores armas do soldado.
— Ele está bem — respondeu o doutor com um sorriso. — Está pronto para a próxima missão.
— Ótimo. — Ele aproximou o rosto do vidro e deu um sorriso maléfico à pessoa. — Em breve, você fará mais uma visita à família Stark, meu soldado. — Levou as mãos para as costas. — Hail Hidra!
Todos o imitaram e saudaram a grande organização que, um dia, quase dominou o mundo e que, atualmente, era um mito contado nos livros de história, que somente alguns tiveram a oportunidade de ver e acreditar, mas, naquele momento, estava pronta para reescrever sua história.
Fale com o autor