Sweet Child O Mine

2 Esqueceram de mim e a infestação de velhas


Notas iniciais
Pras duas que tiveram coragem (e saco) de ler isso aqui *-*
AIUHIAHIUEHIU
Enjoy

Depois de fazer todas as burocracias e coisas mais entediantes, fui caminhar pelo saguão do aeroporto, com a minha mochila preta toda riscada de corretivo.

Era a primeira vez que iria sair da Itália depois da mudança. Na verdade, até meus cinco anos, Elizabeth e Joseph, meu pai, viajam muito por causa do trabalho. Ele é alemão e ela brasileira, daí deu no que deu. E como dona Elizabeth não parava em um lugar só enquanto estava grávida, acabou que eu nasci em Portugal. Que coisa, não?

Fiquei mofando na sala de embarque até ouvir:

Passageiros do vôo 5676 com destino ao aeroporto internacional John F. Kennedy, Nova York, o embarque já esta liberado. Obrigado.

Fui saltitante até a moça que ficava na porta (mentira, eu tava quase morrendo de sono), e ela me olhou estranho. Nada de novo.

Depois de alguns papeis, revistas e outros, pude finalmente entrar no avião e procurar minha querida poltrona que vai aguentar minha linda bunda por 12 horas ou mais. Caminhando pelo corredor achei a tal da poltrona no fim do mundo – e não, o Jack Sparrow não ‘tava por lá – onde havia um garoto um pouco mais velho do que eu, sentado ao lado.

Botei a mochila naqueles espaços em cima das nossas cabeças e que no momento eu não lembro o nome, logo depois sentando-me ao lado do garoto.

Vou dizer... o cara lembrava o Oliver Sykes, ou seja, tinha uma cara de retardado que só.

Peguei o mp4 do bolso da jaqueta e botei na ordem aleatorea. Eu que não quero ver esse negócio voando. Se eu ja tenho claustrofobia, imagine como vai ser passar 12 horas por aqui. Enfim.

