Take a chance

5 I found you


Notas iniciais
Eu tava na praia. Não, não tinha internet. Sim, tava o maior tédio. O que eu fiz? Escrevi mais cinco capítulos -.-

Nathália

Ao fim da música, virei a cabeça para cima, tentando esconder as lágrimas que brotavam em meus olhos. Matt sorria sem parar, assim como os outros membros da banda, que não tiravam seus olhos de mim. A multidão a nossa frente delirava, gritavam sem cessar, extasiados. Procurei por minhas amigas. Sophia, Lauren e Theodora também sorriam para mim, enquanto abraçavam-se e pulavam junto com a galera.

– Então, pessoal, ela está aprovada ou não? – perguntou M. Shadows a plateia.

A onda de gritos aumentou, e senti que corava cada vez mais. Matthew ainda tinha seu braço ao meu redor. Não resisti e retribuí seu abraço, agarrando-o pela cintura. A sensação de seus braços fortes me acolhendo era maravilhosa, e seu perfume tinha um cheiro tão gostoso; era cítrico e doce ao mesmo tempo. Queria poder ficar lá para sempre, mas infelizmente isso não aconteceu. Ele largou-me e murmurou em meu ouvido:

– Depois do show nós queremos falar com você. – concordei, balançando a cabeça. Então me lembrei das meninas.

– Matthew, eu tenho umas amigas aqui, e elas vão dormir no meu apartamento. Tem algum problema se elas forem comigo, depois?

– Ta brincando? Quanto mais mulher, melhor.

Seu sorriso sacana encontrou o meu. Desci do palco, ainda recebendo muitas palmas e assovios. O mesmo segurança gordo voltou a abrir a grade, para que eu pudesse entrar. Nem preciso dizer que Sophia, Lauren e Theodora vieram para cima de mim como uma avalanche, certo? Agora não me lembro muito bem de tudo o que me disseram. Só lembro de seus gritos histéricos quando mencionei que iríamos nos encontrar com os Avengers depois do show.

A última música tocada foi Save Me. Eu morria de curiosidade. O que será que a A7x queria comigo? Milhões de ideias passaram pela minha cabeça, mas nenhuma delas me parecia solução.


Theodora

Tivemos que ficar na pista por mais meia hora após o termino do show. Fomos então conduzidas, pelo mesmo segurança que antes abrira a grade para que a Nathi passasse, por uma área estreita, até chegarmos a um corredor frio e escuro. Uma vez lá dentro, estremeci. Não sabia se os calafrios eram de emoção por que finalmente iria conhecer meus maiores ídolos (que por acaso eram os homens mais lindos do mundo) ou se era por causa daquele corredor, por ser tão sombrio.

O segurança mandou-nos seguir em frente, até que chegássemos à porta branca com a deathbat desenhada. Como o corredor era estreito, caminhávamos de duas em duas. Eu e Nathi íamos na frente, sendo seguidas por Sophia e Lauren. A cada passo, sentia-me mais agoniada. Minhas pernas já não tinham mais forças, meu coração saltava pela minha boca.

Eu estava morrendo de fome, mas conseguia disfarçar minha expressão de dor com um sorriso falso. Depois de que já havíamos passado da metade do corredor, comecei a ouvir uma musica conhecida. Ainda bem que todas nós falávamos inglês, razoavelmente. Só reconheci a música quando chegamos em frente a porta, e percebi que essa nem estava fechada. Era Impulse, do Endless Esporadic. Ainda assim, Nathi bateu, em sinal de educação. Passaram-se trinta segundos e nada, ninguém atendeu a porta. Nathália ficou impaciente e simplesmente entrou no camarim. A seguimos, ainda com um pouco de medo da reação dos meninos quando nos vissem.

Eles demoraram para perceber que tinha quatro mulheres paradas dentro de seu camarim, pois os três sentados no sofá (Matt, Syn e Johnny) observavam muito concentradamente as notas que eram reproduzidas na tela da televisão. Avistei o cara que estava com o controle nas mãos. Zacky estava sentado no chão, na frente da TV, e não tirava os olhos da tela por nada, assim como os outros.

Alguns segundos depois, eles pareceram perceber que havia outros quatro vultos lá dentro. Eu ainda mantinha meus olhos em Zacky. Ele era tão lindo, e ficava muito fofo com aquela cara de babaca encarando a televisão. De repente ele virou-se e nossos olhares se encontraram. Senti um arrepio, as pernas amoleceram, e meu coração acelerava cada vez mais. De repente, senti-me tonta, e tudo o que via era o branco. É, eu apaguei.


