Take on Me
21 As Much as I'd Like The Past Not to Exist It Still Does
Notas iniciais

— “Calção Hulk”? Esse foi o nome que escolheu? Tinha que ser “Samba-canção Brócolis”. – Brincou Stark lendo o nome da pasta.
— Muito engraçado. Vou precisar de alguns materiais para a fabricação. É bom ter uma calça que cresce e diminui durante minha transformação. – Respondeu Banner tirando-lhe o objeto das mãos.
— Não é legal ver sua coisa solta por aí. Minha filha inocente pode ver e ficar traumatizada.
Banner riu com as palavras e recebeu um olhar feio do amigo.
— Aqui está a lista de coisas que preciso. – Disse o doutor mudando de assunto e entregando uma lista.
— Certo. Jarvis, faça os pedidos. Deve chegar hoje mesmo e já começamos a produção.
— Sim, senhor.
Tony olhou em volta, estranhando o silêncio no local. Não encontrou sinal de sua filha, o que estranhou, já que aquele horário estaria trancada no laboratório ajudando-os ou fazendo algo.
— Onde está Sarah?
— Eu não a vejo desde ontem. – Respondeu Banner tocando na tela a sua frente.
— Já devia ter voltado da aula. Jarvis, Sarah por acaso está no prédio?
— Não, senhor.
— Deve ter fugido da Pepper. Falta pouco para o aniversário. – Sugeriu o amigo tirando os óculos.
— Poucos dias. Dezoito anos...
— Já pensou no que dar de presente?
— Eu perguntei a ela, mas Sarah disse que não quer nada. Como alguém pode não querer nada de aniversário?
— Que tal um carro? Na idade dela, todas os jovens têm um. – Explicou Banner mexendo em outras pastas.
— Eu pensei, mas ela pode não gostar.
— Ou pode gostar.
Tony levou a mão no queixo, pensando na possibilidade. Sarah estava aceitando melhor as coisas e até se aproveitara, como mandar a conta de uma loja de roupas masculinas. Ela explicara o motivo, e ele entendera o valor da conta. A jovem tinha garantido que pagaria de volta, algo desnecessário para o bilionário.
— Jarvis, quero a lista de carros esportes não tão caros, as chances dela aceitar são maiores.
— Sim, senhor. E, senhor, ligação da agente Petrov.
Tony puxou a tela em sua direção e apertou em cima da foto da agente, o qual ele tirara em segredo. Já que a pose era estranha, fora tirada enquanto ela falava, saindo uma careta e sabia que se ela soubesse, ele seria morto.
— Fala, Madame Min.
— Já mandei parar de me dar esses apelidos.
— Tá, Madame Min não faz jus a você. Maga Patalójika é melhor.
— Tony, para! Seguinte, preciso que venha até a Long Island.
— Aconteceu algo? – Indagou o herói, preocupado.
— Sarah precisa de você. Sarah precisa de seu pai.
— Eu já estou indo para ai. – Avisou antes de finalizar a ligação.
— Tony, aconteceu algo grave com a Sarah? – Questionou Banner, preocupado.
Sarah era muito querida pelo grupo de heróis e todos se preocupavam com sua segurança, Stark sabia que seus amigos lutariam para garantir que a jovem estivesse bem.
— Não, pode ficar tranquilo. Ela está segura. – Respondeu antes de correr pelas escadas.
Uma emoção preencheu seu coração, saber que a filha precisava dele mais que um amigo. Era a oportunidade de conseguir a vaga de pai no coração de Sarah e não podia errar.
Pepper estava sentada no sofá, mexendo em alguns papéis, ao ver seu namorado correndo até o elevador, o chamou:
— Tony, o que aconteceu para a pressa?
— É a Sarah. – Respondeu, apertando o botão.
— Ela se machucou? Está bem? Espera, eu vou com você. – Disse a ex-secretária jogando os papéis no sofá.
— Não, não está ferida. – Explicou o playboy entrando no elevador.
— Então está em apuros? – Indagou já se levantando.
