Take Me Home
37 Um café , e um conselho.
Notas iniciais
Jane estava com dor de cabeça , irritada , e ao mesmo tempo receosa de sentar-se junto da assistente social para ouvir os cuidados que seriam tomados com as crianças e adolescentes que ela e sua equipe haviam colocado em liberdade .
Jane passou na cafeteria do departamento antes de seguir para a sala de Korsack , ela pediu à Angela um café amargo, bem amargo , e forte para aquela tarde .
Angela sabia que Jane só tomava café amargo quando algo a preocupava , e curiosa como toda mãe costuma ser a mais velha tratou de sondar a filha, ao servir seu café acompanhado por panquecas com formatos de coelhinhos , que fez Jane levantar a sobrancelha espessa e um canto da boca ao fitar os olhos de sua mãe sobre ela .
—Really Mom?
—Jane, desembucha , você é mal humorada por natureza mas hoje seu mal humor deu sinais à quilômetros de distância.
—E você não ajuda bisbilhotando mãe.
—Jane Cleme...
—Mãaaae ! Não se atreva.
—Então coma sua panqueca de coelhinho , hidrate sua garganta que deixa sua voz ainda mais roca quando está com raiva e comece a me contar o que te deixa assim.
—Você não vai me deixar em paz , vai ?
Em resposta Mamma Rizzoli apenas puxou a cadeira pondo-se diante de uma Jane ainda mais emburrada .
—Sou toda ouvidos .
—Mer..
—Jane !
Angela interrompeu.
—Okay , eu conto , mas o café fica por sua conta e as panquecas também afinal eu não as pedi.
—Jane , não divaga.Fala logo .
—Eu tenho uma reunião agora com Korsack , sobre as crianças e adolescentes que resgatamos do cativeiro.
—Isso é bom não é?
— Mais ou menos.
—Como assim , o que significa ?
—Basicamente ele me dirá o que os familiares que recorreram à delegacia a fim de reivindicar a custódia das vítimas relataram , e como se deu o desaparecimento , visto que algumas das crianças , melhor dizendo ..
Jane se corrigiu
—Algumas jovens adolescentes , não tiveram seu desaparecimento reportado , o que pode indicar que a família ou alguém facilitou para que houvesse a prática do lenocínio.
—Leno, len, Leno oque ?
Angela nunca antes havia ouvido aquilo , mas a palavra já lhe soava feia o bastante.
—Lenocíneo mom , le-no-cí-neo!
—Okay , digamos que eu tenha entendido a palavra , eu não faço ideia do que isso que dizer .
— Lenocínio Mãe ,é prática criminosa, definido como a exploração ou comércio carnal alheio, sob qualquer forma ou aspecto, havendo ou não mediação direta ou intuito de lucro (cafetinagem) , que é o que geralmente acontece com meninas assim que entram na fase da puberdade e se tornam objetos de desejo para homens que frequentam bordéis ou qualquer lugar onde essas jovens são exploradas sexualmente .
—-"o"
Angela ficara um pouco desconfortável com a explicação e sabia que Jane teria que manter o sangue frio ao ouvir os relatos dessas jovens caso tenha sido esse o motivo que as levaram ao cativeiro.
—E não tem só isso mãe .
—Não ?
—Não ! Temos algo ainda mais asqueroso , como a venda de crianças , por quantias milionárias , para serem abusadas por doentes sexuais , incapazes de nutrir desejos sexuais por adultos , e sim por crianças mãe , crianças como Lauren e Cameron , tão pequenos , tão indefesos , mas que seriam de grande utilidade para esses monstros até mesmo por sua beleza .
Sem que Jane percebesse , um sorriso triste seguido por uma lágrima correu por seu rosto e Angela gentilmente a enxugou.
—Hey , o que temos sobre Cameron e Lauren que que você não me contou ?
—Eu não sei mãe , eu só sei que eu não conseguia tirar os olhos deles naquele cativeiro , e as mãozinhas delicadas de Lauren segurando minhas mãos tão fortemente buscando por segurança , foi o que me deixou totalmente alheia a aproximação do infeliz que tentou me matar a queima roupas.
—Graças à Deus ele não conseguiu Jane , eu não saberia como lidar com a sua perda , ou a de Frankie , muito menos a de Thommy que nos exige um pouco menos de preocupação visto que barras de cano não seriam suficientes para pôr em risco a vida dele não é mesmo ?