Zachary


– Chuuuuupem, motherfockers. Eu dou de dez a zero até no Syn. – falei, esperando um “isso é verdade” de pelo menos um deles. Mas eles nada disseram. Então me virei para a entrada do camarim, que era para onde os três olhavam, e entendi porque eles estavam sem fala. As quatro mulheres mais lindas e gostosas que já tinha visto em toda a minha vida estavam paradas ali, encarando-nos com um sorriso bobo em seus rostos.

Uma baixinha, de cabelos castanhos longos, uma loira alta, com olhos azuis travessos, e a morena de olhos verdes muito parecidos com os de Matt, que havia cantado conosco antes, e que por sinal também tinha uma voz rouca muito parecida com a do ogro. Então a vi. A ruiva, digo. Ela era linda, nem alta, nem baixa, corpo perfeitamente proporcional e estruturado, e a cor dos seus olhos era do verde mais profundo e cativante que já havia visto. Nossos olhares se encontraram, e não pude deixar de sorrir.

Alias, a cena foi bastante engraçada, pois cada um de nós já havia, através do olhar, escolhido uma garota para seduzir. Eu encarava a ruiva gotosa. Confesso que sempre tive uma grande tara por ruivas, elas sempre mostraram ter muita personalidade. Syn encarava a loira travessa, com um sorriso de canto na cara e uma das sobrancelhas arqueada, bem típico dele.

Matt olhava para a morena do show, de cima a baixo, admirando-a. Tive medo pela garota, por alguns segundos. Eu conhecia aquele olhar do Matt, ele só olhava daquele jeito para Valary, e na época em que ainda se amavam... E Johnny, ele escolheu a pequena de olhos grandes e castanhos, que era a única mais baixa que ele. Eu tinha vontade de rir, pois parecia que ali dentro cada um de nós havia encontrado sua cara metade.

Quando voltei meus olhos para a ruiva, vi que aos poucos ela ia ficando branca, e percebi o que estava por vir. Levantei-me correndo, desviando dos puffs no chão, e consegui chegar ao seu lado a tempo de segurá-la, enquanto ela caia lentamente.

Eu a peguei no colo e a coloquei no sofá, sentando-me ao seu lado. Ela estava desacordada. Logo todas as almas presentes naquele camarim juntavam-se a nós, pairando sobre a garota.

– Ela está bem? – perguntei para a garota do show, que parecia tão surpresa quanto todos os outros que cercavam a ruiva.

– Não sei, ela nunca tinha desmaiado antes...

– E o que a gente faz? – indagou o anão do Johnny.

– Cara, a médica aqui é ela, pó. – respondeu a loira alta, desesperada.

– Gente, ninguém nunca desmaiou na frente de vocês? – perguntou a do show, olhando-nos tranquilamente.

– Várias vezes, e era sempre de bêbado, mas eu nunca ajudava. Quer dizer, ele ia acordar depois, de um jeito ou de outro, né? – disse Syn. A garota pareceu ignorar seu comentário desnecessário.

– Matthew, você poderia pegar uma toalha umedecida com água gelada para mim? – perguntou ela docemente, olhando diretamente para Shadows, quase que numa tentativa de hipnotizá-lo. Pareceu funcionar. Ele saiu correndo do camarim, sem dizer uma palavra, e apareceu poucos segundos depois, já com uma toalha de rosto preta em mãos. Entregou-a para a moça, que levantou a cabeça da amiga delicadamente e colocou a toalha sobre sua nuca. Depois passou a toalha para a frente do pescoço e então para a sua testa.

Uns segundos depois pude perceber leves movimentos nos cílios da ruiva. Ela lentamente abriu os olhos e logo os fechou, dizendo:

– Porra, apaga essa luz. – todos gargalhamos de seu comentário, mais pelo modo como ela o falou. A morena riu também e a abraçou.

– Theo, você nos matou de susto, menina.

– Você que se assusta muito fácil, nega. – disse a ruiva, cobrindo os olhos com as mãos. – Ai, eu to com fome.

– CLARO! Agora eu sei por que ela desmaiou. – era a primeira vez que ouvia a baixinha de cabelos cumpridos falar. Sua voz era doce e muito gostosa de ouvir. – A glicose ta baixa, ela não comeu nada hoje à tarde, lembra? – perguntou, encarando a do olho verde. – Será que tem chocolate por aqui?

– CHOCOLATE? Onde tem chocolate? – perguntou a ruiva, arregalando os olhos.

– O bolota deve ter – disse o puto do Johnny, olhando para mim.

Lembrei-me da barra de chocolate meio amargo que havia comprado naquela tarde, corri para a geladeira e a peguei, entregando-a para a moça, que abriu o pacote e comeu desesperadamente.

