Sweet Escape
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Mr.Grey Pov.
Minha cabeça formigava em uma dor de cabeça incessante. Apesar de ser sexta-feira meu dia está cheio ou melhor lotado. Depois de dar aula na faculdade, segui para o hospital onde faço experimentos , sem contar que a noite tenho palestra para apresentar. E como um karma para piorar o dia minha irmã Mia resolveu aparecer.
– Preciso de dinheiro. — Afirmou com a mão na cabeça.
– Mia...- Respirei fundo tentando manter o pouco de paciência que ainda me restava.
– Você e o Ernesto não tem direito de fazer isso. — Exaltou a voz.
– Sério? — Fiz cara de pouco caso e cheguei perto de seu rosto. E para minha surpresa Mia cheirava álcool. — Aonde conseguiu dinheiro? — Manifestei me afastando.
– Que dinheiro? Caso não se lembre, você e Ernesto são meus tutores legais e os dois tontos cortaram minha mesada e...- Continuou falando e repetindo, por um momento parei de escutar e comecei a lembrar-me de Mia antes das drogas e do álcool.
Minha irmã e eu sempre fomos próximos, exceto agora claro. Quando Mia completou sete anos nossa vida mudou completamente de rumo, minha mãe biológica Flora era dependente química e aparecia a cada duas semanas em casa. Para a ordinária era fácil pois só deixava um pouco de dinheiro comigo para pagar as despesas e desaparecia no mundo novamente. Até que certo dia a polícia foi em casa e deu a notícia de que ela havia morrido vítima de uma overdose. Nesse dia descobriram que existíamos e os agentes do conselho tutelar nos levaram.
Tinha quatorze anos quando fui para o lar adotivo da senhorita Holmes, fiquei la por três meses e fui adotado por dois anjos, Ernesto e Irina Grey. Por sorte, os dois adotaram Mia também. Aos dezoito anos comecei a cursar medicina em Harvard, era o sonho do meu pai Ernesto. Foi nesse momento em que me desgrudei pela primeira vez da minha amável irmã, seis anos depois quando voltei ela já não era a mesma. Melhor explicando Mia estava mudada e sua mudança não foi benéfica.
– Você está igualzinha a Flora. — Foi um choque, meu sangue ferveu e as malditas palavras -após anos, começaram a ser proferidas. O nome da minha progenitora nunca era proferido, juramos esquecê-lo após a adoção. Os olhos de Mia se encheram de água. — Me Desculpa... Eu não quis dizer isso. — Doeu muito o que falei.
– Me desculpa por ter nascido Christian. — Saiu em passos largos, a acompanhei .
– Mia... Sabe que não foi isso que quis dizer. — Estava ao seu lado acompanhando seus passos apressados. — Eu me preocupo com você, tudo isso que fiz foi porque amo você, sempre fomos só nos dois e sempre vai ser. — Mia tinha se magoado era vidente em seu olhar.
– Eu não sou mais uma criancinha e você não é meu pai. — Gritou sem olhar para trás em direção ao estacionamento. Pensei em responder que ela só estava viva tão somente
por minha causa .
A deixei ir ficar discutindo com Mia nesse estado não iria fazer diferença e para me deixar mais louco ainda seu motorista a acompanhava. Pensando por um lado positivo ela não iria dirigir sobre efeito do álcool mas por outro quem provavelmente lhe forneceu bebida foi seu chofer. Imediatamente pequei meu celular e disquei o número do Ernesto.
– Pai, desculpa ser breve não estou com muito tempo — A voz de Ernesto calma e mansa do outro lado da linha começou a preocupasse. — Quero que demita todos os empregados... Sim todos sem exceção de nenhum. Diz para Irina contratar novos funcionários até segunda, converso com ela no final de semana . — Despedi e desliguei. Iria me encontrar com eles no domingo e então teria a oportunidade de explicar-me. Creio que meu pai se assustou de imediato.
Ana Steele Pov.
Estava amando o curso, a faculdade, minha nova amizade com a Claire, a cidade nova, o novo emprego . Mas como nada é perfeito haviam dois problemas. Para ser realista eram "big" problemas : Primeiro deles descobri que Artes Plásticas é um curso extremamente caro, todo meu material iria me causar uma despesa de $ 1.500 dólares. Sempre guardei mais da metade do meu salário para caso a Nessie, — sendo criança e mais frágil pegar doenças, precisasse de tratamento médico ou derivados — Por esse motivo sempre ajuntei e economizei , mas pensando pelo lado bom e provável o investimento seria necessário e um dia daria uma vida melhor para minha filha. Para deixar minha consciência limpa e sem angústias arrumei um "bico " , um segundo emprego . Iria trabalhar no final de semana, começando hoje Sexta, em um bar no estilo ao que trabalhava na Califórnia ou seja, muitos tarados e bêbados. Porém era algo provisório e o dono do local pagava até que bem.
Meu segundo problema, bom esse considero maior e preocupante. Hoje tenho que comparecer em uma palestra, sim AQUELA palestra. Realmente queria inventar para Claire alguma desculpa ou justificativa para não ir mas por outro lado não queria dar o braço a torcer. As palavras daquele tal de Grey rodeavam minha cabeça " Parece que sua amiga já tem planos para sexta a noite" e " vista-se apropriadamente " . Enfim aqui estava eu parada frente ao guarda — roupas , pensando raivosamente no que vestir. Não tenho vestidos, não tenho saias e para ser honesta tenho apenas um short que uso raramente quando estou em casa. Meu guarda roupa é composto basicamente por blusas regatas, de mangas e calças que compro a maioria das vezes em pontas de estoques. Na segunda eu usava uma de minhas calças e uma regata já que Oklahoma é um lugar que faz bastante calor . Porque eu não estava vestida apropriadamente ? Uf, é uma faculdade como alunos devem se vestir?
