Notas iniciais
Eu volteeeei, agora pra ficar, eu volteeeei... ♪ q

Aquela tarde, o fluxo na doceria foi normal.

A história aqui não é importante, mas vale contar o que aconteceu nos últimos dias. Kouyou não voltou para o seu serviço àquela tarde, ele foi visitar o moreno na loja e a noite me ligou dizendo como foi. Não pensem que foi um grande avanço da parte de Kou-chan ele apenas ficou vigiando o outro por de trás de algumas guitarras e baterias até derrubar uma prateleira de CD's e ficar terrivelmente envergonhado a ponto de se retirar da loja.

Completamente louco.

Kai continuou com seu “treinamento”, ele estava ansioso, afinal dentro de alguns dias teria um teste prático em seu curso e não se sentia confiante o suficiente para realizá-lo. Tive uma séria conversa com ele mostrando todo o seu potencial culinário, tentando incentivá-lo. Ele se sentiu bem alguns instantes, mas depois o ouvi conversar sozinho em frente a um espelho ainda com seu complexo de inferioridade.

Minha ajuda não adiantou muito.

Ruki não apareceu por 5 dias na doceria nem ao menos ligou para saber como estava o andamento da sua encomenda, o que me deixava mais apreensivo ainda. Gastar horrores de dinheiro para um mimadinho, rico, extravagante e cínico empresário ligar e dizer que não quer mais ia ser muito frustrante. Muito frustrante.

Mas aqui entra outra questão:

“Ruki não apareceu por cinco dias?”

Exato, e é aqui que a nossa história vai continuar. Exatamente quando Matsumoto-san reapareceu no meu estabelecimento, com uma surpresa não muito boa e só agora eu posso dizer com certeza que para mim foi uma péssima surpresa, por que eu ainda não tinha apaixonado por ele.

Clichê?

Imagine.

Eram, mais ou menos, 18h. Eu estava atendendo a uma mesa onde havia dois adolescentes, riamos de algumas besteiras ditas, eu realmente gosto de atender os meus clientes embora nem sempre eu possa fazê-lo. Gosto de conhecê-los, de saber como são como agem, do que gostam. Como se fosse uma entrevista, mas claro que eu não perguntava nada disso a eles, apenas observava e tirava minhas próprias conclusões.

Não pensem que eu não sou uma pessoa ocupada, eu estava realmente ocupado. Ocupado com a grande encomenda de Matsumoto-san, ocupado com o nervosismo de Kai, ocupado com as paixonites de Uruha e ocupado com minhas contas. Mas eu não podia me dar ao luxo de evitar meus clientes, como a vó de Chiharu. Ela adorava ir lá toda terça-feira, e hoje era uma terça-feira. Estranhamente ela ainda não tinha aparecido.

Há alguns dias atrás, o desocupado do Uruha (ele é realmente desocupado) acoplou um sino na minha porta que toca cada vez que alguém entra. Eu não aturava mais ouvir aquela droga tocando, modéstia a parte, mas não o tirei por três motivos: O primeiro seria por que Kou-chan ficaria reclamando que eu não dou valor aos presente (idiotas) que ele me da, o segundo é por que ele já me ajudou em alguns casos, assim pude atender melhor os clientes, e terceiro, por que Kou-chan ficaria reclamando que eu não dou valor aos presente (idiotas) que ele me da.

E foi esse maldito sino que me fez ter a pior surpresa da minha vida. Ao me virar para a porta com um sorriso maior que meu rosto, dei de cara com a figura de Takanori-san com uma garota extremamente alta, alta até para mim, alta até para Uruha. Inoue-san. Típica japonesa, olhos suavemente puxados e redondos, cabelos finos compridos e escuros presos em um coque. Vestia-se muito bem, como sua profissão exigia.

Ele sorriu, debochado como sempre.

- Takanori-san, achei que não voltaria mais aqui. — Sorri forçadamente aos dois, algo me incomodava naquele casal. Eles entreolharam-se e ela riu suavemente, mantendo a classe.

Isso me irrita.

- Voltar? Eu nunca estive aqui, na verdade, fiquei sabendo da sua doceria pelo empresário de Sayo-chan. — Eu o julguei louco nesse momento. O cara tinha ido na minha doceria a uma semana atrás, feito um encomenda horrenda, me feito de trouxa e gastar um bom dinheiro até agora. E quando ele volta diz que nunca esteve aqui? Se não estivéssemos em um lugar público eu bateria nele.