– Zacky, não vale isso. Chocolate meio amargo é o meu favorito, assim eu me apaixono. – disse ela, na maior cara de pau. Vai ver que era por isso que eu gostava tanto de ruivas, por serem sinceras e diretas. Eu ri novamente de seu comentário, assim como os outros.


Matthew


– Ela é sempre assim? – perguntei, assustado, para Nathália, que agora já estava sentada do meu lado. Ela riu e falou que com o tempo eu me acostumaria. O som de sua gargalhada era muito gostoso. Esse pensamento me fez sorrir, assim como quando a ouvi cantando, antes. Porra, a voz ela é muito linda, fazia-me querer ficar a ouvindo por muito tempo...

– Eu acho que a gente ainda não se apresentou, né? – perguntou Zacky para as garotas.

– Ah, verdade. Então, pra quem não ouviu antes, meu nome é Nathália. – respondeu a morena, com um sorriso enorme no rosto, exibindo todos os seus perfeitamente brancos e alinhados dentes.

– Eu me chamo Theodora – a essa altura, a ruiva e Zacky já estavam sentando-se no chão, preparando-se para jogar Guiar Hero.

– Eu sou a Sophia – disse a loira alta. Brian pegou sua mão e a beijou, olhando diretamente para os olhos da garota, que retribuiu o olhar sacana. Vi na hora que eles ficariam ainda essa noite. Brian era muito rápido, e quando eu digo muito, eu estou falando sério.

A mais tímida de todas era a mais baixa, de olhos castanhos.

– E você? – perguntei, afim de fazê-la sentir-se menos envergonhada.

– Lauren – respondeu, corando.

Theodora estava acabando com Zacky, e olha que era ela quem estava com a guitarra. Ele ficara com o controle. Os dois gargalhavam sem parar no chão.

– Bonito nome – disse Johnny. É, ele já estava em ação. Sentava-se ao lado dela, intimidando-a. Lancei-lhe um olhar de “vai com calma”, que ele pareceu entender, pois levantou-se e foi a geladeira buscar algumas garrafas de cervejas.

– Vocês são toda maiores de idade, certo? – perguntou Syn as meninas, enquanto levantava-se para ajudar Johnny com as cervejas.

– Querido, nós todas temos 24 anos. – a loira, Sophia, riu alto, e aproximou-se de Syn a porta da geladeira. – Tem vodka?

Syn olhou para ela por alguns segundos e então cochichou algo em seu ouvido. Ela sorriu maliciosamente e, depois de pegar algumas garrafas de cerveja, os dois saíram da sala apressadamente e sumiram por entre o corredor escuro.

– Porra, o Syn é meu ídolo, cara – disse Johnny rindo, enquanto entregava uma cerveja para cada uma das meninas que restaram, uma para mim, e uma para o Zacky. – Esse cara é muito rápido. – ele voltou a sentar-se ao lado de Lauren, que agora parecia um pouco menos envergonhada.

Nathália


Ah meu Deus. Eu não podia acreditar que Matthew Sanders estava realmente sentado ao meu lado, bebendo cerveja, conversando e rindo, com aquele rosto de anjo e aquelas covinhas maravilhosas. Na verdade, cada uma de nós sentava-se com um dos meninos, conversando intimamente, e eu estava começando a achar aquilo extremamente esquisito. Até Lauren, que sempre fora a mais tímida de todas, em relação a homens, estava se enrolando com Johnny, rindo de todas as suas piadas e colocando o cabelo atrás da orelha a cada exatos cinco minutos... Quando Theodora perguntou se não estavam faltando mulheres lá dentro, Zacky respondeu que todos estavam sozinhos.

Syn terminou com Michelle não muito tempo depois de eles terem se casado, pois ela havia se tornado muito obsessiva, e vivia sufocando ele; Johnny pegou Lancey dormindo com outro cara quando ele voltou para casa depois de um dos shows; Zacky percebeu que Gena só se interessava em seu dinheiro e nunca reparara em seu carisma e charme; e Shadows e Valary decidiram divorciar-se depois de ambos admitirem que já não se sentiam mais como antes, e que voltaram a se ver apenas como amigos.

Peguei minha cerveja e bebi meia garrafa em dois goles.

– Ei, calma garota. – disse Matt, passando o braço pelos meus ombros. Deitei minha cabeça em seu peito. De novo pude sentir aquela mesma proteção e aquele carinho que transpareciam em seu abraço. A pele de sua mão entrou em contato com a do meu braço, o que fez com que eu estremecesse. Eu sei que ele percebeu, porque ele olhou diretamente para meus olhos. Era como se ele pudesse ver dentro de mim. Seu olhar me passava segurança e demonstrava ternura, deixando-me confusa.

O clima foi quebrado quando vimos que Lauren e Johnny também saíam da sala, sendo seguidos por Zacky e Theodora.

Ficamos só eu e Matt lá, abraçados e quietos. Começamos a conversar de verdade, então. Nós ríamos, nos divertíamos e de repente eu sabia de tudo sobre ele e ele sabia de tudo sobre mim. Em torno de uma hora depois, ele afastou-se de mim para que pudesse ir buscar mais cerveja para nós dois. Enquanto ele caminhava até a geladeira, perguntei o que tanto queria saber:

– Matthew?

– Fala, morena. – disse ele, com a cabeça praticamente dentro da geladeira.

– Por que eu estou aqui? Quer dizer, por que vocês me chamaram aqui, hoje? – indaguei, com a voz um pouco fraca, com medo de sua resposta. Medo, porque cheguei a pensar que ele poderia ter me chamado lá só porque me achara bonita. Ele pegou duas garrafas, veio em minha direção e sentou-se em minha frente, no chão, enquanto me entregava uma das cervejas.

– Por causa do Jimmy. – ao ver minha expressão confusa, ele continuou. — Jimmy sempre quis que nós tivéssemos alguma menina na banda. Na verdade, ele teve essa ideia uns seis meses antes de falecer, dizia que precisávamos inovar. Nós nunca demos a devida importância, achávamos que uma mulher na banda poderia comprometer a nossa imagem e tal, não sei se você me entende. – balancei a cabeça positivamente. – Enfim, desde a morte do Sullivan, nós tentamos encontrar a pessoa perfeita para isso, e nada dava certo. Mas hoje, quando te vi na plateia, quando nossos olhares se encontraram... – ele hesitou antes de continuar – eu tive a sensação de que você era essa pessoa que eu estava procurando. – tenso – Nós estávamos procurando...

– Ou seja? – perguntei, esperando uma resposta um pouco mais concreta.

Ele suspirou e disse:

– Nathi, você toca algum instrumento? – balancei novamente a cabeça em sinal positivo – Certo... Qual?

– Violão, guitarra, baixo, bateria e piano. – disse, confiante. Ele definitivamente ficou surpreso. Lhe contei então que aprendera a tocar violão com dez anos de idade, e que desde então vivo aperfeiçoando meus aprendizados.

– Cara, to começando a ter a certeza de que você é perfeita – retribuí seu sorriso, talvez com muita animação, mas ele nem pareceu notar. Ou ao menos fingiu que não. Matt estendeu-me sua mão e então disse – vem comigo.

Peguei sua mão e sem mais demoras fomos andando pelo corredor dos camarins. Sua mão era grande, tinha quase o dobro de tamanho da minha. Fiquei observando a deathbat do Jimmy Sullivan, e imaginei se ele também teria me escolhido para participar da banda... Eu queria mesmo ter conhecido esse cara.

Matt me guiava pelo caminho escuro, abrindo passagem por entre caixas de som e pedestais que encontrávamos por acaso. Ele avistou uma porta que também era branca, mas nessa dizia “depósito”.

– Aqui – falou.

Ao abrir a porta, deparamo-nos com a seguinte cena: Arin agarrado a uma menina de cabelos cor de rosa, que era muito bonita, por sinal, desabotoando sua blusa. Pude ver o rosto de Matt ficando vermelho de vergonha ao fechar rapidamente a porta. Ele disse um breve “foi mal” e tudo o que eu pude fazer foi rir. Eu ria sem parar, e logo fui acompanhada por Matthew. Escorei-me na parede, ao lado dele, e apoiei minha cabeça em seu ombro, ainda rindo.

– Então era por isso que Arin não estava lá no camarim. – disse eu, tentando recuperar o fôlego.

Shadows, também rindo, passou os braços pela minha cintura, me envolvendo em mais um abraço. Nossos corpos se chocaram e nossos rostos ficaram muito próximos.

As gargalhadas cessaram. Eu sentia sua respiração, agora já ofegante, contra minha bochecha. O que eu mais desejava nesse momento era que ele simplesmente me beijasse. Ao invés disso, ele deu um beijo longo e demorado em minha face, fazendo-me corar. Quando colou mais uma vez sua testa na minha, levantei a cabeça, afim de aproximar-me cada vez mais dele. Ele correspondia o ato, o que fez com que nossos lábios se tocassem, e eu ficava cada vez mais ofegante. Eu estava prestes a beijar M. Shadows.

Notas finais
Podem comentar, eu não mordo...