TERCEIRO SET
21 Capítulo 20: Verdade, Uma Ilusão
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— Então, Lore. Entendeu tudo, né?
Lorena olhou para Fernando e Felipe.
— Sim.
Fernando assentiu, satisfeito.
— Ótimo.
— Entendi que vocês dois são bastante imbecis.
O sorriso desapareceu.
— O quê?
Felipe apoiou os braços sobre a mesa.
— Não é tão ruim assim.
— Na verdade, é horroroso.
Lorena pegou a xícara de café e tomou um gole com uma tranquilidade que irritava os dois.
A lanchonete ficava na área aberta ao público do Matero, distante o suficiente do refeitório dos atletas para que ninguém estranhasse uma reunião entre eles. Àquela hora, algumas mesas estavam ocupadas por funcionários, pais esperando filhos das categorias de base e duas senhoras que conversavam havia pelo menos vinte minutos sobre alguém chamado Regina.
Felipe e Fernando tinham inventado desculpas diferentes para saírem mais cedo do treino. Felipe tinha reunião com a administração, Fernando precisava resolver um problema no carro.
Nenhum dos dois tinha administração ou carro para resolver. Tinham Lorena. E, aparentemente, um plano horroroso.
— Qual exatamente é o problema? — Fernando perguntou.
Lorena colocou a xícara sobre o pires.
— Como vocês imaginam que isso vai acontecer?
— Você fala com o Murilo.
— Certo.
— Diz que quer alugar o apartamento.
— Certo.
— Ele gosta de você.
— Certo.
Fernando abriu as mãos.
— Pronto.
Lorena olhou para Felipe.
— Ele é sempre assim?
— Infelizmente.
— Vocês são dois gênios.
— Obrigado — Fernando respondeu.
— Não foi elogio.
Felipe suspirou.
— Lore, é simples. Meu pai gosta de você. Se você disser que tá procurando apartamento—
— Felipe.
— O quê?
— Como eu vou chegar diretamente no Murilo e falar que quero alugar aquele apartamento específico?
Silêncio.
Fernando franziu a testa.
Lorena continuou:
— Um apartamento que, por uma coincidência maravilhosa, é exatamente o apartamento onde moram o namorado escondido do filho dele e o melhor amigo do outro gênio aqui.
Fernando abriu a boca. Fechou. Felipe olhou para ele.
— É...
Fernando coçou a sobrancelha.
— Você falando em voz alta começa a fazer sentido.
— Obrigada.
— Mas também não precisava humilhar.
— Precisava um pouco.
Felipe se inclinou sobre a mesa.
— Tá. Então o plano não funciona.
— O plano de vocês não funciona.
Felipe conhecia aquele tom.
— O que você fez?
Lorena sorriu.
— Diferente de vocês dois, eu tenho plenas condições cognitivas.
— De novo as ofensas — Fernando reclamou.
Ela ignorou.
— Ontem, depois que vocês me mandaram mensagem, entrei em contato com a administradora do condomínio.
Felipe endireitou a postura.
— Você fez o quê?
— Perguntei se havia apartamentos disponíveis para locação.
— E?
— Alguns.
Lorena pegou o celular.
Desbloqueou.
— Mas um específico ficará disponível nos próximos dias.
Virou a tela para eles, Felipe reconheceu o número.
— Não acredito.
Fernando se aproximou.
— É o deles?
— Parabéns. Sua primeira sinapse do dia.
Fernando olhou para Felipe.
— Ela é boa.
— Eu sei.
Felipe pegou o celular dela. Havia uma conversa com uma corretora. Fotos. Informações do condomínio. Horários.
— Você já falou com eles?
— Claro.
— Quando?
— Hoje cedo.
— Lorena...
— Calma, ainda melhora.
Ela tomou outro gole.
— Já marquei uma visita.
Fernando colocou as duas mãos sobre a mesa.
— Casa comigo.
— Prefiro morrer.
Felipe continuava lendo.
— E como você vai chegar no meu pai?
— Eu não vou. — Ele levantou os olhos. — A corretora vai.