Bateria mesmo.

E depois chamaria uma ambulância.

E o derrubaria da maca.

- Devo tê-lo confundido. — Eu não tinha, era ele mesmo aquele dia. Segui-os até a mesa escolhida por ela em um canto próximo a uma das janelas que dava para o jardim dos fundos.

Nunca descrevi minha doceria, certo? Eu a construí em uma casa dos anos 50. Usei o prédio antigo, apenas o reformei. Uma casa de dois andares nos tons de bege e marrom. Telhado pontiagudo e curvado para cima nas beiradas, já dentro, algo mais moderno, mesas de vidro com cadeiras do mesmo material, seguido de grandes almofadas azuis e roxas. As paredes de papel que serviam de divisória seguiam a mesma cor das almofadas mas em tons mais claros.

A cozinha ficava no segundo andar e para descermos usávamos um elevador, igualmente de vidro. Desde que vi A Fantástica Fábrica de Chocolate eu sonho com esse maldito elevador que instalei a 3 meses.

Voltando a história.

Segui-os até a mesa escolhida por ela em um canto próximo a uma das janelas que dava para o jardim dos fundos. Posso dizer que ela escolheu a dedo, já que estava lotado. Sentaram-se ali, claro, ele puxou a cadeira para ela, muito educado. Uma educação que me deu vontade de estrangulá-lo!

Eu não estava com ciúmes, não se tem ciúmes de alguém que não se conhece pombas Marias!

Eu não estava.

Tá, eu estava! Problema?

- Bem vindos ao Sweet Shop, espero que gostem. – Disse-lhes a minha frase decorada, eu não estava querendo ser simpático no momento, apenas entreguei o cardápio e me afastei um pouco pegando um bloquinho de dentro do bolso do meu avental, enquanto esperava, Inoue-san parecia analisar o cardápio de cima a baixo em meio a algumas caretas de desgostos.

Takanori-san não demorou em fazer o pedido, parecia já saber muito bem o que queria. Canudinhos Doces com creme de baunilha de recheio e é claro chocolate quente com muito açúcar.

- E a madame? – Tentei ser educado, e ela, de um jeito, esnobe soltou o cardápio sobre a mesa e entreabriu os lábios de forma enjoada enquanto me olhava de baixo.

- Eu quero algo que não seja frito, assado, gorduroso e açucarado.

- Que tal água?

Essa eu soltei sem querer, mas sejamos sensatos, ela vem a uma doceria e me pede algo que não seja açucarado? É a mesma coisa que ir a um puteiro e pedir um abraço, certo? Não preciso dizer que depois dessa ela apenas se levantou ofendidíssima e segurou Takanori-san pelo braço, e que este recuou, permanecendo sentado, me olhando como se aguardasse o pedido.

Match point!

Reita wins.

- Takanori! – Chamou-o mais uma vez, batendo um dos pés.

Eu tive que me segurar para não rir, parecia que ele ia explodir a qualquer instante enquanto massageava as têmporas. Era quase como uma mulher na TPM, eu já me afastava quando ela se sentou mais uma vez, bufando e olhando o cardápio. Passou os olhos rapidamente e pediu uma fatia de torta de morango, eu era só o telespectador daquela briga telepática que estava acontecendo. Particularmente anotei “morango” no canto do meu bloco, parecia que aquela palavra em especial tinha o afetado.

A cara dele era a mesma que nós todos fazemos ao ver as propagandas da MTV.

“Mas que merda é essa?”

Processem-me, mas eu fiquei radiante depois dessa breve discussão. Eu praticamente deslizei até a cozinha e entreguei o pedido para o Yuu...

- YUU? – Arregalei os olhos saindo do meu estado hipnótico, da onde aquele japa nego tinha saído? O arrastei até o banheiro trancando-me com ele lá dentro ofegante, só depois reparei que ele comia uma das minhas tortas. Povo que adora me dar prejuízo. Ele riu da minha cara escandalosamente batendo a palma da mão na porta. – Da onde tu saiu criatura?

- Começou em 1979, quando a minha mãe entrou em trabalho de parto...

- Não! Eu não preciso saber disso.

- Eu saí mais cedo hoje.

Reparou que esse povo não trabalha? Aí quando eles não trabalham assaltam a minha cozinha!

