Sweet Tortures
3 Memories
Notas iniciais
ps: Bigodinho, não me mate, okz? vou postar um cap mais legal amanhã...
Bill POV
Cheguei em casa mais ou menos às duas da manhã. A casa de Melissa era bem perto de onde eu morava, o que era bem útil realmente. Bom, não acho que ela vai achar bom, mas o que fazer? Sorri maldosamente, abrindo a porta de deslizar da casa que eu dividia com meu irmão.
O lugar estava escuro, a única luz que havia era uma fraca luz da TV, então imaginei que meu irmão já estivesse em casa. Chutei os sapatos para qualquer canto, e ia subir as escadas, a fim de tomar um banho para tirar o cheiro que estava impregnado em mim. Não, não estava falando do cheiro de Melissa, o seu cheiro me trazia lembranças de que eu precisava naquele momento.
Eu queria me livrar do cheiro daquela vadia que eu tinha pegado antes de encontrar Melissa. O cheiro de seu sangue e suor estava começando a me deixar enjoado. No primeiro degrau da grande escada eu pisei em algo, parecia um pedaço de tecido. Me abaixei, pegando o pedaço de pano meio rasgado.
Uma calcinha. Então meu irmão está bem a vontade agora. Bom, pelo menos ele vai me deixar em paz até amanhã. Pensei, jogando a calcinha rasgada por cima do meu ombro.
Fui até o banheiro, ligando a água quente e tirando a calça de couro que eu estava vestindo. Quando a água bateu em meu corpo, estava quase fervendo, mas era por causa da minha pele ainda fria. Fiquei ali até que meu corpo se acostumasse, e recostei a cabeça no azulejo frio.E agora, Bill? Você a encontrou, está ao alcance da mão. O que você está sentindo? Me perguntei, suspirando. Meu estômago deu uma volta quando me lembrei de tê-la em meus braços a uns momentos atrás. Tão serena, tão frágil... Se eu não tivesse sentido na pele o que essa carinha pode fazer, acreditaria nessa vadia. Bufei, enfiando o rosto debaixo do fluxo de água, começando furiosamente a me esfregar, queria tirar qualquer vestígio daquela garota, assim como seus gritos, suas lágrimas, seus pedidos. Eu não sentia o menor remorso pelo que eu tinha feito, já tinha passado por coisas piores do que ela tinha sofrido. Muito piores. E é tudo culpa daquela vadia. Franzi o nariz, irritado ao passar os dedos pela cicatriz atrás da minha orelha, feita por uma corrente dentada. Mas cada uma vai ter volta, Mel.
Melissa POV
Depois que tomei banho fui dormir, ou pelo menos tentar, já que tinha ficado um pouco sem sono depois de ter tomado um banho frio.
Sentei na cama, depois de ir buscar um livro na minha estante – qualquer um, eu já tinha lido todos de qualquer jeito -, e abri o livro em qualquer página, eu não tinha paciência para ler o começo de histórias relidas. Já estava numa das partes mais interessantes do livro, que falava sobre os reencontros impossíveis, àqueles à luz da lua, ou sob um carvalho grande, na beira de um lago da infância dos dois protagonistas, enquanto o que realmente acontecia era eles se encontrarem da forma mais inusitada possível, num supermercado, e ela estava do pior jeito possível. De repente dois papéis caíram de dentro do livro, assim que eu virei a página, sorrindo com a situação anterior. Peguei os pedaços de papéis um pouco amarelados, talvez pela umidade, e abri o primeiro com receio, para não rasgá-lo, já que parecia bem velho.
Mel... o que posso dizer neste momento? Meu coração se apertou instantaneamente. Era uma carta dele, uma carta de Bill. Ah, onde será que ele está agora? Fazem três anos... Respirei fundo, segurando a vontade de chorar que me acometeu. Olhei para o outro papel, sem coragem para ler o resto daquela mensagem, mesmo sabendo-a de cor. Era uma foto, uma foto dele e minha. Rolei os olhos, sem conseguir controlar uma lágrima que escapou dos meus olhos quando eu olhei para seu rosto sorridente. Parecia que meus órgãos estavam sendo socados por dentro, assim que eu me lembrava de cada momento que passamos juntos.