Lorena pegou o celular de volta.
— Segundo a administradora, o proprietário prefere conversar pessoalmente com o futuro locatário antes de fechar qualquer contrato.
Felipe soltou uma risada incrédula.
— É claro que prefere.
— Por quê? — Fernando perguntou.
— Porque ele jamais daria brecha pra gente alugar. — Felipe passou a mão pelo rosto. — Ele quer controlar quem entra.
— Ótimo — Lorena respondeu. — Então deixamos ele controlar.
Felipe estreitou os olhos.
— Como?
Ela sorriu.
— Eu vou estar linda.
Fernando assentiu seriamente.
— Já começou bem.
— Vou colocar meus saltos. Chegar com a corretora. Fingir uma surpresa enorme quando descobrir que o misterioso proprietário é Murilo Sponatti...
Levou uma mão ao peito, teatral.
— "Titio? Meu Deus, que coincidência!"
Felipe começou a rir.
— Você não vai chamar ele de titio.
— Eu chamava quando era criança.
— Você tinha nove anos.
— Melhor ainda. Nostalgia.
Fernando já ria.
Lorena continuou:
— Ele vai perguntar de mim, da minha família, dizer que não me vê há séculos, provavelmente reclamar que você nunca me leva pra jantar...
— Com certeza.
— Eu sorrio. Sou encantadora. E saio de lá com o contrato assinado. — Pausa. — E provavelmente com um belo desconto no aluguel, porque aquele velho me adora.
Fernando ficou alguns segundos apenas olhando para ela.
— Acho que vou entregar minha vida nas suas mãos pra você resolver.
— Recomendo.
Felipe ainda parecia impressionado.
— Você pensou nisso tudo de ontem pra hoje?
Lorena franziu a testa.
— Claro que não.
— Não?
— Pensei no caminho pra cá.
Silêncio.
— Não levaria tanto tempo pra resolver uma coisa tão simples.
Fernando olhou para Felipe. Felipe olhou para Fernando.
Lorena abriu um sachê de açúcar.
— Eu uso completamente meu cérebro. Diferente de vocês, gênios.
— Não precisa ofender — Felipe murmurou.
— Precisa, sim. Você já foi mais inteligente, Felipe. A paixão tá te deixando relapso.
Fernando apontou para ela.
— Só tem um problema.
— Qual?
— Se ele perguntar por que você quer justamente aquele condomínio.
— Perto do clube, seguro, boa localização e o Felipe me recomendou.
— O Felipe?
— Claro, ele vai adorar saber que eu quero ficar perto do Felipe.
— E se ele perguntar—
Lorena ergueu a mão.
— Fernando.
Ele parou.
— Eu consigo mentir para um senhor de cinquenta e poucos anos sem um roteiro.
Felipe riu.
— Deixa ela trabalhar.
— Obrigada.
Lorena olhou o relógio.
— Além disso, vocês têm coisa mais importante pra fazer.
— Tipo?
— Ganhar aquela taça.
Felipe ficou um pouco mais sério. A final. Belo Horizonte. Parecia estranho que estivesse tão perto quando sua cabeça passou a semana ocupada por tantas outras coisas.
— Enquanto vocês viajam pra resolver o baba de vocês, eu organizo tudo aqui.
Lorena estendeu a mão para a pasta que Fernando tinha levado.
— Me deixa uma cópia do contrato antigo.
Fernando entregou.
— Qualquer coisa, me liga.
Ela olhou para ele.
— Não.
— Não?
— Se qualquer coisa acontecer, eu ligo. Vocês dois não fazem mais nada.
Felipe levantou as mãos.
— Combinado.
— Nada mesmo.
— Tá.
Ela apontou para Fernando.
— Principalmente você.
— Por quê principalmente eu?
— Instinto.
Fernando pareceu ofendido. Lorena se levantou, pegou a bolsa.
— Quando vocês voltarem, isso vai estar resolvido.
Felipe levantou também e a abraçou.
— Obrigado.
— Ainda não agradece.
— Mesmo assim.
Lorena apertou suas costas, colocou a bolsa no ombro. Foi quando alguém passou próximo à mesa.