Talvez minha blusa tivesse decote demais. Sei lá o que aquele SER pensou. Se bem que, nunca me vesti bem e minha vaidade não era excessiva, na verdade me achava até desleixada demais. Eu sempre gostei de jogar bola, pescar com meu pai coisas de "meninos" , coisa que influenciou muito no meu estilo. Então não uso decotes ou mostro minhas pernas.
O relógio do meu celular marcava 19:15 quando entrei na Fluflu, meu fusca. Depois de quinze minutos o carro deu partida e fui em direção a livraria, aonde ia ser a palestra. Combinei com a Claire dez minutos mais cedo as 19:50 . Acabei errando o lugar, já que sou nova na cidade e quando cheguei no lugar certo estava cheio de carro estacionado, me fazendo parar três quarteirões a frente . Corri até o local, o pior é que depois desse evento, será meu primeiro dia no " emprego provisório", — só queria estar limpinha — mas acabei suando bicas por causa da minha correria. Assim que abri a porta a bati em seguida, fazendo um pouco de barulho, só um pouco.
Aí que merda, assim que olhei do recinto vi que se tratava de uma pequena livraria local e todos os alunos já se encontravam sentados em uma enorme mesa oval. Respirei fundo, muito fundo chegando a engasgar até que enfim tomei coragem e olhei a procura de Claire, mas o que encontrei foram furiosos, tenebrosos e olhando bem no fundo lindos olhos azuis.
– Senta . — Falou virando os olhos, com sua voz extremamente sexy e nervosa, sim igual ao primeiro dia de aula. Mordi os lábios e procurei um lugar na mesa para sentar e para minha tristeza o único lugar disponível era a cadeira ao do senhor Grey. É claro só podia ser, provável até, já que ninguém gosta de se sentar ao lado de um velho rabugento. Eu queria fechar a porta e sair correndo de lá o mais rápido possível, mas ao invés disso andei... — Será que da para andar mais rápido. — Disse jogando uma caneta preta em cima de um papel.
E então a coisa mais inusitada aconteceu, meu celular tocou. Sabe aquelas mães babonas que fazem de tudo para animar ou agradar sua filha, então sou esse tipo de mãe . Há alguns anos atrás quando a Nessie tinha seus 2 anos de idade — na verdade até hoje — seu filme favorito é o rei leão e para homenagea-la comprei o "ringtone" do tema do nascimento do simba e como meu celular não é muito moderno só tem como colocar uma música como toque para todos os números . Uhum, aquela na qual o babuíno, chimpanzé ou simplesmente macaco levanta o pequeno filhotinho de leão.
Todos começaram a rir da minha cara, exceto Claire que me olhava com 'pena' e o tal do Christian Grey que tampou os olhos com a mão e abaixou a cabeça de tanto nervoso. Apenas fiz o sinal de dois com meus dedos e Claire acenou com a cabeça.
Christian Grey Prov.
Sabia que ela chegaria atrasada, na verdade cheguei a suspeitar que ela não viria. Mas só de pensar em não ver ela na sexta, me deixava mais nervoso do que o habitual. Queria vê-la até mais do que isso. Todas as noites desde que a conheci venho tendo sonhos nos quais ela está em minha cama gritando meu nome e pedindo por mais, com astúcia, obediência e desejo em seu olhar . Assim que ela ultrapassou pela porta, nossos olhos se encontraram e se perderam de maneira imediata . É inadmissível alguém ter olhos tão lindos e sedutores do jeito da senhorita Steele. Nunca vi tanta beleza... charme em uma mulher ou até mesmo me senti desse jeito com outras mulheres.
Ao mesmo tempo ela era desastrada e não obedecia as ordens, horários e afins. O que me fazia querer dar várias palmadas naquela bunda sexy e ... foi então que a música e as risadas começaram e a porta se fechou. Quando olhei ela já não estava mais lá o que fez meu coração acelerar. Eu queria vê-la, queria sentir seu cheiro e por ordem do destino — se é que acredito nisso te-la sentada em meu lado.
– Senhores e senhoras, por favor. — Queria que todos calassem as devidas bocas e fizessem alguma coisa útil a não ser rir da senhorita Steele. — Peguem uma folha — Entreguei o envelope na mão de Claire, a amiga da Ana que estava sentada a esquerda e que não ria de toda confusão causada, que começou a distribuir " um por um" — Gostaria que desenhassem uma cena abstrata em apenas uma cor. — Abri minha maleta e tirei uma caixa de lápis de cor. Entregando também para Claire. Eu já previa esse "exercício " mas apenas para segunda palestra, porém é por um motivo claro chamado Ana Steele, tive que adiantar as coisas. Tive que quebrar a Regra 40 : Nunca de o segundo passo antes do primeiro. — Após desenhar irei ajudá-los a entendê-los. — Acenei sério olhando para cada um dos presentes. — Volto em instantes. — Virei e abri a porta quase correndo a procura da bela morena. Aonde já se viu um homem como eu ir atrás de alguma mulher...
– Eu também te amo e muito . — Meu coração estremeceu. Senhorita Steele sorria ao falar ao telefone, o que me causou uma estrema sensação de ódio e dor. Como doutor em psicologia e psiquiatria conhecia bem os sentidos e sabia falar o que ela estava sentindo. Amor, carinho e atenção . Ana Steele já pertencia a um dono.
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