Sweet Shop
3 03.
Notas iniciais
Boa leitura e não me matem! Q
Por mais que tenha parecido, esse chilique do Yuu não durou mais que alguns minutos, logo ele me deixou sair do banheiro e pude preparar os pedidos. Corrigindo, levar os pedidos, Kai (muito eficiente) já havia os feito. Sim, ele fez a melhor parte, justo quando eu queria fazer esses em especial! Por veneno naquela torta e laxante no chocolate quente.
E é claro, trancar o banheiro depois.
Esse é o momento em que deixei de ser o chefe para ser o garçom, sim eu passei longas semanas dando uma de garçom no meu próprio restaurante. Por quê? Porque eu comecei a vigiar aquele nanico bem de perto nos dias seguintes. Já tava na hora de eu entender o que se passava na cabeça daquela criatura pequena e diabólica que hoje tinha os cabelos arrepiados e o olhar que parecia ler a alma de qualquer um.
Desfilei até a mesa em que eles estavam, parecia que eu estava servindo ao presidente dos Estados Unidos e a sua esposa, não que eu me importe com eles, mas você entendeu o que eu quis dizer. Dei o meu melhor sorriso que fez com que Takanori-san me olhasse de um modo desconfiado, juro que ele chegou a cheirar discretamente o chocolate quente. Ao que não sentiu nada de diferente sorriu para mim.
Aquele sorriso me era conhecido, não, não eram os holofotes, era algo diferente.
E assim, em meio aquele sorriso fui pego por um devaneio.
Quero que entendam uma coisa, eu não era de uma família rica, eu não tinha nenhum tipo de mimo, eu cresci sabendo que minha mãe mal tinha dinheiro para comida. Isso foi um grande incentivo para correr atrás do meu sonho, para sair de Kanagawa e vir para a capital.
Tenho duas irmãs mais velhas, ambas casaram-se cedo para deixar a pobreza e pelo visto esquecer de todo o resto. Ficamos apenas eu minha mãe. Não eu não tinha um pai, o homem que a genética supostamente julga como o meu abandonou-nos quando eu tinha meses de vida (infelizmente minhas irmãs insistem em dizer que somos parecidos), não pensem que eu me culpo por isso ou culpo minhas irmãs pela sua falta. A culpa era toda dele.
Só dele.
Por não ser homem o suficiente para cuidar da família.
Óbvio que eu não criei nenhum complexo psicológico por causa disso.
No fim do Outono, quando estávamos prestes a sermos despejados de casa por não pagarmos o aluguel, minha mãe aceitou um emprego melhor do que ela tinha, esse garantia um bom salário e moradia já que o outro a dava menos de duzentos yens para cuidar de 3 crianças, mais luz, água e comida. Essa moradia era na própria casa dos patrões, Hiroko-san e Toyo-san. Uma mulher alta e magra e um homem baixinho, mas não menos elegante.
Toyo-san, não queria crianças em sua casa, apenas seu filho mimado, dizia que outras poderiam corromper seu menino perfeito.
E eu era uma criança.
Tive que ir escondido.
Claro que Hiroko-san sabia que eu estava lá, e ela me adorava. Me dava todos os brinquedos que eu queria, todos os tipos de doces que algumas das cozinheiras faziam, roupas, sapatos. Era quase que uma segunda mãe, quero que saibam que em momento algum amei mais Hiroko-san do que a minha mãe, mesmo sendo mimado de todas as formas. Aquela mulher que me trouxe ao mundo é a coisa importante pra mim e sempre vai ser.
Fato é que, nunca vou me esquecer daquela tarde quente de verão em que o conheci em que finalmente conheci o pirralho filho dos patrões. Eu estava no jardim dos fundos, como sempre fazia quando velho estava trabalhando, entediado com uma bola de futebol treinando algumas embaixadinhas. Foi quando o pirralho me viu.
- Okaasan! – Berrou girando nos calcanhares e voltando para a casa, claro que corri atrás o mais rápido que pude, eu não sabia o que ele diria e não sabia se o pai dele já havia chegado, eu estava a um bom tempo ali nos fundos. Graças a Hide o alcancei antes que chegasse a cozinha. – O que faz aqui? – Disse autoritário, pirralho metido.
- Cala a boca! – Ditei já irritado com todo aquele “achismo” dele. – Eu sou filho da Hideko-san!