Ele era o amigo, o irmão que eu nunca tive. Era o amor da minha vida, razão da minha existência. Por que tudo tinha que acabar assim? Eu já não conseguia controlar as lágrimas quando a última lembrança que eu tinha dele grudou em minha mente.
- Bill, por que me trouxe aqui? – perguntei, depois que ele tirou a venda dos meus olhos, revelando o cemitério, que estava iluminado de um jeito que eu nunca tinha visto antes. De mês em mês, na mesma data, Bill me mostrava algo novo, diferente. Algo que me fascinava. Já faziam cinco meses que estávamos juntos, e eu pensava que já não havia nada mais que ele pudesse me mostrar. – É a festa das almas. – ele me disse, sorrindo largamente para mim. Eu fiquei admirando-o nunca tinha visto um sorriso tão lindo, não sabia por que ele não o mostrava para todos. – Vamos, tem mais lá dentro. – ele me disse, puxando a minha mão para dentro do lugar.
- Meu amor, tem certeza que podemos estar aqui? – perguntei novamente, quando passamos a área onde estava a iluminação. Ele me olhou, corando um pouco com o jeito carinhoso que eu o chamava. Apertou minha mão com mais força. – Não sei. Mas é um lugar tão lindo, que não importa. – ele disse, jogando a cabeça para o lado, me incitando a avançar. Sorri da sua despreocupação.
Bill podia ser um garoto estranho na superfície, mas era o garoto mais doce que eu podia conhecer naquele momento. Era perfeito.
Ele tinha me levado a uma cachoeira linda, onde a luz da lua iluminava de um jeito mais especial que a iluminação artificial do cemitério, e uma cortina leve de água se desprendia da superfície, logo abaixo da cascata. – Bill eu... Te amo. – eu quase sussurrei, e ele pôs as mãos nos bolsos, ao meu lado, olhando para o céu. – É... Eu também te amo. – ele sussurrou, e depois me encarou. Seus olhos castanhos cintilavam, e seu delineador deixava sue rosto com um ar mais felino.
Mas daí começou o pesadelo. Quando voltamos ao estacionamento, Chad e os outros jogadores de basquete estavam recostados no meu carro. Tentamos ignorá-los, mas Chad estava ali só para encher o saco. Até que Bill estourou, assim como o soco que veio depois no maxilar de Chad. O pior erro de Bill em toda sua vida.
Tudo aconteceu muito rápido – os amigos de Chad pularam em cima de Bill, enquanto ele se levantava e me puxava pela cintura, me jogando para dentro do carro. – FIM DE JOGO, FILHO DA PUTA! – Chad gritou entrando no banco do motorista, enquanto eu tentava me jogar para fora. – BILL! – eu gritei desesperada, olhando para a roda de pessoas ao redor do que eu imaginava ser o Bill. Não sabia se ele podia me ouvir, mas continuei gritando até que Chad me bateu, acabando por me nocautear, e essa foi a última vez que vi o Bill.
Bill, onde quer que esteja, eu nunca te esqueci. Minha mente admitiu, enquanto eu afundava o rosto no travesseiro, tateando inconscientemente a cicatriz de trás da minha orelha, que nós tínhamos feito juntos, que significávamos que éramos um do outro. Éramos adolescentes tão impulsivos, não sabíamos nem se aquilo iria dar certo... Sorri de leve. Mas também nunca tivemos a chance de saber, de qualquer forma. Respirei pesado, a imagem de Bill sorrindo ao meu lado gravada na minha mente. Acabei dormindo em tempo depois, cansada de tanto chorar.
Notas finais
até o próximo cap...
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