Sweet Tortures
14 Mission
Melissa POV
Eu estava mais distraída conversando com Tom, sentada na mesa da cozinha, comendo sanduíches. Bom, eu sabia que minha fome era grande, mas não tão grande assim. Dei a primeira dentada no meu terceiro sanduíche — que Tom tinha feito -, enquanto ele terminava de contar uma de suas histórias da adolescencia.
- Então ela disse que não sairia dali até que fodesse comigo! — Tom disse gargalhando, e eu me engasguei — pela quinta vez — com o copo de suco que eu estava bebendo. Ele era uma criatura que ainda não tinha saido da adolescencia, mesmo tendo 20 anos. E tinha muitas historias para contar, indrivelmente todas relacionadas a... Sexo.
- Nossa Tom, sua adolescencia foi agitada! — comentei. Naquele momento tinha me esquecido completamente dos meus problemas, por mais que o ser na minha frente me lembrasse nitidamente de que eles existiam de verdade. Mas quando foi que Bill ganhou um irmão gemeo? Eu desconhecia esse fato completamente. Pensei, enquanto observava cautelosamente o rosto da imitação de rapper à minha frente.Ele era identico a Bill, por mais que na superfície eles não se parecessem em nada. Os traços do rosto são um pouco mais duros nos de Tom, mas ele também guarda certa suavidade no rosto às vezes. Pensei, olhando para ele, que tinha mudado para um assunto não menos tenso. Ele estava falando do trabalho dele.
- Enfim, eu basicamente sou o "personal trainer" das garotas do Gustav. — ele disse, fazendo aspas no ar com um sorriso malicioso. Pisquei, eu não tinha entendido muito bem no que ele trabalhava.
- Como assim? Você trabalha em uma academia? — perguntei, imaginando que se Bill trabalhava junto com ele, seria completamente estranho, já que desde sempre Bill não se encaixava em nada relacionado a esportes. Se me lembro bem, ele era melhor em teatro e música na escola. Tom deu uma risada alta.
- Bom, não é bem uma academia, mesmo que se faça muito exercício, se entende o que estou dizendo. — ele continuou com seu tom ironico/malicioso, e eu continuei encarando-o inocente. Tom bufou.
- Eu não consigo entender você. Foi a mesma coisa quando expliquei a Bill no que eu estava trabalhando. O que vocês ficavam fazendo quando ficavam sozinhos dentro de um quarto? Jogavam cartas? — ele disse, pondo a mão no rosto. Eu pisquei mais um pouco. O que aquilo tinha a ver com o que ele trabalhava? Ele preparava garotas para fazer exercício...ESPERA. "GAROTAS" DO GUSTAV? SÓ GAROTAS? ISSO QUER DIZER QUE ELE... Isso não podia ser real. Bill nunca faria uma coisa dessas. Faria? Tom sorriu a medida que me viu entendendo algo.
- Mas se você... Em que o Bill trabalha? — eu não conseguia articular direito a pergunta, qual a minha surpresa.
- Ah, essa é a melhor parte. — ele sorriu irônico.
Bill POV
Suspirei. Finalmente os "armários" que eram os seguranças de Roxanne tinham desistido de ficar de ronda, ja que imaginavam que ela não fugiria, já que supostamente não tinha para onde ir. Mas isso não quer dizer que ela não vá tentar.Pensei, me levantando do lugar sombrio onde tinha me instalado para esperar. Estralei as articulações dos dedos, e digitei um rápido Showtime para Georg. A final, era o começo do fim para ela.
Andei cautelosamente — não por que ela ja estava em minhas mãos que eu tinha que ser descuidado, a final eu estava confiante, mas sabia que não iria ser fácil — até a porta de trás, pousando a mão na maçaneta, mas antes escutando. Não, tem alguma coisa aqui. Pensei, por que assim que movi a porta senti uma pequena resistência. Roxanne deveria saber que eu estava atrás dela. Ela soube dois anos antes, por que não iria saber agora? Tinha uma informante entre nós. Ok, porta da frente. Pensei, caminhando com calma até a porta principal da casa, sem me importar muito se havia flores sendo esmagadas por meus pés. Respirei fundo e girei a maçaneta. O interior da casa estava em completa escuridão.
Pousei a mão na arma que eu levava no cós da calça, por pura precaução, assim que fechei a porta delicadamente atras de mim. O silencio ali era quase ensurdecedor, não havia nem sinal de respiração humana. Passei pela sala simples e cheguei até o quarto, que parecia ser único naquele lugar.
- Socorro, me tirem daqui! — foi o que eu ouvi, ao abrir a porta com um rangido. olhei ao redor, mas não vi nenhum resquicio de que alguém esteve naquele quarto. Puta maldita. Xinguei, chutando a cama. Roxanne tinha conseguido fugir mais uma vez, e eu não fazia idéia de como.
- Tem alguém aí? Me tire daqui por favor! - novamente ouvi a voz de uma mulher vinda de algum lugar desconhecido. Arqueei uma sobrancelha, aquilo poderia ser uma armadilha. Ela continuou perguntando se tinha alguém ali, mas eu não iria responder. Comecei a caminhar para o lado de onde vinha a voz, que parecia me guiar para uma pequena porta ao lado do armário.
- Roxanne, se for você, me tire daqui! Eu não vou falar nada a ninguém, juro! — ela disse, e eu parei para ouvir. Georg tinha me dito que Roxanne provavelmente estava com uma fugitiva, ou quem sabe a própria informante. A garota estava chorando. Essa aí eu vou ter de levar para Gustav. E eu não acho que ele vá ser mais suave que eu. Sorri um pouco sádico, seguindo o som do choro da mulher. Vinha do que parecia ser o banheiro.