- Okaasan! – Berrou ainda mais alto, e eu tapei a boca dele o mais rápido possível.
- Cala a boca! – Foi quando furioso destapou a boca e se virou para mim completamente corado pela raiva. Ele parecia ter notado que sua mãe já sabia da minha presença. – Otôossan vai te matar quando descobrir isso!
- É por isso que você vai ficar quieto! – Arqueou as sobrancelhas indignado, juro que ia explodir a qualquer momento, era hilário.
- Me obrigue!
- Quer que eu morra? Quer que aquela mulher morra de fome e de desgosto? – Sim, eu podia ser ator de novela mexicana por isso, com o meu drama ele arregalou os olhos outra vez. – E tudo isso vai ser culpa sua!
- I-Iie! Não quero i-isso! – Soluçou baixinho em resposta, por um momento fiquei com pena. Foi por pouco tempo, alguns segundos.
- Então... Bico fechado! – Praguejei enquanto ele choramingava. Não contive um suspiro e estendi minha mão a ele, sorrindo. Eu já tinha meu poder de sedução com 11 anos, sintam isso. – Suzuki Akira.
- Chibi-chan. – Agarrou minha mão com certa urgência, posso dizer que ela estava molhada devido às lágrimas. – É... É só um apelido. – Emburrou-se ao ver meus olhos duvidosos.
- Você não é tão pequeno para a sua idade. – E ele riu. Eu odeio quando fazem isso, é como se o sangue fervesse e fosse todo pra minha cabeça, não pela risada, mas pelo tom de deboche. – O que foi?
- Quantos anos me da? – Sorriu abertamente pondo as mãos na cintura.
- Sete, no máximo.
- Tenho 10.
- Mentiroso. – Franzi o nariz.
- É verdade! – Esbravejou raivoso outra vez, incrível como saia do sério fácil, mais incrível eram as suas atitudes infantis, para um garoto de 10 anos ele se saia muito mimado. “Mimado” é a palavra chave, eu sempre acharia isso dele. Principalmente quando batia o pé ‘daquele’ jeito.
- Eu sei! Deve ser por falta de hormônios. – Foi a minha vez de rir, eu nunca tinha ouvido falar daquilo, ele simplesmente bufou indignado.
Eu sei. “Mas que droga é essa? Um flash back, dentro de um flash back!”, estranhamente eu me lembrei disso, eu me lembrei do sorriso de um pirralho que eu conheci quando criança. Mas aquele pirralho, eu nunca me esqueci dele. Depois de um tempo ele foi para um internato e nunca mais o vi. Eu tentei acha-lo, mas uma criança de 12 anos não podia muito, eu não podia muito.
Mas eu daria tudo para falar com ele mais uma vez.
Com certeza daria.
Se eu pudesse encontra-lo Chibi-chan.
- Com licença. – Ótimo, o nanico estava me observando. Eu não dou meus melhores sorrisos atoa, e o que estava esboçado no meu rosto não era para ele. Franzi o cenho entediado, eu nem sabia como tinha ido parar atrás do balcão nessa altura, ele riu debochado. – Pensando em mim cacatua?
- Só nos seus melhores sonhos.
- Ou nos meus piores pesadelos. – Sorriu abertamente e me analisou de cima a baixo. Eu odeio um monte de coisas, mas pô! Passar a língua nos lábios é DEMAIS! Ele fez isso! Juro que não alucinei. – Escuta, cadê a conta?
EU NÃO TINHA BEBIDO!
Por Kami mais um pouco e o meu coração saia pela boca. Tossi tentando disfarçar o efeito que aquela língua havia me causado, peguei o papel em que havia o pedido dele e o entreguei. Ele por sua vez o segurou calmamente e olhou sorrindo, pegou o dinheiro e me entregou sem dizer uma palavra.
- Matsumoto-san?
- Hun? – Olhou-me outra vez.
- Tem dinheiro a mais aqui. – Disse contando outra vez, e ele sorriu dando-me as costas.
- Reita.
- O-O que foi?
- Gostoso demais. – Disse passando a língua por um dos dedos.
Eu sinceramente esperava que ele estivesse falando do doce, mas algo no brilho daquele olhar me disse que não era do que ele falava.
ALGUÉM ME AJUDE!
Notas finais
Sério, eu me enrolei pra escrever, e eu estava em semana de provas. Droga!
Espero que tenham gostado.
Kissus ~
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