Take a chance
8 You belong here
Notas iniciais
Zachary
– Opa, foi mal. – falei, corando, assim como Theo. Matthew e Nathália começaram a rir, enquanto ela descia do colo dele e sentava-se ao seu lado.
– Foi nada, seu viado. Senta aí... – sentei-me, puxando Theodora pro meu lado. Lembrei que Sanders ficara de “testar” a Nathi, pra ver se ela sabia cantar as músicas mais altas e se tocava algum instrumento. Perguntei:
– Matt, sim ou não? – ele abriu o maior sorriso de todos. Eu nunca vira Matt tão satisfeito. “Com certeza!” — Beleza!
– Meninos, desculpa, mas eu to um pouco confusa. Do que vocês estão falando? – perguntou a minha ruiva, alternando o olhar de mim para Matt. Nós dois rimos e Matt explicou:
– A Nathi agora é a nova guitarrista e “co-vocalista” da banda. – Nathi sorria sem parar. Ao ver a cara de WTF? da Theo, Matthew continuou. – Jimmy sempre quis colocar uma menina na banda, e agora a gente achou a Nathi, que é mais do que perfeita pra isso. – ao dizer isso, Shadows olhou apaixonadamente para a morena.
Logo depois os outros quatro (Brian, Sophia, Johnny e Lauren) chegaram, e também foram informados da escolha.
– Beleza. Olha, eu to muito animado com isso, mas acho que a gente também tinha que ouvir a Nathi cantando e tocando, não? – perguntou Syn, olhando para mim e para os outros que não estavam presentes quando ela cantara para o Sanders. Sophia levantou-se e disse:
– Pois bem, jerks, preparem-se para se sentir os piores guitarristas da face da terra, porque a minha amiga, ela vai foder com vocês...
Então fomos para o depósito, onde estavam guardados todos os instrumentos e algumas caixas, e que virava sempre um lugar de ensaio antes dos shows.
Brian
Todos já estavam com seus instrumentos ligados e afinados, Nathi havia pegado uma das minhas guitarras e o meu microfone com pedestal. Estávamos prontos para tocar, faltava só escolher a música.
– Que tal Unholy Confessions? Você sabe, Nathi? – perguntou Johhny. – Daí você pode tocar a parte do Zacky na introdução.
– Por mim ta beleza. – a morena sorria sem parar, mas era muito forçado, dava pra perceber que ela estava tensa.
– Nathi, não precisa ficar nervosa, falou? Você já mostrou que é foda, e aqui é todo mundo amigo, ninguém vai julgar nada. A gente só precisa ter certeza de que você da conta do recado. – disse eu, tentando acalmar a garota. – Fica tranquila que você deve tocar melhor que o Zacky. — ao ver a cara que o bolota fez, todo mundo riu. Eu sempre fui bom em descontrair as pessoas nos momentos tensos.
– Ta, eu vou puxar a música. Ta pronta, Nathi?
– Pode puxar, Arin... – disse Nathália. Então ela começou a tocar. As notas saíam com tanta perfeição, que dava pra dizer que ela já era uma Avenger. Claro que em algumas partes o que ela tocava não era exatamente o que nós tocávamos, mas o som saia igual. Matt continuava a olha-la, admirado, como sempre. Puta que o pariu, ele estava apaixonado. Merda, isso não ia prestar...
Enfim, eu havia combinado com Zacky que ele deixasse o volume de sua guitarra bem baixo, pra que a guitarra principal fosse a da Nathi. Deu bem certo essa ideia, porque ela tocou a musica inteira sem errar nenhuma parte, inclusive os riffs. Além de tocar muito bem e ser completamente linda, ela tinha atitude, marcava presença. Sabe quando as pessoas são inseguras e tocam paradas, sem movimento nenhum, sem transparecer autoconfiança? Essa morena era o oposto disso, ela se envolvia com a música, e eu tenho que dizer que fiquei bem impressionado, porque nunca imaginei que uma mulher pudesse tocar tanto assim. Sim, eu sou um pouco machista...
Além disso, ela cantava, né. Cara, a voz dela era simplesmente uma versão feminina da do Shadows. Quando chegava no refrão e os dois cantavam juntos, parecia a mesma voz em dois tons diferentes, elas combinavam, e Nathi também conseguia gritar tanto quanto Matt. Eu tinha que dar um abraço naquele ogro, porque ele finalmente conseguiu encontrar a pessoa perfeita pra banda, e Jimmy com certeza teria orgulho dele por isso. Aquele filho da puta queria sempre uma mulher pra gente, mas nunca levantava a bunda do sofá pra procurar uma. Porra, que saudade desse cara.
Quando a música acabou, as meninas todas aplaudiram e gritaram elogiando, e Nathi olhou pra cada um dos caras da banda. Ao ver nossas caras de surpresos, ela começou a rir, e foi acompanhada pelas amigas.
– Viram só? Eu disse que ela ia foder com vocês, não disse? – aquela loira safada também era perfeita... Eu e os caras continuamos olhando pra morena, incrédulos.
– É, ela com certeza toca melhor que o...
– Ta, então é isso, a Nathi ta na banda. – disse Zacky, me interrompendo. Ela argumentou que não era assim tão simples, que teria muitos assuntos para resolver antes de poder sair de Porto Alegre, que não podia deixar os pais e as amigas assim, e que também não teria onde morar.
– Morena, me escuta. – disse Matt, com a voz tranquila. – A gente vai voltar pra Nova York sexta, e hoje é quarta. Então você pode tirar o dia de amanhã pra pensar e resolver tudo o que você precisa. Quanto a sua família e as meninas, elas vão te visitar, ou você volta pra ver elas, nisso a gente da um jeito. Lugar pra morar é o que não falta, o Syn tem dois apartamentos, e um deles ele costuma alugar. Ele pode te dar esse, e você só vai ter que cuidar da manutenção e tal. Cara, por favor, a gente precisa muito de ti, não nos deixa na mão agora... – Shadows quase que implorava pra que a moça cedesse. E deu certo.
– Ai, ta bom, eu vou com vocês. – disse Nathi, sorrindo. – mas eu preciso de mais tempo pra arrumar todas as minhas coisas, dois dias é muito pouco. Eu posso pegar um voo na semana que vem, e enquanto isso vocês já podem ir aprontando o apê pra mim...
– Meu, é um alívio saber que você aceitou, Nathi, sério mesmo. — falou Zacky. – Então, onde e quando que a gente pode se encontrar amanhã, pra combinarmos os últimos detalhes e nos despedirmos?
– Que tal irmos para o Shopping a tarde, pra assistir um filme, e a noite todos vamos jantar na casa da linda da Nathália? – propôs a baixinha de olhos grandes. Concordamos e cada um se despediu de sua gata. Sophia não perdeu a oportunidade de me dar mais uma mordida na orelha. Caralho, aquilo me deixava maluco. As meninas foram embora, e nós ficamos com a maior cara de bobos, assistindo elas se afastarem.
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