— Felipe?
Ele virou.
— Oi, Duda.
Eduarda havia parado com uma garrafa de água na mão, ainda usando o uniforme de treino do futebol.
— Já fugindo da concentração?
— Ainda não. Só resolvendo umas coisas.
Ela cumprimentou Fernando.
— E aí?
— Tudo certo.
Felipe percebeu Lorena olhando.
— Ah. Vocês não se conhecem.
Fez um gesto entre as duas.
— Lore, essa é a Eduarda, capitã do futebol.
Lorena estendeu a mão.
— Prazer.
Eduarda apertou.
— Prazer.
E por algum motivo... ninguém falou nada. Lorena olhou para Eduarda. Um segundo. Dois. Talvez três.
Felipe acompanhou.
Fernando também.
— Bom — Eduarda disse finalmente. — Tenho reunião. Boa viagem amanhã.
— Valeu.
Ela olhou novamente para Lorena.
— Foi um prazer.
— Igualmente.
Eduarda seguiu pelo corredor. Lorena acompanhou por um instante. Quando voltou para os dois, encontrou Fernando com uma expressão suspeita.
— O quê?
Fernando olhou para Felipe.
— Você também sentiu um aroma com notas amadeiradas no ar, Felipe?
Felipe mordeu o lábio para não rir.
Lorena estreitou os olhos.
— Vai se foder.
Felipe perdeu a batalha e começou a rir.
— Não dá pra negar.
— Vocês são insuportáveis.
— Ela olhou pra você — Fernando insistiu.
— Pessoas olham umas pras outras, Fernando.
— Não daquele jeito.
— Que jeito?
— Aquele.
Lorena pegou a bolsa com mais força.
Felipe ainda ria.
— Boa visita amanhã, Lore.
— Espero que vocês percam.
— Cruel.
Ela mostrou o dedo do meio enquanto se afastava.
Fernando esperou que estivesse longe o suficiente.
— Ela gostou.
Felipe pegou a mochila.
— Muito.
— E a Eduarda também.
— Muito.
Fernando sorriu.
— Interessante.
Felipe deu um tapa no braço dele.
— Foco.
— Olha quem fala.
Os dois começaram a caminhar em direção ao refeitório. Por alguns minutos, o apartamento pareceu um problema solucionado. A final parecia próxima. Lorena tinha tudo sob controle.
E até a vida amorosa dos outros parecia mais fácil de enxergar quando não era a própria.
Felipe ainda não sabia, mas aquela seria provavelmente a última sensação de controle que teria naquele dia.
Felipe e Fernando atravessaram o corredor em direção ao refeitório.
— Ela gostou mesmo — Fernando insistiu.
— Você vai ficar falando disso até quando?
— Até você admitir que também viu.
— Eu já admiti.
— Então até acontecer alguma coisa.
Felipe parou.
— Você não consegue cuidar nem da sua vida amorosa e quer administrar a dos outros?
Fernando também parou.
— Golpe baixo.
— Não menti.
— Eu me abri com você ontem num momento de vulnerabilidade.
— E eu respeitei.
— Acabou de usar contra mim.
— Não falei nome de ninguém.
Fernando apontou um dedo para ele.
— Você tá ficando perigoso.
Felipe sorriu.
— Anda.
O refeitório estava mais vazio do que esperavam.
O treino terminou há algum tempo, então boa parte do elenco já tinha ido embora. Alguns atletas ainda almoçavam espalhados pelas mesas, funcionários entravam e saíam da cozinha e uma televisão ligada num canto passava algum programa esportivo sem que ninguém prestasse atenção.
Felipe procurou quase por instinto. Não encontrou Maurício. Fernando fez a mesma coisa.
— Cadê eles?
Encontraram Gabriel sozinho numa mesa, terminando o almoço enquanto mexia no celular. Fernando se aproximou.
— Gab, os meninos ainda tão no treino?
Gabriel nem levantou os olhos.
— Cê fala os namoradinhos de vocês?
Silêncio. Gabriel ergueu a cabeça.
Felipe olhou para Fernando. Os dois olharam para Gabriel.
— Foi mal — ele disse.
Ninguém respondeu.
— Soou mais engraçado na minha cabeça.
Fernando puxou uma cadeira.
— Eu vou ignorar.
Felipe continuou de pé.
— E eu quero saber quem exatamente é namorado de quem nessa frase.
Gabriel apontou o garfo primeiro para Felipe.
— Você já sabe.
Depois para Fernando.
— E esse aí eu tô trabalhando com evidências circunstanciais.
Fernando ficou imóvel.
— Que evidências?
— Nenhuma.
— Gabriel.
— Relaxa.
— Que evidências?
Felipe começou a rir.
— Agora fiquei curioso também.
— Vocês são muito dramáticos.
Gabriel guardou o celular.
— Enfim, eles tão na fisio.
O sorriso de Fernando desapareceu.
— Por quê?
— O Lucas machucou o joelho no fim do treino. Maurício foi com ele.
Fernando levantou tão rápido que a cadeira arrastou no chão.
— E você me fala isso nessa tranquilidade?
Gabriel piscou.
— Como você queria que eu falasse?
— Não sei, Gabriel. Talvez começando por "o Lucas machucou o joelho"?
— Cara, relaxa. A gente tem um centro médico. Ele não foi pra UTI amputar um membro.
— Foi feio?
— Eu não sei.
— Ele conseguiu andar?
— Fernando—
— Caiu como?
— Eu tava do outro lado da quadra.
— Ele bateu o joelho ou torceu?
Gabriel olhou para Felipe.
— Cê tá vendo isso?
Felipe cruzou os braços.
— Tô.
— E eu que tô trabalhando com evidências circunstanciais.
Fernando apontou para os dois.
— Vão se foder.
E saiu.
Felipe deu um tapinha no ombro de Gabriel.
— Obrigado.
— Boa sorte com seus namorados.
Felipe virou.
— Gabriel.
Ele já tinha voltado a comer.
— Não ouvi.
Felipe balançou a cabeça e foi atrás de Fernando. Encontrou-o quase entrando no elevador.
— Espera.
Fernando segurou a porta.
— Você não precisava sair correndo.
— Eu não saí correndo.
Felipe entrou.
— Você praticamente abandonou uma cena de crime.
— Ele machucou o joelho.
— Eu sei.
— Amanhã é a final.
— Eu sei.
Fernando apertou o botão.
Felipe ficou olhando.
— Para.
— O quê?
— Nada.
— Você tá com a mesma cara do Gabriel.
— Não tô.
— Tá sim.
— Só tô achando interessante.
— O quê?
As portas abriram.
Felipe saiu primeiro.
— Nada.
— Filho da puta.
O setor de fisioterapia ficava numa área mais silenciosa do clube.
Assim que entraram, Felipe viu Maurício. Estava sentado num banco próximo à parede, cotovelos apoiados nos joelhos, distraído no celular. Felipe sentiu o impulso automático de ir até ele. Conteve.
Lucas estava alguns metros adiante, deitado numa maca, com a perna estendida e uma compressa sobre o joelho.
Fernando passou direto por Maurício.
— Ei.
Lucas levantou os olhos.
— Oi.
— O que aconteceu?
Maurício guardou o celular.
— Antes disso... — Olhou para os dois. — Onde cês estavam?
Felipe parou. Fernando também. A pergunta não deveria ser difícil, tinham combinado a resposta. Ainda assim, Fernando olhou para Felipe.
Maurício percebeu.
— Hm.
— A gente foi... — Felipe começou.
— Administração — Fernando respondeu.
Felipe assentiu rápido demais.
— Isso. Administração.
Maurício estreitou os olhos.
— Fazer o quê?
— Assinar uns papéis — Fernando disse.
— Que papéis?
Silêncio.
Felipe pensou.
— Da viagem.
Maurício continuou olhando.
— Só vocês dois?
— É.
— Sei.
Felipe conhecia aquele "sei". Não significava que Maurício sabia. Significava que não acreditava.