Mas não era isso que importava no momento. Lembram-se da cara de pato sem dono que o Kouyou-chan fez? Bom, Yuu me pareceu com a mesma expressão, ele oscilava muito, caso não tenham reparado, a felicidade toda dele em me assustar se esvaiu em um suspiro, cocei a nuca, aí tinha coisa.

- O que aconteceu Yuu?

- Nada Kira, não aconteceu. . .

- Tudo bem, vou voltar ao serviço. — Dei de ombros e abri a porta do banheiro.

- Tá! Eu conto. – Mais do que rápido avançou na porta, a batendo e trancando, eu achei que seria estuprado a qualquer momento, certo isso era exagero, mas o olhar de Shiro naquele instante me assustou, estava levemente transtornado. Apenas observei-o sentar-se no vaso (linda cena) e levar as mãos até o rosto. O pratinho já estava no chão. — Tem um cara. . .

- Ele te fez alguma coisa?

- Não ele não fez nada. Na verdade eu nem falei com ele. – Sentiu o drama? Sentiu a semelhança? Exatamente. Sim, é essa pessoa, essa que você esta pensando, não, não essa, a outra! Sim, Kou-chan. – Eu o vi pela vitrine da loja.

- Que loj— Digo, pela vitrine? Quem é que espia alguém pela vitrine? – Tentei parecer neutro, tentei, eu geralmente não consigo, mas Yuu é lerdo, não reparou que a minha voz subiu sete oitavos e os meus olhos se esbugalharam. – Um maníaco?

- Exatamente! E não terminou por aí, no mesmo dia ele foi até a loja e quase a destruiu! Derrubou um monte de coisas. – Tornou a me olhar. Ah! Aquele velho olhar apaixonado era esse que ele me dava.

Não, não era para mim aquele olhar.

- E... Como ele era? – Olhei-o de cima a baixo, me apoiando na bancada da pia, mordeu os lábios e sorriu.

- Loiro, gostoso...

- Tem sessenta de cintura, que gostosura, 105 de bundinha, 1,70 de altura, ninguém segura! Mas que loirinha gostosinha! – Gargalhei recebendo um tapa na nuca.

- CALA BOCA, AKIRA. – Riu junto, era isso que eu gostava no Yuu, sempre ria da própria desgraça.

Conheci Yuu quando comecei a tocar baixo (o que foi bem antes da doceria), na loja dele, “Gama”, lá que eu comprei o meu bebe favorito. Ele muito experiente em instrumentos musicais me aconselhou a comprar aquele baixo e eu aceitei. Realmente, um dos melhores que já tive, fácil manuseio, leve, ótimo!

Desde então nos tornamos amigos.

Era muito fácil ser amigo dele.

Embora Yuu também tivesse os seus problemas.

Não, não eram como os de Kouyou, se por um lado ele tinha péssimos relacionamentos, Yuu, era o péssimo namorado. Não que fizesse por gosto, mas ele não havia nascido para isso. Nunca ficava mais de uma semana com a mesma garota. Sim, Yuu é rico, mas não tanto quanto Takanori-san, ele apenas tinha um bom dinheiro guardado no banco. Herança de seu avô, que, quando viu que não iria tão longe deixou o dinheiro de todo o seu trabalho duro para o único neto homem que possuía. Claro, isso fazia com que ele ficasse mais metido do que já era.

Eu sei o que esta pensando.

“O que a questão financeira de Yuu tem haver com a história?”

Aqui que entra o problema, essa criatura da qual chamo de amigo, se envolveu com uma garota em uma das festas que frequentava. Preciso dizer que algumas semanas depois ela apareceu na porta do apartamento luxuoso dele dizendo estar grávida? E que o filho, supostamente, é dele?

Vocês adivinharam não é?

Adivinharam também que ele esta noivo dessa garota? Não? Mas está.

- Acho que estou apaixonado, Akira. – Comunicou ao levantar-se em um pulo, apenas abri a porta do banheiro, já berrando.

- KAI!

- HAAI! – Disse-me ele batendo continência em frente a porta.

- Esconda o cacau! — Yuu me puxou para dentro do banheiro, tornei a voltar e ordenar a Kai.

- E os cigarros! — Sim, outra vez sequestrado para dentro do banheiro.

A não se preocupem, não houve estupros.

Notas finais
Demorei? Imagine né? O importante é ... O capítulo. Ficou fraco, é. "Mas tia BM, ali ta escrito Reita x Ruki. ONDE ESTÁ O REITUKI?" Meus docinhos, em breve...