Botei os fones e a primeira música – que estava na metade – tocando era Eternal Rest do Avenged Sevenfold. Preciso dizer que se deixar, fico repetindo essa música o dia inteiro?

~~~~x~~~~

Avenged Sevenfold, Brokencyde, Scorpions, duas idas ao banheiro, uma volta pelo corredor, três discussões sobre bateristas com o cover do Oliver (que chamava-se Nicholas), e duas trombadas com velhinhas depois...

ALELUIA! EU VOU SAIR DESSE NEGOCIO! ME ABRAÇA!

O comandante já estava dizendo para que os passageiros tivessem calma ao sair e esperassem o avião abrir as portas. Calma o cacete. Eu não fico dentro dessa merda nunca mais na minha vida. Percebam que eu gosto de usar figuras de linguagem.

Peguei a mochila daquele compartimentozinho branquinho lá, despedi-me de Nick e fui trombar com a mesma velhinha de antes. E ela ficou me xingando horrores depois.

Sai rindo do avião.

A primeira coisa que pude notar era o emaranhado de gente naquele aeroporto. Muitos executivos, pessoas que deveriam ser donas de multimilionárias, velhinhas, casais... enfim, muita gente mesmo.

Sai andando conforme a placa indicava para a esteira de bagagens. Agora era só esperar para ver se Mark se lembra de vir me buscar. Queria ver eu me adaptar ao fuso horário. Esperei alguns minutos até ver minhas três malas gigantes vindo. Tirei-as da esteira e ajeitei tudo para que pudesse andar por ali sem problemas.

Enganchei as duas alças da mochila nas costas e como uma das malas era de mão, botei-a em cima de uma das de rodinhas e fui puxando cada uma em uma mão até um salão com cadeiras e algumas televisões que mostravam os vôos, horários e mais milhares de coisas.

20 minutos depois...

30 minutos depois....

1 hora depois...

E CADE AQUELE FILHO DA PUTA QUE EU CHAMO DE TIO, CACETE?

É, eu estava irritada. Muito. O movimento havia diminuído consideravelmente desde que chegará. E bem, como é possível perceber, meu tio acabou me esquecendo no aeroporto. É o fim, viu?

Esparramei-me na cadeira de qualquer jeito e apoiei a cabeça no encosto, fechando os olhos. Sono me domina neste instante. Quando estava quase dormindo eis que...

We scream! We shout! We´re the Power Rangers!

Tirei o celular do bolso e atendi.

-Katerina me desculpe, eu acabei perdendo o horário e... – foi exatamente neste momento em que parei de ouvi-lo. Não preciso de mais desculpas porque meu próprio tio me esqueceu no aeroporto de Nova York. NOVA YORK!

Suspirei.

-Beleza. Quanto tempo vou ter que esperar aqui ainda? – perguntei com os olhos fechados e massageando a área um pouco abaixo dos lábios, aquela merda tava doendo. Pude ouvir gritos no telefone novamente e mais uma vez alguma coisa morrendo por lá. Mas que porra é essa? Meu tio é serial killer e ninguém me fala?

-Ahn... Pedi para um amigo ir ai te buscar, ele já deveria ter chegado na verdade. – quase podia ver Mark com a testa franzida, pesando.

-O.k. Como ele... – a ligação cortou novamente e ficou um chiado no telefone. Maldito dia em que fui trocar de operadora. Droga.

Bem... O que posso fazer pra passar o tempo? Já sei... Nada. Divertido. Muito. Ironia.

Algum tempo depois estava com vontade de pegar a bengala da velhinha do meu lado – mas que porra, aqui só tem velho cara – e bater em qualquer um que aparecesse só para que pudesse fazer alguma coisa para sair desse tédio mórbido.

Hmm... Vamos olhar as pessoas...

Faxineiros, atendentes, policiais, velhas (mais?), Synyster Gates, atendentes do McDonald´s, empresários, uns mafiosos que estão me dando medo e... OPA. Rebobina.

Mafiosos, empresários, atendentes do McDonald´s, Synyster Gates.

Synyster Gates?

É sério o que eu estou vendo ou é só mais uma miragem, ou um velho, com cabelo meio comprido e com umas olheiras terríveis de quem não dorme a dias? Apertei os olhos fortemente e abri-os novamente. É, não era uma miragem.

Ele parecia meio perdido ali no meio. Será que ele perdeu quem?

Cara, é nessas horas que eu gostaria de ter uma guitarra ou algo parecido para pedir autografo, porque na pele nem rola. Ou quem sabe, se soubesse tocar guitarra poderia chegar lá e dizer alguma coisa do tipo ‘ah, algum dia eu gostaria saber tocar como você’ ou qualquer coisa do gênero.

Fiquei pensando...

Será que ele não consegue escrever alguma coisa nas minhas baquetas?

Mas pera. Que é isso? Porque ele ta sorrindo pra mim como se achasse uma camiseta do Guns usada pelo próprio Axl? E por que... CACETE! PORQUE ELE TA VINDO ATÉ AQUI? OU SEI LÁ?!

Calma, respire Katerina, deve ser coisa da sua imaginação. Mas também, se você não ficasse encarando o cara, ele não teria te visto. E porque diabos ele tava sorrindo pra mim? Porra, será que ele vai querer me estuprar? Mas ele não era casado, não? E... PORRA Katerina, cala a merda da boca. Mas eu não ‘to falando nada. Então quem sou eu? A consciência que ta me dando dor de cabeça. Xô daqui, vaza! Vish, calma.

-Err... oi. Katherine Knihs Boettner? – ele fala gente! Franzi o cenho. Mas que diabos estava acontecendo ali? Será que eu morri no vôo e não sei? Não, acho que não. No céu não teria tantas velhinhas querendo me bater com a bengala.

-Na verdade, fala-se Kéterína. – soltei. É, pode ser até o Obama, mas se falar meu nome errado eu corrijo na hora. Brian, será que eu acho ele assim mesmo?, passou a mão pelos cabelos de trás pra frente.

-Hmm... certo. – Ugh. Synyster Gates desconfortável? Que macumba fizeram hoje? – Eu sou...

-Eu sei quem ser você. – interrompi. Não era problema do inglês não, era só o jeito que eu falava mesmo. – O que eu não descobri é porque ‘ce sabe meu nome. – olhei-o de cima a baixo. Tenho tendência a ser anti-social, não me espanquem.

-Seu tio. – sorriu. Mais eihn?

- Meu tio? – franzi as sobrancelhas. Estava meio perdida ali, porque, cara... eu tava conversando com o Gates. Uh. Agora caiu a ficha. Eu tava conversando com o guitarrista solo do Avenged Sevenfold, Synyster Gates.

PORRA!

-Marcos Devon – falou como se eu fosse algum tipo de doente mental.

Arregalei os olhos.

AH! Mas eu vou matar o Mark a paulada.

Notas finais
relevem alguns erros (: