TAKE ME TO CHURCH
2 Sadness.
Notas iniciais
If the heavens ever did speak she's the last true mouthpiece.
Every sunday's getting more bleak, a fresh poison each week.
A textura rude sob seus dedos fazia-a sorrir e as folhas verdinhas prendendo-se ao seus cabelos lhe dava uma boa sensação. Ajeitou-se sobre o galho mais grosso e afastou os fios laranjas presos ao seu rosto enquanto passava uma das pernas pelo parapeito pintado de branco, não se importando se alguém ia ver ou se seus jeans rasgassem novamente.
Adentrou a varanda silenciosamente, observando as poltronas e a mesinha posicionadas ao seu lado e balançou a cabeça repetidamente, tentando se livrar dos vestígios da árvore. A cortina branca esvoaçava levemente, atrapalhando-a de decifrar os movimentos das sombras dentro do quarto, encarou o céu estrelado antes de adentrar as portas de vidro.
Sua presença quase fantasmagórica sobressaltou a garota sentada entre os lençóis violetas, fazendo-a segurar um grito na garganta, os músculos retraindo-se em surpresa. Mad inclinou o rosto ao observar o corpo pequeno diante de seus olhos, o vestido bege batendo-lhe nas canelas e os cabelos dourados capturados em um coque alto. Estavam sempre presos, não se recordava de já ter visto-a com eles soltos. O rosto livre de maquiagem e repleto de sardas trazia um sorriso ao seu rosto e os olhos verdes compeliam-a a se aproximar.
– Não é hora da sua missa de domingo? – questionou com simplicidade ao marchar em suas botas altas e jogar-se no colchão macio.
– Acontece que fui proibida de entrar na igreja. – Lia resmungou ao coçar os olhos já avermelhados. – Parece que alguém espalhou um boato de que nós estávamos namorando. Absurdo.
– Ashly, aquela vadia mesquinha de duas caras... – foi interrompida com lágrimas frias molhando a pele clara de seu pescoço.
Levantou-se com rapidez, envolvendo a figura quebradiça da garota em seus braços, sentiu os dedos delicados agarrando-se em suas roupas e suspirou, embriagada com o perfume doce e a pele quente contra a sua.
– Está tudo bem, Lia. – sussurrou próxima ao ouvido da outra. – Eu estou com você.
– A igreja era tudo que minha mãe queria para mim e agora já era. – retrucou, abraçando-a com mais força e entrelaçando seus dedos nos cabelos alaranjados.
– Eu sei. Talvez você possa seguir seu próprio caminho agora.
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