— Não. Pepper, aconteceu algo bom. Sarah precisa de mim como o pai dela. Pode acreditar!
— Então não cometa nenhum erro.
— Não irei. Essa é minha oportunidade. – Disse Tony antes da porta se fechar.
Sarah olhava para o mar, estar naquele local a fazia sentir-se mais perto de sua mãe. Um sorriso triste brotou em seu rosto, ao recordar-se da última vez que as duas foram para a praia juntas.:
Foram umas semanas antes de sua morte, ela insistiu que queria ver o mar de perto já que estava há muito tempo no hospital. Os médicos permitiram a saída com certa relutância, sendo um dos últimos pedidos de uma paciente em estado terminal.
O lugar escolhido era Formby Beach, uma das enfermeiras resolveu ajudar as duas, levando-as até o lugar. Megan precisou de ajuda de ambas para poder chegar até a beirada da praia. Com cuidado a colocaram sentada na areia. A água batia em seus pés, fazendo-a soltar um suspiro de prazer pelo contato com a água gelada. A enfermeira se afastou, deixando-as a sós. Megan pegou a mão da filha e apertou carinhosamente.
— Está vendo o mar? Tem dias como hoje, que ele é calmo e tranquilo, permitindo que nós nos aproximemos e aproveitemos sua companhia. No entanto, tem dias que o mar está agitado e violento, e é quando lembramos que ele é mais forte e que manda.
— Mãe, não estou entendendo.
— Quando eu me for...
— Mãe, não diga.
Ela levou o dedo até a boca para a filha se calar.
— Quando eu me for, minha menina, você terá que continuar sendo o mar. Só não fique sempre de tempo ruim, não tenha medo de se divertir com o sol de novo.
— Sim, mãe. – Concordou a jovem segurando as lágrimas.
— Você será grande, como essa imensidão azul na nossa frente. E onde eu estiver, estarei assistindo e batendo palmas.
A garota a abraçou e deixou algumas lágrimas escorrerem por seu rosto.
— Eu te amo, mãe. Prometo a fazer orgulhosa.
— Já sou, por você ser minha filha.
A jovem soltou o punhado de areia na sua outra mão, os grãos passavam por seus dedos caindo no monte. Um suspiro triste deslizou por seus lábios. Depois daquele dia, sua mãe piorara e não foi mais possível sair do quarto. Sua vida girara em torno daquele quarto até sua mãe fechar os olhos para o sono eterno.
Bateu suas mãos na calça jeans preta que usava, dobrou os joelhos e apoiou a testa nos mesmos. A brisa gelada bateu em seu cabelo, num modo carinhoso que quase a fez acreditar que fosse sua mãe. Sentiu a presença de alguém ao seu lado e levantou a cabeça, viu Tony Stark se preparando para sentar.
— O que faz aqui?
— Resolvi tomar um sol. – Respondeu o herói tirando os óculos de sol.
— Velho, vai ter que ir ao oftalmologista. Não está vendo que está nublado?
— Sim, não posso tomar sol direto. Minha pele é delicada, o tempo assim é perfeito para isso.
A garota só revirou os olhos.
— Agora é sério, o que faz aqui?
— Uma pessoa que adoramos me ligou, informando que você precisa de um ombro. – Respondeu o playboy apontando com a cabeça para trás dele onde se encontrava a agente.
— Eu agradeço, mas estou bem. Não precisa se incomodar comigo, quero ficar sozinha.
Seus olhos foram para o mar, não querendo começar uma briga justamente naquele dia. Tony queria tirar aquela tristeza dos olhos de sua filha e então teve uma idéia.
— Sabe que nunca conversamos sobre como conheci sua mãe.
— Numa festa. Ambos beberam demais e ai pronto. – Ironizou.
— Errou, mocinha. Confesso que teve alguns casos assim, mas sua mãe foi diferente.
— Então é verdade mesmo que você se lembra? – Indagou com esperança de saber que sua mãe não era apenas mais um nome de uma lista enorme.
