Take me to church
3 Cap. 3 - Reputação
Notas iniciais
Reputação...
Reputação é algo que te precede, que diz algo ao seu respeito seja essa reputação ruim ou boa. Alguém sempre vai ter algo a dizer a seu respeito e esse algo vai servir como pré-conceito e isso serve até mesmo para que as pessoas se aproximem de você ou se afastem.
Primeiro ano do ensino médio e a reputação de religiosa ainda me seguia. Eu não considerava algo bom ou ruim até porque, eu não me importava. Isso só contava quando tínhamos algum debate de filosofia sobre filósofos ateus ou algo do tipo, as vezes, no conteúdo de história quando tinha algum fator religioso, como por exemplo: a inquisição. Mas eu não sabia apenas sobre religião.
Me destacava em algumas aulas de física quando queria mas,toda a minha atenção era direcionada por terceiros (minha família) para a religião. Eu não me importava com o estudo, simplesmente ia a escola por ir, por obrigação. Tinha a felicidade ou infelicidade de gostar de alguns assuntos, só tinha mesmo que me preocupar em ficar na média ou pelo menos tentar.
Início do ano, pessoas novas e como em quase todas as escola o ensino médio é no turno da manhã, muitos saíram em busca de um colégio que desse o turno do ensino médio a tarde, triste ilusão.
Não tinha problemas em acordar cedo então não fazia tanta questão.
Acordo com o despertador e vou andando para escola, me senti um pouco livre já que não tinha a minha mãe perto de mim para dar as velhas recomendações ou sempre fazer uma oração antes que eu saísse do carro.
Conhecia boa parte dos professores e particularmente fiquei feliz em saber que estava com a mesma turma de antes. Com alguns novatos, não que eu me importasse ou isso fosse crucial para o meu desempenho no ano mas, me pouparia apresentações, não sou muito social.
Uma garota nova me chama a atenção, ela era bem diferente e bem mente aberta, era de São Paulo e logo na primeira discussão de sociologia falou que era bissexual. As meninas da sala estavam enciumadas por ela ter toda atenção mas para mim era algo normal, novatos (a) sempre tinham a atenção por ser algo que o nome diz NOVO. Eu a encarava mas com curiosidade e no fundo com invejava. Inveja da liberdade que ela tinha, confiança em si mesma e a forma como dava foda-se para tudo.
Sou despertada por Rafael que pergunta o que eu achava a respeito daquilo.
— Isso é coisa de pessoa indecisa, só pode ser demônio! Talvez o demônio se afaste e ela volte a ser hétero mas, ele depois a possua e ela passa a ser bi. — Ele falo observando a garota. — O que você acha,Ana?
Acabo fazendo uma careta. Gostava de garotas e tinha uma clara atenção por elas apesar de deixar bem escondido. Mas, não me sinto possuída, me sentia normal!
Sempre que falavam sobre gays ou o que Deus achava sobre aquilo eu me mantinha quieta, achava errado ou não me sentia na capacidade de falar sobre algo que não estava bem resolvido dentro de mim então, simplesmente falava que Deus amava todo mundo.
— Sabe muito bem o que acho — olho pra Rafel — Deus a ama e não acho que seja demônio, nem tudo é culpa do demônio. — volto minha atenção ao que estava acontecendo ao redor.
Era algo que tinha bem claro em minha mente, nem tudo era o demônio. A culpa muitas vezes é nossa. Sobre não ser tão social era um mecanismo para que as pessoas não percebessem o que eu realmente era e por ter em minha cabeça que tudo era pecado. Me mantinha distante das pessoas, de tudo.
Após alguns meses a garota nova estava causando cada vez mais debates e cada vez mais questionamentos para mim tanto internos, quando externos. Não a culpava pois infelizmente as pessoas me tinham como uma bíblia ambulante.
Estava sentada nas escadas que dava para o auditório e uma filha de pastor se aproxima com a garota nova, elas começam a discutir sobre a existência de Deus perto de mim e a garota nova fala que era ateia, como era de se esperar a filha do pastor fica revoltada tentando-a convencer de todas as maneiras possíveis que Deus existia.
—Todos tem seus motivos — Falo observando a garota nova, respiro fundo e continuo. — talvez tenha acontecido uma série de coisas que a fez desacreditar mas Deus continua a amando.
A filha do pastor me olha de maneira estranha, ela era bem antipática e sempre estava querendo briga, ela sempre queria estar certa além de que odiava pessoas como a garota nova ( extravagantes em mostrar como realmente eram em todos os sentidos).
Acabo dando de ombros. Mais discussões surgem ao longo do ano e eu sempre defendendo a ideia de que Deus amava todos.
Nunca falei sobre garotos quando estava com as meninas, falava sempre sobre a bíblia, música ou filmes então acabei sendo obrigada a andar com as pessoas do devocional (entre elas a filha do pastor) para afirmar a minha religião e a minha sexualidade afinal, quem desconfiaria que uma evangélica era lésbica? Pelo menos era isso que eu achava.
Isso acabou gerando desconfiança entre um grupo de pessoas sobre a minha sexualidade e logo essa desconfiança veio a tona.
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