Jane sorriu tristemente , e após acariciar suas têmporas , ela finalmente completou
—Graças à Deus e ao Thonny , que agora luta pela vida dele mãe.
—Filha eu sinto muito.
—Tudo bem mom , se Deus quiser tudo correrá bem , eu acredito em milagres depois do acidente da Maura.
—Eu não cheguei a vê-lo , ele era jovem ?
—Ele é mãe, ele é relativamente jovem , ele ainda é , ele não morreu, mas estamos numa luta contra o tempo .
—Porque ?
— O Thonny havia assinado uma ordem de não ressuscitar e o hospital precisará desligar os aparelhos dentro de pouco mais de 57 horas , mesmo que sejam apenas os aparelhos que permitem que ele permaneça vivo.
—Meu Deus Jane.
— Mãe , você não tem ideia do quanto o destino colocou a minha vida junto a de Thonny .
Angela não entendia aonde Jane queria chegar afinal , tudo que ela sabia era que Thonny havia precisado dela para uma missão dele ,mas por envolver Boston , Jane havia sido a escolhida .
—Como assim ? Vocês se conheceram , a o que ? 3 dias ?
—Exato
—E como isso é possível ?
—Mãe , ele , Anthonny Dinozzo é nada mais nada menos que o ex marido da Maura
—Meu Deus !
—E pior.
—Como isso pode ser pior ?
—Ele deixou documentado , a existência de seu material genético congelado, autorizando Maura a usá-lo .
Angela abriu e fechou a boca algumas vezes mas nada que pensava conseguia verbalizar, e Jane vendo a confusão de sua mãe , resolveu encurtar o caminho.
—Eu acho que Maura vai gerar um filho do Thonny
O olhar de Jane caiu ,ela apertou a cicatriz e sua mãe nada fez além de levantar e abraçar Jane tranquilizando-a com o argumento de que Maura era alguém muito sensata e que não faria algo em que Jane não estivesse confortável.
Jane até concordava e queria acreditar em tudo aquilo , mas a pergunta de Maura :
Flash Back On
—"Você irá me amar independente da decisão que eu tomar ?"
Flash Back Off
—Filha ... eu não sei o que pensar
—Ela está cogitando Mãe , ela está cogitando ter um filho dele , eu tenho quase certeza.
—Querida , eu sei que você é uma detetive e que o instinto é uma das suas principais características , mas tente não deixar que isso a afete agora , tudo bem ?
—Okay Mah.
—Pense no tanto de crianças que graças à você e Thonny terão suas vidas de volta , seja forte , como Laurem sabia que você é , ela e todas as outras vítimas precisam da Jane durona brigando pela vida e futuro deles.
—Você está certa mãe.
—As mães sempre estão , os filhos que nunca dão ouvidos .
Jane bufou , mas a abraçou.
—Obrigada por isso senhora melhor mãe do ano .
—Do mundo é mais justo.
—Também não exagera mãe.
—Você conhece alguma outra mãe que faz panquecas de coelhinhos para uma filha de 40 anos ?
—Mãe ! Quarenta são os novos vinte!
Jane dizia gesticulando de maneira que fez Angela cair na risada
—Okay se você diz ...
—Agora é sério mãe. Obrigada , eu preciso ir , torça por mim ? Torça para que eu não mate o infeliz que eu tenho sob a minha custódia .
—Jane Clem..
—Mãe! Shiiiii
—Hey , não faça Shiiii para mim , eu sou sua mãe , mesmo você sendo um quarentona.
—Eu te proíbo de matar qualquer pessoa por pior que ela seja , você teve a chance de fazer isso quando ele apontou a arma para sua cabeça , agora ele nada pode fazer contra você, você não tem porque se defender , mas tem a quem defender.
—Voçe tem razão.Droga mãe, o que aconteceu hoje?
—Você me ouviu ,só isso .
—Vá lá , lute por Cameron , Lauren , e todas as outras vítimas que terão liberdade de corpos , mas provavelmente viverão presas à esse pesadelo.
Angela bateu na lateral do quadril de Jane indicando a saída , Jane prontamente o fez , e a passos largos logo chegou à saída da cafeteria ,mas não sem antes se virar e gritar por Angela que virara segundos antes , mas que ao ouvir a filha novamente a buscou
—Eu te amo ,e eu te ouço , bem mais do que eu gostaria na verdade .
Angela levou a mão à cintura e encarou Jane , que ria a alguns metros.
—Eu também te amo Jane .
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