— Sim. Fiquei hospedado durante uma semana, num hotel em Liverpool, sua mãe era barman e logo me encantou. Ela era diferente, não caiu no meu charme de primeira e nem foi interesseira correndo atrás de mim. – Ele parou ao lembrar do momento em que flertara com a mulher e ela lhe dera patadas. – Confesso que a vi como um desafio. Durante a semana, ia ao bar no seu turno e conversava com ela, a conheci um pouco... Contou-me sobre seu sonho de ser atriz, ela tinha jeito. No entanto, não conseguia nada muito importante, acabou naquele emprego para se sustentar.
— Então se ela não queria nada com você, como então vocês passaram a noite juntos?
—Foi só na última noite que aconteceu. E não teve bebidas envolvidas, bebemos duas cervejas, mas nada que não nos deixasse bêbados. Foram dois adultos conscientes dos seus atos que resolveram ter algo.
— E então você partiu. – Disse Sarah colocando seu cabelo atrás da orelha.
— Sim, parti no dia seguinte. Eu devia ter ajudado ao invés de somente deixar algumas palavras de apoio.
A jovem levou a mão ao bolso da calça e entregou o guardanapo para Tony. Ele abriu e ficou sem reação ao ver suas palavras.
— “Não desista dos seus sonhos.” Ela guardou durante todos esses anos... Eu queria ter mantido contato, mas era idiota. Muito idiota.
— Fico feliz que tenha admitido. – Concordou batendo a mão em seu ombro. – Obrigada por contar. Tem uma coisa que eu devia ter feito e não tive coragem, na verdade a única vez que tive, não consegui fazer. – Ela levou a mão ao mesmo bolso da calça e tirou um envelope. – Minha mãe me deixou uma carta e eu gostaria que lesse para mim.
— Tem certeza? Não quer ler sozinha? Sua mãe escreveu para você.
— Por favor. – Pediu, entregando-a.
Com cuidado, o playboy tirou a folha do papel. A letra estava tremida e não muito firme, mostrando a dificuldade que Megan tivera para colocar suas palavras naquele papel. Imaginou o sacrifício que devia ter sido escrever aquelas simples palavras para dar um conforto a jovem depois de sua partida.
“Minha menina, se estiver lendo isso significa que já estou no sono eterno e que você está com seu pai... Sinto muito por não ter te contado que Tony Stark é seu pai. Na época não era uma boa figura paterna e não queria essa influência em sua vida, e também. Tive medo que ele a tirasse de mim, no fundo sabia que jamais afastaria uma mãe de uma filha, mas o medo foi mais alto. Sei que não deve ser fácil conviver com ele. De uma chance a ele, do mesmo jeito que dei naquela noite. Não pense mal de mim, sei que devo ter sido somente mais uma de uma lista enorme de mulheres, porém não me importo. Eu aproveitei aquela noite e gostei de cada momento. Vi algo nele, algo que me fez quebrar minhas regras. Quando soube que estava grávida entrei em desespero, pensava: como posso cuidar de uma criança se nem de mim mesma consigo? Mas quando escutei seu coração batendo... Tão forte e rápido, foi o som mais belo que ouvi na vida. Essas batidas deram forças para ter esperança. Quando você nasceu e foi colocada em meus braços, foi o dia mais feliz do mundo, uma luz entrou na minha vida. E essa luz brilhou tanto, você se tornou uma jovem encantadora e segura, forte e destemida. Meu coração se enche de orgulho pela mulher que se tornou. Não se culpe pela minha morte, tudo foi feito para que fosse curada, mas quando Deus chama, não podemos negar. Peço desculpa também pelos problemas que deixei. Sei das dívidas, Sarah. Mesmo você tentando esconder de mim... Soube, mais um motivo para avisar seu pai, não podia deixar resolver esses problemas. Sozinha. Sei que assinei sua emancipação, foi somente para que não fosse para um orfanato até Tony aparecer. Termino essa carta pedindo que você siga com a vida e seja feliz. Não tenha medo de abrir seu coração para seu pai que tenho certeza que se tornou um homem maravilhoso, diferente do que conheci. Claro que deve continuar com o ego grande, metido e charmoso, mas é um homem bom e que fará tudo para te proteger e garantir sua felicidade. Eu vou sempre amá-la, minha amada filha e sempre estarei ao seu lado. Com todo meu amor e carinho, de sua mãe. Megan.”