— Cês andam de segredinho nos últimos dias — comentou.
Fernando aproveitou a primeira oportunidade de escapar. Virou imediatamente para Lucas.
— Enfim. O que aconteceu?
Maurício continuou olhando para os dois por mais um instante. Depois deixou.
— Caí de mau jeito depois de um bloqueio — Lucas explicou. — Acho que torci quando pisei.
— Acha?
— Eu torci — corrigiu.
Fernando se aproximou da maca.
— Tá doendo?
— Um pouco.
— Um pouco quanto?
Lucas riu.
— Você vai fazer uma escala?
— Se precisar.
— Três.
— De dez?
— Sim.
— Tem certeza?
— Fernando.
Uma enfermeira que organizava alguns materiais ao lado finalmente interferiu:
— Não foi nada grave.
Fernando olhou para ela.
— Tem certeza?
Lucas fechou os olhos.
— Meu Deus.
A enfermeira sorriu.
— Temos. A princípio é uma entorse leve. Seguindo o repouso, fisioterapia e reabilitação, em uma semana ele provavelmente já estará novo.
Fernando finalmente soltou o ar.
— Tá vendo? — Lucas disse. — Não vou morrer.
— Eu não falei que ia.
— Sua cara falou.
Fernando ia responder quando percebeu que Lucas não parecia aliviado. O olhar continuava baixo. A mão brincava distraidamente com a borda da maca.
— Mas eu não vou poder viajar — Lucas disse.
A enfermeira respondeu antes que alguém tentasse:
— Não é recomendado.
Lucas assentiu como se já soubesse.
— Nem jogar.
— Principalmente jogar.
Silêncio.
Fernando entendeu. Nos últimos dias, Lucas tinha falado daquela viagem tantas vezes que chegou a irritar todo mundo. Primeira fase final no profissional. Primeira chance real de entrar em quadra numa decisão.
Tinha separado a roupa dois dias antes, perguntou a Gabriel como era o ginásio. Assistiram a jogos antigos do adversário. Naquela manhã, ainda tinha dito que não conseguiria dormir à noite.
Agora a mala sequer sairia do armário.
— Ei — Fernando chamou.
Lucas ergueu os olhos.
— Sinto muito, Luc.
Ele deu de ombros.
— Acontece.
— Eu sei.
— Vão ter outras.
Fernando ficou alguns segundos olhando para ele.
— Vão. — Lucas sorriu fraco. — Espero.
Fernando estendeu a mão. Só o dedo mindinho.
— Prometo.
Lucas olhou para a mão, depois para Fernando. E alguma coisa em seu rosto finalmente amoleceu.
— Cê anda cheio de promessas ultimamente.
— Vou cumprir todas.
Lucas levantou a própria mão. Entrelaçou o mindinho no dele.
— Então tá.
— Então tá.
Maurício observava. Primeiro Fernando, depois Lucas. Aquele gesto demorou talvez dois segundos a mais do que precisava. Maurício franziu a testa e virou lentamente para Felipe.
Felipe já estava olhando para ele. Os dois se encararam.
Maurício levantou discretamente uma sobrancelha. Felipe sabia exatamente o que aquilo significava.
Você tá vendo isso?
Felipe lembrou da noite anterior.
Ele virou minha pessoa favorita no mundo.
Lembrou também da promessa que fez, mesmo sem dizê-la em voz alta. Aquilo era de Fernando, quando estivesse pronto. Então apenas deu de ombros. Fez a melhor expressão de desentendido que conseguiu.
Maurício estreitou ainda mais os olhos.
Felipe quase riu.
— O quê? — perguntou.
— Nada.
— Então para de me olhar assim.
— Assim como?
— Como se eu soubesse alguma coisa.
Maurício continuou encarando.
— E sabe?
— Não.
Outra mentira. Mais uma. Maurício sustentou o olhar por alguns segundos, então voltou para Lucas.
Felipe respirou.
Nos últimos dias, mentir tinha começado a acontecer com frequência demais. O pior era que quase todas as vezes ele conseguia encontrar uma boa razão.
🏐
Fim do capítulo.
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