A porta está encostada... Por que será que ela não saiu ainda? Fiquei pensando, ao empurrar a maçaneta devagar. Fiquei com um pé atrás, vai saber o que ela poderia ter armado...
- Então, quer dizer que você é a informante... Dani? — olhei chocado para a loura na minha frente, seus olhos arregalando-se gradativamente assim que me reconheceram. Ela estava amarrada a uma cadeira, completamente nua. Havia um bilhete mas eu não me aproximei para ver o que havia escrito. Eu não podia acreditar que fosse justo a Dani a ser a informante. Logo a que Gustav mais gostava... Mas fazer o que, não se pode confiar muito nas mulheres, pensei. Meu celular tocou.
- Alô? — respondi no aparelho, um pouco surpreso. Georg falou alguma coisa, mas eu tive de pedir que repetisse, ainda estava um pouco chocado.
- Eu perguntei se você tem alguma novidade. Bill? — Georg falou do outro lado, quase entediado. Fiz um "Hm" em resposta, respirando fundo em seguida.
- Tem bastante coisa se encaixando agora, Ge. Eu tenho uma coisa pra levar tanto pra Gustav quanto para você... Te encontro na agencia em duas horas. — falei, apertando os olhos. Desliguei o celular em seguida, sem ouvir qualquer outra pergunta que ele me dirigisse. Voltei a olhar para Dani, que ainda mantinha o mesmo olhar estarrecido de desde que cheguei.
- Então... Vai dizer as coisas agora, ou depois? — perguntei, e Dani engoliu em seco. Olhou para baixo, talvez esperando que eu fizesse algo. Mas eu não iria fazer nada até que Gustav falasse com ela. Suspirei, começando a desamarrá-la, ela estava enrolada com fita isolante e cordas trançadas, então não foi muito dificil com a ajuda de meu canivete.
Fiz com que vestisse meu sobretudo — já que não havia o menor resquicio de suas roupas em lugar nenhum — e arrastei-a pelo braço até aonde tinha deixado a moto, sem nem sequer atrair olhares dos que festejavam na praça central. Coloquei-a na garupa da moto, e peguei a estrada, na maior velocidade que eu conseguia no escuro. Eu não estava me divertindo naquele momento.
- Eu não me arrependo de ter sido a informante. — Dani disse, quando já tinhamos percorrido boa parte do trajeto, com uma calma estarrecedora, segurando-se no banco. Olhei-a pelo retrovisor, e uma lágrima solitária escorria por seu rosto. Não quis perguntar o porquê. Ela suspirou.
- Mas sabe, eu não estava fazendo isso contra Gustav, eu o amava. Não diretamente, quero dizer. Não sei se alguém te contou, mas quando eu cheguei na boate de Gustav, fui presente do maior cafetão do continente para ele. Eu e Roxanne, na verdade. E claro, nós conversávamos, já que só conheciamos uma a outra naquele lugar. — ela deu uma risada triste, e pelo retrovisor vi que seu olhar estava longe.
- No final, acabamos fazendo tudo isso por um motivo: dignidade. No meu caso, eu estava cansada de ser tratada como um objeto pelos homens. Sabia que nunca iria ter uma vida feliz, nunca me casaria, sempre continuaria assim. E fiz o que fiz, tanto por mim quanto pelas outras. Já no caso de Roxanne... — suspirou, como se aquilo fosse algo difícil de dizer. Eu ficava me perguntando por que estava me contando essas coisas. Ah, é. Ela não vai ter tempo de contar histórias por lá.
- No começo, ela queria tanto quanto eu livrar todas as garotas do abuso. Mas seu objetivo mudou, assim que ela ficou grávida. E ela quis fazer de tudo para que seu filho não vivesse naquele mundo. — disse, e eu franzi o cenho. Tinhamos chegado à parte urbana, e eu parei no sinal de trânsito. Olhei de soslaio para ela. Por menos que estivesse interessado no que ela estava me dizendo, estava ouvindo. Dani riu, mas dessa vez foi uma risada legítima. Dei partida na moto.
- É até meio irônico que ela tenha se voltado contra Gustav, já que ele é o pai do seu filho. Você sabia disso? Sabia que ele a amava? — ela disse, e eu fiquei bastante surpreso. Como é? Ele amava Roxanne? E ia ter um filho com ela? Fiquei me indagando, por enquanto Dani fazia um rápido resumo da história deles. Aparentemente ele ganhou ela e Roxanne por que elas desobedeceram o chefe, e Gustav salvou Roxanne. Esta pediu para que aceitasse Dani também. Mas Gustav estava mais interessado em Roxy, como ela disse que meu chefe costumava chamá-la. Soltei uma risada baixa.
- Ele quis se casar com ela, mas ela disse que só o faria se ele soltasse todas as garotas que estavam com ele, e se entregasse à polícia. E claro, que denunciasse o "grande chefão". Mas claro que Gustav não o fez, e foi isso que inicialmente a fez voltar-se contra ele. E depois que descobriu que estava grávida então... — Dani deixou em suspenso. Levantei as sobrancelhas, realmente surpreso com o que ela tinha acabado de me contar. Quer dizer então que nosso Gustav tem seus segredos. Ah, mas quem não os tem? Eu por exemplo, tenho um me esperando e casa. Ou não. Franzi o cenho, repreendendo-me por lembrar-me de Melissa.
Freei a moto. Tínhamos chegado à boate. Dani respirou fundo. É, ela estava pronta para morrer.
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