Não foram palavras fáceis de se ler, muitas o machucaram, mas tinham um ponto, afinal ele não foi uma pessoa fácil que podia pensar o bem.
Dobrou a carta, colocou no envelope e devolveu para a filha que ficou encarando o objeto.
— É bom saber que nenhum dos dois me achou um erro grave. – Falou tentando segurar as emoções.
Tony levou a mão ao rosto da filha para que ela olhasse em seus olhos. Notou que ela segurava as lágrimas.
— Você foi o melhor erro que cometemos nas nossas vidas... Na minha vida. E não me arrependo nem um pouco daquela noite e agradeço muito a camisinha ter furado. Se você ainda acha que é um erro, saiba que é um erro que adoramos ter cometido. – Ele secou a lágrima que escorreu pelo rosto de sua filha. – Não escutou o que li? Nunca duvide do amor da sua mãe... Nunca.
A garota se jogou no braço que foi recebido com todo amor e carinho pelo pai. Sarah chorava em seu ombro, e Tony só afagava seu cabelo. Queria tirar aquela dor e colocar um sorriso em sua face, porém, era algo que não podia apagar. Sabia que ela passara por muitas coisas e vira mais ainda, e aquelas lágrimas, eram lágrimas que tivera de segurar todo aquele tempo que ficara ao lado de sua mãe e que precisava tirar força de dentro de si.
— Eu sinto falta dela.
— Eu sei, minha princesa, eu sei. Se ela tivesse entrado em contato antes, gastaria o que fosse para achar a cura.
Sarah se afastou e passou as mãos no rosto para secar as lágrimas.
— Obrigada.
— Seu velho sempre vai estar aqui. Eu amo muito você, minha filha.
Ela sentiu um nó se formar em sua garganta, as palavras estavam na ponta da língua, as palavras que demonstravam o quanto Tony passara a significar para ela. Pensou com cuidado no que diria a seguir.
— Você está conseguindo mandar bem no papel de pai.
Não tinha sido o que ele esperava, mas o suficiente para mostrar um pequeno sorriso de felicidade.
— Eu sei que estou. Sou Tony Stark.
— Menos, Homem de Lata, menos. – Pediu, rindo. – Hoje é aniversário dela. Sabia que ela adorava me trazer à praia, principalmente no seu aniversário?
— Não, não sabia.
Tony sentiu seu coração encher de orgulho ao ver Sarah contando sobre sua vida, sem precisar lhe pedir. Por livre e espontânea vontade.
— Eu lembro quando tinha oito anos, e de repente começou a chover, só que resolvemos curtir a chuva juntas. Éramos as duas únicas pessoas na praia na chuva, ela me puxou e começamos a dançar.
— Essa cena deve ter sido engraçada.
— E foi... E teve também, quando tinha doze anos...
Tony escutava cada palavra com atenção, seus olhos foram rapidamente para Petrov que estava ao longe assistindo a conversa com um sorriso. Acenou em agradecimento e voltou a olhar para sua filha. Naquele momento, Tony soube que Sarah havia aceitando-o como pai, em mente e coração, mesmo não tendo dito com palavras.
Annabelle observou a cena e ficou feliz com a aproximação. A conversa entre pai e filha, trouxe um clima melhor e escutar a risada da garota, a fez rir junto. Aquele momento era necessário para ambos, aproximação necessária para serem uma verdadeira família, serem realmente pai e filha. Algo que a agente não sabia o que era.
A interação lhe deu um pingo de tristeza e inveja, ela nunca tivera aquilo e nunca teria. Não podia deixar sua protegida a quem tinha um grande carinho, perder aquela oportunidade. Olhou novamente para os dois, e se afastou. Não tinha necessidade de continuar ali, só traria sofrimento em saber que ela, se não fossem seus amigos, estaria sozinha no mundo.
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